"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Novas posturas docentes

Acredito que o universo escolar anseia por profissionais mais modernos, audaciosos, dinâmicos, indispensavelmente bem humorados, musicais, dançantes, sem rótulos, estratégicos, competentes, éticos, desprovidos de preconceitos e, acima de tudo, capazes de aproximar crianças e adolescentes da realidade coerente com a prevenção, com a modernidade e com a preparação rumo a um futuro brilhante – o que é direito de todos. Aquela figura docente e, sem sombra de dúvidas, extraordinária para a época da palmatória e do tinteiro, perdeu seu espaço mediante o encantamento da modernidade e do acesso instantâneo à informação e, quem insiste em portar-se como antigamente, infelizmente mantém-se com elevado índice de rejeição, bem como, com notáveis dificuldades em desenvolver seu “excelente” trabalho – o que é muito grave para o contexto. Precisamos promover posturas mais condizentes com a realidade do twitter, MSN, blog, orkut, MP “alguma coisa”, banda da atualidade, abreviações dos papos virtuais, sobre BV, sobre o comportamento dos “ficantes”, das baladas, bem como, com o que jamais deveria sair de moda, ou seja, respeito, honestidade, coerência, ética e assim por diante. Conhecimento inútil e desnecessário? Acredito que não a partir do momento que tais assuntos nos posicionem rumo a patamares de aproximação com nossos estudantes encaminhando-os a situações de confiança e de parceria em relação a nós docentes. É disso que a organização escolar precisa, ou seja, admitir que já ultrapassamos a hora de entendermos que o professor precisa parar de se preocupar unicamente com o comportamento, com as conquistas e com os insucessos dos outros professores e sim, estender seu “zelo” para alunos, pais e comunidade em busca de soluções coletivas e capazes de elevar a qualidade de vida de todo um contingente humano. Frustrações políticas, anseios profissionais e incapacidades visíveis precisam de uma administração mais coerente com o bom convívio humano, ou seja, necessitam se despir de acusações, injúrias, fofocas, negatividades e sabotagens dignas dos que não merecem o nobre título de educador. Senhores Professores... Sigamos rumo a uma melhoria universal, pois acredito termos capacidade para isso. E vocês? Acreditam também? Pensem nisso.



Marcelo Tavares

O autor é Geógrafo, Pós-Graduado em Projetos Interdisciplinares e Práticas Pedagógicas e em Gestão de Negócios com ênfase em Marketing de Vendas

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A beleza salvará mesmo o mundo?

Paulo Timm

“O poeta nos permite desfrutar nossas próprias fantasias, sem censura, sem pudor.” (Sigmund Freud)

Recomenda o velho ditado que, se não tens nada a dizer, fiques calado. Afinal, se a fala é de prata, o calar é ouro fino. Conselho importante para se ter presente nas reuniões sociais, mas inviável para quem vive de fazer-se ouvir. Não falo do viver como instância material, mas como substância existencial, sem a qual um escritor, poeta, romancista ou cronista se exila de si e morre de inanição. Mas o que dizer diante de tanta miséria humana, exposta aos olhos do mundo na tragédia do Haiti? Como compatibilizar uma consciência iluminista com a vitória de um aliado de Pinochet no Chile? Dá para suportar a edição de mais um Big Brother Brasil na Rede Globo, sobre o qual convergirão os indicadores de audiência, estimulando as outras redes com programas similares?

Não sei não… Folheio livros, releio meus arquivos eletrônicos, verdadeiro porta-jóias de minhas leituras diárias, arrisco-me a comentar uma entrevista de Willian Faulkner na qual ele abre o jogo sobre o segredo dramático de seus romances… Querem saber?

Trata-se da trindade da consciência. Uma “santíssima trindade” laica que iria influenciar gerações inteiras de escritores, chegando até nosso imortal Gabriel Garcia Marques, que nele se inspirou. Os romances de Faulkner, segundo ele, giram em torno de três personagens chaves, detentores de três tipos de consciência: os que nada sabem – e porque não sabem, pouco se importam e nada fazem –; os que sabem e não se importam – que são os cínicos –, que locupletam nosso universo político; e os que sabem e se importam – que são os que carregam as mazelas do mundo, Zilda Arns entre eles, como outrora Luther King e tantos outros abnegados. Com base nesses personagens Faulkner diz que o escritor está sempre tentando criar “pessoas verossímeis em situações comoventes e críveis, da maneira mais comovente” de forma a expor a vida em movimento, pois é no movimento da vida que as pessoas vivem. A vida é movimento, diz ele, e o movimento está ligado ao que faz com que o homem se mova, que é a ambição, o poder, o prazer”. E adverte: “Qualquer tempo em que um Homem possa dedicar à moralidade ele tem que arrancar à força do movimento do qual faz parte. Sua consciência moral é a maldição que ele tem que aceitar dos deuses de modo a obter deles o direito de sonhar.”

