domingo, 27 de dezembro de 2015
Termos da oração
A.
TERMOS ESSENCIAIS
Os termos essenciais da oração são o sujeito e o
predicado. O sujeito é o ser sobre o qual se afirma algo. O predicado é tudo
aquilo que se declara do sujeito. Exemplo:
João gostaria de estudar medicina
↓ ↓
sujeito
predicado
É importante esclarecer que o sujeito e o predicado
nem sempre são expressos da maneira como vimos na oração anterior. Observe o
exemplo abaixo:
No Sul do
país, a produção de vinhos finos tem crescido nos últimos anos.
O sujeito (a produção de vinhos finos) é
introduzido depois do adjunto adverbial de lugar (no Sul do país), que é parte
integrante do predicado. Assim, o predicado é “No Sul do país”, tem crescido
nos últimos anos.
B.
TERMOS INTEGRANTES
Os termos integrantes da oração são aqueles que
completam a significação de verbos e nomes transitivos. Por essa razão, são
indispensáveis à compreensão da mensagem.
Os termos integrantes são os complementos verbais,
o complemento nominal e o agente da passiva.
C. TERMOS ACESSÓRIOS
Termos acessórios da oração são aqueles que se juntam a um nome ou a um
verbo para acrescentar uma informação nova ao enunciado. Embora acrescentem um
dado novo à mensagem, não são termos indispensáveis para o entendimento da
oração. São três os termos acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto
adverbial e aposto.
Vocativo
É um elemento da oração usado para chamar ou interpelar alguém ou algo.
Ó Deus, quanta miséria neste
mundo!
Maria, leve um cafezinho para o
Dr. Prado.
Verdes mares bravios, levai-me
para o outro canto do mundo!
O vocativo pode vir precedido de interjeição e é
sempre seguido de uma pausa. Na modalidade escrita é isolado por vírgula ou
seguido de ponto de exclamação. Exemplos:
A política, meu amigos, é a arte
da conciliação.
Meus Deus! O que faremos agora?
Até quando nos perseguirão, ó
insensatos!
NOTA
O vocativo apresenta uma função autônoma na oração, pois não pertence
ao sujeito nem ao predicado. Não deve ser classificado como um termo acessório,
visto que não tem relação alguma com os demais termos da frase.
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sábado, 26 de dezembro de 2015
Frase, oração e período
1. Frase
É a unidade mínima do discurso. É um enunciado que contém
uma ou várias palavras que formam sentido completo. Observe que a frase pode ou
não conter uma forma verbal. Exemplos:
Silêncio!
Chega de conversa!
Muito obrigado!
Eles moram em
Campinas.
Na linguagem oral, a frase é sempre marcada pela entonação.
Na linguagem escrita, a entonação é substituída pelos diversos sinais de
pontuação.
Há quatro tipos de frase:
a) declarativa (encerra um enunciado - afirmativo ou negativo)
Eles viajaram de
avião.
Eles não viajaram de
avião.
b) interrogativa (encerra uma interrogação)
Eles viajaram de
avião?
c) exclamativa (encerra uma exclamação)
Como estamos
exaustos!
d) imperativa (encerra uma ordem ou comando, um pedido ou
uma proibição)
Saia do carro já.
Abra a porta, por
favor.
Nunca mexa nas minhas
coisas.
2. Oração
É a frase que se constitui de sujeito e predicado, ou só de
predicado.
O
calor está insuportável.
↓ ↓
sujeito
predicado
Chove forte.
↓
predicado
3. Período
É a frase constituída de uma ou mais
orações. O período pode ser simples (formado por uma só oração) ou composto
(formado por duas ou mais orações). O período pode ser composto por coordenação
e por subordinação. É composto por coordenação quando as orações que se sucedem
são independentes. É composto por subordinação
quando há uma oração principal, à qual se subordinam outras
orações.
Há também o período formado por orações coordenadas e
subordinadas. Exemplos:
Aurélia chegou de viagem.
(período simples)
As nossas encomendas
chegaram, mas não foram liberadas pela alfândega. (período composto por
coordenação)
Todos notaram que os
Alencar não estavam se sentindo à vontade, porém nada fizeram para amenizar a
situação. (período composto por coordenação e subordinação)
O período termina sempre por uma pausa conclusiva que
recebe, na linguagem escrita, um sinal de pontuação: ponto, ponto de
exclamação, ponto de interrogação, reticências e, em certos casos, dois pontos.
NOTA
A oração que constitui o período simples é chamada de oração absoluta.
