"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

sábado, 20 de junho de 2015

CONJUNÇÕES

Conjunção é uma palavra invariável que liga duas orações. São divididas em coordenativas e subordinativas.

COORDENATIVAS: Ligam duas orações independentes ou coordenadas. Vamos saber quais são os cinco tipos de conjunções coordenativas? São elas: aditivas; adversativas; alternativas; conclusivas e explicativas

Conjunções Aditivas: Conjunções que exprimem adição ou soma de ideias, pensamentos. São elas: e, nem, mas também e mas ainda.
Ex.:          Fábio chegou cedo e terminou o trabalho.

Conjunções Adversativas: Sugerem uma ideia de oposição, de contraste de pensamentos. As adversativas mais usadas são: mas, porém, contudo, todavia e entretanto.
Ex.:          Gosto de trem, mas prefiro ônibus.

Conjunções Alternativas: Dão a ideia de escolha, de possibilidade. As principais são: ou...ou, ora...ora e quer...quer.
Ex.:          Ou você estuda, ou trabalha.
Você vai quer queira, quer não queira.

Conjunções Conclusivas: Indicam a conclusão de pensamentos. As mais frequentes são: portanto, por isso, logo, por conseguinte, assim, então e pois (posposto ao verbo).
Ex.:          O cavalo está doente, logo não pode competir.

Conjunções Explicativas: Explicam dando o motivo, a razão. As mais comuns são: pois (antes do verbo da oração), porquanto, porque e que.
Ex.:          Não fui a sua casa ontem, pois estava muito cansado.

SUBORDINATIVAS: Ligam a oração subordinada a sua principal, ou seja, são orações que dependem de si para completar o sentido da frase. Vamos descobrir quais são elas: causais; condicionais; consecutivas; comparativas; conformativas; concessivas; temporais; finais; proporcionais e integrantes.

Causais: Iniciam as orações subordinadas que indicam causa. As conjunções subordinativas causais são: porque, já que, uma vez que, como e visto que.
Ex.:          Ela desistiu de competir, porque estava doente.

Condicionais: Pressupõem condição, hipótese. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, desde que, a menos que e a não ser que.
Ex.:          Vou com você ao teatro, contanto que me pague a entrada.

Consecutivas: Exprimem a consequência ou efeito do que foi declarado na primeira oração. As consecutivas são: que (antes de tão, tal e tanto), de modo que, de maneira que e de sorte que.
Ex.:          Choveu muito, de modo que deixou as ruas alagadas.

Comparativas: Iniciam orações subordinadas que dão à ideia de comparação. As principais são: que, do que (quando iniciadas ou antecedidas por menos, mais, maior, menor, melhor e pior), qual (quando iniciada ou antecedida por tal) e como (relacionado a bem, tal, tão e tanto)
Ex.:          Esta gramática é mais antiga que a minha.

Conformativas: Orações que indicam conformidade, concordância de um fato com outro. As conjunções conformativas são: como, conforme, segundo e consoante.
Ex.:          Fiz o trabalho conforme fui orientada.

Concessivas: Exprimem um sentido contrário, inverso à ideia contida na oração principal. As concessivas são: embora, se bem que, ainda que, mesmo que, conquanto, posto que, apesar de que, por mais que, por menos que, por maior que, por pior que, por melhor que e por pouco que.
Ex.:          Foi embora logo, ainda que não quisesse.

Temporais: Dão à oração ideia de tempo. As temporais são: quando, enquanto, logo que, desde que, assim que, depois que, antes que e sempre que.
Ex.:          Devolverei o livro, assim que terminar de lê-lo.

Finais: Indicam a finalidade na oração. São elas: a fim de que, para que e que.
Ex.:          Trabalhou com dedicação, a fim de que fosse promovido.

Proporcionais: Exprimem a ideia de simultaneidade. As proporcionais são: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais, quanto menos, quanto menor, quanto maior, quanto melhor e quanto pior.
Ex.:          A música aumentava à proporção que ele se aproximava.

