quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Comparações pertinentes e vergonhosas
Diamantina, interior de Minas, 1914.
O jovem Juscelino Kubitschek, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapatos. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu Medicina e se especializou em Paris. Como presidente, modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras; humilde e obstinado, era e ainda é querido por todos até hoje.
Brasília, 2003.
Lula assume a presidência. Arrogante, se vangloria de não ter estudado. Acha bobagem falar inglês. "Tenho diploma da vida", afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que ler é um hábito chato. Quando era sindicalista, percebeu que poderia ganhar sem estudar, e sem trabalhar, sua meta até hoje, ao que parece. Exemplo para estudantes e trabalhadores...
Londres, 1940.
Os bombardeios são diários, e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste: então que, ao menos, vá a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha mais velha entra no exército britânico; como tenente-enfermeira, sua função é recolher feridos em meio aos bombardeios. Hoje ela é a rainha Elizabeth II.
Brasília, 2005.
A primeira-dama Marisa Letícia requer cidadania italiana - e consegue (sem ao menos falar italiano e, como sabemos, inúmeros pedidos de dupla cidadania de verdadeiros descendentes estão "na fila"). Explica, ingenuamente, que quer "um futuro melhor para seus filhos...".
Washington, 1974.
A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas jornais e Congresso o encostam contra a parede, e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.
Brasília, 2005.
Flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, e tentando disfarçar o desvio de dinheiro público em caixa 2, Lula é instado a se explicar. Ante as muitas provas, Lula repete o "eu não sabia de nada!", e ainda acusa a imprensa de persegui-lo, posando como vítima. Disse que foi "traído...", mas não conta por quem.
Londres, 2001.
O filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido, embriagado, pela polícia. Sem saber quem ele é, avisam que vão ligar para seu pai buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo, o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, que vai sozinho à delegacia buscar o filho, numa madrugada chuvosa. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.
Brasília, 2005.
O filho mais velho de Lula, o Fábio Luis Lula da Silva, é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa Gamecorp, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disso. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu filhinho mimado nessa "sujeira".
Qual sujeira?
Nova Délhi, 2003.
O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo EMB 195, da Embraer, por US$ 10 milhões.
Brasília, 2003.
Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Como todo novo-rico quer um dos caros, de um consórcio anglo-alemão. Gasta US$ 57 milhões e manda decorar a aeronave de luxo nos EUA. NÓS MERECEMOS OS GOVERNANTES QUE TEMOS, O QUE FIZEMOS E O QUE FAREMOS ?
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Ler deveria ser proibido!
“A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
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Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
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por Guiomar de Grammon.”
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* Publicado em: http://cassionl.blogspot.com/. Mais informações sobre o tema acesse: http://www.lerdeviaserproibido.com.br
** Graduado em Direito (Universidade Paranaense - Paranavaí, UNIPAR); Graduando em História (Faculdade Estadual de Educação, Ciência e Letras de Paranavaí, FAFIPA)
>>> Assista o vídeo "Ler devia ser proibido" acessando http://www.youtube.com/watch?v=57hum9zwjZc
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Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
.Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
.Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
.Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebida. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
.Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
.O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
.É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
.Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
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Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
.Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
.Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
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por Guiomar de Grammon.”
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* Publicado em: http://cassionl.blogspot.com/. Mais informações sobre o tema acesse: http://www.lerdeviaserproibido.com.br
** Graduado em Direito (Universidade Paranaense - Paranavaí, UNIPAR); Graduando em História (Faculdade Estadual de Educação, Ciência e Letras de Paranavaí, FAFIPA)
>>> Assista o vídeo "Ler devia ser proibido" acessando http://www.youtube.com/watch?v=57hum9zwjZc
Comunicado de utilidade pública
As ambulâncias e emergências médicas perceberam que muitas vezes nos acidentes da estrada, os feridos têm um celular consigo. No entanto, na hora de intervir com estes doentes, não sabem qual a pessoa a contatar na longa lista de telefones existentes no celular do acidentado.
Para tal, a Cruz Vermelha lança a ideia de que todas as pessoas acrescentem na sua longa lista de contatos o NÚMERO DA PESSOA a contatar em caso de emergência. Tal deverá ser feito da seguinte forma: 'AA Emergência' (as letras AA são para que apareça sempre este contato em primeiro lugar na lista de contatos).
É simples, não custa nada e pode ajudar muito a Cruz vermelha ou quem nos acuda.Se lhe parecer correta a proposta que lhe fazemos, passe esta mensagem a todos os seus amigos, familiares e conhecidos. É tão-somente mais um dado que registramos no nosso celular e que pode ser a nossa salvação.
