"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Descoberta da Literatura

    No dia-a-dia do engenho,
    toda a semana, durante,
    cochichavam-me em segredo:
    saiu um novo romance.
    E da feira do domingo
    me traziam conspirantes
    para que os lesse e explicasse
    um romance de barbante.
    Sentados na roda morta
    de um carro de boi, sem jante,
    ouviam o folheto guenzo ,
    a seu leitor semelhante,
    com as peripécias de espanto
    preditas pelos feirantes.
    Embora as coisas contadas
    e todo o mirabolante,
    em nada ou pouco variassem
    nos crimes, no amor, nos lances,
    e soassem como sabidas
    de outros folhetos migrantes,
    a tensão era tão densa,
    subia tão alarmante,
    que o leitor que lia aquilo
    como puro alto-falante,
    e, sem querer, imantara
    todos ali, circunstantes,
    receava que confundissem
    o de perto com o distante,
    o ali com o espaço mágico,
    seu franzino com o gigante,
    e que o acabassem tomando
    pelo autor imaginante
    ou tivesse que afrontar
    as brabezas do brigante.
    .
    (E acabaria, não fossem
    contar tudo à Casa-grande:
    na moita morta do engenho,
    um filho-engenho, perante
    cassacos do eito e de tudo,
    se estava dando ao desplante
    de ler letra analfabeta
    de curumba, no caçanje
    próprio dos cegos de feira,
    muitas vezes meliantes. )
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    MELO NETO, João Cabral de. Descoberta da literatura.

    In: ______. A escola das facas. Rio de Janeiro:

    Alfaguara, 2008. p. 83-84. © by herdeiros de João Cabral de Melo Neto

    quarta-feira, 28 de julho de 2010

    USP, Unesp e Unicamp oferecem pós-graduação a distância para professores

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    Um convênio formado entre a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, USP, Unesp e Unicamp vai oferecer cursos de pós-graduação a distância para professores e diretores da rede pública estadual de ensino. São 16 cursos de especialização, num total de 20.090 vagas.

    As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de agosto pelo site www.rededosaber.sp.gov.br. Todas as orientações para as pré-inscrições aos cursos estão disponíveis em "Inscrições", no documento "Regras de inscrição". Os cursos de especialização têm duração de um ano e contam com encontros presenciais.

    A USP terá especializações em ensino de ciências, biologia, sociologia, além de três cursos da área de gestão. A Unesp oferece especialização em ensino de língua inglesa, filosofia, arte, química e geografia e a Unicamp em ensino de língua portuguesa, matemática, física, história e educação física.

    Mais informações podem ser obtidas no manual de inscrição ou no Fale Conosco da Rede São Paulo de Formação de Docente (REDEFOR).

    Mais notícias de Educação »

    Redação Terra

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    terça-feira, 27 de julho de 2010

    Celebração da paz

    A crônica em questão foi escrita por um aluno do ensino ensino fundamental da rede pública estadual, na zona leste da capital paulista, e em breve estará concorrendo ao prêmio em disputa por ocasião da Olímpiada de Língua Portuguesa, ano de 2010.

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    Estavam todos muito cabreiros e um converseiro destoava no ambiente fraterno que até então ocorria no lugar. E não havia justificativa para desavenças no baile, pois a festa era justamente para comemorar um ano sem violência, um ano inteirinho sem rixa alguma. Alguns, é claro, sempre acabam abusando dos gorós e ficam treitados por pouca coisa, mas o fato é que já se passavam mais de 365 dias sem que houvesse fatalidades, todos de bem com a vida e com as cabeças tranquilas. Então, por que tudo aquilo de uma hora para outra. Por que aquele zunzunzum todo?

    Acontece que a molecada havia passado a semana toda na correria para organizar o evento, um baile da hora, no pátio do lava-rápido, ali mesmo na comunidade. Entretanto, agora estavam o Barnei, o Bebezão, o Faísca e o Arroba, todos zuados e de cabeça quente, quase em pé de guerra pra cima de um carinha que pintou na área, e o pior de tudo, já colando na roda e pitando no narguile do Bebezão. “Quem ele pensa que é pra ir chegando e ficando de boa, na maior moral?” ― questionavam alguns que se aglomeravam em torno do Faísca.

    Betinha, a mina do Barnei, ainda tentava passar o pano enquanto dizia que o Rick, esse é o nome do moleque desconhecido que estava marcando, quase ao ponto de ser expulso na porrada pelos festeiros.

    Dizem, pelos cantos por aí, que no ano passado um nóia vacilão estava furtando as coisas por aí e acolá... botijão de gás, bicicleta, roupa no varal e tudo o que encontrasse dando mole... acabou no micro-ondas, isto é, acabou nas mãos dos irmãos que deram um corretivo no desinfeliz e depois o colocaram desacordado dentro do fusca e atearam fogo no carro. Foi horrível, mas é assim que as coisas funcionam por aqui, e sempre funciona, porque as leis são ditadas pelo comando.

    O Rick ― sujeitinho também cheio de mala ― não estava nem aí para o reboliço todo. Querendo mais que o mundo acabasse em barranco, só para morrer encostado, sacou o celular e conferiu as horas, comentando que já estava quase na hora de ir vazando. Foi quando alguém comentou sobre a caranga jeitosa dele, um Pegeout 207 conversível muito maneiro. No que Rick disse:

    ― Conheci este carro quando estive na França. Fui participar de um concurso de grafitagem e por pouco não ganhei em primeiro lugar. Com a grana do segundo prêmio comprei o carro e agora é só alegria.