Integrantes: Introduzem orações com função substantiva. São elas: que e se (caso iniciem uma oração subordinada substantiva).

Ex.:          Não vi se os professores já chegaram.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Milk: a voz da igualdade


E se o seu filho for homossexual?
Antonio Ozaí da Silva

Claro, a pergunta se dirige aos pais com filhos e filhas heterossexuais, ou que não sabem sobre a homossexualidade deles(as). É, geralmente, no momento da descoberta que o preconceito mostra a sua face mais cruel. Há pais que simplesmente não aceitam, e se perguntam, como o personagem da TV, “Onde foi que errei?!”. Outros, que até se consideram “modernos” e livres de preconceitos, manifestam-se preconceituosamente e têm muita dificuldade em aceitar a verdade.
Recordo de alguém que fez um trabalho acadêmico sobre o assunto e, cortando na própria carne, assumiu o sofrimento e as incertezas que teve quando descobriu que o filho era homossexual. No início até achava que o rapaz não era “normal”, apelou para as explicações morais e religiosas, profundamente preconceituosas e obscurantistas. O amor de mãe foi mais forte e ela acabou por aceitar a realidade, mas confessou que não foi fácil. Mas do que uma atividade acadêmica, foi uma experiência impressionante. O humano em sua plenitude também respira no ambiente do campus; a universidade não é só teoria, conceitos, abstrações.
Compreendo o sofrimento dos que se deparam com situações como esta. É o que vemos no filme Milk, quando ele propõe que todos assumam a homossexualidade. Mas há também a solidariedade, a compreensão e aceitação do outro como ele/ela é. O que é difícil entender são os argumentos de cunho religioso sobre a homossexualidade e a sua caracterização como “anormal”, “doente”, “demoníaco” e que até deveria ser declarada ilegal. É irritante ouvir as palavras da personagem Anita Bryant em Milk: a voz da igualdade. Ela expressa bem o tipo de fervor religioso dos candidatos a santos, mas capazes de queimar os “pecadores” para purificar o mundo. É uma espécie de cristão paradigmático, cuja intolerância tem o aval da “ética dos escolhidos”. Este tipo é um perigo não apenas para os “eleitos” como o mal a extirpar, mas também para a sociedade democrática. O intolerante quer impor seus valores morais à minoria, à sociedade. No fundo, gostaria de instituir a teocracia.
Estes senhores e senhoras que insanamente acreditam representar Deus, não reconhecem que se Ele os criou também é Pai das criaturas que eles consideram “aberrações da natureza”. São seus irmãos em Cristo, irmãos na carne, filhos e filhas. Eles se dizem cristãos, mas são incapazes de “Amar o próximo como a si mesmos” e ensinam a intolerância em nome de Deus. Em seus próprios termos, são profundamente incoerentes.
Eles se imaginam porta-vozes Dele, e querem nos fazer crer. Questionado, o senador John Briggs responde: “Quer saber, pode discutir comigo, mas não podem discutir com Deus”. Pronto, não há argumento em contrário. Como pode alguém que expressa a santa doutrina estar errado? Este procedimento anula o diálogo e desqualifica o interlocutor – pois só um endemoninhado, ou coisa do tipo, ousaria duvidar. Transforma, portanto, um tema político numa questão moral e religiosa.
As palavras e atitudes de pessoas como Anita Bryant e o senador John Briggs, que propõe a demissão dos professores homossexuais, supostamente “pervertidos” e “pedófilos”, põem em xeque a democracia. Pode esta sobreviver se, em nome da tolerância, permite a intolerância. E se o discurso intolerante tem o apoio da maioria, é democrático negar os direitos da minoria? É a tirania da maioria. A questão, então, não se restringe ao indivíduo e sua crença religiosa. O problema é político. A resposta não poderia ser diferente: também ela é política. E se manifesta pelas palavras e ações do movimento pelos direitos dos homossexuais. Sexo, enfim, é uma questão política e Milk, o filme, é uma mensagem de esperança.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

O flagelo da seca em Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Vidas Secas - Graciliano Ramos