Interjeição
É uma palavra invariável, geralmente um grito
instintivo, com a qual se exprimem emoções súbitas, isto é, sentimentos de
alegria, de dor, de admiração e irritação, de aprovação, de surpresa, de alívio
etc.
A interjeição geralmente inicia a oração, mas não
tem com ela nenhuma relação gramatical. É importante notar que o significado da
interjeição depende do contexto no qual é usada e da entonação empregada.
Muitas vezes, a mesma interjeição expressa sentimentos diversos. Na linguagem
escrita, a interjeição vem normalmente acompanhada do ponto de exclamação.
Classificação
das interjeições:
de advertência: Cuidado!, Atenção!, Olha!, Devagar!, Calma!
de alegria: Ah!, Oh!, Oba!, Opa!, Olé!
de alívio: Ah!, Ufa!, Arre!
de animação: Avante!, Força!, Coragem!, Vamos!
de apelo ou chamamento: Ó!, Olá!, Hei!, Psiu!, Socorro!
de aplauso: Bis!, Bravo!, Bem!, Viva!
de aversão: Chi!, Ih!, Credo!
de desejo: Oh!, Oxalá!, Tomara!
de dor: Ai!, Ui!
de espanto ou surpresa: Ah!, Chi!, Ih!, Puxa!
de impaciência: Irra!, Puxa!, Hum!
de invocação: Alô!, Olá!, Ô!, Psiu!
de saudação: Salve!, Adeus!
de silêncio: Psiu!, Silêncio!
de terror: Ui!, Uh!, Credo!, Cruzes!
Locução
interjetiva
É um grupo de palavras com valor de interjeição:
Ora bolas!
Puxa vida!
Meu Deus!
Que horror!
Minha nossa!
Macacos me mordam!
Quem me dera!
etc.
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Sobre as conjunções
Conjunção
É uma palavra invariável que liga duas orações,
indicando as relações existentes entre elas, ou dois termos semelhantes de uma
oração. Exemplos:
Este vídeo educa e diverte.
Este vídeo é educativo e divertido.
Para classificar as conjunções, devemos considerar
os dois processos básicos de construção da frase: a coordenação e a
subordinação.
Coordenação
A coordenação é um tipo de construção sintática no
qual as orações têm sentido independente e são separadas por vírgula ou ponto e
vírgula, ou são relacionadas entre si por conjunções coordenativas. Exemplos:
Joana abriu a porta, entrou sem
nos cumprimentar e foi diretamente
para o seu quarto.
Está relampejando, portanto haverá chuva.
Subordinação
A subordinação é um tipo de construção sintática no
qual uma ou mais orações, chamadas subordinadas, dependem de outras ou da
oração principal. Portanto, na subordinação as orações são dependentes, isto é,
uma oração determina ou completa o sentido da outra. Exemplos:
Luciano veste-se bem, embora gaste pouco com roupas.
Falarei com Marta assim que ela chegar.
Conjunções
coordenativas
As conjunções coordenativas ligam orações ou termos de uma
mesma oração. Dividem-se em:
1. aditivas: e, nem (= e não)
Eles levaram o armário e o sofá-cama.
Ela estava atrasada e almoçou em apenas dez minutos.
João não me devolveu o dinheiro, nem me deu satisfação a
respeito.
OBSERVAÇÃO
As aditivas ligam dois
termos ou duas orações de função idêntica, estabelecendo uma ideia de adição.
2. adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto,
senão etc.
Fomos ao shopping, mas não compramos nada.
É um lugar lindo, porém muito poluído.
OBSERVAÇÃO
As conjunções adversativas ligam dois
termos ou duas orações de função idêntica, estabelecendo uma ideia de oposição ou contraste.
3. alternativas: ou, ou ... ou, já ... já, quer ... quer, ora ... ora,
nem ... nem etc.
Para não conversar com as demais pessoas, lia o jornal, ou fingia
lê-lo.
Marina é inconstante: ora é dócil, ora é grosseira.
OBSERVAÇÃO
As alternativas ligam dois termos ou
duas orações de sentido diferente, estabelecendo sempre uma relação de alternância.
4. conclusivas: logo, pois, portanto, assim, por isso, por conseguinte
etc.
As luzes estão apagadas, logo eles devem ter saído.
Ela viajou a noite toda, portanto deve estar cansada.
OBSERVAÇÃO
As conjunções conclusivas ligam à
oração precedente uma oração que expressa conclusão ou consequência.
5. explicativas: pois (antes do verbo), que (= porque), porque,
porquanto etc.
Vamos embora, pois estou morrendo de sono.
