domingo, 26 de fevereiro de 2012
Vírgula ( , )
Usa-se a vírgula:
a) Separando as orações coordenadas assindéticas:
Pare, olhe, siga.
b) Separando as orações coordenadas sindéticas, exceto as ligadas pela conjunção e:
Vá, mas volte depressa.
c) Separando as orações coordenadas sindéticas, ligadas pela conjunção e, de sujeitos diferentes:
Ele foi ao Japão, e ela à Itália.
d) Separando as orações adverbiais:
Quando saístes, ela chegou.
Iríamos, se pudéssemos.
e) Separando as orações adjetivas explicativas:
O homem, que é mortal, acaba virando pó.
f) Separando as orações reduzidas:
Saciada a sede, contou-nos a aventura.
g) Separando as orações intercaladas:
Creio, afirmou Antonio, que este é um caso perdido.
h) Separando elementos de mesma função sintática, normalmente assindéticos:
Os livros, os cadernos e os lápis estão sobre a mesa.
i) Assinalando a supressão do verbo:
Maria era rica; José, pobre.
j) Separando adjuntos adverbiais antecipados:
Naquele momento, todo o pelotão se pôs em fuga.
k) Separando o aposto:
Jorge Amado, autor de Juabiabá, é um excelente romancista.
l) Separando o vocativo:
Não toque nesses doces, menino!
m) Separando, nas datas, a localidade:
São Paulo, 24 de fevereiro de 2012.
Exercícios
1. Copie as frases seguintes, usando a vírgula quando necessário:
a) Se estudares serás aprovado; do contrário não cursarás medicina o que te deixará frustrado.
b) Logo depois do nascimento do filho em 20 de janeiro de 2010 os pais foram para o interior.
c) Sexta-feira às 12 horas iremos esperá-los no aeroporto.
d) Porque os pais estavam desempregados o menino vendia balas na rua mas o seu sonho era frequentar a escola.
e) Ele era honesto; o banqueiro desonesto.
f) Assim como há quem reclame do trabalho outros reclamam de não trabalhar.
g) Naquela manhã João ia fazer compras.
h) Os maiores culpados são os que não contestam não lutam pelos seus direitos acham que não há solução que a vida é assim mesmo que cada povo tem o governo que merece.
i) Sua casa ficava na Favela do Angu na periferia da cidade o que o fazia gastar muito tempo para chegar ao trabalho.
j) O prefeito mandou construir um obelisco depois patrocinou um desfile de modas.
k) Este ano como se sabe é ano de eleições. Cabe ao jovem feliz ou não votar com consciência.
l) Desejoso de escolher a nova diretoria do grêmio da escola Henrique por exclusão acabou votando na chapa de Antônio.
2. Deixo meus bens: ao meu irmão não, aos sobrinhos nada, aos netos.
Ao encontrar esta frase no testamento da irmã, o irmão modificou a pontuação para que fosse ele o beneficiado. Escreva em seu caderno como ficaria a nova frase.
Fonte:
(Adaptado do livro)
MAIA, João Domingues. Português. Série Novo Ensino Médio. 1ª ed. São Paulo: Ática,2003.
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Curriculum Vitae
“Curriculum” é palavra latina cujo plural é “curricula”.
“Curriculum vitae” é o documento que, através de uma sucinta relação de informações, dá condições de se avaliar a qualificação de uma pessoa. É a exposição organizada dos atributos de um profissional. Visa gerar uma entrevista com quem tem poder de decisão a respeito da ocupação pretendida.
É fundamental que reflita com honestidade as qualidades e competências de quem o elaborou. Não deve conter informações enganosas ou que gerem dúvidas.
Deve ser sóbrio, evitando-se excesso de folhas coloridas e de variedades gráficas.
Sua redação espelhada na norma culta (português correto) é de suma importância.