    Foi aí que o Barnei colou na fita e baixou o faixo... A molecada da área é vidrada num grafite. Então o Rick sacou de um compressorzinho na mochila e fez uma homenagem pra comunidade no muro da bagaça.

    E a notícia espalhou na hora. As minas pagaram o maior pau pro carinha de fora, e os manos ficaram de boa... Ficou tudo na maior responsa. Grafite na comunidade é manifestação de paz e tudo de bom. Assim a paz deve continuar por um bom tempo.

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    quinta-feira, 22 de julho de 2010

    Avalie seu nível gramatical

    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) É preciso levantar ____ moral dos jogadores.
    2) Sentiu-se mal, por isso saiu ____ lotação.
    3) Comprou __________ gramas de mortadela.
    (a) o, do, duzentos; (b) a, da, duzentas; (c) o, do, duzentas; (d) a, da, duzentos; (e) a, do, duzentas.
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    Que opção completa corretamente a frase “Quando _________ os técnicos contratados, _________ que a direção das empresas __________ as providências necessárias”?
    (a) chegarem / espera-se / tomem; (b) chegar / espera-se / tomem; (c) chegar / esperam-se / tome;
    (d) chegarem / espera-se / tome; (e) chegarem / esperam-se / tome.
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    Que opção completa corretamente a frase “Quando adoeceu ____ questão de alguns anos, ainda não se _________ outros métodos de tratamento”?
    (a) a / conhecia; (b) à / conhecia; (c) à / conheciam; (d) há / conhecia; (e) há / conheciam.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) Ele foi dar ___ telefonema.
    2) Ele quer saber se aboliram ___ trema.
    3) Ela deu ____ tapas na criança.
    (a) uma, a, umas; (b) um, o, uns; (c) um, a, uns; (d) uma, o, umas; (e) um, a, umas.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases:
    1) Aquela mulher sempre foi _______ maior ídolo;
    2) Estava em coma _______________;
    3) Ela era ____ membro da academia.
    (a) o seu / alcoólico / um; (b) a sua / alcoólica / uma; (c) o seu / alcoólica / uma; (d) a sua / alcoólico / um; (e) o seu / alcoólica / um.
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    Que opção completa corretamente a frase “Brandura e grosseria alternam-se em seu comportamento; já não o suporto, pois _________ é o traço dominante; ___________, o esporádico”?
    (a) aquela / esta; (b) essa / aquele; (c) aquele / esse; (d) esta / aquela; (e) esta / essa.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) “Eram muitas ___________ e ____________.”
    2) “Eça de Queiroz é o autor de ____________.”
    3) “No século XIX eram __________ e agora __________.”
    (a) Marias e Joões / Os Maias / os Andradas e os Silvas; (b) Maria e João / Os Maia / os Andrada e os Silva; (c) Marias e Joãos / Os Maias / os Andrada e os Silva; (d) Marias e Joões / Os Maia / os Andradas e os Silva; (e) Marias e Joãos/ Os Maias / os Andrada e os Silvas.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) Xuxa, que tem dois _____, resolveu pôr os pingos nos ___.
    2) Na turma, houve dois ____ e vários ____.
    (a) xis, i, nove, dez; (b) xises, is, noves, dezes; (c) xx, ii, nove, dezes; (d) xis, is, noves, dez; (e) xises, ii, noves, dez.
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    Que opção completa corretamente a frase “O tempo não é suficiente para ______ digitar o relatório. Pedirei ao chefe que divida a tarefa entre _____ e você”?
    (a) eu / mim; (b) mim / eu; (c) eu / eu; (d) mim / mim; (e) nós / nós.
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    Que opção completa corretamente a frase “Estava escuro, _________ demorei a encontrar o caminho __________ deveria regressar”?
    (a) por isso / por que; (b) por isso / porque; (c) por isso / por quê; (d) porisso / porque; (e) porisso / por que.
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    RESPOSTAS:
    a - d - e - b - a - d - a - d - a - a

    Para comentar sobre o porquê dos resultados, escreva para juarezfirmino@professor.sp.gov.br

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    segunda-feira, 19 de julho de 2010

    13 frases em inglês sobre férias

    Olá Pessoal! Para quem gosta de aprender inglês, as férias podem ser um prato cheio. Com mais tempo disponível, podemos revisar tópicos, por atividades em prática e tudo mais.

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    Confiram nossas treze frases de férias:

    1. Planos para as férias: Vacation plans
    Ex: What are your vacation plans? (Quais são seus planos para as férias?)

    2. Praia, campo: Beach, countryside
    Ex: Do you prefer the countryside or the beach? (Você prefere o campo ou a praia?)

    3. Tirar férias: Take a vacation
    Ex: We’re going to take a three-week vacation. (Vamos tirar férias de três semanas.)

    4. Fazer as malas: Pack your suitcases
    Ex: There’s still time for you to pack your suitcases.
    (Ainda dá tempo para você fazer as malas.)

    5. Acampamento de férias: Vacation camp
    Ex: It’s like going to a vacation camp for him. (É como ir a um acampamento de férias para ele.)

    6. Viajar de carro, avião, etc: Travel by car, airplane, etc
    Ex: I prefer to travel by car rather than by airplane.
    (Eu prefiro viajar de carro do que de avião.)

    7. Pacote turístico: Package tour
    Ex: They bought a package tour to Australia. (Eles compraram um pacote turístico para a Austrália.)