É melhor vocês não partirem agora, porque o temporal já começou.
OBSERVAÇÃO
As explicativas ligam duas orações,
sendo que na segunda oração está contida uma explicação ou justificativa para a ideia expressa na primeira.
Conjunções
subordinativas
As conjunções subordinativas ligam orações
dependentes, isto é, orações que dependem de outras ou da oração principal para
terem sentido completo. Classificam-se em:
1. causais (exprimem causa):
porque, pois, como (= porque), porquanto, que, visto que, visto como, uma vez
que, de modo que, de maneira que, de forma que etc.
Eles não chegaram ainda porque o
ônibus atrasou.
Todos ficaram
preocupados, visto que Ricardo não dava notícias da família.
2. comparativas
(estabelecem comparações): como, tão como, assim como, tanto quanto, do que
(esta última após mais, menos, maior, menor, melhor e pior), qual, que nem etc.
Os verdadeiros amigos são como
diamantes.
Ele entrou bufando que nem um
touro bravo.
3. concessivas
(exprimem contradição): embora, ainda que, se bem que, posto que, apesar de
que, por mais que, por menos que etc.
Continuaremos prestigiando nosso
prefeito, embora nossa confiança nele esteja abalada.
Ela continua gorda, por mais que
se envolva com milagrosas dietas.
4. condicionais (indicam
hipótese ou condição): se, caso, a não ser que, sem que, contanto que, desde
que etc.
Se não partirmos agora, pegaremos
um grande congestionamento na estrada.
Assinaremos o contrato, desde que
haja garantia de lucro.
5. consecutivas
(exprimem consequências): que (precedido de tal, tanto, tão e tamanho), de
sorte que, de modo que, de forma que, de maneira que etc.
A onda era tamanha que ninguém
conseguiu pulá-la.
Analise bem a situação, de
maneira que tudo seja levado em consideração.
6. conformativas
(indicam conformidade com um ato ou fato): conforme, como (= conforme),
segundo, consoante etc.
Fizemos tudo conforme as
instruções do gerente.
Segundo o serviço de
meteorologia, choverá muito no próximo fim de semana.
7. finais (exprimem a
finalidade da oração principal): porque (para que), para que, a fim de que etc.
Parem de fazer barulho para que
eu consiga estudar.
Deixe a chave com a vizinha, a
fim de que possamos entrar.
8. proporcionais
(indicam fatos simultâneos): à medida que, à proporção que, ao passo que,
quanto mais ... mais, quanto mais ... menos etc.
O frio aumenta, à medida que
avançamos para o Sul.
Quanto mais ela estuda, menos
aprende.
9. temporais
(exprimem circunstâncias de tempo): quando, enquanto, logo que, antes que,
depois que, apenas, mal etc.
Enquanto as crianças dormiam,
passei toda aquela roupa.
Entrarei em contato com você logo
que for possível.
10. integrantes
(introduzem uma oração que completa o sentido de outra): que (exprime certeza)
e se (exprime incerteza ou dúvida).
Tenho certeza de que ela já
chegou de viagem.
Não sei se eles virão hoje ou
amanhã.
OBSERVAÇÃO
É importante salientar que as
conjunções são expressas por uma só palavra. Sempre que tivermos mais de uma palavra, estaremos diante de uma
locução conjuntiva.
Preposição
É uma
palavra invariável que liga e relaciona dois termos de uma oração. Ao ligar os
dois termos, ela estabelece entre ambas relações de lugar, posição, movimento,
origem, modo, tempo etc.
Os termos ligados pela preposição recebem o nome de antecedente
e consequente. É importante notar que o sentido do antecedente é sempre
explicado ou completado pelo consequente. Exemplos:
Antecedente Preposição Consequente
Vou a São
Paulo.
Viajaram de
carro.
Falei com Ricardo.
Trabalha para
João.
Tipos
de preposição
Há dois tipos de preposição: essenciais e acidentais.
1. Essenciais
Preposições essenciais são palavras que só funcionam como preposições.
Exemplos: a, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob,
sobre etc.
2. Acidentais
Preposições acidentais são palavras que pertencem a outras partes do
discurso, mas podem funcionar como preposições. Exemplos: como, conforme,
consoante, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo etc.
Combinação e contração
As preposições a, de, em e per ligam-se a outras palavras, formando um
vocábulo único.
Ocorre a combinação quando a preposição une-se a outra palavra sem
sofrer redução de fonema.
A preposição a combina-se com o artigo definido (a + o = ao, a + os =
aos) e com o advérbio onde (a + onde = aonde).