Me pergunto: Alguém tem culpa pelo que ocorre no Haiti? Quem sabia e nada fez para mudar o curso de um destino trágico? Quem sabia, tentou fazer e não conseguiu? E não pergunto pelos que nem sabiam e nada fizeram, porque deles é Reino de Deus… Basta-lhes a felicidade do simples jogo da vida, escapando-lhes o direito de sonhar…. E quanto ao Chile, de quem é a culpa pela vitória de Piñeros? E como o mundo civilizado permite reedições sistemáticas do Big Brother por todos os seus países…?

Volto ao Romance.Nele me refugio. Com efeito, ainda não se conseguiu, mesmo com o desenvolvimento considerável das Ciências Humanas no Século XX, nada comparável ao Romance como Teoria da Existência Humana. E, assim, continuamos no pólo da sensibilidade, antena da beleza, para entender o Homem. Mas por que, então, tanto (esforço) à verdade e tão pouco à beleza se ela, a verdade, é tão inatingível? Leon Tolstoi alimentou tantos sonhos em sucessivas gerações russas para, afinal, confiná-las, sob o condomínio da verdade administrada pelo marxismo soviético, à depressão dos Gulags. Dostoievski, no seu encalço, acreditava que só a beleza salvaria o mundo. E apostou nisso criando as mais belas páginas de literatura mundial. Salvou alguma coisa? Ou, simplesmente, não conseguiu sensibilizar aquele maravilhoso povo, suficientemente, para o primado da beleza sobre a verdade…?

Sempre o Romance… Tecendo o fio de existências humanas grandiosas mas incompletas, sem direito à História, cativa da razão.

Longe da nossa tradição ocidental, marcada por Shakespeare, e o corolário de romancistas , desde Crétien de Troyers, com Lancelot e Tomas Malory, no Sec. XV, passando no século seguinte aos épicos de Cervantes , Mme. Lafaeyete e Daniel Defoe, para fechar-se num prodigioso ciclo de “folhetins” inaugurado por Goethe, em 1796, com o histórico “Os anos de aprendizagem de W. Meister”, seguido dos grandes “fleuves” de Honoré de Balzac – “A Comédia Humana” – e Émile Zola, Rougon Marquart, num imenso fluxo que desembocaria no início do século XX em James Joyce, Romain Rolland, Roger Martin Du Gard e Sartre, Milan Kundera nos fala dos formadores de consciências do lado oriental da Europa, evidenciando também sua importância para este, que foi o memorável autor da “Insustentável leveza do (de) ser”:

“Musil e Hermann Brock sobrecarregaram o homem com responsabilidades enormes. Eles o viam como a suprema síntese intelectual. O último lugar onde o homem ainda questiona o mundo como um todo. Estavam convencidos de que o romance tinha um tremendo poder sintético, que ele podia ser fantasia, aforismo e ensaio. Tudo ao mesmo tempo.O objeto específico daquilo que Brock gostava de chamar “conhecimento novelístico” é a existência. A meu ver, a palavra “poli-histórico” deve ser definida como aquilo que reune todo artifício e toda forma de conhecimento de modo a lançar luz sobre a existência”.

Será que as novas gerações estão lendo esses autores com a mesma sofreguidão com que nós o fazíamos. E descobrindo o universo da natureza com os livros equivalentes de Julio Verne, H.G.Wells, Arthur Clarck, Arthur Koestler? Ou estão apenas embalados na fantasmagoria de Harry Potter e Paulo Coelho?

Não sei…

Mas pelo sim, pelo não, vale a pena insistir na beleza como caminho da salvação, senão do mundo, dos nossos pobres espíritos massacrados por tantas e sucessivas verdades. E quem sabe o espírito reanimado não seja o caminho da reconciliação. “Minha pátria é minha língua”, insistia Fernando Pessoa, deleitando-se com as palavras que dançavam nos seus versos propiciando-lhe momentos de verdadeiro êxtase.