    8. Hospedagem: Accommodation
    Ex: It includes free accommodation and meals. (Isto inclui hospedagem gratuita e refeições.)

    9. Guia turístico: Tour guide, tourist guide
    Ex: A tourist guide will help you when you need. (Um guia turístico vai te ajudar quando precisar.)

    10. Atrações turísticas: Sights, tourist attraction
    Ex: I’ll show you one of the sights of our city.
    (Vou lhe mostrar uma das atrações turísticas da nossa cidade.)
    Ex: It is one of Rio’s major tourist attractions. (Esta é uma das maiores atrações turísticas do Rio.)

    11. Roteiro de viagem: Itinerary
    Ex: We suggest you follow your itinerary.
    (Sugerimos que você siga seu roteiro de viagem.)

    12. A negócio ou a passeio: Business or pleasure?
    Ex: And then he said: “Business or pleasure?”. (E então ele disse: “A negócio ou a passeio?)

    13. Aproveitar as férias: Take advantage (usar), enjoy (apreciar)
    Ex: He took advantage of his vacation to learn English.
    (Ele aproveitou as férias para aprender inglês.)
    Ex: Enjoy your vacation with your family. (Aproveite suas férias com sua família.)

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    Fonte: www.englishexperts.com.br

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    quarta-feira, 7 de julho de 2010

    Ortografia e arqueologia?

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    Recebi recentemente uma carta interessante de um leitor, da qual transcrevo parte, como motivo deste artigo.

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    “Professor Ernani. Seu manifesto pela simplificação ortográfica atende em cheio minhas próprias aspirações, entretanto ouvi recentemente um argumento contra essa simplificação, que a comparava à devastação de um sítio arqueológico para a construção de um centro comercial. Baseava-se na opinião de que a língua é uma espécie de grande depósito arqueológico de momentos passados da cultura de um povo e que seus detalhes e especificidades são testemunhos vivos de sua história.

    Partindo dessa analogia, é bom lembrar que tanto o arqueológico como o comercial são fatores importantes e não excludentes socialmente. Talvez a comparação mais apropriada seja a construção de um centro comercial por cima ou ao lado de um sítio arqueológico, preservado integralmente e servido de uma passagem aberta e sinalizada para permitir-lhe acesso, visitação e estudo, isso porque a mudança na escrita de uma palavra não impede a pesquisa de sua origem e história. Eis alguns exemplos:

    É do século XV a seguinte redação “Começo este liuro nom como author e achador das cousas em elle contheudas…”, que hoje, reescrevendo-se cada palavra, resulta em “Começo este livro, não como autor e achador das coisas nele contidas”. Note-se que livro se escrevia com U, autor com TH, coisas com U, elle com L duplo e, decorridos 600 anos, é possível entender o texto e o considerarmos como um “depósito arqueológico”, estudando a cultura da língua a partir da observação de seus “detalhes e especificidades”, conforme a crítica que chegou ao Roberto e ele gentilmente nos passou. O estudioso que for pesquisar a etimologia da palavra autor, encontrará três momentos distintos (author > auctor > autor) e poderá debruçar-se sobre as circunstâncias e a filosofia geradora dessas modificações.

    Do século XIX, a frase “O poder dos reys hespanhoes eh muito mais immovel que as instituiçoens da monarchia” é hoje grafada assim “O poder dos reis espanhóis é muito mais imóvel que as instituições da monarquia”, maneira de escrever em que se percebem razoáveis diferenças: reis se escrevia com Y; espanhóis, com H inicial e E final; é tinha H e não acento agudo; imóveis apresentava M duplo; instituições recebia N após o E em vez de til sobre o O; e monarquia se registrava com CH. O fato de se haver modificado a grafia não impede o estudo da origem, da história, das transformações culturais da língua portuguesa, ao contrário, torna-se uma passagem pela qual se pode realizar esse estudo. Se a grafia da palavra monarquia evoluir para monarkia, não se perde o fio da gramática ou linguística histórica (monarchia > monarquia > monarkia), ao contrário, cria-se outro testemunho para o pesquisador.

    Cabe aqui lembrar que, apenas no século passado, de 1911 a 1990, a grafia do Português sofreu nove mudanças e nem por isso se apagaram os traços do passado, por um motivo muito simples: a grafia constitui apenas uma convenção temporária para representar as palavras da língua e cada reforma ortográfica é prova de um estágio cultural, que pode ser considerado do ponto de vista sociolinguístico, psicolinguístico etc. É possível pensar em todas as reformas feitas até hoje como testemunhos enriquecedores da história da nossa língua, o que invalida plenamente o argumento contrário.

    Para além de todos esses aspectos, o mais importante da reforma que propomos sedia-se no fato de que será a primeira reforma ortográfica a abolir, a falta de pesquisa, a superficialidade, a improvisação, a ilogicidade, o ditatorialismo e muitos outros fatores negativos que se encontram incrustados, embutidos em todas as experiências ortográficas que tivemos até hoje, responsáveis pelo analfabetismo crônico de todos os lusófonos, no sentido próprio da palavra analfabeto, o de “quem não sabe usar as letras”, pois todos sofremos da necessidade de consultar dicionário para escrever esta ou aquela palavra.

