"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

domingo, 11 de outubro de 2015

Tempos do verbo

A categoria de tempo situa a ação num determinado momento ou época, em relação ao momento em que se fala. São três os tempos do verbo:
1.    presente
(canto, bebo, parto);

2.    pretérito
imperfeito (cantava, bebia, partia)
perfeito (cantei, bebi, parti)
mais-que-perfeito (cantara, bebera, partira);

3.    futuro
do presente (cantarei, beberei, partirei)
do pretérito (cantaria, beberia, partiria).

Tempos simples e compostos
Quanto à forma, os tempos verbais dividem-se em simples e compostos. Os tempos simples constituem-se de uma só palavra (forma simples):
canto, bebi, partirei etc.

Os tempos compostos são formados com verbos auxiliares e apresentam formas compostas:
tenho cantado, havia bebido, teriam partido etc.

Tempos primitivos e derivados

Os tempos verbais, quanto à formação, dividem-se em primitivos e derivados. São tempos primitivos: o presente do indicativo, o pretérito perfeito do indicativo e o infinitivo impessoal. Os demais tempos são todos derivados.

Verbos pessoais ou impessoais

Classificação dos verbos quanto ao sujeito
Quanto à existência ou não do sujeito, o verbo pode ser pessoal ou impessoal.


1. Verbos pessoais
Verbos pessoais são aqueles que apresentam sujeito claro ou determinado.

Exemplos:
Eles viajaram de navio. (sujeito claro)
Cheguei da aula ao meio-dia. (sujeito determinado)


2. Verbos impessoais
Verbos impessoais são aqueles que não apresentam sujeito concebível. Os principais verbos impessoais são:
(a) aqueles que denotam fenômenos da natureza (chover, nevar, trovejar, amanhecer etc.);
(b) o verbo haver no sentido de existir ou acontecer;
(c) o verbo fazer nas indicações de tempo ou de fenômenos meteorológicos.

Exemplos:
(a) Choveu muito ontem de manhã.
      No inverno, amanhece por volta das sete horas.

(b) Há alguns carros atolados na lama.
      Houve uma campanha em favor da educação gratuita para todos os níveis.

(c) Faz meia hora que estou à espera de Maria.
     Fez muito calor no verão passado.




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Nobel de literatura 2015

Svetlana Alexievich vence Nobel de Literatura 2015
Anúncio foi feito na manhã desta quinta (8) em Estocolmo, na Suécia. Escritora e jornalista bielorrussa é a 14ª mulher a receber o prêmio.


A escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Alexievich, de 67 anos, foi anunciada na manhã desta quinta-feira (8) vencedora do Nobel de Literatura 2015. Ela é a 14ª mulher a vencer o prêmio. A escolha foi divulgada em um evento na cidade de Estocolmo, na Suécia. Além do título, a escritora ganha 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,75 milhões).
Segundo o comitê da premiação, Alexievich foi escolhida por sua "obra polifônica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo". Considerada cronista implacável da União Soviética, ela é uma das raras autoras de não ficção premiadas com o Nobel.
A cerimônia de entrega acontecerá em Estocolmo, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador do prêmio, Alfred Nobel.
Sem títulos publicados no Brasil mas traduzida para o inglês e mais de dez idiomas, como espanhol, francês, alemão e chinês, Svetlana tem como livro mais conhecido "Voices from Chernobyl: The history of a nuclear disaster" ("Vozes de Chernobil: A história oral de um desastre nuclear"), publicado em 1997. Ele levou dez anos para ser escrito e reúne entrevistas com testemunhas da maior catástrofe nuclear da história. A obra chegou a ser proibida em Belarus.
"Acabo de informá-la", afirmou Sara Danius, secretária da Academia Sueca, ao canal público SVT. "Ela disse apenas uma palavra: Fantástico!", completou. "É uma grande escritora, que encontrou novos caminhos literários", disse Danius.
Vinda de uma família de professores rurais, Svetlana Alexievich nasceu em 31 de maio de 1948 na cidade de Ivano-Frankivsk, na Ucrânia, mas cresceu em Belarus. Estudou jornalismo na Universidade de Minsk entre 1967 e 1972. Após a graduação, trabalhou num jornal local na província de Brest.
Depois ela voltou para Minsk, onde trabalhou na "Sel’skaja Gazeta", jornal das fazendas coletivas soviéticas. Lá, ela reuniu material para seu primeiro livro "War's unwomanly face" (1985), baseado em entrevistas com centenas de mulheres que participaram da Segunda Guerra Mundial.
Este trabalho é o primeiro do grande ciclo de livros de Alexievich, "Voices of Utopia", em que a vida na União Soviética é retratada a partir da perspectiva do indivíduo. Por causa de sua crítica ao regime, Alexievich viveu periodicamente no exterior, na Itália, França, Alemanha e Suécia, entre outros lugares.
Svetlana Alexievich é a 14ª quarta mulher a ganhar o Nobel de Literatura. Antes dela, a mais recente havia sido a autora canadense Alice Munrom, escolhida em 2013.
A proposta do livro de estreia de Svetlana – "War's unwomanly face" (1985), algo como "A guerra não tem uma face feminina" – era registrar relatos de mulheres que lutaram durante a Segunda Guerra Mundial.
"Tudo o que sabíamos da guerra foi contado pelos homens. Por que as mulheres que suportaram este mundo absolutamente masculino não defenderam sua história, suas palavras e seus sentimentos?", questionou a escritora certa vez.
Svetlana Alexievich retrata o império soviético de Chernobil ao Afeganistão em livros que não são encontrados em seu país. A escritora não perdoa a visão do "homo sovieticus", incapaz de ser livre.
A obra da escritora é rica em depoimentos ouvidos com paciência ao longo do tempo. O título "O fim do homem vermelho ou a era do desencanto", um retrato sem concessões, mas compassivo do "homo sovieticus", que saiu mais de 20 anos depois da implosão do império da União Soviética, recebeu em 2013 o prêmio Medicis de ensaio na França.
"Conheço bem aquele 'homem vermelho': sou eu, as pessoas que me cercam, meus pais", explicou Svetlana em uma ocasião. Mais tarde, completou: "Não desapareceu. E o adeus será muito demorado".
Por este motivo, a escritora diz que tem muito respeito pelos ucranianos que, com seus protestos, expulsaram do poder o ex-presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich em 2014.
"Hoje o modelo para todos é a Ucrânia. Seu desejo de romper por completo com o passado é digno de respeito", opinou a vencedora do Nobel sobre o país devastado pelo conflito entre separatistas pró-Rússia e as forças ucranianas.
"Penso que o império ainda não desapareceu. E, pessoalmente, tenho a inquietante impressão de que não desaparecerá sem derramamento de sangue."
Svetlana Alexievich já foi acusada de "romper a imagem heroica da mulher soviética". Seu primeiro livro, "War's unwomanly face", teve de esperar pela Perestroika, a reforma do sistema aplicada por Mikhail Gorbachev, para ser publicado. Com a obra, alcançou fama em toda a União Soviética e no exterior.
"Vivemos entre carrascos e vítimas, os carrascos são difíceis de encontrar. As vítimas são nossa sociedade, e são muito numerosas", declarou Alexievich em entrevista à agência de AFP.
Outro livro que rendeu polêmica foi "Vozes de Chernobyl: A história oral de um desastre nuclear" (1997). Belarus – presidida por Alexander Lukashenko desde 1994, um dos países mais afetados pelas consequências de Chernobyl, onde o tema continua sendo tabu – proibiu o livro. Segundo a vencedora do Nobel, sua obra "não agrada" o presidente.
"Vivemos sob uma ditadura, há opositores na prisão, a sociedade tem medo e, ao mesmo tempo, é uma vulgar sociedade de consumo. As pessoas não se interessam pela política. É um período difícil", resumiu a escritora à AFP em 2013.
Os intelectuais bielorrussos também não parecem apreciar as opiniões de Svetlana, que reivindica a "cultura russa" da qual eles desejam distinguir-se e, ao mesmo tempo, passa a maior parte do tempo na Europa ocidental. Sua obra acaba por provocar uma mescla de atração e repulsa no país.
O Nobel para Svetlana Alexievich representa uma exceção porque é bastante incomum a Academia Sueca premiar um autor que escreva, predominantemente, não ficção. O prêmio é entregue desde 1901.
Antes da bielorrussa, raros exemplos de escritores do gênero a levar o Nobel foram Theodor Mommsen (1902), Bertrand Russell (1950), Winston Churchill (1953) e Jean-Paul Sartre (1964). O francês também escreveu romances, peças de teatro e crítica literária, mas foi reconhecido sobretudo por sua atuação como filósofo.