* PAULO TIMM é Economista, Pós Graduado ESCOLATINA, U. do Chile – Ex Presidente do Conselho de Economia DF, Professor da UnB –paulotimm@hotmail.com Publicado em Via Política e na Coluna do Timm.

http://literaturapolitica.wordpress.com/2010/02/10/a-beleza-salvara-mesmo-o-mundo/

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Can you give me a kiss?

O texto abaixo foi escrito por Amadeu Marques [autor dos livros Snowball, Say it Right! e Say it Right! Exercícios] e publicado no site Brand New Routes [da DISAL]. Decidi publicar o texto aqui por ser algo relevante para o aprendizado de inglês no Brasil. Afinal, o comercial de uma escola de idomas pode perpetuar erros que professores não podem permitir. Não [apenas] pela Gramática Normativa em si; mas sim pelo real uso da língua feito por falantes nativos da língua inglesa. Os trechos entre colchetes e em vermelho são comentários meus e não expressam a visão do autor do texto original.

Como parte de uma campanha publicitária de um curso de inglês, está sendo veiculado em alguns jornais e revistas [e também TV] um anúncio que mostra a foto de dois pré-adolescentes, sentadinhos num banco, ela preparando-se para dar a primeira mordida em uma maçã do amor. Ela não diz nada, apenas escuta o que o garoto diz. Ela tem duas lindas covinhas nas bochechas e uma expressão marota. O garoto, bem inocente, tem uma fala no balão. A fala é esta: CAN YOU GIVE ME A KISS? E o anúncio arremata a brincadeira, dizendo: Inglês. Logo você vai precisar.
O que há de estranho aí? Concentro-me na fala do garoto. O redator da agência de publicidade evidentemente pensou em português e fez o garoto fazer uma pergunta implausível [um falante nativo da língua inglesa não falaria desta forma]. Algum garoto que fale inglês sem primeiro pensar em português, supostamente estudante daquele curso, faria essa pergunta? Acho que não.
Mexendo pouco na frase, passando para CAN I GIVE YOU A KISS? a coisa já seria consertada, porque isso é inglês [de verdade, é o uso da língua em situação real; logo], isso poderia perfeitamente ser dito. E a consequência seria a mesma: bitoca na menina. Mas se o criador da frase insistisse em que o garoto preferisse que a iniciativa bitoqueira tinha de partir da menina, então a pergunta seria WILL YOU GIVE ME A KISS? [o 'will you...?' é a forma correta de fazer um pedido nesta situação] ou então, autoritário e já se revelando um insuportável machão, GIVE ME A KISS! Mas, sendo o anúncio de um curso de inglês, não faz sentido que a fala não esteja em bom inglês. O autor da frase provavelmente não sabe que:
· Can I ...? é usado em perguntas e pede permissão (portanto estaria certo nessa situação) [Ou seja, o correto seria o garoto pedir permissão para beijar a menina. Logo sua fala deveria ser 'can I give you a kiss?']
· Can you ...? é muito menos usado, e não expressa permissão [não é usado naturalmente neste caso]; em vez disso [can you...?] indaga sobre a habilidade da outra pessoa para fazer algo [algo como você sabe...?]. Daí a garota poderia responder: Of course I can give you a kiss, I've got lips, but I just don't want to, you're just a kid. Now go away!

Fonte: denilsolima@gmail.com

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O bullying em nossa escola

Apesar de não se ter encontrado em nossa língua palavra alguma que seja capaz de dizer o que "bullying" significa, sabemos que "bully" traduzido para o português significa "o valentão". Transpondo este termo para o âmbito escolar, podemos concluir que se refere àquele(a) menino(a) que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem o prazer em bater nos colegas mais fracos e intimidá-los.

De posse dessas informações, passamos a observar que o bullying, de fato, também está presente em nossas salas de aula. Só a denominação o difere de nossos adolescentes "encrenqueiros". Vale ressalvar, podemos até mesmo estabelecer uma correlação entre o termo bully e o verbete "bulidor", do verbo "bulir", devidamente registrado no dicionário Houaiss, forma verbal muito empregada na região do Nordeste brasileiro, para se referir ao ato de mexer em algo ou incomodar, desrespeitosamente, alguma pessoa.