Ocorre a contração quando a preposição sofre redução ao ligar-se com
outra palavra. Exemplos: a + a = à, de + ele = dele, em + o = no, per + o =
pelo.
As preposições contraem-se com diversas classes de palavras: artigo,
pronome demonstrativo, pronome pessoal, pronome indefinido e advérbio.
Exemplos:
Preposição a
1. com o artigo definido:
a + a = à a + as =
às*
2. com o pronome demonstrativo:
a + aquele(s) = àqueles
a + aquela(s) = àquelas
a + aquilo = àquilo
Preposição de
1. com o artigo definido:
de + o = do de + os = dos
de + a = da de + as = das
2. com o artigo indefinido:
de + um = dum de + uns = duns
de + uma = duma de +
umas = dumas
3. com o pronome
demonstrativo:
de + aquele(s)
= daquele(s)
de + aquela(s)
= daquela(s)
de + aquilo = daquilo
de + esse(s) = desse(s)
de + essa(s) = dessa(s)
de + este(s) = deste(s)
de + esta(s) = desta(s)
de + isso = disso
de + isto = disto
4. com o pronome pessoal:
de + ele = dele de
+ eles = deles
de + ela = dela de
+ elas = delas
5. com o advérbio:
de + aqui = daqui
de + ali = dali
de = aí = daí
6. com o pronome indefinido:
de + outro = doutro de +
outros = doutros
de + outra = doutra de +
outras = doutras
Preposição em
1. com o artigo definido:
em + o = no em + os = nos
em + a = na em + as = nas
2. com o artigo indefinido:
em + um = num em + uns = nuns
em + uma = numa em + umas
= numas
3. com o pronome demonstrativo:
em + aquele(s) =
naquele(s)
em + aquela(s) =
naquela(s)
em + aquilo = naquilo
em + esse(s) = nesse(s)
em + essa(s) = nessa(s)
em + este(s) = neste(s)
em + esta(s) = nesta(s)
em + isso = nisso
em + isto = nisto
4. com o pronome pessoal:
em + ele = nele em
+ eles = neles
em + ela = nela em
+ elas = nelas
Preposição per
com o artigo definido:
per + o = pelo per
+ os = pelos
per + a = pela per
+ as = pelas
Locuções prepositivas
São duas ou mais palavras com função de
preposição. A locução prepositiva termina sempre por uma preposição. Exemplos:
Ela estará aqui logo depois do
almoço. (locução prepositiva)
Ela estará aqui logo após o
almoço. (preposição)
Não admito incompetência dentro
de minhas empresas. (locução prepositiva)
Não admito incompetência em
minhas empresas. (preposição)
As locuções prepositivas mais usadas na linguagem são:
abaixo de apesar
de
acima de a
respeito de
a fim de atrás
de
a favor de através
de
além de de
acordo com
antes de debaixo
de
ao lado de dentro
de
ao redor de depois
de
a par de diante
de
embaixo de em
virtude de
a cima de graças
a
em face de junto
a
em frente a junto
de
em frente de perto
de
em lugar de por
causa de
em redor de por
detrás de
em torno de por
trás de
em vez de sob
pena de
Relações estabelecidas pelas
preposições
São diversas as relações que se estabelecem entre as palavras ligadas
pela preposição. Às vezes, não é possível indicar com clareza qual é o tipo de
relação entre o antecedente e o consequente. As relações mais comuns são:
1. lugar/posição
As crianças estão em casa.
Eles moram no centro da
cidade.
Ela usava um cachecol em
volta do pescoço.
2. direção/movimento
Eles correram para o quintal.
Eu sempre quis ir a Roma.
Ela olhou para o lado e
fingiu que não me viu.
3. tempo
O almoço será servido à uma
em ponto.
Eles vieram ao Brasil em
1981.
Faremos uma parada para almoço dentro
de dez minutos.
4. causa/motivo
Centenas de crianças morrem de
fome diariamente.
Ela entrou em depressão por causa da
morte da mãe.
A separação deles ocorreu em consequência da interferência de Dona Isabel.
5. origem
O avião de Paris acaba de
aterrissar.
Essa onda de frio vem do Sul.
Eles chegaram das bandas de
Goiás.
6. modo
Ele pediu bife à milanesa.
Ela exige as coisas conforme
suas vontades.
Fizemos tudo de acordo com as
instruções.
7. meio
Eles viajaram de ônibus.
O relatório foi escrito à
máquina.
Vimos o jogo de basquete pela
TV.