Segundo estatísticas feitas, 80% dos currículos recebidos por uma empresa vão para o lixo, 15% vão para o banco de dados e 5% são utilizados para entrevista. Para estar entre os 5%, às vezes, é preciso ter um conteúdo diferente. O mais importante é enfatizar os valores pessoais, e em que a experiência acumulada colaborou para o seu crescimento profissional. Não basta dizer o nome da empresa ou órgão público e o cargo e funções exercidas, mas também os resultados obtidos. Cursos que aparentemente não interessam ao setor de recrutamento e seleção podem gerar um importante diferencial de currículo.
É mais importante falar de si próprio do que das empresas ou instituições públicas nas quais trabalhou.
Também é válido relacionar duas ou três pessoas que possam servir como referência sobre o seu desempenho profissional. Uma recomendação, por escrito, ou até mesmo verbal, feita por alguém que se relacione com pessoas que tenham poder de decisão pode ser o canal pelo menos para a oportunidade da entrevista. Por incrível que pareça, o folclórico “QI” (quem indica) ainda abre portas. No caso de recém-formados, um professor seria o mais indicado.
Quem lê-lo deve sentir vontade de conhecer a pessoa que o enviou.
A linguagem deve ser concisa, restringindo-se a dados objetivos, não devendo, em princípio, exceder a três páginas.
Deve-se evitar a abreviação de nomes de entidades, escolas, empresas e órgãos públicos.
Não há necessidade de juntar comprovantes; estes poderão, se for o caso, ser exigidos posteriormente.
Conterá: logo no alto e à esquerda da página, os dados pessoais (nome, endereço, data de nascimento, telefone etc.); a escolaridade, logo após, seguida de cursos de idiomas, informática e outros; a seguir, as experiências profissionais, que serão escritas em ordem cronológica decrescente, ou seja, do mais recente para o primeiro emprego, incluindo o tempo de duração de cada um, com a descrição dos cargos ocupados e funções desempenhadas e, finalmente, as referências pessoais e o salário pretendido (caso tenha sido requisitado).
Orientações uteis:
· Escrever a data de nascimento, e não a idade, pois se o currículo ficar arquivado em um banco de dados, esse item ficará desatualizado.· Evitar muitas cores e efeitos gráficos, pois tornam a leitura e a interpretação difíceis e cansativas.
· Evitar ultrapassar três páginas. Os profissionais de recursos humanos raramente lêem além disso. Não se esquecer de grampeá-las.
· Não colocar o número de RG da cédula de identidade nem o número do CPF.
· Não incluir nomes de estabelecimentos de ensino de primeiro grau (ensino fundamental) e segundo grau (ensino médio), a não ser que se trate de escola técnica, de escola de formação de professores de educação infantil e de 1ª a 4ª séries de ensino fundamental (magistério), colégio militar, escola militar ou curso feito no exterior.
· Explicar, se for o caso, no que os cursos realizados contribuíram efetivamente para seu crescimento profissional.
· Descrever o tipo de atividade que realizou em empresas, no serviço público, como empresário, ou como profissional autônomo.
· Explicar, sucintamente, a importância de cada empresa, órgão ou estabelecimento pelo qual passou.
· Se prestou o serviço militar, mencionar onde ocorreu, bem como a categoria de reservista.
· Incluir qualquer estudo e estada no exterior. Experiência internacional é sempre valorizada.
· Ser claro ao indicar o nível de conhecimento de línguas.
· Registrar o período de permanência em cada emprego, cargo, função ou atividade autônoma.
· Excluir as permanências de curta duração.
· Poupar espaço evitando mencionar experiências pouco relevantes.
· Mencionar viagens profissionais, assim como seus objetivos.
· Anexar fotografia só se for pedida.
· Enviar uma breve carta pessoal de apresentação junto ao currículo, citando onde foi encontrado o anúncio da oferta e o cargo pretendido.
· O envelope deve ser preenchido e endereçado à pessoa que irá receber o material. Se não souber o nome, deverá ser endereçado ao departamento / setor de recursos ou de talentos humanos da empresa, ou ainda à agência recrutadora, se for o caso.
