"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

sábado, 4 de agosto de 2012

4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil

O Museu Exploratório de Ciências – Unicamp recebe a partir do dia 01/06/2012, as inscrições para a 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). Poderão participar estudantes regularmente matriculados no 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e demais séries do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, incluindo alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Para orientar a equipe, composta por três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de história.



O formulário de inscrição e o boleto para pagamento estarão disponíveis no site do Museu Exploratório de Ciências de 01 de junho até 10 de agosto. A taxa de inscrição é de 21 reais para as equipes de escolas públicas e 45 reais para as equipes das escolas particulares. O valor da inscrição corresponde à inscrição de todos os membros da equipe (incluindo o professor-orientador).

Em 2012, O Museu Exploratório de Ciências custeará, para participarem da final, as passagens de avião das 27 equipes mais bem colocadas em cada estado da Federação (escolas públicas ou particulares) e mais 10 equipes de escolas públicas com a maior pontuação, sendo uma por região do país, e cinco escolas públicas com mais alta pontuação em todo o Brasil, independente de sua região. Após a final da Olimpíada, os professores responsáveis por essas equipes são convidados a permanecer na Unicamp para realizar capacitação de uma semana, com custos de hospedagem cobertos também pelo Museu.

A ONHB premiará escolas, alunos e professores, com medalhas de ouro (60), prata (100) e bronze (140) e certificados de participação para todos os inscritos e também para as escolas.

A 4ª Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências – Unicamp. O evento é patrocinado pelo CNPq e tem o apoio da Rede Globo de Televisão e da Revista de História da Biblioteca Nacional. A última edição, realizada em 2011, inscreveu mais de 65 mil participantes e reuniu cerca de duas mil pessoas na final presencial, realizada na Unicamp, nos dias 15 e 16 de outubro.

A ONHB é organizada pela equipe do Museu Exploratório de Ciências e as provas são concebidas e elaboradas por historiadores, professores e pós graduandos de História da Unicamp. Como proposta, os participantes têm a oportunidade de trabalhar com temas fundamentais da história nacional e de conhecer de perto as práticas e metodologias utilizadas pelos historiadores.


Calendário da 4ª ONHB


Inscrições e pagamento dos boletos: de 01/06/2012 a 10/08/2012.


Primeira fase: inicia no dia 20/08/2012 e finaliza no dia 25/08/2012.


Segunda fase: inicia no dia 27/08/2012 e finaliza no dia 01/09/2012.


Terceira fase: inicia no dia 03/09/2012 e finaliza no dia 08/09/2012.


Quarta fase: inicia no dia 10/09/2012 e finaliza no dia 15/09/2012.


Quinta fase: inicia no dia 17/09/2012 e finaliza no dia 22/09/2012.


Grande Final Presencial: Prova: 20/10/2012


Cerimônia de Premiação: 21/10/2012



Inscrições no site: www.mc.unicamp.br
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Variação diamésica

Variação diamésica (oralidade e escrita)

Uma das confusões que as pessoas mais cometem no campo da variação linguística é acreditar que oralidade é sinônimo de informalidade. Nada mais enganoso. Existem várias situações em que necessitamos nos expressar oralmente de maneira formal. Veja alguns exemplos: uma entrevista de emprego, um seminário, uma palestra, uma arguição oral em um concurso público, uma reunião de negócios.
Por outro lado, é preciso reconhecer que a oralidade possui certas características que a distinguem sensivelmente da expressão escrita. A principal delas diz respeito aos momentos de produção e recepção do texto: na comunicação oral, eles são simultâneos ― à medida que você fala, seu interlocutor ouve; já na comunicação escrita, existe uma defasagem entre o momento de produção e o de recepção.
Essa diferença fundamental traz vantagens e desvantagens para cada modalidade. A vantagem da sincronia na comunicação oral é que ela nos permite acionar dois importantes mecanismos:

·         a negociação de sentido:

O que você quis dizer com isso?
                                    
Eu quis dizer que...
                                                                          

·         e a correção que pode ser pontual:
O anarquismo é uma posição... Ou, melhor dizendo, uma corrente ideológica.
                                                                   

Se notamos que o interlocutor não está nos entendendo bem, a correção pode implicar uma verdadeira paráfrase:
Já vi que você não está entendendo, então vou explicar de outro modo...
                    

Esses mecanismos não são acionados apenas por palavras, mas também por gestos, expressões faciais, olhares. Basta nosso interlocutor nos olhar com “cara de ponto de interrogação” para sabermos que não estamos sendo bem compreendidos. A linguagem não verbal nos permite, também, complementar o sentido da verbal: entonação, gestos, referências a elementos do entorno ― tudo isso ajuda a tornar a comunicação oral mais clara.
Já a comunicação escrita não conta com nenhum desses expedientes. O autor precisa prever todas as dúvidas que seu texto pode causar ao leitor e tentar esclarecê-las no momento da produção. O leitor, por sua vez, só conta com aquele papel (ou tela) inerte para recuperar os significados que o autor tentou construir.
Essa falta de sincronia tem, contudo, suas vantagens. Poderíamos dizer que, se o texto oral é como uma transmissão ao vivo, o texto escrito é como um programa gravado e editado: podemos revisá-lo quantas vezes for necessário, “apagando” os erros que cometemos e apresentando ao interlocutor apenas o resultado final, perfeitamente polido e retocado. Outra vantagem da comunicação escrita é que ela nos permite fazer pesquisas e consultas durante a produção ― se você está preparando uma monografia, por exemplo, pode buscar informações em livros e textos na Internet; mas, se está apresentando um seminário, só pode contar com suas anotações e a própria memória.
A possibilidade de produzir textos mais bem-acabados gera, também, maior cobrança na expressão escrita. Em outras palavras, tendemos a ser bem menos tolerantes com erros nos textos escritos do que nos orais. Cientes disso, as pessoas costumam tomar um cuidado maior na hora de escrever. Portanto, tende a existir, de fato, maior formalidade na expressão escrita; mas isso não significa que não haja eventos comunicativos orais formais, como dissemos antes.