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Uso dos conectores

I)      Coesão e coerência
O texto é um conjunto harmônico de elementos, associados entre si por processos de coordenação ou subordinação. Os fonemas (sons da fala), representados graficamente pelas letras, se unem constituindo as palavras. Estas, por sua vez, ligam-se para formar as orações, que passam a se agrupar constituindo os períodos. A reunião de períodos dá origem aos parágrafos. Estes também se unem, e temos então o conjunto final, que é o texto.
No meio de tudo isso, há certos elementos que permitem que o texto seja inteligível, com suas partes devidamente relacionadas. Se a ligação entre as partes do texto não for bem feita, o sentido lógico será prejudicado. Observe atentamente o trecho seguinte.
Levantamos muito cedo. Fazia frio e a água havia congelado nas torneiras. Até os animais, acostumados com baixas temperaturas, permaneciam, preguiçosamente, em suas tocas. Apesar disso, deixamos de fazer nossa caminhada matinal com as crianças.
O trecho é composto por vários períodos, agrupados em dois segmentos distintos. No primeiro, fala-se do frio intenso e suas consequências; no segundo, a decisão de não fazer a caminhada matinal. O que aparece para fazer a ligação entre esses dois segmentos? A locução apesar disso. Ora, esse termo tem valor concessivo, liga duas coisas contraditórias, opostas; mas o que segue a ele é uma consequência do frio que fazia naquela manhã. Dessa forma, no lugar de apesar disso, deveríamos usar por isso, por causa disso, em virtude disso etc.
Conclui-se o seguinte: as partes do texto não estavam devidamente ligadas. Diz-se então que faltou coesão textual.
Consequentemente, o trecho ficou sem coerência, isto é, sem sentido lógico.
Resumindo, podemos dizer que a coesão é a ligação, a união entre partes de um texto; coerência é o sentido lógico, o nexo.
 
II)  Elementos conectores
É extremamente importante, para que se penetre no texto, uma noção segura dos recursos de que a língua dispõe para estabelecer a coesão textual. Aliás, esse termo é ainda mais amplo: qualquer vínculo estabelecido entre as palavras, as orações, os períodos ou os parágrafos podemos chamar de coesão. Toda palavra ou expressão que se refere a coisas passadas no texto, ou mesmo às que ainda virão, são elementos conectores. Os termos a que eles se referem podem ser chamados de referentes. Muita atenção, pois, com os conectores. Eis os mais importantes:

1) Pronomes pessoais, retos ou oblíquos
Ex.: Meu filho está na escola. Ele tem uma prova hoje.
Ele = meu filho (referente)

Carlos trouxe o memorando e o entregou ao chefe.
O = memorando (referente)

2)  Pronomes possessivos
Ex.: Pedro, chegou a sua maior oportunidade.
Sua = Pedro (de Pedro)

3)  Pronomes demonstrativos
*Os demonstrativos estão entre os mais importantes conectores da língua portuguesa. Frequentemente se criam questões de interpretação ou compreensão com base em seu emprego. Veja os casos seguintes:

a)   O filho está demorando, e isso preocupa a mãe.
Isso = O filho está demorando.

b)   Isto preocupa a mãe: o filho está demorando.
Isto = o filho está demorando.
*Parecidos, não é mesmo? A diferença é que isso (esse, esses, essa, essas) é usado para fazer referência a coisas ou fatos passados no texto. Isto (este, estes, esta, estas) refere-se a coisas ou fatos que ainda aparecerão. Embora se faça uma certa confusão hoje em dia, o seu emprego adequado é exatamente o que acabamos de expor.

