"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Texto para teatro escolar

O Médico

Farsa de Luce Hinter, tirada de uma commédia de Molière , traduzida da “Collection Feu et Flamme”, Éditions Fleuries, Paris.

Personagens: Pedro, lenhador; Maria, sua mulher; O mensageiro do rei; O rei; A filha do rei

1o Ato

Cenário: Um jardim.

Pedro, armado de um pau, chama por Maria.

Pedro ― Maria! Maria! Você vem ou não vem? (Anda pelo palco, furioso) Maria! Ó Maria!...

[Chega Maria, sua mulher, tremendo de medo.]

Maria ― Pronto. Aqui estou... aqui estou...

Pedro ― Onde é que você andava, mulher? Na certa, tagarelando com as comadres faladeiras como você. Venha aqui que eu lhe mostro o que é desobedecer ao marido.

[Com um pau, Pedro bate em Maria.]

Maria ― Ui... Ui... Ui.... Deixe estar, malvado, que eu me vingo. Hoje mesmo eu me vingarei.

[Sai resmungando queixas.]

Pedro ― E agora irei à floresta arranjar um pau mais forte. Este aqui está ficando muito usado.

[Sai.]

[Entra o mensageiro do rei procurando alguém.]

Mensageiro ― Ó de casa! Não há ninguém aqui?

[Maria arrisca a cabeça.]

Maria ― O que o senhor deseja?

Mensageiro ― Saber se este caminho vai até a cidade.

Maria ― Bem... É sim. É o caminho. Mas por que o senhor quer ir até a cidade? Fazer o quê?

Mensageiro ― Você quer mesmo saber? (Confidencial) Pois vou arranjar um médico para a filha do rei.

Maria ― Um médico para a filha do rei! Coitada... Ela está doente?

Mensageiro ― Muito doente. Está com uma espinha de peixe atravessada no gogó. Não pode nem beber nem comer!

Maria (À parte) ― Está na hora de eu me vingar de meu marido. (Alto) Senhor mensageiro, não é preciso ir à cidade. Meu marido é um ótimo médico.

Mensageiro ― É médico?

Maria ― É, mas...

Mensageiro ― Mas, o quê?

Maria (Aproximando-se dele e confidencialmente) ― Ele não ira se o senhor não lhe bater bastante. É uma Mania... Quanto mais apanha, melhor médico fica. É assim mesmo meu marido...

Mensageiro ― Onde está este homem? Quero levá-lo vivo ou morto, à presença do rei.

Maria ― Ele deve estar ali perto daquele bosque. Pode chamá-lo. O nome dele é Pedro.

Mensageiro ― Pedro! Pedro! Ó Pedro...

[Maria desaparece.]

Pedro ― Quem me chama?

Mensageiro ― Sou eu... Venha depressa encontrar-se com o rei.

Pedro ― Com o rei?! Por quê?

Mensageiro ― Ora! Porque você é um médico e o rei está precisando de um urgentemente.

Pedro (Furioso) ― Que tenho eu que o rei esteja precisando de um médico? É melhor você me deixar em paz e ir procurar o raio do médico em outro lugar.

Mensageiro ― Calma, Pedro, calma. (Aproximando-se) Sei que é preciso bater muito em você para... (Bem perto) Chegou o momento...

[O mensageiro começa a bater vigorosamente em Pedro. Este grita, esperneia, foge e depois torna a gritar.]

Pedro ― Chega! Chega! Eu vou! Eu vou!...

[De vez em quando aparece Maria e dá umas risadinhas.]

Maria ― (Para o público) Cada um por sua vez... Ah... ah... ah!...

Mensageiro (Batendo sempre) ― Ande, Pedro... Para o palácio do rei. Depressa!

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2o Ato

Cenário: Palácio do rei

A princesa está recostada num canto, sofrendo. O rei anda de um lado para o outro, aflitíssimo. De vez em quando pára, olha a filha e suspira

Rei ― O mensageiro está demorando muito... (Torna a andar) Estou ouvindo barulho.

Mensageiro (Falando baixo) ― Senhor rei, eu vos trago um famoso médico. Mas ele tem uma mania esquisita. Só trata dos doentes quando apanha muito.

[Neste momento a filha do rei começa a andar, mas cai de novo.]

Rei (Aflito) ― Então, pau nele, depressa!

Pedro ― Mas, rei, não sei nada de medicina.

Rei ― Não sabe, não? Ah!... (Para o mensageiro) Bata nele... vamos...

Pedro ― Ui... ui... ui...

[Ele faz gestos, contorções, de tal maneira que a filha do rei começa a rir.]

Filha do rei ― Ai, meu Deus! De tanto rir, a espinha saiu de minha garganta.

Pedro ― Senhor rei, vossa filha já está boa. Agora deixai-me voltar para casa.

Rei (Solene) ― Ainda não. Ainda Não. Você merece uma boa recompensa.

Pedro (À parte) ― Será que eles vão começar a me bater de novo? (Alto) Não senhor rei. Muito obrigado. Estou muito contente de ter prestado um serviço à princesa. Agora... quero... voltar!

Rei (Enérgico) ― Ainda não. Mensageiro, dê a este grande médico uma bolsa cheia de ouro e o acompanhe até sua casa.

Mensageiro ― Sim, senhor.

Pedro ― Muito obrigado... muito obrigado. Mas prefiro que o mensageiro não me acompanhe. Prefiro ir sozinho. (À parte) Como dói a gente apanhar! Prometo nunca mais bater na Maria!

[Maria aparece, abraça Pedro e saem os dois, muito contentes.]

Fim

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Um comentário:

StephanyVeiga,GiovanaMuller disse...

eu vou fazer esse teatro amanhã na minha sala (:
fiicou muito engraçado !