ROTEIRO
“CURRICULUM VITAE”
IDENTIFICAÇÃO
Nome – Nacionalidade –
Naturalidade –
Estado civil –
Residência –
Telefone –
Fax –
E-mail –
ESCOLARIDADE
1º e 2º graus – (se for o caso)3º grau –
Pós-graduação –
Outros cursos –
Idiomas –
Informática –
ATIVIDADES PROFISSIONIAS
Cargos e funções exercidas –Estágios –
Bolsas –
Cursos ministrados –
Aprovação em concursos públicos –
Participação em congressos, simpósios, conferências etc. –
Trabalhos publicados –
Serviço militar –
REFERÊNCIAS
Pessoais –Profissionais –
Comerciais –
Bancárias –
ASSINATURA
São Paulo/SP, 20 de fevereiro de 2012.
Corretora Santa Fé Ltda.
Prezados(as) Senhores(as):
Conforme anúncio publicado no jornal Folha de São Paulo, de 19 de fevereiro, venho, por meio desta, candidatar-me à vaga de auxiliar de contabilidade.
Anexo meu currículo para apreciação.
Atenciosamente.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Alguns comentários sobre o texto empresarial
A linguagem no texto empresarial moderno
As organizações devem modernizar seu estilo e sua linguagem para não perderem a competitividade, pois desde o final dos anos 70, como resultado de um contexto econômico, a disputa por uma fatia do mercado mundial se tornou muito mais competitiva.
Quanto à pertinência dessas ações visando à modernidade, uma análise criteriosa indica que as mesmas vieram para ficar, sendo que nos dias atuais tem sido verificada a necessidade de investir na direção da qualidade e da fidelização dos clientes, e, portanto, sendo importante discriminar os procedimentos e padrões utilizados no dia a dia, especificando-os em linguagem clara e sem duplicidade de sentido, de forma a minimizar o retrabalho e acelerar o intervalo de tempo entre os fatos e as ações.
O objetivo de modernizar o estilo e a linguagem do texto empresarial é evitar que os textos venham a causar prejuízos para as empresas, pois sabemos que a circulação de um texto mal escrito pode causar, entre outras agravantes: a desmotivação para a leitura, a ineficiência para novos negócios, conflitos internos constantes, privilégio para a troca oral de informações, falta de credibilidades, o retrabalho.
Em se tratando do princípio fundamental do texto empresarial, pode-se inferir que o interesse das empresas seja o de gerar uma resposta objetiva àquilo que é transmitido, i.e., propiciar uma ação. O texto é sempre redigido para um cliente visando uma resposta, sendo considerado eficaz se o cliente der a resposta que se espera.
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GOLD, Mirian. Redação empresarial – escrevendo com sucesso na era da globalização. São Paulo, Makron Books, 2002.
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sábado, 10 de setembro de 2011
Dúvidas
O duodécimo e o duodécuplo
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Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/
Contato: sobrepalavras@todoprosa.com.br
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“Tenho um amigo que acaba de fazer, pela décima segunda vez, o Caminho de Santiago de Compostela, a mais tradicional rota de peregrinação deste planeta. Tenho tratado este amigo, nas nossas trocas de e-mails, por ‘Duodécimo Peregrino’. Está correta esta expressão (duodécimo) para indicar algo feito pela décima segunda vez? Haveria outra forma mais adequada ou correta de tratamento, no caso? Cordiais saudações.” (Marcos Rocha)
A dúvida de Marcos Rocha é curiosa. O fato de parecer um tanto fora de moda só valoriza sua ideia de encontrar um apelido erudito para seu amigo, em vez de chamá-lo simplesmente de algo como “Dozão”. É também uma boa oportunidade de dar uma espiada no complicado reino dos numerais.
Bem, “Duodécimo Peregrino” pode até servir, com boa vontade e já que se trata de uma brincadeira, para designar quem foi doze vezes peregrino. A rigor, porém, não é um epíteto adequado. Como numeral ordinal, aquele que designa uma posição numa sequência numérica, a palavra duodécimo, do latim duodecimus, indica o que vem em décimo segundo lugar e não o que se repete doze vezes. Se o tal peregrino fosse o 12º amigo de Rocha a percorrer o caminho de Santiago de Compostela, o nome estaria perfeito.