Em nossa escola, o bullying, que, bem poderia ser por nós denominado "bulinismo", tem sido encarado como uma carência que pode ser compreendido pelas "limitações" a que muitos de nossos alunos se encontram. Falta de locais adequados para o lazer, para a prática de esportes saudáveis, falta de opções culturais, etc., necessidades que podem contribuir negativamente na formação e no comportamento dos adolescentes.

A todos nós, cabe um papel extremamente importante no combate ao bullying, seja no ambiente escolar como educadores ou simplesmente como formadores de opinião. É preciso que derrubemos as "muralhas" que impedem nossas crianças de conhecer novos horizontes, novas culturas e costumes. É preciso que elas conheçam e, sobretudo, aprendam a conviver com as diferenças. Afinal, o respeito ao próximo é um dos alicerces de qualquer sociedade justa e igualitária.

Estejamos atentos!

Juarez Firmino

Formado em letras e pedagogia, é mestre em letras pela UFMS e titular efetivo de cargo da rede oficial de ensino do Estado de São Paulo.

Ensino que funciona: estratégias baseadas em evidências para melhorar o desempenho dos alunos.

MARZANO, Robert J.; PICKERING, Debra J.; POLLOCK, Jane E.


O que funciona na Educação? Como a pesquisa educacional encontra seu caminho até a sala de aula? Como podemos aplicá-la para ajudar nossos estudantes individualmente?
Perguntas como essas surgem na maioria das escolas, e os educadores, ocupados, frequentemente não têm tempo para encontrar as respostas. Os autores examinam décadas de achados de pesquisa para destilar os resultados em novas e amplas estratégias de ensino que têm efeitos sobre a aprendizagem do aluno, tais como:
· Identificar semelhanças e diferenças.
· Resumir e tomar notas.
· Reforçar o esforço e proporcionar reconhecimento.
· Praticar a aprendizagem cooperativa.
· Estabelecer objetivos e dar feedback.
· Gerar e testar hipóteses.
· Fazer perguntas, dar sugestões e usar organizadores avançados.

Avaliar para promover: as setas do caminho

HOFFMANN, Jussara

Estão reunidos, nesta obra, princípios essenciais da avaliação, no sentido da efetiva promoção da aprendizagem, de uma ação que se projeta no futuro, embasada em princípios éticos de respeito às diferenças. Estabelecendo relações entre uma concepção dialética de avaliação e os caminhos de aprendizagem, a autora desenvolve questões sempre polêmicas nas escolas: a análise de tarefas avaliativas, o papel dos professores como mediadores em vários momentos de sala de aula, estudos de recuperação, a elaboração de testes, os registros de avaliação e outras.

“Avaliar para promover: as setas do caminho”, Ao fazer o Caminho de Santiago de Compostella, na Espanha, “as setas do caminho” foi uma metáfora utilizada sobre as setas amarelas que guiam os peregrinos durante a sua caminhada, uma vez que o livro aborda com profundidade os princípios fundamentais que devem nortear os rumos dos educadores que pretendem desenvolver sua prática avaliativa no sentido de promover melhores oportunidades de aprendizagem aos alunos.

O livro segue também algumas dessas setas. Tem seus pontos de ancoragem na convicção de que os pilares essenciais para uma boa educação, ensinar e de aprender, a construção de alternativas pedagógicas para se alcançar uma escola para todos e a valorização de princípios éticos e de cidadania.

Educação: um tesouro a descobrir

DELORS, Jacques e EUFRAZIO, José Carlos

O livro Educação: um Tesouro a Descobrir, sob a coordenação de Jacques Delors, aborda de forma bastante didática e com muita propriedade os quatro pilares de uma educação para o século XXI, o trabalho de pessoas comprometidas a buscar uma educação de qualidade. “À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permite navegar através dele”..

Segundo o autor, a prática pedagógica deve preocupar-se em desenvolver quatro aprendizagens fundamentais, que serão para cada indivíduo os pilares do conhecimento: aprender a conhecer indica o interesse, a abertura para o conhecimento, que verdadeiramente liberta da ignorância; aprender a fazer mostra a coragem de executar, de correr riscos, de errar mesmo na busca de acertar; aprender a conviver traz o desafio da convivência que apresenta o respeito a todos e o exercício de fraternidade como caminho do entendimento; e, finalmente, aprender a ser, que, talvez, seja o mais importante por explicitar o papel do cidadão e o objetivo de viver.