Por favor, não descarte esta mensagem! Reenvie-a para os contatos amigos.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Amor
Mesmo que finjas não ouvir-me.
Eu te amo.
Mesmo que venhas a evitar-me.
Eu continuarei te amando.
Mesmo que zombes de mim.
Juntarei forças para amar-te ainda mais.
Mesmo que venhas a odiar-me.
Meu sentimento por ti será um imenso amor.
Mesmo que venhas a exterminar minha vida.
Continuarei te amando de uma outra dimensão.
Tu não me vencerás jamais!
Pois sou imbatível.
O que sinto é indestrutível.
É algo de outro mundo.
Não tem começo nem fim.
Tampouco cor ou formas.
Simplesmente te amo
E te amarei infinitamente.
E se mesmo com todo esse amor
Tu persistires em odiar-me.
Retornarei da dimensão em que estou
E nascerei novamente neste mundo.
Só que, desta vez, nascerei do teu ventre.
E assim me amarás.
Me alimentarás
Me farás carinhos.
Cantarás para mim canções de ninar
E me chamarás de: “Meu filhinho”!!!
Sim, sou teu filho.
Sou teu pai
Teu amante
Teu esposo a quem tanto rejeitas...
Em palavras simples e objetivas:
SOU DEUS.
.
.
.
(Juarez Firmino)
Eu te amo.
Mesmo que venhas a evitar-me.
Eu continuarei te amando.
Mesmo que zombes de mim.
Juntarei forças para amar-te ainda mais.
Mesmo que venhas a odiar-me.
Meu sentimento por ti será um imenso amor.
Mesmo que venhas a exterminar minha vida.
Continuarei te amando de uma outra dimensão.
Tu não me vencerás jamais!
Pois sou imbatível.
O que sinto é indestrutível.
É algo de outro mundo.
Não tem começo nem fim.
Tampouco cor ou formas.
Simplesmente te amo
E te amarei infinitamente.
E se mesmo com todo esse amor
Tu persistires em odiar-me.
Retornarei da dimensão em que estou
E nascerei novamente neste mundo.
Só que, desta vez, nascerei do teu ventre.
E assim me amarás.
Me alimentarás
Me farás carinhos.
Cantarás para mim canções de ninar
E me chamarás de: “Meu filhinho”!!!
Sim, sou teu filho.
Sou teu pai
Teu amante
Teu esposo a quem tanto rejeitas...
Em palavras simples e objetivas:
SOU DEUS.
.
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(Juarez Firmino)
Aulas na rede estadual começam em 16 de fevereiro
Secretaria de Estado da Educação teve de alterar datas para atribuição de aulas dos professores temporários
As aulas na rede estadual de Educação começam em 16 de fevereiro, segunda-feira. A Secretaria de Estado da Educação teve de alterar a data para o início do ano letivo, marcado anteriormente para 11 de fevereiro, devido a mudança no calendário de atribuição de aulas para professores temporários.
Na noite desta quarta-feira, 4 de fevereiro, a Secretaria foi comunicada de decisão liminar da Justiça para que participem da atribuição de aulas os professores que faltaram à prova realizada em 17 de dezembro - o que a Secretaria discorda, já que pretende avaliar o conhecimento dos professores que trabalham com as crianças e adolescentes da rede.
Esta prova é um dos critérios para atribuição dos temporários (junto com tempo de serviço e títulos). Com a decisão judicial, a atribuição, que começaria hoje para os temporários, seria totalmente prejudicada, já que as Diretorias de Ensino ficariam sem tempo para atribuir aulas corretamente.
A Secretaria irá recorrer à Justiça, via Procuradoria Geral do Estado. Mas alterou a data da atribuição para que as Diretorias tenham tempo correto para a distribuição de aulas entre os professores temporários, garantindo, assim, um início de ano letivo com todos os professores em salas de aula.
A classificação dos professores temporários (juntando prova, tempo de serviço e títulos) está disponível no site da Secretaria: http://atribuicaoaula.edunet.sp.gov.br/atribuicaoaulas/menuprincipal.asp As novas datas para atribuição são: 10, 11, 12 e 13 de fevereiro. A Secretaria reservou as datas de 6 e 9 de fevereiro para possíveis recursos de professores à classificação.
