domingo, 19 de janeiro de 2014
Roteiro para análise de um poema
1º - Leitura;
2º - Vocabulário;
3º - Conteúdo (paráfrase);
4º - Estudo da
morfossintaxe (substantivos, adjetivos, verbos e outras classes gramaticais; orações);
5º - Unidade vocabular
(palavras-chave);
6º - Musicalidade do
poema:
a a)
Ritmo:
―
Rima
―
Silabação
―
Tonicidade
―
aliteração
b b)
Encadeamento
c c)
Eco,
sonância
d d)
Refrão
7º - Estudo das
frases para verificar a capacidade de o autor sintetizar as ideias;
8º - Relação do
poema com a realidade social e estética;
9º - Estruturas sintáticas
repetidas;
10º - Situação do poema
no tempo literário;
11º - Intertextualidade.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Entrevista de emprego
Uma das mais comuns situações de diálogo formal.
Uma entrevista de emprego não se configura como a
mais importante e tampouco como única forma de diálogo formal. A mesma situação
poderá ser vivenciada de forma semelhante caso alguém, por exemplo, pleiteie
uma bolsa de estudos, um patrocínio ou oportunidade de estágio. Seja como for,
as orientações que oferecemos aqui podem ser extrapoladas para outros tipos de
diálogo formal, desde que feitas as devidas adaptações.
De modo geral, muitos dos cuidados que devemos ter
numa exposição oral ou num debate valem também para a entrevista de emprego:
chegar com antecedência ao local do encontro, evitar gírias e expressões
coloquiais, tomar cuidado com cacoetes gestuais ou linguísticos, obedecer à
norma padrão, manter uma postura relaxada e natural. Em relação à apresentação
pessoal, todo cuidado é pouco ¾ salvo em
situações excepcionais (como uma empresa conhecida pelo ambiente descontraído),
a roupa deve ser formal, discreta e em tons neutros. Deve ser evitado todo tipo
de excesso, seja no perfume, na maquiagem ou nas joias. Além disso, como você
manterá contato próximo com o entrevistador, é fundamental estar atento ao
asseio, inclusive da barba, das unhas e do cabelo.
Quanto
à preparação para a entrevista, cabe ao candidato:
1.
Aprender sobre a
empresa
¾ entre no site
da organização e estude os tipos de produtos ou serviços que ela oferece, sua
história, missão, valores, estrutura, quantas filiais possui, quais programas
sociais ou ecológicos desenvolve; enfim, tente descobrir o máximo que puder
sobre ela. Na hora da entrevista, o candidato que demonstra estar bem informado
sobre a empresa não apenas denota maior afinidade com ela, como prova ter duas
virtudes que os selecionadores valorizam muito: interesse e iniciativa.
2.
Estudar a
própria trajetória acadêmica e profissional ¾
o mínimo que se espera de um candidato é que ele seja capaz de recontar a
própria vida de maneira coerente. Esteja preparado para explicar por que optou
por sua carreira e, também, por que deixou seu último emprego ou pretende
deixar o atual. Caso tenha sido demitido, seja franco a respeito, sem se fazer
de vítima nem dar importância exagerada ao fato.
Algumas
dicas de especialistas sobre como se comportar durante a entrevista de emprego.
§
Mantenha
o telefone celular desligado;
§
Cumprimente
o entrevistador com um aperto de firme mão. Seja simpático, mas não force um
excesso de intimidade;
§
Não
dê respostas do tipo “sim” ou “não”. Mostre que você consegue articular as
ideias, porém sem estender-se demais;
§
Ouça
com atenção as perguntas do entrevistador e jamais o interrompa;
§
Se
você não tiver uma experiência profissional, enfatize os pontos positivos de
sua formação. Destaque cursos extracurriculares, participação em eventos,
qualquer tipo de vivência que tenha lhe trazido amadurecimento pessoal e
profissional;
§
Se
o entrevistador fizer uma pergunta do tipo “qual é o seu maior defeito?”, evite
clichês, como “o perfeccionismo”. Seja objetivo no reconhecimento do problema e
mencione que medidas você está tomando ou pretende tomar para resolvê-lo. Por
exemplo: se seu inglês é fraco, cite isso como um defeito, mas indique que vai
se matricular em um bom curso;
§
Esteja
preparado para informar sua pretensão salarial. Jamais a justifique com base em
necessidades pessoais (por exemplo, “preciso
ganhar X para poder pagar o aluguel
e a faculdade”), e sim na média do mercado;
§
Jamais
fale mal de ex-empregadores ou ex-colegas;
§
Na
final da entrevista, mostre interesse e disponibilidade para participar das
outras etapas do processo seletivo.