Para mudar nossa história e lograr conquistas, precisamos ousar em cortar as amarras que impedem nosso próprio crescimento, exercitar a cidadania plena, aprender a usar o poder da visão crítica, entender o contexto desse mundo, ser o ator da própria história, cultivar o sentimento de solidariedade, lutar por uma sociedade mais justa e solidária e, acima de tudo, acreditar sempre no poder transformador da educação.

Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário.

LERNER, Delia.

Este livro traz a dimensão de trabalhar na escola as práticas de leitura e escrita como objetos de ensino isto é a transformação da prática docente na alfabetização básica.

O que se põe como necessário para nós é o enfrentamento do real no intuito de formar alunos praticantes da cultura escrita.

Para tanto é necessário redimensionar o ensino das práticas de leitura e escrita como práticas sociais. Precisamos formar uma comunidade de leitores e escritores.

Para esse redimensionamento é preciso olhar e analisar cinco questões presentes na escola:

1- A escolarização das práticas de leitura e escrita e de escrita proporciona problemas intensos; Para trabalhar na escola as práticas sociais reais é necessária uma mudança no processo de democratização do conhecimento e da função implícita de reproduzir a ordem social estabelecida.

2- Os fins que se notam na escola ao ler e escrever são diferentes dos que dirigem a leitura e a escrita fora dela – não há função social real; Para uma aprendizagem significativa é necessário aliar os propósitos didáticos e os propósitos comunicativos de ler e escrever.

3- A inevitável distribuição dos conteúdos no tempo pode levar a parcelar o objeto de ensino; As práticas de leitura e escrita são totalmente indissociáveis que sobrevivem a divisão e à sequenciação dos conteúdos.

4- A necessidade institucional de controlar a aprendizagem leva a pôr em primeiro lugar os aspectos mais compreensíveis da avaliação;

5- A maneira como se distribuem os direitos e obrigações entre o professor e os alunos, determina quais são os conhecimentos e estratégias que as crianças têm ou não a oportunidade de exercer e, portanto quais poderão ou não aprender. Como o dever do professor é avaliar, o aluno tem poucas oportunidades de auto controlar o que compreendem ao ler e de auto corrigir seus escritos.

O POSSÍVEL a fazer é aliar os propósitos da instituição escolar aos propósitos educativos de formar leitores e escritores, criando condições didáticas favoráveis a uma versão escolar mais próxima da versão social dessas práticas.

Para esse fim é necessário:

a) A elaboração de um projeto curricular;

b) Articulação dos objetivos didáticos com objetivos comunicativos, essa articulação pode efetivar-se através de uma modalidade organizativa sabida que são os projetos de produção-interpretação;

c) Os projetos orientam as ações para a realização de um objetivo compartilhado. É imprescindível compartilhar a função avaliadora.

Para que a escola produza transformações substanciais com o objetivo de tornar as práticas de leitura e escrita significativas:

· Formar praticantes da leitura e da escrita e não apenas decifradores do sistema de escrita.

· Formar seres humanos críticos aptos de ler entrelinhas e de adotar uma posição própria.

· Formar pessoas desejosas de embrenhar-se em outros mundos possíveis que a leitura oferece, disposta a identificar com o semelhante ou solidarizar-se com o desigual e hábil de admirar a qualidade literária.

· Orientar ações para constituição de escritores, de pessoas que saibam informar-se por escrito com os demais e com elas mesmas.

· Atingir produções de língua escrita conscientes da pertinência e da importância de dar certo tipo de mensagem em determinado tipo de posição social.

· O desafio é que as crianças manejem com eficácia os diversos escritos que circulam na sociedade.

· Obter que a escrita aceite de ser na escola apenas um objeto de avaliação para se constituir num objeto de ensino.

· Gerar a descoberta do emprego da escrita como instrumento de raciocínio sobre o próprio pensamento, como recurso para organizar e reorganizar o próprio conhecimento.

· Resistir a discriminação que a escola age atualmente, não só quando cria fracasso explícito daqueles que não conseguem alfabetizar, como também quando impede aos outros que aparentemente não fracassam, chegar a ser leitores e produtores de textos competentes e independentes.