1 - Introdução
Publicado em 1938, VIDAS SECAS aborda a problemática da seca e da opressão social. Ao contrário dos romances anteriores, é uma narrativa em terceira pessoa.
O romance tem um caráter fragmentário. São "quadros", episódios que acabam se interligando com uma certa autonomia. Como coloca o crítico Affonso Romano de Sant'Anna - Estamos sem dúvida, diante de uma obra singular onde os personagens não passam de figurantes, onde a estória é secundária e onde o próprio arranjo dos capítulos do livro obedecem a um critério aleatório. Mesmo com essa estrutura descontínua, há uma proximidade entre o primeiro capítulo: Mudança- a chegada de uma família de retirantes - e o último: Fuga - a mudança da família que, diante da seca, foge para o sul. Esse caráter mostra que o romance é cíclico, onde o mundo se fecha para a família de Fabiano, saindo de uma mera classificação regionalista para mostrar o drama que o Homem sofre com a opressão do mundo.

2 - Enredo
Podemos assim sintetizar os capítulos da seguinte forma:

Capítulo 1 - MUDANÇA: uma família sertaneja fugindo da seca. Compõe a família:
Fabiano, sua esposa Sinhá Vitória, os dois filhos do casal caracterizados por menino mais novo e menino mais velho, a cachorra Baleia e um papagaio, que morrera para alimentar a família.
Como o próprio título sugere, a situação da seca acaba por tornar as pessoas (vidas) em amargas (secas), como no episódio onde o menino mais velho senta-se no chão exausto da caminhada. Fabiano tem uma reação totalmente hostil:"-Anda, condenado do diabo...", pois o pai possuía "o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça.".

Capítulo 2 - FABIANO: a família se aloja em uma fazenda abandonada. Depois de uma trovoada, o dono da fazenda chega e expulsa a família de retirantes. Fabiano se faz de desentendido e se oferece para trabalhar como vaqueiro. O fazendeiro acaba por aceitar a oferta.
Todo capítulo é centrado na análise de Fabiano. De vocabulário reduzido (mais grunhindo do que falando), inveja o seu Tomás da bolandeira, por possuir facilidade em se expressar.
O seu caráter isolado, sua rusticidade e o pouco vocabulário o faz se aproximar de um bicho, como ele próprio coloca: "Você é um bicho, Fabiano.", pois como o narrador revela, ele "Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais".

Capítulo 3 - CADEIA: temos a aparição do soldado amarelo (que reaparecerá no cap. 11) simbolizando a autoridade governamental. Fabiano, que ao ir à cidade fazer compras, acaba por jogar cartas com o soldado amarelo. Depois de um pequeno desentendimento, Fabiano é preso e espancado. Ele tenta compreender sua situação, mas não consegue devido a falta de organização de seus pensamentos. Revolta-se contra a injustiça que sofre, desejando vingança, mas acaba se conformando.

Capítulo 4 - SINHÁ VITÓRIA: centrado na esposa de Fabiano, mostra-nos o seu desejo em adquirir uma cama de couro (como a do seu Tomás da bolandeira). Os esforços nesse sentido parecem inúteis, pois eles têm muito pouco com o que economizar. Nesse aspecto, o narrador mostra o inconformismo de sinhá Vitória com a sua situação, ao contrário do marido, que aceita os fatos de forma mais passiva.
Fabiano a compara com o papagaio que morrera, fazendo analogia ao seu caminhado. No entanto, ela se mostra mais esperta do que o marido, além de articular as palavras melhor do que ele.

Capítulo 5 - O MENINO MAIS NOVO: o garoto é apresentado como possuidor de um único ideal em sua vida: ser igual ao pai - Evidentemente ele não era Fabiano. Mas se fosse? Precisava mostrar que podia ser Fabiano.
Querendo imitar o pai, o menino tenta fazer montaria em um bode, acabando por cair. O tombo revela que o garoto ainda não é Fabiano, entretanto, tal fato não o afasta de seu sonho: "... precisava crescer, ficar tão grande como Fabiano, matar cabras a mão de pilão, trazer uma faca de ponta à cintura. Ia crescer, espichar-se numa cama de varas, fumar cigarros de palha, calçar sapatos de couro cru."