8. matéria
Aquele vaso é de cristal
alemão.
Mamãe fez uma torta de amora.
9. assunto
É um livro de física nuclear.
A conferência sobre cinema
russo foi adiada.
Não revele os pormenores acerca
do nosso acordo.
10. estado/qualidade
Após o terremoto, a cidade ficou em
ruínas.
Quando a encontramos, ela estava aos
prantos.
É uma carne de primeira.
11. instrumento
Os ladrões arrombaram a janela com
um pé-de-cabra.
A vítima foi morta a foice.
12. finalidade
Ele parou para calibrar os
pneus.
Eles fizeram tudo com a
finalidade de prejudicar nosso novo projeto.
13. posse
O carro de Carlos está na
garagem.
A fazenda dos meus avós fica
perto de São Carlos.
14. parentesco
O marido de Helena viajou
para o Canadá.
Os filhos da vizinha
quebraram a nossa vidraça.
15. companhia
As crianças viajaram com os
avós.
Eles chegaram em companhia dos
colegas de trabalho.
16. oposição
Não adianta lutar contra um
inimigo poderoso.
Saiu uma grande pancadaria no jogo Flamengo versus Grêmio.
17. ausência/privação
Felizmente ele morreu sem
sentir dor.
Eles estão sem o que comer.
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domingo, 20 de dezembro de 2015
Texto jornalístico
A noção de que
os distintos gêneros se encontram permeados na nossa vida em sociedade se torna
cada vez mais cristalizada, haja vista que compartilhar de situações comunicativas
representa uma das posturas enquanto parte constituinte de uma coletividade.
Partindo desse
princípio, relevante é, também, enfatizarmos acerca das finalidades discursivas
que os norteiam, sobretudo aqueles que estão diretamente relacionados com o assunto
sobre o qual trataremos por meio do artigo em questão – os
jornalísticos, por excelência. Acerca deles um aspecto parece
emergir e ganhar certa representatividade em termos de discussão – o fato de
que quando estabelecemos familiaridade com a modalidade em pauta, isto é, ao
pegarmos o jornal para folhear, nem sempre nos damos conta dos principais
aspectos de que dele fazem parte – ora essenciais à nossa compreensão enquanto interlocutores,
entre eles, estes abaixo retratados:
·
Título – A priori já dispomos de uma noção
que demarca essa importante parte, haja vista que, sem sombra de dúvida,
representa aquele elemento que chama a atenção do leitor para apreciar acerca
do que realmente se trata o assunto, razão pela qual ele deve ser o mais
atrativo possível, geralmente demarcado por letras garrafais e em negrito
·
Subtítulo – Literalmente, atesta-se que se trata
de um elemento que reforça a intenção prestada no título, ou seja, um elemento
que aparece para somar, para acrescentar algo a mais às informações
anteriormente reveladas. O intuito, como não poderia deixar de ser, revela-se
por chamar ainda mais a atenção para o que vem adiante.
·
Legenda – Não são raras
as vezes em que nos deparamos com os gráficos, tabelas, fotografias, desenhos.
Tais elementos cumprem uma função especial: caracterizar, descrever os aspectos
impressos na ilustração e conferir apoio à própria matéria jornalística,
informando acerca dos fatos noticiados. Dessa forma, encontram-se demarcados na
legenda, sendo que tal
parte caracteriza-se como uma frase curta, concisa e objetiva.
·
Texto-legenda – equivale dizer
que esse elemento, assim como subtítulo, acrescenta informações relevantes à
legenda, tornando-a mais ampliada, mais completa em termos de informação para o
leitor.
Mediante tais
pressupostos, é bem possível que você atente mais nos aspectos que aqui foram
elencados, tornando assim um leitor ainda mais eficaz, assíduo e competente.
Fonte: www.portugues.com.br/redacao/partes-constituintes-dos-textos-jornalisticos.html
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Campo geral, de Guimarães Rosa
A narrativa de Campo
geral começa quando Miguilim é levado por Tio Terez
para ser crismado. O menino tem 8 anos e nunca saiu do Mutum,
afora pequenas mudanças que fez quando ainda muito pequeno. Desta viagem, a
lembrança mais nítida será de um
comentário ouvido sobre a beleza de Mutum. Profundamente impressionado com esta
referência, Miguilim não vê a
hora de contá-la à mãe, Nhanina, sempre triste de ali
viver.
Ao chegar em casa, vai tão aflito procurar a mãe, que acaba
desgostando a seu pai e recebe castigo: não o acompanha juntamente com os irmãos
na pescaria de domingo. Em contrapartida, aprende a fazer arapuca para
pegar passarinho com o Tio Terez.