· O desafio é combater a discriminação unir esforços para alfabetizar todos os alunos assegurando a apropriação da leitura e escrita como ferramentas essenciais ao progresso cognoscitivo e do crescimento pessoal.

É POSSÍVEL MUDANÇA NA ESCOLA?

A instituição sofre uma verdadeira tensão entre dois pólos contraditórios:

A rotina repetitiva e a moda são obstáculos para a verdadeira mudança.

As mudanças acima apontadas só serão possíveis através da capacitação qualitativa dos professores e da instituição escolar. Será preciso estudar os mecanismos ou fenômenos que ocorrem na escola e impedem que todas as crianças se apropriem dessas práticas sociais de leitura e escrita.

ACERCA DO “CONTRATO DIDÁTICO”

O contrato didático serve para deixar claro aos professores e alunos suas parcelas de responsabilidades na escola e na relação ensino/aprendizagem.

Estabelecer objetivo por ciclo para diminuir a fragmentação do conhecimento;

Atribuir maior visibilidade aos objetivos gerais do que aos específicos;

Evitar o estabelecimento de uma correspondência termo a termo entre os objetivos e atividades;

Ultrapassar o tradicional isolamento entre a “apropriação do sistema de escrita” e “desenvolvimento da leitura e escrita”

Vale lembrar que as mudanças são possíveis se o coletivo escolar assim o fizer. A escola deve se tornar um ambiente de formação da comunidade leitora e escritora. No caso da alfabetização, duas questões são fundamentais: assegurar a formação de leitores e produtores de textos e considerar como eixo de formação o conhecimento didático

Os documentos curriculares devem aliar o objeto de ensino com as possibilidades do sujeito de atribuir um sentido pessoal a esse saber. Não devem se caracterizar documentos prescritivos.

Os documentos curriculares devem ter como foco a adoção de decisões acerca de conteúdos que devem ser ensinados: importante decidir o que vai se ensinar com vistas no objeto social e com qual hierarquização, isto é, o que é prioritário.

O que deve permear essas escolhas são os verdadeiros objetivos da educação: incorporar as crianças à comunidade de leitores e escritores, e formar cidadãos da cultura escrita.

Lerner aponta que a leitura não deve ser sem um propósito específico. A leitura e a escrita nascem sempre interpoladas nas relações com as pessoas, supõem intercâmbios entre leitores acerca dos textos: interpretar, indicar, contestar, intercambiar e outros. Esse é o verdadeiro sentido social dessa prática.

Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos e não tarefas, porque são aspectos do que se espera que os alunos aprendam.

Comportamento leitor: explanar, recomendar, repartir, confrontar, discutir, antecipar, reler, saltar, identificar, adaptar e outros.

Comportamento do escritor: planejar, textualizar, revisar.

A escola precisa permitir o acesso aos textos através da leitura em suas diferentes funções.

Na escola é necessário trabalhar a leitura com duplo propósito: o propósito didático e o propósito comunicativo.

O primeiro propósito corresponde a ensinar certos conteúdos constitutivos da prática social da leitura, com a finalidade de que o aluno possa utilizá-la no futuro, em situações não-didáticas.

O segundo propósito é da perspectiva do aluno.

Como trabalhar os dois propósitos: Através de projetos que aliam a aprendizagem a uma função real para os alunos.

· Ler para definir um problema prático;

· Ler para se informar de um tema interessante;

· Ler para escrever ou produzir um texto;

· Ler para buscar informações específicas;

· Ler para escolher, entre os contos, poemas ou romances.

GESTÃO DO TEMPO, APRESENTAÇÃO DE CONTEÚDOS E ORGANIZAÇÃO DAS ATIVIDADES

É fundamental para o trabalho com essa diferente visão produzir uma transformação qualitativa na utilização do tempo didático.

Manejar com flexibilidade a duração das situações didáticas e tornar possível a retomada dos próprios conteúdos em diferentes ocasiões e a partir de perspectivas diversas.

As práticas sociais de leitura e escrita tornam-se mais significativas e têm seus objetivos cumpridos ao organizar a rotina dentro das modalidades didáticas:

Projetos – apresentam assuntos nos quais a leitura ganha sentido cujos múltipos aspectos se articulam para a elaboração de um produto tangível.