Com início previsto para 16 de fevereiro, a rede estadual terá seu planejamento em 11, 12 e 13 de fevereiro (antes estava previsto para 25, 26 e 27 de fevereiro). Com isso, os 200 dias letivos estão garantidos para os alunos da rede estadual.
sábado, 31 de janeiro de 2009
QUEM SÃO OS DALITS?
Poucas pessoas no mundo têm experimentado um nível de abuso e pobreza como os 300 milhões de Dalits ou "intocáveis" da Índia.
Por 3.000 anos eles têm vivido num ciclo de discriminação e desespero sem esperança de escape. Para os Dalits, dor e sofrimento é parte da vida. Eles estão presos a um sistema de castas que nega a eles adequada educação, água potável, empregos com decente pagamento e o direito á terra ou á casa própria. A cada duas horas Dalits são assaltados e duas casas de Dalits são queimadas. A cada dia, dois Dalits são assassinados. Discriminados e oprimidos, Dalits são frequentemente vítimas de violentos crimes. Em 15 de Outubro no Estado de Haryana, cinco jovens Dalits foram linchados por uma multidão por tirarem a pele de uma vaca morta, da qual eles tinham legal direito para fazer. A Polícia, segundo consta, ficou parada sem nada fazer e permitiu que a violência continuasse. Em 1999, vinte e três trabalhadores agrícolas Dalits (incluindo mulheres e crianças) foram assassinados por seguranças particulares de um fazendeiro de alta-casta. O crime deles? Ouvir a um partido político local com considerações que ameaçavam o domínio do fazendeiro sobre Dalits locais como mão de obra barata.
Embora leis contra a descriminação de castas tenham sido aprovadas, a discriminação continua e pouco é feito para processar os acusados. Em anos recentes, porém, tem havido um crescente desejo por liberdade entre os Dalits e castas baixas hindus. Líderes como Ram Raj tem vindo à frente exigindo justiça e liberdade da escravidão das castas e da perseguição. Uma detalhada "Carta dos Direitos Humanos dos Dalits" foi redigida com apelos para a Comunidade Internacional e para a ONU, na esperança que isto colocaria uma pressão positiva sobre o Governo Indiano. Mas pouco tem mudado até recentemente.
Fatos sobre os Dalits:
· A cada dia, três mulheres Dalits são estupradas;
· Crianças Dalits são frequentemente forçadas a sentarem de costas nas suas salas de aula, ou mesmo fora da sala;
· A cada hora, duas casas de Dalits são queimadas;
· A maioria das pessoas das castas altas evitarão terem Dalits preparando a sua comida, por medo de se tornarem imundos;
· A cada hora, dois Dalits são assaltados;
· Em muitas partes da Índia, Dalits não são permitidos entrar nos templos e outros lugares religiosos; 66% são analfabetos;
· A taxa de mortalidade infantil é perto de 10%;
· A 70% é negado o direito de adorarem em templos locais;
· 57% das crianças Dalits abaixo da idade de quatro anos estão muito abaixo do peso;
· 300 milhões de Dalits vivem na Índia;
· 60 milhões de Dalits são explorados através do trabalho forçado;
· A maioria dos Dalits é proibida de beber da mesma Água que os de castas mais altas.
Por 3.000 anos eles têm vivido num ciclo de discriminação e desespero sem esperança de escape. Para os Dalits, dor e sofrimento é parte da vida. Eles estão presos a um sistema de castas que nega a eles adequada educação, água potável, empregos com decente pagamento e o direito á terra ou á casa própria. A cada duas horas Dalits são assaltados e duas casas de Dalits são queimadas. A cada dia, dois Dalits são assassinados. Discriminados e oprimidos, Dalits são frequentemente vítimas de violentos crimes. Em 15 de Outubro no Estado de Haryana, cinco jovens Dalits foram linchados por uma multidão por tirarem a pele de uma vaca morta, da qual eles tinham legal direito para fazer. A Polícia, segundo consta, ficou parada sem nada fazer e permitiu que a violência continuasse. Em 1999, vinte e três trabalhadores agrícolas Dalits (incluindo mulheres e crianças) foram assassinados por seguranças particulares de um fazendeiro de alta-casta. O crime deles? Ouvir a um partido político local com considerações que ameaçavam o domínio do fazendeiro sobre Dalits locais como mão de obra barata.
Embora leis contra a descriminação de castas tenham sido aprovadas, a discriminação continua e pouco é feito para processar os acusados. Em anos recentes, porém, tem havido um crescente desejo por liberdade entre os Dalits e castas baixas hindus. Líderes como Ram Raj tem vindo à frente exigindo justiça e liberdade da escravidão das castas e da perseguição. Uma detalhada "Carta dos Direitos Humanos dos Dalits" foi redigida com apelos para a Comunidade Internacional e para a ONU, na esperança que isto colocaria uma pressão positiva sobre o Governo Indiano. Mas pouco tem mudado até recentemente.