    A ortografia que queremos e estamos conquistando para o nosso atualíssimo século XXI deve ser baseada em pesquisa séria e profunda e deve adequar-se à lógica racional e universal, instrumento necessário às atuais técnicas do ensino-aprendizagem, visando a nos libertar da escravidão ao dicionário na hora de escrever e revelando para os pesquisadores do futuro o quanto o nosso século evoluiu e se distanciou de todos os anteriores em termos também ortográficos, sendo o primeiro a expurgar a grafia anacrônica e medieval até hoje a nós imposta e que dificulta a inserção de todo nosso povo no mundo alfabetizado. Conheça mais no www.acordarmelhor.com.br

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    Ernani Pimentel

    Professor, pesquisador, gramático, conferencista, presidente da Vestcon.

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    segunda-feira, 5 de julho de 2010

    Casa da Rosas


    Conheça a Casa das Rosas por dentro

    A Casa das Rosas – O Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura é uma mansão na Avenida Paulista que abre suas portas para um passeio de descobertas arquitetônicas e históricas. Grupos de 10 a 45 pessoas podem agendar passeios de uma hora de duração, com horários disponíveis entre terça e sexta-feira, das 10h às 18h. As inscrições devem ser feitas pelos telefones (11) 3285-6986 ou (11) 3287-8917. Para grupos menores (a partir de três participantes) e pessoas que estiverem passeando pela Casa das Rosas, há passeios de trinta minutos em horários fixos: de terça a sexta, às 11h, 13h, 16h e 18h e aos sábados, às 12h e às 16h.

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    A história da mansão

    A Casa das Rosas foi projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo no final da década de 20 para ser a residência de sua filha, Lucia.

    Seu estilo arquitetônico é eclético. A entrada é de mármore carrara, os vidros e cristais são belgas e as ferragens, inglesas. Um enorme vitral colorido, assinado por Carlos Sorgenicht, decora o hall de entrada. O jardim, inspirado no Palácio de Versalhes, abriga o famoso roseiral, origem do nome da casa e uma de suas atrações. Ramos de Azevedo não chegou a ver o projeto concluído, pois faleceu em 1928. A construção de trinta cômodos só ficou pronta sete anos mais tarde, sendo assinada por Felisberto Ranzini. Durante 51 anos, residiram ali Lucia Ramos de Azevedo e seu marido, Ernesto Dias de Castro. Mais tarde, Ernesto Dias de Castro Filho e sua esposa ocuparam a casa.
    Atualmente a mansão é administrada pela Secretaria de Estado da Cultura em conjunto com a Poiesis - Organização Social de Cultura e abriga o acervo de cerca de 20 mil volumes da biblioteca do poeta, tradutor e ensaísta Haroldo de Campos (1929-2003). É também a única livraria especializada em poesia do Brasil, que disponibiliza cerca de 400 títulos.

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    Casa das Rosas

    Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô Aberta de terça a domingo, das 10h às 22h. Estacionamento conveniado: Al. Santos, 74

    www.poiesis.org.br/casadasrosas

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    sábado, 3 de julho de 2010

    V O C Ê

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    A Unicamp (Universidade de Campinas) é reconhecida no país por muitos de seus méritos. E, a bem da verdade, a Unicamp começa bem já no vestibular. Muitas das questões ― é pena que não sejam todas ― são interessantes, inteligentes, de ótimo nível.

    O vestibular dessa importante escola começou em 1987. Nesse ano, justamente a primeira questão da prova de português pedia ao aluno que indicasse as marcas típicas da oralidade, ou seja, da língua falada, presentes no discurso de um engenheiro eletrônico. Tratava-se de uma entrevista concedida por ele a um jornal. Disse o engenheiro: “Os grandes problemas, você deve ter um desenvolvimento tecnológico local”.

    A questão pedia que o aluno reescrevesse a frase, adequando-a “à língua escrita culta”. De imediato, chama a atenção a falta de conexão. A expressão “os grandes problemas” parece atirada, jogada, perdida. Falta verbo, falta algo que una essa expressão ao resto da frase. Talvez algo como “Para resolver os grandes problemas, você...”. Epa! Você? Quem é você? Até prova em contrário, você é a pessoa com quem estou conversando.

    Você é meu interlocutor. E esse “você” da resposta do engenheiro parece muito pouco para a dimensão ― nacional ― do pensamento. “Para resolver os grandes problemas, é preciso desenvolvimento tecnológico local”. Ou: “A solução dos grandes problemas exige desenvolvimento tecnológico local”. Ou ainda: “Para a solução dos grandes problemas, exige-se desenvolvimento tecnológico local”. Percebeu? O “você” do engenheiro não era a pessoa com quem ele conversava. E é aí que quero chegar. É cada vez mais freqüente, na linguagem oral, o uso da palavra “você” com valor genérico.

    Dia desses, ouvi famoso jogador de futebol dizer que “quando você bate na bola com o lado de fora do pé...”. Ouvi também uma mulher dizer a um repórter ― repito: um repórter, homem, do sexo masculino ― que “quando você está grávida...”. O repórter fez cara de espanto, com os olhos arregalados, como que a perguntar: “Eu? Grávida?”.

    Numa corrida do Grande Prêmio de Fórmula 1, o locutor Galvão Bueno, enquanto explicava o regulamento, dizia que “quando você deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”. Como houve duas ameaças de largada, Galvão disse pelo menos duas vezes que “quando você...”. O problema é que Galvão não estava conversando com os pilotos, e sim com o telespectador, que não deixa carro morrer na largada, por uma razão muito simples: não participa de corridas.