Capítulo 6 - O MENINO MAIS VELHO: nesse capítulo, o menino se impressiona com a palavra inferno. Na tentativa de compreender o seu significado, pergunta a sinhá Vitória, que fala pouco e age de modo arbitrário ao repreendê-lo. Busca aprendê-la, pois possuía"... um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca."
Há uma aproximação dele com Baleia, devido a sua carência, pois a cadela lhe devota uma certa atenção -"a cadelinha era o único ser vivente que lhe mostrava simpatia."

Capítulo 7 - INVERNO: início do período chuvoso. Descrição de uma noite torrencial os temores que a chuva despertava na família de Fabiano, capaz invadir tudo. Fabiano tenta contar histórias enquanto os garotos passam frio.

Capítulo 8 - FESTA: a família vai à cidade para as comemorações do Natal. A família veste roupas confeccionadas por sinhá Terta para a ocasião. Como Fabiano havia comprado pouco tecido, as roupas ficam muito justas. Com a falta de hábito de usar sapatos, a sensação de ridículo aumenta. Aumenta o sentimento de inferioridade ao perceberem a grande diferença entre esses dois mundos. Fabiano se embebeda, enchendo-se de coragem para fazer provocações. Como ninguém lhe responde, acaba voltando para junto de sua família.

Capítulo 9 - BALEIA: Baleia adoece (fica hidrófoba). Cai-lhe o pelo, estava magérrima e com o corpo cheio de chagas. Fabiano resolve matá-la, temendo que passe a doença aos filhos.

Capítulo 10 - CONTAS: nesse capítulo percebemos a opressão do proprietário rural para com o seu agregado. Fabiano é enganado no acerto de contas com o patrão. Ao comentar que a conta do patrão difere da de sinhá Vitória, este se irrita, diz que são os juros e intenciona demiti-lo. Fabiano que acaba por se humilhar e pedir desculpas ao patrão, mesmo sabendo que este está lhe enganando.

Capítulo 11 - O SOLDADO AMARELO: um ano após ser preso e espancado pelo soldado amarelo, Fabiano o reencontrará na caatinga. Embora deseje vingança, acaba submetendo-se a ele e ensinando-lhe o caminho. Percebe-se que, fisicamente, o soldado é mais fraco do que Fabiano -"O soldado, magrinho, enfezadinho, tremia".
Todavia é por ele respeitado por representar o governo -"Governo é governo".

Capítulo 12 - O MUNDO COBERTO DE PENAS: Fabiano e sua família preparam-se para partir pelo prenúncio de outro período de seca, que é anunciado pelas aves de arribação. Fabiano atira nos pássaros para garantir alimento para a família para os próximos dias.

Capítulo 13 - A FUGA: partida da família de Fabiano. A seca começa a se tornar forte e, não tendo como resgatar sua dívida junto ao patrão, resolvem fugir. Fabiano nutre esperanças quanto ao futuro dos garotos, estudando e morando numa cidade grande; sinhá Vitória pensa um dia poder dormir em uma cama de couro. Mistura de sonhos, descrenças e frustrações em que termina o romance. Mas são somente ilusões- "O sertão mandaria para a cidade homens fortes, brutos, como Fabiano, Sinhá Vitória e os dois meninos."

3 - Estrutura da narrativa

I - Tempo
A ação ocorre entre dois períodos de estiagem (primeiro e último capítulo).
Embora haja algumas referências cronológicas presentes na obra, há uma diluição do tempo cronológico para o predomínio do psicológico.

II - Espaço
Sertão nordestino.