c)   O homem e a mulher estavam sorrindo. Aquele porque foi promovido; esta por ter recebido um presente. Aquele = homem esta = mulher

*Temos aqui uma situação especial de coesão: evitar a repetição de termos por meio do emprego de este (estes, esta, estas) e aquele (aqueles, aquela, aquelas). Não se usa, aqui, o pronome esse (esses, essa, essas). Com relação ao exemplo, a palavra aquele refere-se ao termo mais afastado (homem), enquanto esta, ao mais próximo (mulher). Semelhante correlação também pode ser feita com numerais (primeiro e segundo) ou com pronomes indefinidos (um e outro).

4)  Pronomes indefinidos
Ex.: Naquela época, os homens, as mulheres, as crianças, todos acreditavam na vitória.
todos = homens, mulheres, crianças

5)  Pronomes relativos
Ex.: Havia ali pessoas que me ajudavam. que = pessoas
No caso do pronome relativo, o seu referente costuma ser chamado de antecedente.

6)  Pronomes interrogativos
Ex.: Quem será responsabilizado? O rapaz do almoxarifado, por não ter conferido os materiais.
Quem = rapaz do almoxarifado

7)  Substantivos
Ex.: José e Helena chegaram de férias. Crianças ainda, não entendem o que aconteceu com o professor.
Crianças = José e Helena

8)  Advérbios
Ex.: A faculdade ensinou-o a viver. Lá se tornou um homem.
Lá = faculdade

9)  Preposições
As preposições ligam palavras dentro de uma mesma oração. Em casos excepcionais, ligam duas orações. Elas não possuem referentes no texto, simplesmente estabelecem vínculos.
Ex.: Preciso de ajuda.
       Morreu de frio.

*Nas duas frases, a preposição liga um verbo a um substantivo. Na primeira, em que introduz um objeto indireto (complemento verbal com preposição exigida pelo verbo), ela é destituída de significado. Diz-se que tem apenas valor relacional. Na segunda, em que introduz um adjunto adverbial, ela possui valor semântico ou nocional, uma vez que a expressão que ela inicia tem um valor de causa. Veja, a seguir, os principais valores semânticos das preposições.
  De causa
Ex.: Perdemos tudo com a seca.
  De matéria
Ex.: Trouxe copos de papel.
  De assunto
Ex.: Falavam de política.
  De fim ou finalidade
Ex.: Vivia para o estudo.
  De meio
Ex.: Falaram por telefone.
  De instrumento
Ex.: Feriu-se com a tesoura. • De condição
Ex.: Ele não vive sem feijão.
  De posse
Ex.: Achei o livro de André.
  De modo
Ex.: Agiu com tranquilidade.
  De tempo
Ex.: Retornaram de manhã.
  De companhia
Ex.: Passeou com a irmã.
  De afirmação
Ex.: Irei com certeza.
  De lugar
Ex.: Ele veio de casa.
10) Conjunções e locuções conjuntivas
Conjunção é a palavra que liga duas orações ou, em poucos casos, dois elementos de mesma natureza. Pode-se entender também como a palavra que introduz uma oração, que pode ser coordenada ou subordinada. Não vai nos interessar aqui essa distinção. Se desejar, consulte o nosso livro Português para Concursos.
Para a interpretação e a compreensão de textos, é de suma importância que os interlocutores tenham o conhecimento das conjunções e locuções correspondentes.
Chamaremos a todas, simplesmente, conjunções.
Da mesma forma que as preposições, as conjunções não têm referentes propriamente ditos. Cumpre reconhecer o valor de cada uma, para que se entenda o sentido das orações em português e, consequentemente, do texto em que elas aparecem.

Conjunções coordenativas
São as que iniciam orações coordenadas. Podem ser:

1)  Aditivas: estabelecem uma adição, somam coisas ou orações de mesmo valor.
Principais conjunções: e, nem, mas também, como também, senão também, como, bem como, quanto.
Ex.: Fechou a porta e foi tomar café.
Não trabalha nem estuda.
Tanto lê como escreve.
Não só pintava, mas também fazia versos.
Não somente lavou, como também escovou os cães.