(Vale lembrar que, como numeral fracionário, duodécimo significa também cada uma das partes de um todo dividido por doze. O que, no caso em questão, só piora as coisas: divide em vez de multiplicar.)
Qual seria, então, a palavra mais indicada? Rocha pode escolher entre duas, uma mais rara que a outra: duodecúplice (“multiplicado por 12”) ou duodécuplo (“que contém 12 vezes a mesma unidade”). Duodécuplo Peregrino, que tal?
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Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/
Contato: sobrepalavras@todoprosa.com.br
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sábado, 20 de agosto de 2011
Os tempos escolares
[...] O ensino escolar é um trabalho coletivo que acontece durante vários anos e conta com diversos professores que se revezam para realizar uma ação educativa sobre os alunos. Graças a essa longa duração (que ocupa, atualmente, uma parte cada vez maior da vida humana, em torno de 15 anos de nossa vida), a maioria das crianças acaba se socializando e assimilando, individualmente falando, as normas e conhecimentos que estão na base da vida em sociedade.
O tempo escolar é constituído, inicialmente, por um continuum objetivo, mensurável, quantificável, administrável. Mas, em seguida, ele é repartido, planejado, ritmado de acordo com avaliações, ciclos regulares, repetitivos. Essa estruturação temporal da organização escolar é extremamente exigente para os professores, pois ela puxa constantemente para a frente, obrigando-os a seguir esse ciclo coletivo e abstrato que não depende nem da rapidez nem da lentidão do aprendizado dos alunos. Essa temporalidade reproduz em grande escala o universo do mundo do trabalho, cadenciado como um relógio; ela arranca as crianças da indolência e da acronia das brincadeiras para mergulhá-las num mundo onde tudo é medido, contado e calculado abstratamente: tal dia, a tal hora, elas deverão aprender tal coisa, numa duração predeterminada e sobre o que serão avaliadas mais tarde, às vezes muito depois. Esse tempo escolar, portanto, é o tempo “sério”, “importante” com consequências graves para o futuro: os atrasos, as faltas, as ausências, os descuidos se acumulam e passam a contar, constituindo fatores de fracasso ou de sucesso, enfim, de diferenciação escolar e, mais tarde, social. O tempo escolar, portanto, é potencialmente formador, porque impõe, para além dos conteúdos transmitidos, normas independentes de variações individuais e aplicáveis a todos. O tempo escolar é um tempo social e administrativo imposto aos indivíduos, é um tempo forçado. É por isso que uma das tarefas fundamentais dos professores é ocupar os alunos, não deixá-los por conta, sem nada para fazer, mas, ao contrário, ocupá-los com atividades: não ter mais o que dizer ou fazer, quando ainda sobra tempo à disposição, é um dos pavores básicos dos professores, e o temor que isso gera é, geralmente, muito importante no início de sua carreira.
Maurice Tardif e Claude Lessard
(TARDIF, M.; LESSARD, C. “A escola como organização do trabalho docente”. In: ___________. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Tradução de João Batista Kreuch. 5ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009, p. 75-76.)
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domingo, 14 de agosto de 2011
A prática na aplicação da flexão verbal
História de passarinho
Um ano depois os moradores do bairro ainda se lembravam do homem de cabelo ruivo que (1) e sumiu de casa.
Ele era um santo, disse a mulher (2) os braços. E as pessoas em redor não (3) nada nem era preciso, perguntar o que se todos já sabiam que era um bom homem que de repente abandonou casa, emprego no cartório, o filho único, tudo. E se mandou Deus sabe para onde.
Só pode ter enlouquecido, sussurrou a mulher, e as pessoas tinham que se aproximar inclinando a cabeça para ouvir melhor. Mas de uma coisa estou certa, tudo começou com aquele passarinho, começou com o passarinho. Que o homem ruivo não sabia se era um canário ou um pintassilgo. Ô! Pai, (4) o filho, que raio de passarinho é esse que você foi arrumar?!