III - Narrador
Narrado em 30 pessoa, é o narrador que se interioriza nos pensamentos dos personagens para revelá-los ao leitor, já que os personagens possuem uma linguagem precária. Assim, o texto fica estruturado no discurso indireto livre (predominante), onde o narrador "toma posse" do discurso dos personagens para expô-los, evidenciando seus medos, desejos, raivas e frustrações através de monólogos interiores. O foco narrativo ganha destaque ao converter em palavras os anseios e pensamentos das personagens.

IV - Personagens
CONSIDERAÇÕES GERAIS:
O grau de verossimilhança na caracterização de Fabiano e sua família é muito grande. A brutalidade da seca faz com que os personagens também se embruteçam, daí a frequente recorrência do autor ao compará-los com animais, revelando seus aspectos rústicos. Há uma evidente zoomorfização das personagens. Elas não falam, mas grunhem, rosnam, gesticulam e falam palavras soltas. Cabe ao narrador interpretar e expor os seus desejos e anseios.

FABIANO
O dicionário Aurélio dá a definição de Fabiano como sendo indivíduo inofensivo; pobre diabo. Tal significação é reiterada a todo instante na obra. Fabiano fica dividido entre a revolta e a passividade, optando pela segunda atitude diante de sua impotência.
Tal impotência é reforçada pela não aquisição da linguagem, que é o seu maior anseio. Toma como exemplo seu Tomás da bolandeira, tentando de forma caótica imitar-lhe o vocabulário. Por não saber se expressar, entra num processo de isolamento, aproximando-se dos animais, com os quais se identifica melhor.

SINHA VITÓRIA
Mais astuta do que o marido, é ela que percebe as trapaças do patrão (cap. 10) e também o início da estiagem (cap. 12). Possui um espírito inconformado com sua situação, tendo como desejo de consumo uma cama de couro igual à do seu Tomás da bolandeira.
Seu inconformismo faz com que ela se transforme em uma pessoa queixosa, sendo impaciente com os filhos e um tanto quanto amargurada.

OS MENINOS
A ausência de nomes e de caracteres específicos acaba por projetá-los ao anonimato, formulando assim um caráter de denúncia. Parafraseando João Cabral de Melo - São tantos severinos / Iguais em tudo na vida.
Enquanto o mais novo vê no pai um ídolo, um modelo a ser seguido, a mais velho já é curioso, possui o desejo de saber.

BALEIA
A conotação do nome Baleia ganha dois sentidos. Além de ser uma ironia requintada feita pelo autor, figura também como uma compensação pela carência d'água.
Ela é humanizada em vários momentos, tornando-se um membro da família, sempre se solidarizando com esta (o episódio do preá e do consolo que dá ao menino mais novo quando este cai do bode e fica triste). Sua solidariedade é desinteressada, pois além de ser bastante enxotada, fica sempre com os ossos, contentando-se com o pouco.

SEU TOMÁS DA BOLANDEIRA
Personagem que só aparece por meio de evocações (pois já havia morrido), é tido como referência para Fabiano e sinhá Vitória. Enquanto Fabiano admira sua linguagem, tentando imitá-la de forma desconexa, sinhá Vitória deseja uma cama de couro igual à sua. Dessa forma, ele representa as aspirações de mudança do casal.

O SOLDADO AMARELO, O DONO DA FAZENDA E O FISCAL DA PREFEITURA
Os três personagens são representantes das instituições sociais que oprimem Fabiano. O soldado - corrupto, oportunista e medroso; o dono da fazenda - exigente, ladrão e opressor; o fiscal da prefeitura intolerante e explorador.

4 - Estilo e linguagem
Há uma certa comparação entre a linguagem do autor de São Bernardo e Machado de Assis. Isso decorre devido ao burilamento da linguagem de Graciliano, clássica. O despojamento de adjetivos é eminente, centrando-se o autor no substantivo (criteriosamente selecionados). Os períodos são curtos, o que realça um estilo conciso, "seco".
Graciliano ainda se utiliza de expressões regionais, adequando-os à sintaxe tradicional. A ausência de diálogos se faz presente devido à uma ausência vocabular por parte das personagens, que se comunicam através de onomatopeias, exclamações, resmungos e gestos, enfatizando a animalização dos personagens, que são marginalizados também pelo fator lingstico. Por esse fator, há a predominância do discurso indireto livre, onde o narrador, através de monólogos interiores, ordena logicamente o discurso dos personagens.