2)  Adversativas: estabelecem ideias opostas, contrastantes.
Principais conjunções: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, senão, que.
Ex.: Correu muito, mas não se cansou.
As árvores cresceram, porém não estão bonitas.
Falou alto, todavia ninguém escutou.
Chegamos com os alimentos, no entanto não estavam com fome. Não o culpo, senão a você.
Peça isso a outra pessoa, que não a mim.

Observações:
a)   Em todas as frases há ideia de oposição. Se a pessoa corre muito, deve ficar cansada. A palavra mas introduz uma oração que contraria isso. O mesmo ocorre com as outras conjunções e suas respectivas orações.
b)  Às vezes, a palavra e, normalmente aditiva, assume valor adversativo.
Ex.: Fiz muito esforço e nada consegui, (mas nada consegui)

3)  Conclusivas: estabelecem conclusões a partir do que foi dito inicialmente.
Principais conjunções: logo, portanto, por conseguinte, pois (colocada depois do verbo), por isso, então, assim, em vista disso.
Ex.: Chegou muito cedo, logo não perdeu o início do espetáculo.
Todos foram avisados, portanto não procedem as reclamações.
É bastante cuidadoso; consegue, pois, bons resultados.
Estava desanimado, por conseguinte deixou a empresa. É trabalhador, então só pode ser honesto.

4)  Alternativas: ligam ideias que se alternam ou mesmo se excluem.
Principais conjunções: ou, ou...ou, ora...ora, já...já, quer...quer.
Ex.: Faça sua parte, ou procure outro emprego.
Ora narrava, ora comentava.
“Já atravessa as florestas, já chega aos campos do Ipu.” (José de Alencar)

5)  Explicativas: explicam ou justificam o que se diz na primeira oração.
Principais conjunções: porque, pois, que, porquanto.
Ex.: Chorou muito, porque os olhos estão inchados.
Choveu durante a madrugada, pois o chão está alagado.
Volte logo, que vai chover.
Era uma criança estudiosa, porquanto sempre tirava boas notas.

Observações:
a)  Essas conjunções também podem iniciar orações subordinadas causais, como veremos adiante.
b)  Depois de imperativo, elas só podem ser coordenativas explicativas, como no terceiro exemplo.

Conjunções subordinativas
São as que iniciam as orações subordinadas. Podem ser:
1)                Causais: iniciam orações que indicam a causa do que está expresso na oração principal.
Principais conjunções: porque, pois, que, porquanto, já que, uma vez que, como, visto que, visto como.
Ex.: O gato miou porque pisei seu rabo.
Estava feliz pois encontrou a bola.
Triste que estava, não quis passear.
que me pediram, vou continuar.
Visto que vai chover, sairemos agora mesmo. Como fazia frio, pegou o agasalho.

2)                Condicionais: introduzem orações que estabelecem uma condição para que ocorra o que está expresso na oração principal.
Principais conjunções: se, caso, desde que, a menos que, salvo se, sem que, contanto que, dado que, uma vez que.
Ex.: Explicarei a situação, se isso for importante para todos.
Caso me solicitem, escreverei uma nova carta.
Você será aprovado, desde que se esforce mais.
Sem que digas a verdade, não poderemos prosseguir.
Contanto que todos participem da reunião, os projetos serão apresentados. Uma vez que ele tente, poderá alcançar o objetivo.

3)                Concessivas: começam orações com valor de concessão, isto é, ideia contrária à da oração principal. Cuidado especial com essas conjunções! Elas são bastante cobradas em questões de provas.
Principais conjunções: embora, ainda que, mesmo que, conquanto, posto que, se bem que, por mais que, por menos que, suposto que, apesar de que, sem que, que, nem que.
Ex.: Embora gritasse, não foi atendido.
Perderia a condução mesmo que acordasse cedo.
Conquanto estivesse com dores, esperou pacientemente.
Posto que me tenham convidado com insistência, não quis participar.
Por mais que tentem explicar, o caso continua confuso.
Sem que tenha grandes virtudes, é adorado por todos.
Doente que estivesse, participaria da maratona. Fale, nem que seja por um minuto apenas.