Atividades Habituais – repetem-se de forma metódica previsível uma vez por semana ou por quinzena, durante vários meses ou ao longo de todo ano escolar.

Sequências de atividades – são dirigidas para se ler com crianças diversos exemplares de um mesmo gênero de gêneros diferentes obras de um mesmo autor ou diferentes textos sobre um mesmo tema; incluem situações de leitura cujo único propósito explícito e compartilhado com as crianças, é ler.

Situações independentes: estas se dividem em situações ocasionais e situações de sistematização

ACERCA DO CONTROLE: AVALIAR A LEITURA E ENSINAR A LER

A avaliação é fundamental no processo escolar, pois possibilita verificar se os alunos aprenderam o que o professor se propôs ensinar.

Para evitar que a pressão da avaliação se torne um obstáculo para a formação de leitores, é obrigatório, por um lado por em primeiro plano os propósitos referentes à aprendizagem de tal modo que não se subordinem ao controle e por outro lado criar modalidades de trabalho em o controle seja responsabilidade do aluno.

O professor como leitor proficiente é um modelo fundamental para os alunos. É necessário que leia e informe aos alunos tudo que é pertinente à leitura, estratégias eficazes quando a leitura é compartilhada, como delegar a leitura, individual ou coletiva, às crianças, o professor está ensinando a ler. Ele é modelo de leitor das crianças

Neste capítulo a autora conclui: É possível sim ler na escola se: se consegue produzir uma mudança qualitativa na gestão do tempo didático, se concilia a necessidade de avaliar com as prioridades do ensino e da aprendizagem, se redistribuem as responsabilidades de professor e alunos em relação à leitura para tornar possível a formação de leitores autônomos, se desenvolvem na sala de aula e na instituição projetos que dêem sentido à leitura, que promovam o funcionamento da escola como uma microssociedade de leitores e escritores em que participem crianças, pai e professores, então... Sim é possível ler na escola.

A conceitualização da especificidade do conhecimento didático e a reflexão sobre a prática são apontadas pela autora como dois fatores importantes no trabalho de capacitação de professores.

O saber didático ainda que se apóie em saberes produzidos por outras ciências, não pode ser deduzido simplesmente deles é também o resultado do estudo sistemático das interações que se produzem entre professor e aluno, os alunos e o objeto de ensino, é produto da análise das relações entre ensino e aprendizagem de cada conteúdo específico, é elaborado através da investigação rigorosa do funcionamento das situações didáticas.

O registro realizado pelo professor é fundamental para dar vida ao conhecimento didático: quando se torna objeto de reflexão faz da prática do professor uma prática consciente e possível de mudança.

O ensino na sociedade do conhecimento: educação na era da insegurança

HARGREAVES, Andy

Palavras-chave:

Ensino; conhecimento; tecnologia; aprendizagem; educação; sociedade do conhecimento


1. O ensino para a sociedade do conhecimento: educar para a inventividade

2. O ensino para além da sociedade do conhecimento: do valor do dinheiro aos valores do bem

3. O ensino apesar da sociedade do conhecimento I: o fim da inventividade

4. O ensino apesar da sociedade do conhecimento II: a perda da integridade

5. A escola da sociedade do conhecimento: uma entidade em extinção

6. Para além da padronização: comunidades de Aprendizagem profissional ou seitas de treinamento para o desempenho?

7. O futuro do ensino na sociedade do conhecimento: repensar o aprimoramento, eliminar o empobrecimento.

A autonomia dos professores

CONTRERAS, José

Nesta obra, o autor trata da questão da autonomia docente como resultado das mudanças sociais, políticas e econômicas pelas quais estamos passando hoje. Estudos nos mostram que existe uma preocupação latente em realizar pesquisas que busquem compreender o exercício da docência e dos processos de construção da identidade, profissionalidade e profissionalização do professor.

Três grandes partes compostas de oito capítulos que versam sobre a preocupação do autor com a apropriação indiscriminada, banalizada e generalizada dos termos profissionalização e autonomia de professores

Na primeira parte, intitulada A autonomia perdida: a proletarização dos professores, Contreras analisa o problema do profissionalismo no ensino, em especial o processo de proletarização pelo qual passa o professor, os vários significados do que é ser profissional e à profissionalidade.