Fonte:
GUIMARÃES, Thelma de
Carvalho. Comunicação e linguagem.
São Paulo: Pearson, 2012. (Adaptado)
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Campos semânticos e campos léxicos
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Uma das maiores contribuições de
Saussure foi a de mostrar que a palavra não é uma unidade semântica isolada. Ao
procurar relações de aproximação (sinonímia) e de oposição (antonímia), abriu
ele caminho para os estudos da semântica estrutural, notadamente entre
linguistas da Alemanha e da Suíça, a partir das décadas de vinte e trinta,
trazendo a ideia de ligação significativa de certos conjuntos de signos
linguísticos, e.g., grupos de animais
domésticos – cão, cavalo, gato, boi,
que possuem em comum certos atributos (animais, irracionais, vertebrados,
quadrúpedes, domésticos etc.), colocando-os, assim, em um mesmo campo
semântico.
A esta associação de conceitos,
Dubois (1978, p. 366) chama de campo semântico em termos de polissemia. Não
alcança, porém, a aceitação da maioria dos linguistas, estes concordes com
Mattoso Câmara Jr., entendendo que campos semânticos constituem “famílias
ideológicas”.
Compreendido o sentido de campos
semânticos ou campos nocionais, cumpre verificar que cada unidade-membro da
família ideológica possui suas particularidades, vale esclarecer, traços mínimos
de significação que a distingue das demais. Quando se diz canino, equino,
felino, bovino, não se está colocando os signos em um mesmo campo semântico,
pois as especificações referem-se a cada signo, isoladamente. As palavras
unem-se em torno de uma palavra primitiva e a derivação constitui as “famílias
etimológicas”.
Veja-se:
Campo semântico Campo léxico
Indústria Operário
fábrica operacional
operário operariado
empresário operacionalizar
máquina operador
torno operar
metalúrgico operante
têxtil operacionismo
mão-de-obra
operativo
empresarial operoso
salário operosidade
sindicato
Ainda consoante Mattoso Câmara Jr., campos léxicos são famílias de palavras ou palavras cognatas, a saber, palavras que constituem um grupo de derivação incluindo-se a composição prefixal. Como exemplos:
§
Do
latim fiscus-i (cesto de vime, cesto
para dinheiro e, daí, dinheiro público): fisco, fiscal, fiscalista, fiscalizar,
confiscar, confiscação, confiscatório, confiscativo, confiscável.
§
Do
latim pecus-oris (rebanho, gado,
objeto de troca em tempos antigos): pecuária, pecuário, pecuniário, pecúlio,
peculiar, peculato, peculatório, peculador, pegureiro.
§
Do
lati torquere (torqueo, torquis, torsus sum, torsum ou tortum): torto, tortura, torturar, tortuoso, tormento, torculo,
torção, contorção, distorção, extorsão, contorcer, distorcer, extorquir,
retorquir, retorcer, retorção.
§
Do
latim loqui (loquor, locutus sum): loquaz, eloquência, colóquio, solilóquio,
locutor, locução, elocução, alocução, alocutário, interlocutor, perculatário.
§ Do
latim cursare (frequentativo de currere – correr): acorrer, concorrer,
decorrer, discorrer, escorrer, intercorrer, recorrer, socorrer, transcorrer,
curso, concurso, decurso, discurso, incurso, excursão, recurso, transcurso,
socorro.
§ Do
latim puer-i: puerícia, pueril,
puericultura, puérpera, puerperal, puerilidade, puerpério, puerilizar.
§
Do
latim trahere (traho-trahis-traxi-tractum): atração, abstração, contração,
extração, detração, retrair, contrair, subtrair.
FONTE: DAMIÃO, Regina Toledo. Curso de
português jurídico. 10. ed. – 2. Reimpressão. – São Paulo: Atlas, 2008.
(Adaptado).