Fatos sobre os Dalits:
· A cada dia, três mulheres Dalits são estupradas;
· Crianças Dalits são frequentemente forçadas a sentarem de costas nas suas salas de aula, ou mesmo fora da sala;
· A cada hora, duas casas de Dalits são queimadas;
· A maioria das pessoas das castas altas evitarão terem Dalits preparando a sua comida, por medo de se tornarem imundos;
· A cada hora, dois Dalits são assaltados;
· Em muitas partes da Índia, Dalits não são permitidos entrar nos templos e outros lugares religiosos; 66% são analfabetos;
· A taxa de mortalidade infantil é perto de 10%;
· A 70% é negado o direito de adorarem em templos locais;
· 57% das crianças Dalits abaixo da idade de quatro anos estão muito abaixo do peso;
· 300 milhões de Dalits vivem na Índia;
· 60 milhões de Dalits são explorados através do trabalho forçado;
· A maioria dos Dalits é proibida de beber da mesma Água que os de castas mais altas.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Infância Roubada
Seis dias na vida de um jovem delinqüente. Ele comete um crime que dá errado e como conseqüência terá uma nova jornada na vida. Ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Infância Roubada é um filme que desperta muita emoção ao narrar os seis dias da vida de um líder de uma gangue de Johanesburgo que furta o carro com um bebê no banco de trás.
Assustado com a situação, ele tenta manter a criança alimentada, ao mesmo tempo em que foge da polícia.
Considerado o Cidade de Deus africano, Infância Roubada foi aplaudido de pé onde foi exibido.
Uma noite, após sair ganhador de uma sangrenta briga de bar, Tsotsi (Presley Chweneyagae) rouba um carro. Enquanto acelera pela noite ele ouve um barulho no banco de trás e acaba sofrendo um acidente. Na traseira do carro descobre um bebê. Sem saber o que fazer, leva-o para o gueto de Johanesburgo em que vive. Lá convencerá a jovem mãe Miriam (Terry Pheto) a cuidar de "seu filho", numa relação que logo provocará mais confrontos.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
http://ramonpage.com/ortografa/
Um site que corrige automaticamente a sua escrita de acordo com as novas regras ortográficas
Nestes tempos de mudanças ortográficas, sempre temos dúvidas. Para quem quer uma resposta rápida, uma ótima dica é este site em que você digita a frase e ele responde com as novas regras em vigor: http://ramonpage.com/ortografa/
Para testar, usei a frase "As conseqüências do anti-semitismo são desastrosas, uma péssima idéia", como exemplo e o site me retornou:
"As consequencias do antissemitismo são desastrosas, uma péssima ideia".
Nestes tempos de mudanças ortográficas, sempre temos dúvidas. Para quem quer uma resposta rápida, uma ótima dica é este site em que você digita a frase e ele responde com as novas regras em vigor: http://ramonpage.com/ortografa/
Para testar, usei a frase "As conseqüências do anti-semitismo são desastrosas, uma péssima idéia", como exemplo e o site me retornou:
"As consequencias do antissemitismo são desastrosas, uma péssima ideia".
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Unificação e reforma ortográfica
Unificação e reforma ortográfica
15/01/2009
Pensei por diversas vezes em como começar este artigo. Rasguei inúmeras folhas com idéias soltas, mas irremediavelmente minha lembrança resgatava uma frase no livro intitulado Língua Portuguesa de Fernando Pessoa a respeito das palavras. Passo, então, a utilizá-la como meu ponto de partida.
“Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma”.
Uma frase de verdade cristalina. Ver bem uma palavra é enxergar todo um povo e como consequência a cultura que lhe é inerente. A escrita é um fenômeno puramente cultural que se fixa culturalmente falando por meio de normas e regras e é nesse ponto que nos deparamos com a tão discutida reforma.
Estamos diante de outra reforma ortográfica que impostamente nos traz mudanças não só na maneira de escrever (como julga a maioria das pessoas), mas também de refletir e lidar com as palavras. Parece exagero à primeira vista colocar que é um novo modo de reflexão sobre a língua. Entretanto como a palavra escrita permanece mais do que a falada, aquela tem um caráter de durabilidade muito grande e com certeza, por meio dessa reformulação, trará novos desafios em lidar com esse universo de letras, sílabas, palavras, ideias, modos de pensar colocados no papel ou na tela do PC. O objetivo que moveu todo esse rebuliço ortográfico partiu dos governos dos países lusófonos com a intenção de UNIFICAR a língua facilitando o livre comércio.