Na parte seguinte, Modelos de professores: em busca da autonomia profissional do docente, são discutidos três modelos tradicionalmente aceitos com respeito à profissionalidade dos professores, a saber: o especialista técnico, o profissional reflexivo e o intelectual crítico.

Na terceira e última parte, Autonomia e seu contexto, é estabelecida uma visão global do que se deve entender por autonomia de professores.

Contreras toma como bases teóricas as idéias em que o professor será autônomo quando a escola for autônoma, ou seja, quando tanto o professor quanto a escola forem realmente os idealizadores das práticas educativas e não apenas aplicadores de receitas mágicas prescritas fora dos muros da escola e sem o aval e a reflexão da comunidade na qual está inserida.

Esta obra, portanto, destina-se a todos aqueles que procuram entender a autonomia docente como forma de melhoria do processo educativo, no qual o professor tem um papel fundamental.

O construtivismo na sala de aula

O artigo versa sobre a fala de uma criança quando questionada sobre como conseguiu ser aprovada na 1ª série, após haver revelado grandes dificuldades no processo de alfabetização. É um estudo que faz a relação entre essa fala da criança e o Construtivismo. Aborda conceitos de Piaget e de pesquisadores sobre o Construtivismo, que fornecem dados para se compreender o sujeito que aprende.

“Aprender é construir”. A aprendizagem contribui para o desenvolvimento na medida em que aprender não é copiar ou reproduzir a realidade. Para a concepção construtivista, aprendemos quando somos capazes de elaborar uma representação pessoal sobre um objeto da realidade ou conteúdo que pretendemos aprender.

O objetivo da análise deste texto é refletir sobre os conceitos do Construtivismo. Observe a fala abaixo e veja como o construtivismo está contido em cada parte dela. O aluno, ao ser questionado sobre como conseguira se aprovado, dando uma definição bem abrangente, que envolve desde a elaboração do processo até como conseguiu chegar ao final, dentro de sua sabedoria ingênua e simples, respondeu:

“É assim, Ó, eu fui fazendo, fazendo,

Eu fui tentando e aí eu consegui. (…)

Tem que ir ajeitando na minha cabeça,

Misturando com as outras coisas.”

Através dessa análise percebe-se que esta criança realmente conseguiu elaborar, de maneira ingênua e simples, uma frase onde é colocada toda uma sabedoria infantil e que consegue explicar toda uma concepção. Certo é que não se utilizou de um discurso linguístico com diversidades de palavras que até pudessem fazer parte do seu vocabulário no cotidiano, mas, numa frase curta, ela englobou, de certo modo, toda uma visão da concepção construtivista.

Metáforas novas para reencantar a educação – epistemologia e didática.

ASSMANN, Hugo.

Apesar do panorama desolador no sistema educacional brasileiro, tanto em termos de técnicas, metodologias e experiências criativas, o autor defende uma persistência dos processos de aprendizagem, em que os processos vitais e os de conhecimento despertem novidades fascinantes e motivações positivas para reencantar a educação
As circunstâncias adversas produziram o negativismo, no qual aqueles que anteriormente se pareciam progressistas e inovadores desembocam, nas palavras do autor, num “apartheid neuronal”, onde as ecologias cognitivas inexistem. Com o conhecimento e o aprender interagindo como assuntos obrigatórios, o mercado que promove as tendências de inclusão e exclusão deve dar lugar a uma relação onde os homens e as máquinas são parte do mesmo processo, todos agindo em prol da vida, do conhecimento
E a insensibilidade, devem abrir caminho para a explosão dos espaços de conhecimento, onde a educação sai do mero discurso e promove a revitalização do tecido social e do conhecimento, com todos os valores a si inerentes. Os processos cognitivos carecem de uma visão antropológica séria, que mesmo complexa traga lucidez política e ética, onde a solidariedade produza consensos políticos e educacionais, onde a criatividade se revista de ternura e felicidade individual e coletiva.
Como o prazer e a ternura na educação passa pela experiência sensorial do corpo, a morfogênese do conhecimento tem que ser dinâmica, prazerosa e curativa, com uma pluri-sensualidade que passe pelo cérebro, pelas emoções, e se expresse no corpo. Assim, o monopólio da educação visual-auditiva dará lugar a uma educação instrutiva e criativa, cheia de encantamentos e acessível, comprometida com o social e centrada no prazer de aprender e ensinar, e onde a educação se reveste novamente de encantos.