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sábado, 7 de dezembro de 2013
A ponte e a crase
O
poeta Ferreira Gullar um dia me disse que “a crase não foi feita para humilhar
ninguém”. Não sei de quem é a frase — talvez seja do próprio Gullar —, mas é
lapidar. A crase talvez não humilhe, mas causa embaraços. A coisa começa na confusão
entre o nome do acento que indica a crase e a própria crase. Vamos por partes.
O acento que aparece em “à”, “às”, por exemplo, chama-se grave.
O
acento é grave. Crase é o nome do fenômeno. Crase vem do grego e significa
fusão, mistura. De qualquer coisa com qualquer coisa. O dicionário Aurélio diz que a palavra é empregada em
linguagem médica, para indicar “mistura, equilíbrio das partes constitutivas
dos líquidos orgânicos”. Em gramática, quando se fala de crase, fala-se da
fusão de duas vogais iguais.
No
português moderno, em 99% dos casos, a crase se restringe à fusão da preposição
“a” com o artigo “a”. É o que ocorre em “O livro pertence à diretora”, por
exemplo. O verbo pertencer rege a preposição “a”. Se uma coisa pertence,
pertence a alguém. Esse “a” se funde com o artigo feminino “a”, exigido pelo
substantivo feminino “diretora”. Pois bem. A fusão dessas vogais (a+a)
é representada pelo acento grave a+a=à.
Tome
cuidado com a pronúncia, com a leitura. Muita gente, quase sempre com a melhor
das intenções, espicha esse “a” na leitura: “O livro pertence aa diretora”. Mais caprichosos, alguns
exageram e ficam uma semana com o “à” na boca (pertence aaaaaa diretora). Nada disso. Lê-se esse “a” como se lê “a” ou
“há”. Na boca o som é o mesmo.
E
que relação a crase tem com a ponte? Você já deve ter visto na televisão uma
propaganda da TAM, que termina com a seguinte frase: “A ponte que liga (ou
“une” — não me lembro) preço à qualidade”. Que tal o acento grave? Pense comigo.
Parece que a ponte liga (ou une) x a y. Quem são x e y?Preço e qualidade,
dois substantivos, isto é, duas palavras de mesma natureza.
Existe
em língua um processo chamado simetria, paralelismo. Ou se coloca artigo para
os dois substantivos, ou não se coloca nenhum. Ao empregar o acento grave antes
de “qualidade”, o redator fundiu preposição e artigo, ou seja, empregou o
artigo para “qualidade”. E onde está o artigo para “preço”? O gato comeu.
Moral
da história: “A ponte que une o preço à qualidade”. Ou “A ponte que une preço a
qualidade”. É isso.
“Inculta
& Bela”, Pasquale Cipro Neto.
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domingo, 1 de dezembro de 2013
Exigências da vida moderna
Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal... Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!
Luis Fernando
Veríssimo
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Leitura para crianças
10 direitos das crianças de 0 a 5 anos em relação à leitura:
1. Toda criança pequena tem direito de ver os livros e as pessoas lendo, observar como elas se comportam e reagem. Isso desperta na criança o interesse pela leitura.
2. Toda criança pequena tem direito de conhecer os diferentes lugares onde os adultos leem: na cama, no sofá, no chão, no parque ou no ônibus, e pode escolher seus lugares preferidos para ouvir uma história ou “ler” sozinha.
3. Toda criança pequena tem direito de explorar o livro – sentar em cima, bater na capa, morder e, ao escutar uma história, poder ficar sentada, deitada e em pé.
4. Toda criança pequena tem direito de escutar muitas histórias na voz de pessoas queridas, todos os dias. Esse é um momento para o adulto demonstrar carinho, conversar com a criança, mostrar e nomear as coisas do mundo.
5. Toda criança pequena tem direito de aprender a utilizar os livros. Para isso, é essencial que possa manuseá-los, descobrir diferentes tamanhos e formas, tipos de letra e ilustração, ver qual é a capa, como virar as páginas, onde a história começa e termina.
6. Toda criança pequena tem direito de ouvir a história do jeito que o autor escreveu, sem alterações feitas pelo adulto que lê. As palavras estranhas e diferentes ampliam o conhecimento da criança.
7. Toda criança pequena tem direito de ficar em silêncio, perguntar e conversar durante as histórias. É natural para ela falar sobre suas descobertas e suas dúvidas.