O homem ruivo (5) o dedo entre as grades da gaiola e ficava acariciando a cabeça do passarinho que por essa época era um filhote todo arrepiado, escassa a plumagem amarelo-pálido com algumas peninhas de um cinza-claro.
Não sei, filho, deve ter caído de algum ninho, (6) ele na rua, não sei que passarinho é esse.
O menino (7) chicle. Você não sabe nada mesmo, Pai, nem marca de carro, nem marca de cigarro, nem marca de passarinho, você não sabe nada.
Em verdade, o homem ruivo sabia bem poucas coisas. Mas de uma coisa ele (8) certo, é que naquele instante gostaria de estar em qualquer parte do mundo, mas em qualquer parte mesmo, menos ali. Mais tarde, quando o passarinho (9), o homem ruivo ficou sabendo também o quanto ambos se pareciam, o passarinho e ele.
Ai! O canto desse passarinho, (10) a mulher, Você quer mesmo me atormentar, Velho. O menino esticava os beiços tentando fazer rodinhas com a fumaça do cigarro que subia para o teto: Bicho mais chato, Pai. Solta ele.
Antes de sair para o trabalho o homem ruivo (11) ficar algum tempo olhando o passarinho que desatava a cantar, as asas trêmulas ligeiramente abertas, ora pousando num pé, ora noutro e cantando como se não (12) parar nunca mais. O homem então enfiava a ponta do dedo entre as grades, era despedida e o passarinho, emudecido, vinha meio encolhido oferecer-lhe a cabeça para carícia. Enquanto o homem se afastava, o passarinho se atirava meio às cegas contra as grades, fugir, fugir! Algumas vezes, o homem assistiu a essas tentativas que (13) o passarinho tão cansado, o peito palpitante, o bico ferido. Eu sei, você quer ir embora, você quer ir embora, mas não pode ir, lá fora é diferente e agora é tarde demais.
A mulher (14) então a falar e falava uns cinqüenta minutos sobre as coisas todas que (15) ter e que o homem ruivo não lhe dera, não esquecer aquela viagem para Pocinhos do Rio Verde e o Trem Prateado descendo pela noite até o mar. Esse mar que se não (16) o Pai (que Deus o tenha!) ela jamais teria conhecido porque em negra hora casara com um homem que não prestava para nada, Não sei mesmo onde estava com a cabeça quando me casei com você, Velho.
Ele continuava com o livro aberto no peito, (17) muito de ler. Quando a mulher baixava o tom de voz, ainda furiosa (mas sem saber mais a razão de tanta fúria), o homem ruivo fechava o livro e ia conversar com o passarinho que se punha tão manso que se abrisse a portinhola poderia colhê-lo na palma da mão. Decorridos os cinqüenta minutos das queixas, e como ele não respondia mesmo, ela se calava exausta. Puxava-o pela manga, afetuosa: Vai, Velho, o café está esfriando, nunca pensei que nesta idade eu fosse trabalhar tanto assim. O homem ia tomar o café. Numa dessas vezes, (18) de fechar a portinhola e quando voltou com o pano preto para cobrir a gaiola (era noite) a gaiola estava vazia. Ele então (19) no degrau de pedra da escada e ali ficou pela madrugada, fixo na escuridão. Quando amanheceu, o gato da vizinha desceu o muro, aproximou-se da escada onde estava o homem ruivo e ficou ali estirado, a se espreguiçar sonolento de tão feliz. Por entre o pêlo negro do gato desprendeu-se uma pequenina pena amarelo-acinzentada que o vento delicadamente fez voar. O homem inclinou-se para colher a pena entre o polegar e o indicador. Mas não disse nada, nem mesmo quando o menino que presenciara a cena desatou a rir, Passarinho mais besta! Fugiu e acabou aí, na boca do gato.
Calmamente, sem a menor pressa o homem ruivo guardou a pena no bolso do casaco e levantou-se com uma expressão tão estranha que o menino parou de rir para ficar olhando. Repetiria depois à Mãe, Mas ele até que parecia contente, Mãe, juro que o Pai parecia contente, juro! A mulher então interrompeu o filho num sussurro, Ele ficou louco.