4) Comparativas: introduzem orações com valor de comparação.
Principais conjunções: como, (do) que, qual, quanto, feito, que nem.
Ex.: Ele sempre foi ágil como o pai.
Maria estuda mais que a irmã. (Ou do que)
Nada o entristecia tanto quanto o sofrimento de seu povo.
Estava parado feito uma estátua.
Rastejávamos que nem serpentes. Ele agiu tal qual eu lhe pedira.

Observações:
a)   Geralmente o verbo da oração comparativa é o mesmo da principal e fica subentendido. É o que ocorre nos cinco primeiros exemplos.
b)  As conjunções feito e que nem são de emprego coloquial.

5)  Conformativas: principiam orações com valor de acordo em relação à principal.
Principais conjunções: conforme, segundo, consoante, como.
Ex.: Fiz tudo conforme me solicitaram.
Segundo nos contaram, o jogo foi anulado.
Pedro tomou uma decisão consoante determinava a sua consciência. Carlos é inteligente como os pais sempre afirmaram.

6)  Consecutivas: iniciam orações com valor de consequência.
Principais conjunções: que (depois de tão, tal, tanto, tamanho, claros ou ocultos), de sorte que, de maneira que, de modo que, de forma que.
Ex.: Falou tão alto que acordou o vizinho.
Gritava que era uma barbaridade. (Gritava tanto...)
Eu lhe expliquei tudo, de modo que não há motivos para discussão.

7)  Proporcionais: começam orações que estabelecem uma proporção.
Principais conjunções: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto (em correlações do tipo quanto mais...mais, quanto menos...menos, quanto mais...menos, quanto menos...mais, quanto maior...maior, quanto menor...menor).
Ex.: Seremos todos felizes à proporção que amarmos.
À medida que o tempo passava, crescia a nossa expectativa.
O ar se tornava rarefeito ao passo que subíamos a montanha.
Quanto mais nos preocuparmos, mais ficaremos nervosos.
Quanto menos estudamos, menos progredimos.
Quanto maior for o preparo, maior será a oportunidade.

8)  Finais: introduzem orações com valor de finalidade.
Principais conjunções: para que, a fim de que, que, porque.
Ex.: Fechou a porta para que os animais não entrassem.
Trarei minhas anotações a fim de que você me ajude.
Faço votos que sejas feliz. (= para que)
Esforcei-me porque tudo desse certo. (= para que)

9)  Temporais: introduzem orações com valor de tempo.
Principais conjunções: quando, assim que, logo que, antes que, depois que, mal, apenas, que, desde que, enquanto.
Ex.: Cheguei quando eles estavam saindo.
Assim que anoiteceu, fomos para casa.
Sentiu-se aliviado depois que tomou o remédio.
Mal a casa foi reformada, a família se mudou.
Hoje, que não tenho tempo, chegaram as propostas.
Estávamos lá desde que ele começou a lecionar.
Enquanto o filho estudava, a mãe fazia comida.

10)            Integrantes: são as únicas desprovidas de valor semântico; iniciam orações que completam o sentido da outra; tais orações são chamadas de subordinadas substantivas.

*São apenas duas: que e se

Ex.: É bom que o problema seja logo resolvido... Veja se ele já chegou.
Obs.: As palavras que e se, nos exemplos acima, iniciam orações que funcionam, respectivamente, como sujeito e objeto direto da oração principal.

Observações finais:
a)       Apesar de e em que pese a são locuções prepositivas com valor de concessão. Ligam palavras dentro de uma mesma oração ou introduzem orações reduzidas de infinitivo.
Ex.: Apesar do aviso de perigo, ele resolveu escalar a montanha.
Apesar de ventar muito, fomos para a pracinha.
Em que pese a vários pedidos do gerente, o caixa não fez serão. Em que pese a ter treinado bem, foi colocado na reserva.

b)       Algumas conjunções coordenativas às vezes ligam palavras dentro de uma mesma oração.
Ex. Carlos e Rodrigo são irmãos.
Não encontrei Sérgio nem Regina.
Comprarei uma casa ou um apartamento.