A rotina da casa inclui os brinquedos de Miguilim com seus irmãos
por ordem de idade, Drelina, Dito, Chica, Tomezinho. Há também outro irmão, Liovaldo, mais
velho que Miguilim, o único que não
mora com a família. Na cozinha, a mãe e as empregadas, Rosa, Maria Pretinha e Mãitina,
preparam as comidas. Nas cercanias, vivem os diversos cachorros da família.
Havia uma cadela, a Pingo-de-Ouro, a que Miguilim era especialmente apegado,
mas que foi dada pelo pai a tropeiros de pernoite no Mutum.
A descoberta de que Nhanina e Tio Terez tinham um caso causa
grande confusão. O pai bate na mãe, Miguilim tenta interrompê-lo e termina
sendo castigado. Vovó Izidra, sua
tia-avó, é quem toma a iniciativa de expulsar Tio
Terez de casa, xingando-o de Caim. Nesta noite, uma grande tempestade faz Dito
e Miguilim conversarem sobre o medo da morte. Para acalmar a todos, Vovó Izidra puxa uma reza.
No dia seguinte, Seo Deográcias, entendido de remédios, foi com o
filho, Patori, visitá-los. Queria, na verdade, pegar emprestado alguns
mantimentos e cobrar um dinheiro, mas aproveita para aconselhar sobre a saúde
de Miguilim, que a todos parecia frágil.
Aos poucos, Miguilim começa a cismar que vai morrer. Faz uma
promessa a Deus: se ele não morresse nos próximos dias, não morreria mais.
Enquanto isso, se compromete a rezar uma novena. Contudo, os dias passam, ele não
principia a novena e vai ficando cada vez mais ansioso. Começa então a rever vários
momentos e se recorda da habilidade de Dito em se comportar de modo que não
desagrade o Pai, da curiosidade que Patori lhe despertou sobre sexo, do
aconchego que sentia em criança de ficar nos braços de Mãitina. No derradeiro
dia, nem da cama ele quer sair. E até Seo
Aristeu, outro curandeiro da região, vir vê-lo, Miguilim não pode acreditar em
outra coisa que não fosse a morte chegando. Temia estar tísico, mas Seo Aristeu
logo foi explicando no seu jeito alegre de falar que essa doença não dava por
aquela parte dos Gerais.
O pai então toma uma decisão: a partir do próximo dia, Miguilim irá levar-lhe comida na roça onde
trabalhava. O menino fica muito feliz de se sentir útil. Quando foi cumprir a tarefa pela
primeira vez, Tio Terez aparece no caminho e pede ao sobrinho um favor:
entregar um bilhete a Nhanina. O pedaço de papel no bolso põe Miguilim num
grande embate interior: o que seria mais certo fazer? Sem contar o motivo,
consulta todos sobre o que é certo ou errado. Como sempre, é com
Dito que Miguilim vai se orientar, tentando pedir explicações que o irmão,
apesar de menor, parece sempre conhecer.
Depois de uma tarde e de uma noite de dúvidas, Miguilim só resolve em frente ao Tio Terez o que
fazer: diz a verdade e devolve o bilhete. O Tio então se dá conta em que horrível posição colocara
o sobrinho e se desculpa. Ainda atordoado, Miguilim deixa que os macacos roubem
a comida do tabuleiro. O pai se diverte com a história, dando a sensação em
Miguilim de ser amado.
Com a chegada de Luisaltino, novo parceiro de trabalho de Nhô Bero, vem a notícia de que Patori
assassinou um rapaz e está foragido.
Patori acaba morrendo de fome, e Nhô Bero
larga tudo para prestar solidariedade a Seo Deográcias, que se desesperava com
a perda do filho. Mas o que mais agradou a Miguilim foi que Luisaltino traz
consigo um papagaio, o Papaco-o-Paco.
Uma manhã, depois de ter ido espiar uma coruja, Dito pisa num caco
de pote e corta o pé. O tétano toma conta do menino e, em poucos dias, ele
morre. Miguilim se desespera e esse intenso sofrimento parece não passar nunca.
Mãitina tem uma ideia que o ajuda a enfrentar a dor: juntou roupas e brinquedos
de Dito e alguns guardados seus e enterrou tudo no quintal, marcando depois o
lugar com pedrinhas lavadas do rio.