Quando formou-se a roda de vizinhos, o menino voltou a contar isso tudo mas não achou importante contar aquela coisa que descobriu de repente: o Pai era um homem alto, nunca (20) reparado antes como ele era alto. Não contou também que estranhou o andar do Pai, firme e reto, mas por que ele andava agora desse jeito? E repetiu o que todos já sabiam, que quando o Pai saiu, deixou o portão aberto e não olhou para trás.
TELLES, Lygia Fagundes. In: Invenção e memória. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
Assinale a alternativa que preencha corretamente cada lacuna:
(1) enlouquecera enlouqueceu enlouquecia
(2) levantando levantou levantara
(3) perguntou perguntava perguntaram
(4) cassoava caçoava casouava
(5) introduzia introduzira introduz
(6) pegava peguei pegarei
(7) mascava mascaria mascando
(8) estive esteve estava
(9) crescia cresceu esteve crescido
(10) queixara-se queixava-se queixavasse
(11) costumou costumava costumara
(12) pode-se pudesse pude-se
(13) deixava deixa deixavam
(14) punha-se punhasse ponhasse
(15) quis quiz quer
(16) fo-se foce fosse
(17) gostou gostávamos gostava
(18) esqueceu esquecia esquece
(19) sentousse sentosse sentou-se
(20) teve tinha tenha
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domingo, 26 de junho de 2011
Estudo da estruturação da redação dissertativa
Tráfico, a Hidra de Lerna
Primeiro foi o Cartel de Medellín. Depois, anunciou-se o fim do Cartel de Cali. Se aqueles poderosos cartéis aos quais se atribuíram a quase totalidade da produção global de cocaína e crack puderam ser tão facilmente destruídos, como se explica então que a oferta e o consumo de drogas só aumentem?
O tráfico se assemelha muito à Hidra de Lerna, o monstro da mitologia grega que possuía nove cabeças, uma das quais imortal. Hércules foi encarregado de “aniquilar” a Hidra, mas, para cada cabeça mortal que ele decepava, duas novas brotavam em seu lugar.
O semideus decidiu então atear fogo ao bicho e, por fim, cortou-lhe a cabeça imortal e a enterrou sob uma pesada pedra, onde ela teria permanecido vivíssima. A rigor, portanto, Hércules não matou a Hidra, ele apenas a “varreu para debaixo do tapete”.
No caso do tráfico, os cartéis são as cabeças mortais. Para cada uma “destruída”, surgem duas novas. A cabeça imortal é o todo poderoso mercado, a demanda, o consumidor, o homem. E, enquanto o homem for o homem, com seus impulsos dionisíacos e fragilidades bioquímicas, o flagelo das drogas tende a permanecer, sejam elas ilegais, como a cocaína e a heroína, ou legais, como o tabaco e o álcool.
Os bilhões de dólares gastos anualmente em todo o mundo na repressão ao tráfico são apenas uma cara tentativa de varrer o problema para debaixo do tapete. O que é uma pena.
Adaptado da Folha de S.Paulo, 9/8/1995.
Estudo da estruturação da redação dissertativa
O texto é composto por três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.
A introdução é o início do texto, trecho em que se apresenta o tema e se define a tese, no exemplo acima aparece delimitada no primeiro parágrafo apresentando duas informações e uma tese enunciada em forma de pergunta. É importante que, desde o começo, se tenha em mente que toda dissertação precisa apresentar uma tese; sua defesa é o motivo pelo qual se escreve um texto desse tipo. Em outras palavras, sempre que se escreve um texto dissertativo, tem-se por objetivo defender uma tese.
E o que é defender uma tese? É mostrar para o interlocutor, por meio de dados, argumentos ou provas, qual é sua posição em relação a determinado assunto e dividir com ele sua opinião, tentando persuadi-lo a pensar como você. Quanto mais objetividade for demonstrada em uma dissertação, mais convincente ela será, pois dessa forma você estará retratando um ponto de vista fundamentado e passível de comprovação, e não apenas a sua verdade.