8. Toda criança pequena tem direito de usar sua imaginação para brincar com os personagens, as ilustrações, os sons das palavras e as situações do livro, criando sua própria história. Ela pode rir, sonhar, entristecer-se, movimentar-se, surpreender-se ou até sentir uma pontinha de medo.
9. Toda criança pequena tem direito de reconhecer situações do cotidiano das pessoas do seu grupo ou de grupos diferentes através do livro.
10. Toda criança pequena tem direito de escutar várias vezes a mesma história, mesmo que não olhe para o livro e suas ilustrações. E, se não gostar de algum livro, a criança também tem direito de interromper a leitura.
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
LATINISMOS: sui generis, pari passu, e.g., apud suso
Às
vezes ouvimos pessoas falando coisas como: “tal
situação foi sugênere”. Pois bem,
essa é uma expressão latina cuja grafia correta é sui generis e quer dizer “de seu próprio gênero”, ou seja, significa
que algo (fato, situação, caso) é único no gênero, é original, peculiar,
singular, excepcional, sem semelhança com outro. Diz-se então: “tal situação
foi sui generis”, “nunca vi disso: o
caso é sui generis”.
Existe também uma outra expressão latina
bastante instigante, pari passu,
cuja expressão equivalente em português é “a par e passo”. A locução adverbial pari passu quer dizer “em passo igual”,
que algo é levado no mesmo passo, no mesmo andar ou ritmo. Frase do escritor
José de Alencar: “Renasce a mãe no filho, volve à puerícia, para
simultaneamente com ele, a par e a passo, de novo percorrer a mocidade e a existência”.
Um bom exemplo atual é este encontrado num texto sobre História da
Educação: Os programas das escolas primárias acompanham a par e passo as transformações da Escola Normal.
Quanto
à expressão e.g. encontrada em livros
e textos, trata-se das letras iniciais da abreviatura da expressão latina “exempli
grata” e significa por exemplo. Também
se usa, para o mesmo caso, v. g., de
“verbi gratia”, que pode igualmente ser abreviado em português: p. ex.
A
palavra latina apud, ou sua
abreviatura ap., quando se faz uma
citação de segunda mão, isto é, a citação de uma citação. Em outras palavras,
ela se refere à transcrição ou à paráfrase de uma frase ou de um trecho de que
só se tomou conhecimento na obra de outro autor. Isso dá a entender que a
pessoa que transcreve a citação não leu o original, o que se justifica apenas
no caso de ser uma obra de difícil acesso. No corpo da tese ou dissertação se
faz, por exemplo, a seguinte indicação:
Ao
tratar desse tema, em 1945 já afirmava Einaudi, apud Bobbio (1992, p. 215), que
“os homens livres não devem renegar suas próprias razões de vida, renegar a
própria liberdade de que se professam defensores”.
E
nas referências bibliográficas só vai constar o autor do livro consultado/lido:
BOBBIO, Norberto. A era dos direitos
(edição ampliada). Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Campus, 1992.
Para
os acadêmicos de Direito, pode causar estranhamento a palavra suso. Imaginemos uma sentença mais ou
menos assim: ...nos autos suso
mencionados. “Nos autos susomencionados” vale por “nos autos acima citados/
retromencionados/ supracitados/ susoditos ou sobreditos. O termo suso não é facilmente encontrável por
ser considerado “desusado, antigo”. Juntando o que dizem os cinco dicionários
(dos 19 consultados) em que se registra o elemento de composição suso, temos que se trata de preposição
e advérbio, do latim susum ou sursum, com o significado de “acima,
anteriormente, antes, atrás”. Observar que a grafia é sem espaço e sem hífen.
FONTE.
Adaptado de:
PIACENTINI, Maria Tereza de
Queiroz. Não tropece na língua: lições e
curiosidades do português brasileiro. Curitiba: Bonijuris, 2012.
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domingo, 29 de setembro de 2013
Regras para a acentuação gráfica
Acentuação gráfica
Quando utilizamos a linguagem oral, pronunciamos os sons com um maior ou menor grau de intensidade. Isto nos permite distinguir a sílaba tônica de uma palavra: a-ba-ca-xi.
Sílaba tônica é a que se destaca das demais por ser pronunciada com maior força expiatória.
Para reconhecer a sílaba tônica de uma palavra, imagine que a está gritando para alguém a certa distância. Normalmente, prolonga-se a sílaba tônica: Fer-NAAAN-do; ES-PEEE-re.