    Pelo menos na linguagem formal, culta, é bastante desejável a eliminação desse cacoete. É cansativo, pobre e enfadonho o uso da palavra “você” como indicador de algo genérico, coletivo. No caso da corrida, bastaria dizer que “quando se deixa o carro morrer na largada, deve-se ir para o fim da fila”. ― Também se poderia dizer que “quando o piloto deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”.

    O saudoso governador de São Paulo, Mário Covas, é outro que abusava do bendito você que não é você. Vi-o em várias entrevistas ― antes e depois das campanhas ―, repetindo à exaustão que “quando você investe bem o dinheiro do povo”, “quando você aplica no social”, “quando você faz o que realmente é necessário para o povo”, “quando você...”. Vamos quebrar a monotonia: “Quando se investe bem o dinheiro do povo” (ou “Quando o governo/os governantes investe/investem bem o dinheiro do povo”); “Quando se aplica no social” (ou “Quando o governo/os governantes aplica/aplicam no social”); “Quando se faz o que realmente é necessário para o povo” (ou “Quando o governo/os governantes faz/fazem o que realmente é necessário para o povo”).

    Uma ex-aluna esteve na Austrália, para estudar. Lá ficou alguns meses. Viciada em você, traduzia essa história de “você” ao pé da letra. A todo instante, dizia “When you...” (“Quando você”, em inglês). Diz ela que as pessoas se assustavam. Punham a mão no peito e diziam ― em inglês, é claro: ― Eu, não!”. No começo, minha ex-aluna não entendia o porquê da reação. Não demorou muito para perceber.

    Talvez haja uma explicação sociolinguística ou psicolinguística para o sumiço dos indicadores genéricos da nossa linguagem oral. Será que não é, mais uma vez, porque o brasileiro tem pavor do que é coletivo, genérico, ou seja, tudo no Brasil precisa ser individual, personalizado? Quem sabe. Os antropólogos também podem meter a colher. Aceitam-se sugestões. E lá vai uma, mais do que urgente: pelo menos em situações formais ― sobretudo na escrita ―, pare com esse cacoete de usar você que não é você.

    Até a próxima. Um forte abraço.

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    Pasquale Cipro Neto

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    Produção textual: coesão e coerência

    A coesão colabora com a coerência, porque os conectivos ajudam a dar o sentido à união de duas ou mais ideias: alternância, conclusão, oposição, concessão, adição, explicação, causa, consequência, temporalidade, finalidade, comparação, conformidade, condição.

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    As ideias numa dissertação precisam se completar, a geral se apoia na particular, a particular sustenta a geral.

    Na narração, se uma personagem for negra no começo, será assim até o fim, só Michel Jackson trocou de cor. A menos que a mudança da coloração seja significativa.

    Veja um exemplo de incoerência na dissertação: “O verdadeiro amigo não comenta sobre o próprio sucesso quando o outro está deprimido. Para distraí-lo, conta-lhe sobre seu prestígio profissional, conquistas amorosas e capacidade de sair-se bem das situações. Isso, com certeza, vai melhorar o estado de espírito do infeliz”.

    Exemplo de incoerência em narração: “O quarto espelha as características de seu dono: um esportista, que adorava a vida ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia sinais disso: raquetes de tênis, prancha de surf, equipamento de alpinismo, skate, um tabuleiro de xadrez com as peças arrumadas sobre uma mesinha, as obras completas de Shakespeare”.

    DICAS IMPORTANTES

    • Leia atentamente o que está sendo solicitado. Atualmente, as propostas se aproximam da realidade dos candidatos, constituindo-se roteiros confiáveis para a organização de ideias;

    • Crie mentalmente um interlocutor. Procure convencer um ouvinte específico do seu ponto de vista;

    • Planeje o texto sem utilizar fórmulas prontas. O fio condutor deve ser seu pensamento;

    • Evite marcas de língua falada. Escrita e fala são modalidades diferentes do idioma. Evite gírias e termos excessivamente coloquiais;

    • Confie em seu vocabulário. Todos nós guardamos palavras sem uso que podem transmitir com clareza o nosso pensamento. Procure encontrá-las;

    • Seja natural. Evite o uso de palavras de efeito apenas para impressionar a banca;

    • Acredite em seus pontos de vista e defenda-os com convicção. Eles são seu maior trunfo.