Particularmente, considero o termo UNIFICAR muito amplo e perigoso, pois uma língua jamais poderá ser unificada como se fosse algo plausível de molde em caixa. Ela, como disse Pessoa utilizando o termo palavra, carrega a alma dos falantes, não é de caráter só material e desvinculado do ser que a fala. Há uma relação de interdependência da língua com o falante e vice-versa. O que talvez se queira é uma APROXIMAÇÃO. Unificação me parece utopia barata para aquecer comércios ávidos por driblar a crise.
Não sou radical quanto à reforma, há melhorias como, por exemplo, a inclusão das letras k, w e y (que por sinal nunca deixaram de ser utilizadas aqui no Brasil), porém, como professora de Língua Portuguesa, discordo de muitos aspectos da atual reforma. Creio que muitos deles dificultarão a leitura como a queda de alguns acentos diferenciais. Outros relacionados aos hífens simplesmente dificultarão a escrita e não me parecem tão problemáticos de serem entendidos num acordo comercial entre os países lusófonos a ponto de necessitarem de tradução de português para português.
Toda essa confusão gerada é prejudicial ao público que desconhece aspectos profundos da língua e que acaba buscando no simplismo da modificação de regras um meio para também querer a redução ou anulação das demais como se elas fossem desnecessárias. Dois anos serão suficientes para moldar o que já está enraizado na mente da maioria? E quanto aos outros tantos cidadãos que já passaram por reformas anteriores, esse tempo será suficiente? Alguém com poder de decisão questionou isso antes da estipulação de prazos?
Pensemos: por mais que se tente aproximar hoje a língua dos países lusófonos, as diferenças voltarão a existir e consequentemente preferências de falares também. Vemos que o problema está basicamente numa reformulação puramente ideológica movida por motivos utópicos de cunho mercadológico dificultando reflexões conscientes sobre a língua e o aspecto social da ortografia.
Retomando o que o professor Evanildo Bechara disse: o fato é que continuarão existindo porções de linguiça em cardápios de botecos sendo vendidas sem molho e porções em lanchonetes da mesma lingüiça com molho. O ideal é sermos poliglotas na própria língua.
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15/01/2009
Pensei por diversas vezes em como começar este artigo. Rasguei inúmeras folhas com idéias soltas, mas irremediavelmente minha lembrança resgatava uma frase no livro intitulado Língua Portuguesa de Fernando Pessoa a respeito das palavras. Passo, então, a utilizá-la como meu ponto de partida.
“Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma”.
Uma frase de verdade cristalina. Ver bem uma palavra é enxergar todo um povo e como consequência a cultura que lhe é inerente. A escrita é um fenômeno puramente cultural que se fixa culturalmente falando por meio de normas e regras e é nesse ponto que nos deparamos com a tão discutida reforma.
Estamos diante de outra reforma ortográfica que impostamente nos traz mudanças não só na maneira de escrever (como julga a maioria das pessoas), mas também de refletir e lidar com as palavras. Parece exagero à primeira vista colocar que é um novo modo de reflexão sobre a língua. Entretanto como a palavra escrita permanece mais do que a falada, aquela tem um caráter de durabilidade muito grande e com certeza, por meio dessa reformulação, trará novos desafios em lidar com esse universo de letras, sílabas, palavras, ideias, modos de pensar colocados no papel ou na tela do PC. O objetivo que moveu todo esse rebuliço ortográfico partiu dos governos dos países lusófonos com a intenção de UNIFICAR a língua facilitando o livre comércio.
Particularmente, considero o termo UNIFICAR muito amplo e perigoso, pois uma língua jamais poderá ser unificada como se fosse algo plausível de molde em caixa. Ela, como disse Pessoa utilizando o termo palavra, carrega a alma dos falantes, não é de caráter só material e desvinculado do ser que a fala. Há uma relação de interdependência da língua com o falante e vice-versa. O que talvez se queira é uma APROXIMAÇÃO. Unificação me parece utopia barata para aquecer comércios ávidos por driblar a crise.