Para tirá-lo dessa tristeza, Nhô Bero
resolve pô-lo para trabalhar: começa a debulhar milho, capinar a horta, buscar
cavalo no pasto. Miguilim não acha ruim trabalhar, mas não vê alegria em nada. Para complicar, dias
depois chegam Tio Osmundo e o irmão Liovaldo.
O Tio não simpatiza com Miguilim e Liovaldo começa a provocá-lo. Até que Liovaldo faz pequenas maldades com
o menino Grivo e Miguilim, indignado, acaba partindo para a briga. Nhô Bero fica tão furioso que dá uma sova de correia no menino.
Miguilim sente tanto ódio do pai
que nem chora: só pensa em
crescer e matá-lo. Nhanina, para abrandar a situação, manda Miguilim se
hospedar na casa do vaqueiro Saluz por três dias. Na volta, Miguilim não pede a
bênção ao pai, que então se vinga, soltando os passarinhos de Miguilim e despedaçando
as gaiolas. Miguilim por sua vez extravasa sua raiva, quebrando os próprios
brinquedos.
Quando o Tio e o irmão vão embora, Miguilim pela primeira vez se
alegra com a possibilidade de um dia ser ele a partir. Com esta ideia na cabeça
começa a se reanimar, a repassar tudo que aprendera com Dito, mas termina por
adoecer, o que desespera Nhô Bero.
Durante a sua convalescença, uma tragédia se precipita: Nhô Bero descobre que Luisaltino o traía
com sua mulher; mata o ajudante e, em seguida, se suicida.
Seo Aristeu tenta animar Miguilim. Nhanina conta sua intenção de
casar com Tio Terez, que a esta altura já está de volta. Miguilim, ainda abatido com
a doença e com todos os acontecimentos, vê chegar
dois homens a cavalo. Um deles logo repara no jeito de Miguilim olhar, com os
olhos apertados. O grupo vai para a casa e Miguilim é examinado
até que o homem, doutor José Lourenço, do Curvelo, chega a um diagnóstico:
vista curta. Tira os próprios óculos
e empresta ao menino, que nem pode acreditar em tudo que se revelou a sua
frente.
O doutor se oferece para levar Miguilim
para a cidade: providenciaria os óculos
e poria Miguilim para estudar. Miguilim aceita o convite e se prepara para ir
embora na manhã seguinte. Mas,
antes de partir, pede de novo os óculos.
Quer levar consigo uma imagem nítida da família e do Mutum, que, agora ele via,
era realmente bonito.
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sábado, 19 de dezembro de 2015
A dialética da "senhor e do escravo"
“Uma passagem célebre da Fenomenologia do espírito ilustra bem a dialética, assim como
algumas noções que a ela se associam. Ela introduz, pela primeira vez, a noção
concreta do trabalho como um tema
valorizado da reflexão filosófica, que prepara o materialismo dialético de Karl
Marx. Eis a substância desse texto.
A consciência individual é autoafirmativa e
apetitiva: visa a se estender e entra em conflito com outras consciências
individuais, igualmente preocupadas em afirmar sua superioridade e em estender
sua dominação. Desse modo acontece, inevitavelmente, a ‘luta pelo
reconhecimento’. Levada até o fim, essa luta só pode terminar na morte ou na submissão de um dos dois protagonistas. A submissão é ditada pelo temor da
morte; ela não é, portanto, necessariamente a expressão de uma inferioridade objetiva daquele que se submete. É assim
que se estabelece uma relação subjetiva
de subordinação e de poder: o escravo reconhece o senhor. A superioridade
deste repousa fundamentalmente sobre o temor que ele inspira ao outro, obrigado
a trabalhar para o mestre, que permanece livre para fluir da
existência. Mas essa situação é dialética: ela contém os elementos de sua
própria reviravolta. Com efeito, o senhor, levando uma vida de prazer e jamais
se chocando com a dura realidade, vai tornar-se cada vez mais dependente desses
prazeres e dos serviços prestados por seu escravo. Em contrapartida, o escravo
vai tomar consciência de seu próprio valor e de sua importância, não só para o
senhor, mas também de um modo mais geral: seu trabalho transformo o mundo
material, humaniza a natureza, tornando-a útil para o homem. O escravo se reconhece nos produtos de seu trabalho; ele adquire um ‘savoir-faire’ [saber fazer] objetivo, que lhe garante a capacidade
de dominar a natureza e de não ser dependente dela. O escravo se acha,
portanto, mais livre que seu senhor. Este ultimo tem muito mais necessidade do
primeiro do que este depende daquele.
Em Hegel, essa liberdade, conquistada na e por meio
da servidão do trabalho, não vai além da tomada de consciência interior
individual pelo escravo de seu próprio valor, dentro de um condição que ele continua, entretanto, a assumir estoicamente, sem empreender modifica-la.