Sílabas átonas são aquelas que se caracterizam por uma pronúncia mais fraca: a-ba-ca-xi.
De acordo com a posição da sílaba tônica, os vocábulos de mais de uma sílaba são classificados em:
§ oxítonos: se a sílaba tônica é a última: sa-bi-á, Ca-xam-bu, cho-rar;
§ paroxítonos: se a sílaba tônica é a penúltima: fá-cil, es-pe-lho, ca-be-lei-rei-ro;
§ proparoxítonos: se a sílaba tônica é a antepenúltima: lâm-pa-da, hi-po-pó-ta-mo, rá-pi-do.
Na linguagem escrita, muitas vezes somos obrigados a indicar a sílaba tônica, o que fazemos com a utilização do acento gráfico agudo [´] ou circunflexo [^].
São acentuados os vocábulos oxítonos terminados em:
a(s): cajá, está, fubá, gambá, maracujá, será, xará, ás, aliás, ananás;
e(s): até, café, jacaré, através, pajés, bebê, dendê, Tietê, você, camponês, freguês, inglês;
o(s): avó, mocotó, jiló, avô, metrô, avós, retrós, bisavôs, borderôs, propôs;
em: porém, armazém, também, alguém;
ens: vinténs, parabéns.
Incluem-se nessa regra:
a) as formas verbais seguidas dos pronomes átonos:
acusá-lo, chamá-lo, considerar-se-á, atendê-lo, socorrê-lo, conhecê-lo.
b) os monossílabos tônicos terminados em:
a(s): chá, já, hás; e(s): fé, crê, vê, pés, três; o(s): pó, nós, sós, pôs.
c) os verbos ter e vir apenas no plural:
ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm.
d) a terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos derivados de ter e vir leva acento circunflexo; a terceira pessoa do singular leva acento agudo:
ele detém, ela obtém, isto convém, ele intervém; eles detêm, elas obtêm, tais coisas não convêm, eles intervêm.
e) se formar hiato, o i ou o u será acentuado:
juízes, faísca, saí, Jacareí, Piauí, Itaú, baú.
f) os ditongos abertos éu, éi e ói quando são a sílaba tônica de vocábulos oxítonos e monossílabos tônicos:
anéis, batéis, fiéis, papéis, rói, herói(s), remói, sóis, corrói, réu, povaréu.
*Obs.- o i ou o u não será acentuado quando formar sílaba com l, m, n, r, z: Raul, ruim, ainda, ruir, juiz; ou quando constituir o primeiro elemento de um ditongo: saiu, anuidade. O i dos hiatos não recebe acento quando estiver seguido de nh: rainha.
São acentuados os vocábulos paroxítonos terminados em: um, uns, i, is, us, l, n, r, x, ã, ãs, ão, ãos, ons, ps, ei, eis:
álbum, fórum, médium, álbuns, médiuns, biquíni, dândi, júri, táxi, jóquei, Clóvis, lápis, tênis, bônus, ônus, Vênus, vírus, admissível, cônsul, fácil, imóvel, inviolável, túnel, cânon, elétron, hífen [hifens, no plural, não tem acento], Nílton, alúmen, açúcar, caráter, César, éter, revólver, córtex, Félix, Fênix, látex, tórax, ímã, órfã, ímãs, órfãs, acórdão, bênção, órgão, bênçãos, órgãos, elétrons, bíceps, fórceps, tríceps, vôlei, fáceis, imóveis, túneis, úteis, variáveis.
Incluem-se nessa regra os ditongos orais (seguidos ou não de s): páscoa, glória.
*Obs.- Não se acentuam os prefixos terminados em i e em r: semi-hospitalar, super-homem etc. Os paroxítonos terminados em ditongo nasal representado graficamente por em, ens não recebem acentos: falem, hifens, itens.
São acentuados todos os vocábulos proparoxítonos:
lágrima, fôlego, sábado, pássaro, matemática, gramática, protótipo, vítima, acréscimo, índice, próximo, médico, código, exército, gênero, público, sílaba, xícara, capítulo, décimo, parágrafo.