Não sou radical quanto à reforma, há melhorias como, por exemplo, a inclusão das letras k, w e y (que por sinal nunca deixaram de ser utilizadas aqui no Brasil), porém, como professora de Língua Portuguesa, discordo de muitos aspectos da atual reforma. Creio que muitos deles dificultarão a leitura como a queda de alguns acentos diferenciais. Outros relacionados aos hífens simplesmente dificultarão a escrita e não me parecem tão problemáticos de serem entendidos num acordo comercial entre os países lusófonos a ponto de necessitarem de tradução de português para português.
Toda essa confusão gerada é prejudicial ao público que desconhece aspectos profundos da língua e que acaba buscando no simplismo da modificação de regras um meio para também querer a redução ou anulação das demais como se elas fossem desnecessárias. Dois anos serão suficientes para moldar o que já está enraizado na mente da maioria? E quanto aos outros tantos cidadãos que já passaram por reformas anteriores, esse tempo será suficiente? Alguém com poder de decisão questionou isso antes da estipulação de prazos?
Pensemos: por mais que se tente aproximar hoje a língua dos países lusófonos, as diferenças voltarão a existir e consequentemente preferências de falares também. Vemos que o problema está basicamente numa reformulação puramente ideológica movida por motivos utópicos de cunho mercadológico dificultando reflexões conscientes sobre a língua e o aspecto social da ortografia.
Retomando o que o professor Evanildo Bechara disse: o fato é que continuarão existindo porções de linguiça em cardápios de botecos sendo vendidas sem molho e porções em lanchonetes da mesma lingüiça com molho. O ideal é sermos poliglotas na própria língua.
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Andréia Honório da Cunha – Professora de Língua Portuguesa
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
V O C Ê
A Unicamp (Universidade de Campinas) é reconhecida no país por muitos de seus méritos. E, a bem da verdade, a Unicamp começa bem já no vestibular. Muitas das questões ― é pena que não sejam todas ― são interessantes, inteligentes, de ótimo nível.
O vestibular dessa importante escola começou em 1987. Nesse ano, justamente a primeira questão da prova de português pedia ao aluno que indicasse as marcas típicas da oralidade, ou seja, da língua falada, presentes no discurso de um engenheiro eletrônico. Tratava-se de uma entrevista concedida por ele a um jornal. Disse o engenheiro: “Os grandes problemas, você deve ter um desenvolvimento tecnológico local”.
A questão pedia que o aluno reescrevesse a frase, adequando-a “à língua escrita culta”. De imediato, chama a atenção a falta de conexão. A expressão “os grandes problemas” parece atirada, jogada, perdida. Falta verbo, falta algo que una essa expressão ao resto da frase. Talvez algo como “Para resolver os grandes problemas, você...”.
Epa! Você? Quem é você? Até prova em contrário, você é a pessoa com quem estou conversando. Você é meu interlocutor. E esse “você” da resposta do engenheiro parece muito pouco para a dimensão ― nacional ― do pensamento. “Para resolver os grandes problemas, é preciso desenvolvimento tecnológico local”. Ou: “A solução dos grandes problemas exige desenvolvimento tecnológico local”. Ou ainda: “Para a solução dos grandes problemas, exige-se desenvolvimento tecnológico local”.
Percebeu? O “você” do engenheiro não era a pessoa com quem ele conversava. E é aí que quero chegar. É cada vez mais freqüente, na linguagem oral, o uso da palavra “você” com valor genérico. Dia desses, ouvi famoso jogador de futebol dizer que “quando você bate na bola com o lado de fora do pé...”. Ouvi também uma mulher dizer a um repórter ― repito: um repórter, homem, do sexo masculino ― que “quando você está grávida...”. O repórter fez cara de espanto, com os olhos arregalados, como que a perguntar: “Eu? Grávida?”.
Numa corrida do Grande Prêmio de Fórmula 1, o locutor Galvão Bueno, enquanto explicava o regulamento, dizia que “quando você deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”. Como houve duas ameaças de largada, Galvão disse pelo menos duas vezes que “quando você...”.
O problema é que Galvão não estava conversando com os pilotos, e sim com o telespectador, que não deixa carro morrer na largada, por uma razão muito simples: não participa de corridas.
Pelo menos na linguagem formal, culta, é bastante desejável a eliminação desse cacoete. É cansativo, pobre e enfadonho o uso da palavra “você” como indicador de algo genérico, coletivo. No caso da corrida, bastaria dizer que “quando se deixa o carro morrer na largada, deve-se ir para o fim da fila”. ― Também se poderia dizer que “quando o piloto deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”.
