"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Análise do conto: A caolha

A caolha
de Júlia Lopes de Almeida
http://juarezfrmno2008sp.blogspot.com.br/2008/11/caolha.html


Elementos estruturais
Quanto ao narrador, o conto apresenta o foco narrativo com o narrador onisciente seletivo. Existem alguns sumários narrativos nesta obra, sendo que o narrador, em 3ª pessoa, não participa do enredo, é predominantemente extradiegético, mas através do discurso indireto livre, consegue externar o ponto de vista das personagens.
Sabendo-se que o enredo não deve ser apenas um resumo, e sim, o conjunto dos fatos (acontecimentos) de uma história, e que toda história tem como começo, meio e fim, o que chega a implicar numa estrutura conflitosa, pode-se afirmar que o enredo se divide nas seguintes partes: exposição, complicação, clímax e desfecho. Na obra em questão, a exposição corresponde à descrição da protagonista e dos ambientes em que ocorrem as cenas, o sofrimento da mulher e de seu filho adolescente. A complicação surge com a paixão de Antonico por uma moça que impôs condições para que pudesse corresponder ao amor recebido. A condição era que o rapaz se afastasse da mãe. Já o clímax se dá quando a protagonista não aceita a situação e se revolta contra a proposta do filho, culminando com a expulsão do jovem e o sofrimento ainda maior entre os dois. Sumarizando, o desfecho está nas linhas finais do conto, quando o filho descobre o verdadeiro motivo da desgraça que sofreu a mãe.
Dentre as personagens que se destacam está a caolha (protagonista) e seu filho Antonico, a moreninha por quem Antonico se apaixonou, e a madrinha. Além destas, podem ser observadas também outras, as personagens secundárias que apenas atuam como figurantes povoando os ambientes descritos. A moreninha, por sua postura desapropriada, pode ser considerada uma antagonista, isto é, uma anti-heroína.
O espaço (horizontal) é predominantemente físico, isto é, os ambientes onde se passam as ações. A humilde casa da protagonista, o colégio, os locais onde Antonico trabalhava. Se dividem em espaços abertos e fechados. São espaços abertos aqueles que retratam ambientes como ruas, jardins, espaços voltados para a natureza, etc. Pode também se falar em espaços psicológicos, nas passagens em que são narradas a reclusão do mundo das personagens, visto que Antonico passava longos intervalos de tempo sem sair de sua casa, uma citação da pequenez do espaço vivido.

O tempo, aparentemente se enquadrando nos moldes da escola literária do Realismo, não é citado explicitadamente na narrativa, entretanto o leitor pode pressupor que historicamente este seja apontado como sendo o final do século XIX ou as primeiras décadas do século XX, seja pelas expressões que nos remete para a referida época, e também pela falta de citações que indiquem tratar-se de algum período mais afastado da contemporaneidade. Quanto ao tempo de duração dos acontecimentos, pode-se dizer que é de aproximadamente 20 anos, visto que relata os fatos desde que a idade do rapaz ainda criança de colo, até a idade em que ele pensa em se casar.
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Um comentário:

lorena disse...

há figuras de linguagem e intertextualidade no conto?