Exercícios para fixação
Nas frases abaixo, acentue as palavras corretamente:
a) O juri se valeu do carater irrepreensível do consul.
b) A geleira Bering, no Alasca, é a maior da America do Norte, mas esta derretendo rapidamente. (Isto É)
c) O juiz perdeu seus niqueis no taxi.
d) O automovel era um conversivel bege, reluzente de metais cromados. (Érico Veríssimo)
e) Fizemos um album do grupo que participou do campeonato de volei.
f) Foi muito util o estudo sobre o virus da tuberculose que fizemos aqui.
g) O transplante do orgão foi bem-sucedido.
h) Cana-de-açucar se escreve com hifen.
Fonte:
MEDEIROS, João Bosco. Português instrumental. 8ª ed. – São Paulo: Atlas, 2009. (Adaptado)
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Bolsa de valores
Ultimamente muitos amigos têm estado preocupados
com as oscilações negativas das bolsas de valores pelo mundo afora. Os
investimentos na bolsa de valores, constituem por si próprios, atividade
financeira de nível arriscadíssimo, e devem ser objetos de estudos tanto quanto
às possibilidades de ganhos como as de perdas. Veja a narrativa a seguir e
entenda como tudo funciona:
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Tempos
atrás, na época da colonização do oeste americano, diz-se que chegou para o
lugar um negociante de cavalos que estava comprando todos os cavalos selvagens
que lhe trouxessem. A cada cavalo pagava a quantia de dez dólares. Depois de
algum tempo, quando já havia comprado uma enorme quantidade animais e a oferta
começava a minguar, o negociante aumentou o preço a ser pago por cada cavalo,
passando a ofertar quinze dólares por animal. E assim, a cada vez que o negócio
começava a esmorecer, aumentava o preço dos animais e aguçava a cobiça dos
caçadores que se punham a caçar mais cavalos. Vinte, trinta, quarenta dólares.
Os cavalos praticamente não eram mais encontrados na região e já custavam cinquenta
dólares, quando o negociante anunciou que sairia de viagem para capitalizar
mais recursos, deixando um assistente em seu lugar. O assistente estaria
incumbido de pagar os mesmos cinquenta dólares a quem lhe trouxesse um cavalo
selvagem. Entretanto, assim que o patrão se ausentou, o assistente resolveu
espalhar a notícia que estava vendendo alguns cavalos a 35 dólares cada, e quem
sigilosamente lhe comprasse os cavalos, poderia vendê-los novamente ao
negociante pelo valor de cinquenta dólares quando este retornasse da viagem.
Muitas pessoas começaram a comprar os cavalos ao preço de trinta e cinco
dólares... Compraram todos os cavalos que o assistente colocou à venda, e também
todos os demais que estivessem disponíveis na região. Depois de um certo tempo,
porém, o assistente também desapareceu, e nunca mais nem o negociante e
tampouco o assistente foram vistos por aquelas bandas.
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Moral da história? Que cada leitor entenda como
deva proceder com cuidado redobrado e malícia aguçada em determinadas
aplicações financeiras...
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013
A Catedral
Entre brumas, ao longe, surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu risonho
Toda branca de sol.
E o sino canta em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma áurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.
A catedral ebúrnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tão cansados ponho,
Recebe a benção de Jesus.
E o sino clama em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
Por entre lírios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Põe-se a luz a rezar.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece na paz do céu tristonho
Toda branca de luar.
E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O céu e todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.
E o sino chora em lúgubres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
Análise do poema
Afonso
Henriques da Costa Guimarães (Ouro Preto/MG, 1870 – Mariana/MG, 1921). Aos 18
anos, assiste à “difícil partida” de sua noiva Constança; o amor por Constança
estará presente em toda sua vida e obra poética. Aos 27, formado em direito,
casa-se; anos depois é nomeado juiz em Mariana/MG, de onde não mais sairia.
Segundo um dos maiores poeta simbolista francês, Paul Verlaine, disse no poema
“Arte Poética”, que “antes de tudo, a música preza/ portanto, o ímpar. Só cabe
usar/ o que é mais vago e solúvel no ar/ sem nada em si que pousa ou pesa.”
Fica evidente a presença da música logo nos primeiros versos e da vaguidade. Em
“entre brumas, ao longe, surge a aurora./ o hialismo orvalho aos poucos se
evapora.”, percebe-se palavras ligadas ao amanhecer ou à claridade. Isso
significa a vaga lembrança em sonho com a amada, Constança, note que no final
do segundo verso da primeira estrofe, a lembrança “aos poucos se evapora”, ou
seja, o poeta volta-se para a realidade, que é como se ele fosse acordar, porém
custa para que isso aconteça; pois é a única forma de ter contato com ela.