Casos especiais:
*Você deve ter percebido que algumas conjunções têm valores semânticos diversos. Vamos destacar algumas abaixo. A classificação de suas orações depende disso, porém o mais importante é o sentido da frase.

Mas
a)   Coordenativa adversativa
Ex.: Pediu, mas ninguém atendeu.

b)  Coordenativa aditiva (seguida de também; equivale a como)
Ex.: Não só dá aulas, mas também escreve. (= dá aulas e escreve)
...
a)   Coordenativa aditiva
Ex.: Voltou e brincou com o cachorro.

b)  Coordenativa adversativa
Ex.: Leu o livro, e não entendeu nada. (= mas)

Pois
a)   Coordenativa conclusiva
Ex.: Trabalhou a tarde inteira; estava, pois, esgotado. (= portanto)

b)  Coordenativa explicativa
Ex.: Traga o jornal, pois eu quero ler.

c)   Subordinativa causal
Ex.: A planta secou pois não foi regada.

Como
a)   Coordenativa aditiva
Ex.: Tanto ria como chorava. (= Ria e chorava)

b)  Subordinativa causal
Ex.: Como passou mal, desistiu do passeio. (= Porque)

c)   Subordinativa comparativa
Ex.: Era alto como um poste. (= que nem)

d)  Subordinativa conformativa
Ex.: Alterei a programação, como o chefe determinara. (= conforme)

Porque
a)   Coordenativa explicativa
Ex.: Não faça perguntas, porque ele ficará zangado.

b)  Subordinativa causal
Ex.: As frutas caíram porque estavam maduras.

c)   Subordinativa final
Ex.: Porque meu filho fosse feliz, fui para outra cidade. (= para que)

Uma vez que
a)   Subordinativa causal
Ex.: Fiz aquela declaração uma vez que estava sendo pressionado. (= porque)

b)  Subordinativa condicional
Ex.: Uma vez que mude de hábitos, poderá ser aceito no grupo. (= Se mudar de hábitos)

Se
a)   Subordinativa condicional
Ex.: Se forem discretos, agradarão a todos. (= Caso sejam discretos)

b)  Subordinativa integrante
Ex.: Diga-me se está na hora.

Desde que
a)   Subordinativa condicional
Ex.: Desde que digam a verdade, não haverá problemas.

b)  Subordinativa temporal
Ex.: Conheço aquela jovem desde que ela era um bebê.

Sem que
a)   Subordinativa condicional
Ex.: Não será possível o acordo, sem que haja um debate equilibrado. (= se não houver...)

b)  Subordinativa concessiva
Ex.: Sem que fizesse muito esforço, foi aprovado no concurso. (= Embora não fizesse...)

Porquanto
a)   Coordenativa explicativa
Ex.: Ele deve ter chorado, porquanto seus olhos estão vermelhos.

b)  Subordinativa causal
Ex.: Ficamos animados porquanto houve progresso no tratamento.

Quanto
a)   Coordenativa aditiva
Ex.: Eles tanto criticam quanto incentivam. (= Eles criticam e incentivam)

b)  Subordinativa comparativa
Ex.: Ele se preocupa tanto quanto o médico.

Que
a)   Coordenativa adversativa
Ex.: Diga tal coisa a outro, que não a ele. (= mas não a ele)

b)  Coordenativa explicativa
Ex.: Faça as anotações, que você estudará melhor.

c)   Subordinativa causal
Ex.: Nervoso que se encontrava, não conseguiu assinar o documento.

d)  Subordinativa concessiva
Ex.: Sujo que estivesse, deitaria na poltrona. (= embora)

e)   Subordinativa comparativa
Ex.: É mais trabalhador que o tio.

f)    Subordinativa consecutiva
Ex.: Era tal seu medo que fugiu.

g)   Subordinativa final
Ex.: Ele me fez um sinal que eu não dissesse nada. (= para que)

h)  Subordinativa temporal
Ex.: Agora, que já tomaste o remédio, sairemos. (= quando)

I) Subordinativa integrante
Ex.: Queria que todos fossem felizes.




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