O saudoso governador de São Paulo, Mário Covas, é outro que abusava do bendito você que não é você. Vi-o em várias entrevistas ― antes e depois das campanhas ―, repetindo à exaustão que “quando você investe bem o dinheiro do povo”, “quando você aplica no social”, “quando você faz o que realmente é necessário para o povo”, “quando você...”. Vamos quebrar a monotonia: “Quando se investe bem o dinheiro do povo” (ou “Quando o governo/os governantes investe/investem bem o dinheiro do povo”); “Quando se aplica no social” (ou “Quando o governo/os governantes aplica/aplicam no social”); “Quando se faz o que realmente é necessário para o povo” (ou “Quando o governo/os governantes faz/fazem o que realmente é necessário para o povo”).
Uma ex-aluna esteve na Austrália, para estudar. Lá ficou alguns meses. Viciada em você, traduzia essa história de “você” ao pé da letra. A todo instante, dizia “When you...” (“Quando você”, em inglês). Diz ela que as pessoas se assustavam. Punham a mão no peito e diziam ― em inglês, é claro: ― Eu, não!”. No começo, minha ex-aluna não entendia o porquê da reação. Não demorou muito para perceber.
Talvez haja uma explicação sociolingüística ou psicolingüística para o sumiço dos indicadores genéricos da nossa linguagem oral. Será que não é, mais uma vez, porque o brasileiro tem pavor do que é coletivo, genérico, ou seja, tudo no Brasil precisa ser individual, personalizado? Quem sabe. Os antropólogos também podem meter a colher.
Aceitam-se sugestões. E lá vai uma, mais do que urgente: pelo menos em situações formais ― sobretudo na escrita ―, pare com esse cacoete de usar você que não é você.
Até a próxima. Um forte abraço.
O vestibular dessa importante escola começou em 1987. Nesse ano, justamente a primeira questão da prova de português pedia ao aluno que indicasse as marcas típicas da oralidade, ou seja, da língua falada, presentes no discurso de um engenheiro eletrônico. Tratava-se de uma entrevista concedida por ele a um jornal. Disse o engenheiro: “Os grandes problemas, você deve ter um desenvolvimento tecnológico local”.
A questão pedia que o aluno reescrevesse a frase, adequando-a “à língua escrita culta”. De imediato, chama a atenção a falta de conexão. A expressão “os grandes problemas” parece atirada, jogada, perdida. Falta verbo, falta algo que una essa expressão ao resto da frase. Talvez algo como “Para resolver os grandes problemas, você...”.
Epa! Você? Quem é você? Até prova em contrário, você é a pessoa com quem estou conversando. Você é meu interlocutor. E esse “você” da resposta do engenheiro parece muito pouco para a dimensão ― nacional ― do pensamento. “Para resolver os grandes problemas, é preciso desenvolvimento tecnológico local”. Ou: “A solução dos grandes problemas exige desenvolvimento tecnológico local”. Ou ainda: “Para a solução dos grandes problemas, exige-se desenvolvimento tecnológico local”.
Percebeu? O “você” do engenheiro não era a pessoa com quem ele conversava. E é aí que quero chegar. É cada vez mais freqüente, na linguagem oral, o uso da palavra “você” com valor genérico. Dia desses, ouvi famoso jogador de futebol dizer que “quando você bate na bola com o lado de fora do pé...”. Ouvi também uma mulher dizer a um repórter ― repito: um repórter, homem, do sexo masculino ― que “quando você está grávida...”. O repórter fez cara de espanto, com os olhos arregalados, como que a perguntar: “Eu? Grávida?”.
Numa corrida do Grande Prêmio de Fórmula 1, o locutor Galvão Bueno, enquanto explicava o regulamento, dizia que “quando você deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”. Como houve duas ameaças de largada, Galvão disse pelo menos duas vezes que “quando você...”.
O problema é que Galvão não estava conversando com os pilotos, e sim com o telespectador, que não deixa carro morrer na largada, por uma razão muito simples: não participa de corridas.
Pelo menos na linguagem formal, culta, é bastante desejável a eliminação desse cacoete. É cansativo, pobre e enfadonho o uso da palavra “você” como indicador de algo genérico, coletivo. No caso da corrida, bastaria dizer que “quando se deixa o carro morrer na largada, deve-se ir para o fim da fila”. ― Também se poderia dizer que “quando o piloto deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”.