Com Marx, a mesma dialética será considerada do
ponto de vista não mais individual, mas coletivo,
e a inversão da relação de forças será chamada a se concretizar. O escravo é então identificado com a classe trabalhadora,
oprimida pela burguesia (tese), e que adquire, graças ao trabalho,
superioridade e legitimidade objetivas. Estas se concretizarão pela revolução,
que levará os proletários ao poder (antítese da dominação burguesa), no caminho
da síntese final, que deve ser a Sociedade sem classes.”
HOTTOIS, Gilbert. Do Renascimento à pós-modernidade:
uma história da filosofia moderna e
contemporânea.
Aparecida,SP: Ideias &
Letras, 2008. P. 201-202.
O Mulato
Aluísio Azevedo
1. O Autor
Aluísio
Tancredo Gonçalves de Azevedo (1857/1913). É considerado
o inaugurador do naturalismo em nossa literatura, destacam-se, em sua obra, os
romances O mulato (1881), Casa de pensão (1884) e
O cortiço (1890). A
presença marcante
das ideias científicas, sociológicas e
antropológicas da época a
respeito da determinação incoercível do
meio, da herança genética e do
momento histórico no comportamento humano, tomando o homem o resultado
de sua constituição psicofisiológica e das
pressões sociais,
caracteriza as obras naturalistas do Autor. Revelando influências do
naturalismo europeu, particularmente do escritor português Eça de Queirós, Aluísio Azevedo
assume uma posição crítica de denúncia à corrupção moral e à hipocrisia
da burguesia e do clero, chamando a atenção para problemas
sociais, numa atitude polêmica, bem ao molde do espírito
combativo da época.
Aluísio Azevedo
foi um dos principais autores da Literatura Brasileira de seu tempo. Caricaturista
de inegável talento
militou nas principais folhas políticas do
Rio, atividade que lhe ensinou a arte da linha grossa que deforma o corpo e o
gesto e compõe a técnica do tipo,
própria da
concepção
naturalista de criação da personagem e do ambiente em que se desenrola
a trama. Aliada a esta técnica de composição está a descrição minuciosa
do ambiente e das ações, buscando integrar monoliticamente o personagem
e o meio social em que se movimenta.
2. Síntese
"O Mulato" é considerado
pela crítica em
geral como o primeiro romance naturalista no Brasil, embora não seja uma
autobiografia, nele está presente muito da vida do escritor, sua interpretação da existência e o
enfoque da experiência vivida em sua terra natal. Certos elementos
que aparecerão nas obras do romancista já se fazem
notar neste primeiro livro, como a forte tendência para o
caricatural e o grotesco, forçando e deformando os traços que compõem as
características físicas e psicológicas dos
personagens. O romance é feito com boa técnica. O
enredo dá a sensação de esquemático, de
dureza na montagem, em que os elementos constitutivos são pensados
rigorosamente a fim de que nada viesse prejudicar a unidade do romance. "O
Mulato", como narrativa naturalista que é, contém uma tese
que pode ser, formulada da seguinte forma: numa cidade provinciana como São Luís, há preconceitos
raciais, um clero corrompido, uma casta privilegiada, comerciantes gananciosos
e empregados corruptos, passando o romance a ser uma denúncia deste
estado social degradado. Um empregado de origem portuguesa, João Dias
primeiro caixeiro de seu patrão, procura por todos os meios casar-se com a filha
deste, Ana Rosa, pois desta forma obteria uma posição social
melhor e tornar-se-ia rico. A harmonia dos planos é quebrada por
um elemento de fora, o Dr. Raimundo, de origem duvidosa, filho de uma negra,
mulato pela cor e aspectos do cabelo. Com reservas é aceito pela
sociedade, mas quando pretende o amor de Ana Rosa, a sociedade o reprime. O vilão é o cônego Diogo
que manobra com as armas da intriga, da chantagem e da manipulação para
conseguir que o rival amoroso de Raimundo, João Dias, o
assassinasse à traição,
libertando a cidade de sua presença indesejada.
O romancista comporta-se diligentemente
para todos os pontos da obra estejam dentro do esquema preestabelecido. As
personagens traçadas artificialmente vivem como fantoches, sem
vida e sem autonomia. O romance, por suas características
documentais, naturalista que é, exige a presença de um tempo
definido e certo, o que faz o tempo ser cronológico e o espaço físico é a própria área geográfica em que
se movimentam as personagens.
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