    terça-feira, 22 de junho de 2010

    Texto corrigido de acordo com as novas regras ortográficas


    O texto como está:
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    Faltavam 20 minutos para a partida de vôo da Ponte Aérea, e Pedro estava sentado numa poltrona da área de espera em Congonhas. Ele abriu o livro na página marcada, começou a ler, mas logo desistiu, pensando:
    “Que idéia mais idiota trazer justamente este livro...”
    O problema, é claro, não estava no livro, e sim em seu nervosismo. Nessa noite, ele faria sua estréia no Canecão, o primeiro show com músicas de seu primeiro CD – ou seja, o início de uma bela carreira, ou o fim de seus sonhos, se não caisse no agrado da platéia.
    Ele acabou admitindo esse fato, concluindo:
    “O fato é que já não agüento mais essa espera.”
    O auto-falante anunciou o embarque, e logo ele já estava instalado em seu assento ao lado da janela. Na decolagem, como sempre acontecia quando ele viajava de avião, seu pensamento foi bem diferente:
    “Por que eles não dão um pára-quedas pra cada passageiro?”
    E sua mente também começou a voar, assim que o avião chegou à altura de cruzeiro, deixando São Paulo para trás:
    “Será que eu assinei todos os papéis no advogado?... O cara é meio estranho, nem portugues ele sabe falar direito... Eu poderia assina-los na volta, mas foi melhor assim, me livrei de uma encheção... Eu deveria por meu carro a venda, já está com uns barulhos irritantes...”
    Sem prestar atenção às instruções das aero-moças, ele continuou ruminando:
    “... A Sandra disse que sou paranóico, vejo problemas em tudo... acho que ela tem razão, às vezes eu estou há anos-luz da realidade... Desliguei o gas do fogão e a tomada da geladeira, mas esqueci de desligar o microondas... Sim, além de paranóico, parece que sou neurótico...”
    E assim foi o resto do vôo e do dia, até o momento em que seu nome foi anunciado ao público do Canecão...
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    Texto corrigido:
    (Clique Ctrl + a palavra linkada para conferir as regras do acordo ortográfico)
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    Faltavam 20 minutos para a partida de voo da Ponte Aérea, e Pedro estava sentado numa poltrona da área de espera em Congonhas. Ele abriu o livro na página marcada, começou a ler, mas logo desistiu, pensando:
    “Que ideia mais idiota trazer justamente este livro...”
    O problema, é claro, não estava no livro, e sim em seu nervosismo. Naquela noite, ele faria sua estreia no Canecão, o primeiro show com músicas de seu primeiro CD, ou seja, o início de uma bela carreira, ou o fim de seus sonhos, se não caísse no agrado da plateia.
    Ele acabou admitindo esse fato, concluindo:
    “O fato é que já não aguento mais essa espera.”
    O alto-falante anunciou o embarque, e logo ele já estava instalado em seu assento ao lado da janela. Na decolagem, como sempre acontecia quando ele viajava de avião, seu pensamento foi bem diferente:
    “Por que eles não dão um paraquedas para cada passageiro?”
    E sua mente também começou a voar, assim que o avião chegou à altura de cruzeiro, deixando São Paulo para trás:
    “Será que eu assinei todos os papéis no advogado?... O cara é meio estranho, nem português ele sabe falar direito... Eu poderia assiná-los na volta, mas foi melhor assim, me livrei de uma encheção... Eu deveria por meu carro a venda, já está com uns barulhos irritantes...”
    Sem prestar atenção às instruções das aeromoças, ele continuou ruminando:
    “... A Sandra disse que sou paranoico, vejo problemas em tudo... Acho que ela tem razão, às vezes eu estou há anos-luz da realidade... Desliguei o gás do fogão e a tomada da geladeira, mas esqueci de desligar o micro-ondas... Sim, além de paranoico, parece que sou neurótico...”
    E assim foi o resto do voo e do dia, até o momento em que seu nome foi anunciado ao público do Canecão...
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    sábado, 19 de junho de 2010

    Festa no arraial

    Quadrilha junta francês e português

    A dança chegou ao Brasil em 1808, com a corte portuguesa, e teve seus comandos adaptados para as festas juninas daqui.

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    Bem-me-quer, malmequer. Você já deixou as flores carecas e ainda não tem nenhuma pista se o seu amor é correspondido? Santo Antônio e São João, os santos da fertilidade e do casamento, podem lhe dar uma força, através das simpatias.

    Já tentou, na véspera do dia de São João, de 23 para 24 de junho, escrever em papeizinhos e dobrá-los numa bacia cheia de água? Dizem que o papel que amanhecer aberto vai revelar o nome da noiva ou do noivo.

    O ponto alto da festa junina é o casório caipira, seguido de quadrilha. A dança de pares é cheia de nove horas, com muitos comandos em francês. Isso porque, quando a corte portuguesa chegou ao Brasil, em 1808, trouxe a quadrilha, dança originária da França.

    Hoje, a quadrilha é uma mistura engraçada de passos originais com passos novos, comandos em francês misturados aos tradicionais “sustos” em português, como “óia a cobra”.

    Homens e mulheres entram abraçados em fila, seguindo o comando do marcante e do contramarcante. Fazem o “balance” (“balancer”), depois de se cumprimentarem “vis-a-vis” (“vis-à-vis”, ou seja, “cara a cara”), e “anavan” (“em avant”, “para a frente”). Depois recuam (“anarriê” vem de “em arrière”, que significa “para trás”).

    De volta a seus lugares, fazem mais um balance com seus pares seguido de um “tur” (“tour”, que significa “volta”). Ouve-se então “otrefoá!” (“autrefois” significa “mais uma vez”). Daí tem mais balance e viravortê, e o homem passa a mulher para o homem de trás, até que todos encontrem seus pares novamente.

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    Santos em festa

    As festas juninas estão aí! É fogueira de São João, fogueteiro para São Pedro e simpatias para Santo Antonio. Esses santos são muito importantes para todos os católicos e suas vidas são contadas na Bíblia. Leia, a seguir, algumas histórias sobre eles.

    13 de junho – dia de Santo Antônio

    Santo Antônio ficou célebre por seu talento para pregar a palavra de Deus. Ele chegava a uma praça, ou a qualquer lugar onde houvesse um grupo de pessoas, e começava a contar a vida de Jesus. Como falava muito bem, e com bastante entusiasmo, logo juntava uma multidão. O primeiro milagre de Santo Antônio é de deixar qualquer um de queixo caído. Aconteceu certa vez, quando ele começou a pregar na beira de um rio. Sabe o que aconteceu? Os peixinhos daquele rio, atraídos pelo jeito empolgante como Santo Antônio falava, nadaram para a beirada e puseram a cabeça para fora, para ouvir melhor. Imagine o susto das pessoas quando viram que até os peixinhos estavam prestando atenção.