Observe também que no final da estrofe o sino canta, este representa o estado
da alma do poeta que está feliz, mas, ao mesmo tempo, está triste; feliz por
ter boas lembranças e vivê-las em sonho e triste por saber que está morta.
Nota-se em “pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” que uma espécie de coro ou sua
própria consciência está cantando aos “ouvidos da alma” a realidade. Na
terceira estrofe, percebe que enquanto se acorda do sonho (este é o único meio
de aproximar-se de ambas as mulheres, Constança e a virgem Maria, esta cujo
poeta era devoto, comparava àquela pela semelhança da pureza, virgindade, etc.
e daí o amor aparece sempre espiritualizado) e a visão da amada “segue a eterna
estrada”. Constança é representada pela catedral ebúrnea tanto na primeira como
nas estrofes seguintes (e essa repetição representa a presença constante da
amada em seus sonhos); ela “aparece, na paz do céu risonho/ toda branca de sol”
e depois “recebe a benção de Jesus”. Porém a consciência do poeta agora clama e
não mais canta, vê-se uma gradação emocional, uma tensão.
“Por entre lírios e lilases desce/ a tarde esquiva: amargurada prece/ põe-se a
luz a rezar”, esses versos refere-se também à Constança e neles o poeta
enaltece a figura da amada que até a natureza tem reverência por ela. “A
catedral do meu sonho/ aparece, na paz do céu tristonho/ toda branca de luar”;
ela continua com todas as características como bela, pura, perfeita etc.,
todavia a concepção utópica dele muda “céu tristonho”, alguma coisa começou a
entrar em desequilíbrio. Outrora tudo era perfeito, pois era como estivesse
sonhando e no sonho o irreal torna-se real. Então, isso o leva ao desespero,
porque queria ficar com ela, mas esse mundo vai se desfazendo à medida que vai
se acordando. A tensão aumenta cada vez mais e “o sino chora” ou o estado da
alma do poeta desfaz-se levando-o à catarse.
Por conseguinte, “o céu é todo trevas: o vento uiva./ do relâmpago a cabeleira
ruiva/ vem açoitar o rosto meu”; nesses versos, o poeta acorda ou sua
consciência e aquela reminiscência logo se evapora. Ela “afunda-se no caos do
céu tristonho/ como um astro que já morreu”; “e o sino geme em lúgubres
responsos:/ “Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!” Além do que já foi dito, esses
versos mostram a autocompaixão do poeta no badalar do sino.
O
sino, este grande referencial estampado nos versos do poema, conduz os
interlocutores para uma leitura em que se evidenciam as quatro fases de um dia
(madrugada, manhã, tarde e noite), entretanto, o que também se pode inferir é que
o poeta procurou contemplar as quatro cerimônias que ocorrem numa igreja. Numa leitura
mais criteriosa e menos apressada podemos observar os relatos e descrições de um
dia de ”batismo”, de “primeira comunhão”, de ”casamento” e, por fim, os de um “funeral”.
A oração letal (lúgubres responsos) palavras
sempre presentes entre as estrofes principais indicam que o próprio Alphonsus
já profetizava um final para a purgação que não tardaria a chegar.
Interaja com o vídeo:
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terça-feira, 24 de setembro de 2013
Eu e você
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Eu a conheço há muito tempo.
Desde o início do sempre.
Mas somente agora a encontrei
e tão rápida a felicidade me apossou.
Acreditas em alma gêmea?
Daquelas que sempre existiram.
Tenho certeza de que somos assim,
Um para o outro e para o amor.
Isso não é uma substância fugaz...
É parte de um todo sem fim.
Coexistimos em meio a uma multidão,
mas nasci só para ter você para
mim.
(Juarez Firmino)
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sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Estrela minha
A cortina se abre
e eu acordo para o palco.
Você vem
e além da tua voz,
tudo é um único e profundo
silêncio,
com um olhar compenetrado
ouço até a tua respiração.
Você está linda,
muito linda,
linda, linda, linda...
Lindíssima.
E a cortina se fecha.
O espetáculo termina.
Porém, o sonho continua
e eu não posso acordar.
(Juarez Firmino)
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