Terminada a introdução, é preciso preocupar-se com o desenvolvimento do texto, que deve ser redigido de maneira clara, coerente, concisa e objetiva, mantendo sempre a mesma linha de raciocínio apresentada na introdução.
É importante, neste momento, definir os argumentos a serem usados, fundamentar muito bem as ideias e ter convicção do que se está falando, a fim de receber crédito do leitor e ter seu ponto de vista respeitado.
Ao se justificar esse ponto de vista, convém usar argumentos que tenham valor objetivo, ou seja, que possam ser aceitos por outras pessoas. Por exemplo, ao se afirmar ser necessária uma atitude enérgica e eficaz no combate ao trafico e uso de drogas, muitos leitores concordarão com essa postura; entretanto, se os argumentos apresentados basearem-se apenas em opiniões pessoais ou mesmo preconceituosas, estar-se-á fazendo um julgamento sobre o assunto e não o analisando objetivamente. Dessa forma, perde-se credibilidade e não se convence o leitor.
No momento de se desenvolver o tema, citações feitas por autoridades, relatos de fatos divulgados pelos meios de comunicação, estatísticas, exemplos e ilustrações poderão ser utilizados para fortalecer a argumentação e dar mais veracidade ao texto. É essa a grande função do desenvolvimento: fundamentar o ponto de vista apresentado na introdução.
A conclusão é a parte do texto que sintetiza as ideias desenvolvidas, reafirmando-as de acordo com a tese apresentada na introdução e justificada pela argumentação no desenvolvimento.
Fonte: AGUIAR, Jaqueline da Silva. Descomplicando a redação. São Paulo: FTD, 2003. (Adaptação).
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sábado, 21 de maio de 2011
Edital Enem 2011
Foi divulgado o Edital do Enem 2011, tão aguardado pelos candidatos. O Edital contém informações preciosas, tais como as matérias pedidas, os municípios em que a prova será aplicada, regulamento, e todos os demais detalhes sobre o Exame Nacional do Ensino Médio 2011.
Inscrições Enem 2011
Inscrição Enem 2011: As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio poderão ser feitas de 23 de Maio até 10 de Junho. A taxa de inscrição será de R$ 35. A isenção de inscrição do Enem 2011 será cedida através do sistema de inscrição para alunos de escola pública que irão concluir o ensino médio em 2011, e também para aqueles que declararem baixa renda (...).
Enem terá duas provas por Ano
Enem 2011 - Enem 2012: Foi divulgado que o Enem realmente terá duas provas por ano a partir de agora. As próximas duas provas do Exame Nacional do Ensino Médio já estão marcadas, uma pra 2011 e outra para 2012. O Ministério da Educação - MEC, confirmou que agora serão duas provas por ano, e inclusive já divulgou as datas das próximas duas provas, uma para esse ano, e outra para o ano que vem.
Data de Prova Enem 2011
Enem 2011 data da prova: O Ministério da Educação (MEC) já divulgou a data em que o Exame Nacional do Exame Médio será aplicado. Assim como no ano passado, o Enem será aplicado em dois dias - um sábado e um domingo. A prova será aplicada nos dias 22 E 23 de Outubro. As inscrições para o Enem 2011 começam na próxima segunda, dia 23/05, e irão até o dia 10/06.
Fonte:
http://www.enemeprouni.com/
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Foi divulgado o Edital do Enem 2011, tão aguardado pelos candidatos. O Edital contém informações preciosas, tais como as matérias pedidas, os municípios em que a prova será aplicada, regulamento, e todos os demais detalhes sobre o Exame Nacional do Ensino Médio 2011.
Inscrições Enem 2011
Inscrição Enem 2011: As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio poderão ser feitas de 23 de Maio até 10 de Junho. A taxa de inscrição será de R$ 35. A isenção de inscrição do Enem 2011 será cedida através do sistema de inscrição para alunos de escola pública que irão concluir o ensino médio em 2011, e também para aqueles que declararem baixa renda (...).