    24 de Junho – dia de São João

    São João é o santo mais festejado do Brasil. Mas isso não significa que ele tenha sido festeiro. Muito pelo contrário. Ele vivia no deserto. Alimentava-se de gafanhotos e mel. Suas roupas eram de pele de camelo. João era primo de Jesus. Eles tinham quase a mesma idade. João foi um grande profeta, pois avisava que Jesus viria. Só que isso causou uma pequena confusão. João era um homem tão bom que muita gente achou que ele era Jesus Cristo! Ele dizia que não, mas sempre tinha uma turma que teimava o contrário. Essa confusão foi esclarecida quando João batizou Jesus no rio Jordão. Nessa hora aconteceu um milagre. Um vozeirão, vindo do céu, disse: “Esse é o meu filho bem-amado”. Foi assim que se resolveu a confusão entre os dois primos.

    29 de Junho – dia de São Pedro

    São Pedro nasceu com o nome de Simão e era pescador. Certo dia, ele estava lavando as redes, quando Jesus apareceu e pediu uma carona em seu barco. Simão concordou. Depois trocou o seu nome para Pedro quando Jesus disse que ele seria o fundador da igreja. Pedro significa pedra, ou seja: Pedro seria a primeira pedra da igreja. É por isso que São Pedro é considerado o primeiro papa. Depois que Jesus morreu, São Pedro viajou, se revelou um excelente orador e começou a fazer milagres. Dizem que, certa vez, um feiticeiro de Roma chamou São Pedro para um desafio. Aí o feiticeiro começou a levitar! São Pedro não teve dúvida. Fez um exorcismo, tirou o diabo do corpo do feiticeiro, e o fez despencar no chão. Plaft!

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    Fonte: Caderno Folhinha. In: Folha de S.Paulo, 28.05.2005


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    sexta-feira, 18 de junho de 2010

    Morre, aos 87 anos, o escritor José Saramago

    Morreu nesta sexta-feira (18) o escritor português e prêmio Nobel de literatura José Saramago, aos 87 anos, em sua casa, na cidade de Tías, Lanzarote, Espanha.

    José Saramago havia tido uma noite tranquila e a morte ocorreu por volta das 8h desta sexta-feira, após tomar seu café da manhã ao lado da mulher, a tradutora Pilar del Río. Eles estavam conversando quando o escritor começou a sentir-se mal e logo depois faleceu.

    José de Sousa Saramago nasceu na aldeia portuguesa de Azinhaga, província de Ribatejo, no dia 16 de novembro de 1922, embora no registro oficial conste o dia 18. Filho dos camponeses sem terra José de Sousa e Maria da Piedade, mudou-se para Lisboa aos 2 anos, onde viveu grande parte de sua vida.

    O escritor deveria ter sido registrado com o mesmo nome do pai, mas o tabelião acrescentou o apelido pelo qual o chefe da família era conhecido na aldeia, Saramago, que também dá nome a uma planta que serve de alimento para os pobres em tempos difíceis.

    Saramago concluiu os estudos secundários em uma escola técnica, mas não pode cursar a universidade por dificuldades financeiras. Sua primeira experiência profissional foi como mecânico. Fascinado pela literatura desde jovem, visitava com grande frequência a Biblioteca Municipal Central Palácio Galveias, na capital portuguesa. Foi só aos 19 anos, com dinheiro emprestado de um amigo, que conseguiu comprar pela primeira vez um livro.

    Além de mecânico, o escritor português trabalhou como desenhista, funcionário público, editor, tradutor e jornalista. Durante doze anos, foi funcionário de uma editora, onde ocupou os cargos de diretor literário e de produção.

    Publicou o seu primeiro romance, Terra do Pecado, em 1947. Em 1955, começou a fazer traduções de autores como Hegel, Tolstói e Baudelaire para aumentar os rendimentos. Seu próximo livro, Clarabóia, foi rejeitado pela editora e permanece inédito até hoje.

    O escritor só publicaria um novo livro, Os Poemas Possíveis, (1966), dezenove anos depois do primeiro. Entre 1972 e 1973, foi comentarista político do Diário de Lisboa, coordenando durante alguns meses o suplemento cultural do jornal. Em um espaço de cinco anos, publicou sem grande repercussão mais dois livros de poesia, Provavelmente Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975).

    O escritor fez parte da primeira diretoria da Associação Portuguesa de Escritores. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do Diário de Notícias, quando os militares portugueses, reagindo ao que consideravam os excessos da Revolução dos Cravos, demitiram diversos funcionários. A partir de 1976, o escritor português passou a viver exclusivamente de seu trabalho literário.

    No ano seguinte, o autor voltou a escrever romances, gênero que o tornou mundialmente conhecido. A partir desta época, sua produção literária cresce consideravelmente, mas é em 1980 que Saramago dá uma grande guinada em sua produção literária, com a publicação de Levantado do Chão.

    Segundo diversos críticos, a obra marca o início do estilo que o consagrou, destacado por frases e períodos extensos, que as vezes ocupam mais de uma página e são pontuados de maneira anti-convencional. Os diálogos entre os personagens costumam aparecer inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma a extinguir o uso de travessões em seus livros.

    Com a censura do governo português à apresentação do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) para o Prêmio Literário Europeu sob alegação de que a obra ofendia os católicos, o escritor mudou-se para a ilha de Lanzarte, nas Canárias.