5 - BIBLIOGRAFIA
RAMOS , Graciliano. Vidas Secas. Rio de Janeiro, Record, 1998.
CASTRO , Dácio Antônio de. Roteiro de Leitura: Vidas Secas. São Paulo, Ática, 1997.

BOSI , Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo, Cultrix, 1988.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Letra e fonema

Fonética

§  Fonema

Observe:
trama / drama

Fonema é o nome que se dá ao som da fala que estabelece distinção de significado entre as palavras de uma língua.
Os fonemas são geralmente representados entre barras: /p/, /b/, /c/, /a/, /i/, /u/.

§  Letra e fonema
Não se deve confundir letra e fonema: fonema é o som; letra é a representação gráfica do som.
Observe que:
§  escrevemos a palavra fixo com quatro letras, mas pronunciamos cinco fonemas: /fiksu/.
§  escrevemos casa e cego, mas pronunciamos /kaza/ e /segu/.
§  escrevemos nata e anta, mas o /n/ é um fonema apenas no primeiro exemplo. Em anta o n não é um fonema; o fonema é /ã/, representado na escrita pelas letras a e n.

Como se vê, nem sempre o número de letras coincide com o número de fonemas. Além disso, muitas vezes o mesmo fonema pode ser representado por mais de uma letra do alfabeto.

§  Classificação dos fonemas
Existem três tipos de fonemas em português: vogal, semivogal e consoante.

1.Vogal é o fonema produzido livremente, sem que o ar encontre, na cavidade bucal, qualquer obstáculo à sua passagem.
As vogais podem ser:
a)      orais — quando o ar sai apenas pela boca: /a/, /e/, /i/, /o/, /u/.
b)      nasais — quando o ar sai pela boca e pelas fossas nasais: /ã/ lã, planta, amplo; /ẽ/ lente, sempre; / indo, mim; /õ/ onda, ombro; /ũ/ mundo.
c)       átonas — pronunciadas com menor intensidade.
d)      tônicas — pronunciadas com maior intensidade.

caneta — ca = vogal átona; ne = vogal tônica; e ta = vogal átona.

2. Semivogal
São os fonemas /i/ e /u/, quando formam sílaba com uma vogal:
pai — são

Observação
os fonemas /i/ e /u/ podem aparecer representados na escrita por e, o ou m.
as semivogais são representadas foneticamente pelo /y/ e pelo /w/; pai [pay] — também [tãbẽy] — mamão [mãmãw] — mamãe [mãmãy].

3. Consoante é o fonema produzido quando a corrente de ar encontra, na cavidade bucal, obstáculos à sua passagem.
Exemplos: /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/, /f/, /v/, /s/, // (acha; enxame), /ʒ/ (haja), /m/, /n/, /ŋ/ (ninho), /l/, /λ/ (lhama), /r/, /R/.


terça-feira, 2 de junho de 2015

Denotação e conotação

O sentido das palavras

Denotação e conotação

Dependendo do contexto em que se encontra, uma palavra pode ter uma significação objetiva, comum a todos.
É o valor denotativo da palavra:
Raiz s.f. (Bot.) Órgão da planta geralmente fixo no solo donde retira água e substâncias minerais.

A mesma palavra, em outro contexto, pode sugerir outras interpretações.
É o valor conotativo da palavra:
Raiz: s.f. (fig.) Princípio, origem.

DENOTAÇÃO
1.    Linguagem informativa, comum a todos.
2.    Objetiva um conhecimento prático, científico.
3.    A palavra empregada no sentido real.

Ex.: Ouvimos um grito.

CONOTAÇÃO
1.    Linguagem afetiva, individual, subjetiva.
2.    Objetiv uma apreciação estética (bela e criativa).
3.    A palavra empregada no seu sentido figurado, poético.


Ex.: A beleza é um grito.