Enem terá duas provas por Ano
Enem 2011 - Enem 2012: Foi divulgado que o Enem realmente terá duas provas por ano a partir de agora. As próximas duas provas do Exame Nacional do Ensino Médio já estão marcadas, uma pra 2011 e outra para 2012. O Ministério da Educação - MEC, confirmou que agora serão duas provas por ano, e inclusive já divulgou as datas das próximas duas provas, uma para esse ano, e outra para o ano que vem.
Data de Prova Enem 2011
Enem 2011 data da prova: O Ministério da Educação (MEC) já divulgou a data em que o Exame Nacional do Exame Médio será aplicado. Assim como no ano passado, o Enem será aplicado em dois dias - um sábado e um domingo. A prova será aplicada nos dias 22 E 23 de Outubro. As inscrições para o Enem 2011 começam na próxima segunda, dia 23/05, e irão até o dia 10/06.
Fonte:
http://www.enemeprouni.com/
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sábado, 14 de maio de 2011
Identidade da escola
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...Quando falamos em identidade, nos referimos a características que especificam algo ou alguém. A identidade, no entanto, não é estática. Ao contrário, ela está em permanente elaboração, num contexto social de interação de indivíduos e grupos, implicando reconhecimento recíproco...
...E isso se dá com a escola. A identidade dela vai sendo arquitetada no meio de que ela faz parte, com todos os segmentos que a compõem, levando-se em conta necessidades, crenças e valores. É uma identidade que se afirma na articulação com as outras instituições sociais ― a família, a comunidade, a Igreja, as associações, as empresas ― e que se configura no cumprimento da tarefa de socializar de modo sistemático a cultura e de colaborar na construção da cidadania democrática. A maneira de cumprir essa missão muda ― e isso significa que a escola leva em consideração as transformações da sociedade de que faz parte e as várias contradições que desafiam os educadores que nela trabalham, especialmente os gestores...
...O que se requer da escola é que, na mudança, permaneça nela um espaço para a criação de um mundo sem cátedras, sem privilégios e sem medo. E que, sobretudo, ela seja o lugar em que se realize uma pedagogia baseada na solidariedade. Para isso, é necessária uma atitude verdadeiramente crítica de seus gestores, um olhar profundo e abrangente, para ver o que deve permanecer e o que precisa ser modificado. Sem esquecer a coragem para realizar as transformações necessárias. As experiências bem sucedidas ― e elas têm sido muitas! ― mostram a possibilidade de empenho coletivo na construção da escola que queremos e à qual temos pleno direito...
Terezinha Azeredo Rios
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Saudade é a 7ª palavra mais difícil de traduzir
De acordo com uma lista feita a partir da opinião de mais de 1000 tradutores profissionais, a palavra saudade, em português, é a 7ª palavra mais difícil de traduzir. A lista considera palavras de todos os idiomas. Confira abaixo o ranking:
1. “Ilunga” (tshiluba) – uma pessoa que está disposta a perdoar quaisquer maus-tratos pela primeira vez, a tolerar o mesmo pela segunda vez, mas nunca pela terceira vez.
2. “Shlimazl” (ídiche) – uma pessoa cronicamente azarada.
3. “Radioukacz” (polonês) – pessoa que trabalhou como telegrafista para os movimentos de resistência o domínio soviético nos países da antiga Cortina de Ferro.
4. “Naa” (japonês) – palavra usada apenas em uma região do país para enfatizar declarações ou concordar com alguém.
5. “Altahmam” (árabe) – um tipo de tristeza profunda.
6. “Gezellig” (holandês) – aconchegante.
7. Saudade (português)
8. “Selathirupavar” (tâmil, língua falada no sul da Índia) – palavra usada para definir um certo tipo de ausência não-autorizada frente a deveres.
9. “Pochemuchka” (russo) – uma pessoa que faz perguntas demais.
10. “Klloshar” (albanês) – perdedor.
- Leia mais sobre o tema aqui. (link enviado pelo leitor Felix Lopez)
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