    Em 1993, Saramago começou a escrever um diário, Cadernos de Lanzarote, em cinco volumes. Dois anos depois, publicou o romance O Ensaio Sobre a Cegueira, que será transformado em filme em 2008, com direção assinada por Fernando Meirelles.

    No mesmo ano em que publicou Ensaio Sobre a Cegueira, recebeu o prêmio Camões e em 1998, foi laureado com o prêmio Nobel de literatura, o primeiro dado a um escritor de língua portuguesa.

    “Estava no aeroporto prestes a embarcar quando chegou a notícia de que tinha ganho o Prêmio Nobel. Houve um momento de alegria, os meus editores de Madrid, que estavam comigo, abraçaram-me. Depois encaminhei-me na direção da saída e, por mais estranho que pareça, era um corredor muito comprido e deserto. Eu com a minha malinha de mão, com a minha gabardina no braço, passei de repente da alegria enormíssima da notícia que tinha recebido, para a solidão mais completa. Naquele momento a sensação que tive, claro que eu dava por mim numa grande alegria, era uma espécie de serenidade: pronto aconteceu”, afirmou o escritor sobre o prêmio.

    Considerado por especialistas um mestre no tratamento da língua portuguesa, em 2003 o escritor português foi considerado pelo crítico norte-americano Harold Bloom como o mais talentoso romancista vivo. Seus livros foram traduzidos para mais de vinte línguas, como sueco, romeno e húngaro.

    Comunista ferrenho, Saramago teve sua carreira pontuada por polêmicas causadas por suas opiniões sobre religião, terrorismo e conflitos. Em entrevista ao jornal O Globo, Saramago criticou a posição de Israel no conflito contra os palestinos, afirmando que “os judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto”.

    A Anti-Defamation League (ADL), um grupo judaico que defende direitos civis, caracterizou estes comentários como sendo anti-semitas.

    O ano de 2004 destaca-se pela publicação de Ensaio Sobre a Lucidez. No ano seguinte, Saramago escreveu As Intermitências da Morte, em que divaga sobre a vida, a morte, o amor e o sentido, ou a falta dele, da nossa existência, fazendo uma crítica a socidedade moderna.

    Em 2007, o Nobel de literatura anunciou que pretendia criar uma fundação com o seu nome cujo objetivo é preservar e estudar sua obra literária e espólio e ainda tomar partido em grandes e pequenas causas.

    Família
    Saramago casou-se pela primeira vez em 1944 com Ilda Reis, com quem teve uma filha, Violante, que nasceu em 1947. O escritor permaneceu casado com Ilda por 26 anos.

    Após se divorciar, em 1970, iniciou um relacionamento com a escritora portuguesa Isabel da Nóbrega, que duraria até 1986.

    Em 1988, o prêmio Nobel de Literatura casou-se novamente com a jornalista e tradutora espanhola María Del Pilar Del Río Sánchez, com quem permaneceu até a sua morte.

    Obras publicadas

    Poesia
    Os Poemas Possíveis, 1966
    Provavelmente Alegria, 1970
    O Ano de 1993, 1975

    Crônica
    Deste Mundo e do Outro, 1971
    A Bagagem do Viajante, 1973
    As Opiniões que o DL Teve, 1974
    Os Apontamentos, 1976
    Viagens a Portugal, 1981

    Diários
    Cadernos de Lanzarote I, 1994
    Cadernos de Lanzarote II, 1995
    Cadernos de Lanzarote III, 1996
    Cadernos de Lanzarote IV
    Cadernos de Lanzarote V

    Teatro
    A Noite, 1979
    Que Farei Com Este Livro?, 1980
    A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
    In Nomine Dei, 1993
    Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido, 2005

    Conto
    Objeto Quase, 1978
    Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido, 1979
    O Conto da Ilha Desconhecida, 1997

    Romance
    Terra do Pecado, 1947
    Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
    Levantado do Chão, 1980
    Memorial do Convento, 1982
    O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
    A Jangada de Pedra, 1986
    História do Cerco de Lisboa, 1989
    O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
    Ensaio sobre a Cegueira, 1995
    A Bagagem do Viajante, 1996
    Todos os Nomes, 1997
    A Caverna, 2000
    O Homem Duplicado, 2002
    Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
    As Intermitências da Morte, 2005
    As Pequenas Memórias, 2006
    A Viagem do Elefante, 2008
    Caim, 2009

    Prêmios
    ―Em Portugal
    Prêmio da Associação de Críticos Portugueses por A Noite, 1979
    Prêmio Cidade de Lisboa por Levantado do Chão, 1980
    Prêmio PEN Clube Português por Memorial do Convento, 1982 e O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
    Prêmio Literário Município de Lisboa por Memorial do Convento, 1982
    Prêmio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) por O Ano da Morte de Ricardo Reis
    Prêmio Dom Dinis por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1986
    Grande Prêmio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1992
    Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
    Prêmio Camões, 1995
    ―Na Itália
    Prêmio Grinzane-Cavour por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1987
    Prêmio Internacional Ennio Flaiano por Levantado do Chão, 1992
    ―Na Inglaterra
    Prêmio do jornal The Independent por O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1993

    Demais prêmios internacionais
    Prêmio Internacional Literário Mondello (Palermo), pelo conjunto da obra, 1992
    Prêmio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), pelo conjunto da obra, 1992
    Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993
    Prêmio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995
    Prêmio Nobel da Literatura, 1998
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    Notícia publicada no site Vi o Mundo em 18 jun 2010. In http://www.portugues.seed.pr.gov.br

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