O saudoso governador de São Paulo, Mário Covas, é outro que abusava do bendito você que não é você. Vi-o em várias entrevistas ― antes e depois das campanhas ―, repetindo à exaustão que “quando você investe bem o dinheiro do povo”, “quando você aplica no social”, “quando você faz o que realmente é necessário para o povo”, “quando você...”. Vamos quebrar a monotonia: “Quando se investe bem o dinheiro do povo” (ou “Quando o governo/os governantes investe/investem bem o dinheiro do povo”); “Quando se aplica no social” (ou “Quando o governo/os governantes aplica/aplicam no social”); “Quando se faz o que realmente é necessário para o povo” (ou “Quando o governo/os governantes faz/fazem o que realmente é necessário para o povo”).
Uma ex-aluna esteve na Austrália, para estudar. Lá ficou alguns meses. Viciada em você, traduzia essa história de “você” ao pé da letra. A todo instante, dizia “When you...” (“Quando você”, em inglês). Diz ela que as pessoas se assustavam. Punham a mão no peito e diziam ― em inglês, é claro: ― Eu, não!”. No começo, minha ex-aluna não entendia o porquê da reação. Não demorou muito para perceber.
Talvez haja uma explicação sociolingüística ou psicolingüística para o sumiço dos indicadores genéricos da nossa linguagem oral. Será que não é, mais uma vez, porque o brasileiro tem pavor do que é coletivo, genérico, ou seja, tudo no Brasil precisa ser individual, personalizado? Quem sabe. Os antropólogos também podem meter a colher.
Aceitam-se sugestões. E lá vai uma, mais do que urgente: pelo menos em situações formais ― sobretudo na escrita ―, pare com esse cacoete de usar você que não é você.
Até a próxima. Um forte abraço.
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Pasquale Cipro Neto
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Casa das Rosas
A Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura preparou um calendário especial de visitas monitoradas durante as férias. De agora até o fim de fevereiro, a mansão na Avenida Paulista abre suas portas para um passeio de descobertas arquitetônicas e históricas. Grupos de 10 a 45 pessoas podem agendar passeios de uma hora de duração, com horários disponíveis entre terça e sexta-feira, das 10h às 18h. As inscrições devem ser feitas pelos telefones (11) 3285-6986 ou (11) 3287-8917. Para grupos menores (a partir de três participantes) e pessoas que estiverem passeando pela Casa das Rosas, há passeios de trinta minutos em horários fixos: de terça a sexta, às 11h, 13h, 16h e 18h e aos sábados, às 12h e às 16h.
A Casa das Rosas foi projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo no final da década de 20 para ser a residência de sua filha, Lucia.
Seu estilo arquitetônico é eclético. A entrada é de mármore carrara, os vidros e cristais são belgas e as ferragens, inglesas. Um enorme vitral colorido, assinado por Carlos Sorgenicht, decora o hall de entrada. O jardim, inspirado no Palácio de Versalhes, abriga o famoso roseiral, origem do nome da casa e uma de suas atrações. Ramos de Azevedo não chegou a ver o projeto concluído, pois faleceu em 1928. A construção de trinta cômodos só ficou pronta sete anos mais tarde, sendo assinada por Felisberto Ranzini. Durante 51 anos, residiram ali Lucia Ramos de Azevedo e seu marido, Ernesto Dias de Castro. Mais tarde, Ernesto Dias de Castro Filho e sua esposa ocuparam a casa.
Atualmente a mansão é administrada pela Secretaria de Estado da Cultura em conjunto com a Poiesis - Organização Social de Cultura e abriga o acervo de cerca de 20 mil volumes da biblioteca do poeta, tradutor e ensaísta Haroldo de Campos (1929-2003). É também a única livraria especializada em poesia do Brasil, que disponibiliza cerca de 400 títulos.
Atualmente a mansão é administrada pela Secretaria de Estado da Cultura em conjunto com a Poiesis - Organização Social de Cultura e abriga o acervo de cerca de 20 mil volumes da biblioteca do poeta, tradutor e ensaísta Haroldo de Campos (1929-2003). É também a única livraria especializada em poesia do Brasil, que disponibiliza cerca de 400 títulos.
Casa das Rosas
Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô Aberta de terça a domingo, das 10h às 22h. Estacionamento conveniado: Al. Santos, 74
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
.
Já o verme — este operário das ruínas
—Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
.
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
.
.
ANJOS, Augusto dos. "Psicologia de um vencido." In: Poesia e prosa. São Paulo, Ática, 1977. p.64.
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
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Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
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Já o verme — este operário das ruínas
—Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
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Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
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ANJOS, Augusto dos. "Psicologia de um vencido." In: Poesia e prosa. São Paulo, Ática, 1977. p.64.
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