Síntese das principais diferenças entre oralidade e escrita.

Oralidade
Escrita
O momento de produção e o de recepção do texto são simultâneos.
Há defasagem entre o momento de produção e o de recepção.
É possível negociar o sentido com o interlocutor e, também, corrigir-se.
O autor deve antecipar possíveis dúvidas do leitor e tratar de esclarecê-las ainda no momento de produção.
O texto é coconstruído: para comunicar-se melhor, os interlocutores interagem o tempo todo, usando tanto a linguagem verbal quanto a não verbal.
O autor produz o texto solidariamente e, depois, o leitor deve reconstruir seus significados também sozinho.
É impossível “voltar atrás” no que foi dito.
É possível revisar o texto quantas vezes for necessário.
O processo de produção é transparente: o interlocutor “vê” seus erros e correções.
O processo de produção fica oculto: o leitor tem acesso apenas ao texto final.
É impossível consultar outras fontes durante a produção.
É possível consultar outras fontes e checar as informações.
O planejamento é local: enquanto está falando uma frase, a pessoa pensa na próxima.
O planejamento é global: a pessoa planeja o texto como um todo e, caso se desvie do plano inicial, pode aceitar a nova ordem ou voltar atrás.
Tende a haver maior tolerância a erros e, portanto, mais informalidade.
Tende a haver maior cobrança e, portanto, mais formalidade.
A obediência à norma padrão costuma ser menos rígida. Por exemplo: as marcas do plural às vezes desaparecem.
A norma padrão costuma ser seguida com mais rigor, até porque é possível revisar o texto.
Predomínio de frases curtas e simples: “Bom dia, pessoal! Hoje a gente vai dar uma recordada na equação de segundo grau. Vamos abrir o livro na página 10 que eu já explico”.
Predomínio de frases longas e complexas: “Para a primeira aula, está prevista uma revisão dos fundamentos de cálculo, a começar pela equação de segundo grau. Os alunos resolverão uma série de problemas em sala, sob a supervisão do professor”.
Predomínio da voz ativa e da ordem direta: “Vamos revisar os fundamentos de cálculo”.
Uso frequente da voz passiva e da ordem indireta: “Serão revisados os fundamentos de cálculo”.
Abundância de “frases quebradas” (anacolutos): “Essas optativas, precisa fazer o pré-requisito primeiro”.
Maior linearidade na composição das frases: “Para inscrever-se nas disciplinas optativas, é preciso ter cumprido os pré-requisitos”.

*Fonte: Adaptado da obra de GUIMARÃES, Thelma de Carvalho. Comunicação e linguagem. – São Paulo: Pearson, 2012.

sábado, 23 de junho de 2012

Índice de indeterminação do sujeito

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Todo cuidado é pouco para não confundir o “se” de indeterminação do sujeito com a partícula apassivadora

É preciso não confundir o “se” de indeterminação do sujeito com a estrutura semelhante à do “se” apassivador, mas composta por verbo transitivo indireto (que exige preposição antes do complemento) ou intransitivo. Nessa estrutura, a preposição (“a”, “com”, “de”, “em”, “para”) aparece ao lado do “se”, antes do substantivo (objeto indireto) na oração de sujeito indeterminado. Verbo no singular. Exemplos de frases corretas:

Precisa-se de candidatos honestos”.
Trata-se de políticos decentes”.
Necessita-se de alunos aplicados”.
Sofre-se com os preços altos”.
Acreditou-se em mentiras políticas”.

Abaixo, um exemplo de frase de jornal que confundiu o “se” apassivador com o “se” indicador do sujeito indeterminado:
“Criaram-se condições ideais para as reformas, aplicaram-se as pressões adequadas, mas recorreram-se às fórmulas erradas.”
O certo seria: “Criaram-se as condições ideais para as reformas, aplicaram-se as pressões adequadas, mas recorreu-se às fórmulas erradas”.
Isso se explica pois as condições são criadas, as pressões são aplicadas. Mas recorre-se “a” alguma coisa. As fórmulas não podem ser recorridas. Deve ser, portanto, “...mas recorreu-se às fórmulas erradas”, por causa da preposição.
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Fonte: Revista Língua Portuguesa. Ano 7. Nº 75. Janeiro de 2012. www.revistalingua.com.br
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sábado, 26 de maio de 2012

A construção do argumento no texto dissertativo

     A argumentação, por sua importância, constitui-se como a coluna vertebral do texto dissertativo e deve tomar como ponto de partida os princípios da lógica, isto é, partir de uma premissa para chegar a uma conclusão. Argumentar significa, portanto, a realização de um esforço para que o leitor ou ouvinte aceite a opinião defendida pelo autor, trata-se de um processo para se chegar a conclusões.
     Na organização do pensamento lógico, um argumento é legitimo quando a conclusão decorre ou e consequência de sua(s) premissa(s), sendo que este pode ser entendido como um sistema de proposições declarativas, sendo que uma é chamada de conclusão e as demais, premissas, conforme se pode verificar no seguinte silogismo:

Todos os homens são mortais;
Todos os gregos são homens;
logo, todos os gregos são mortais.

     O pensamento lógico se organiza quando usamos proposições lógicas, i.é, proposições que podem ser comprovadas do ponto de vista lógico.
     Assim, a argumentação constitui um recurso da linguagem e faz parte do texto dissertativo de grande importância para a formulação da opinião e para a construção de um novo ponto de vista.
     Considerando que a argumentação é uma ação linguística realizada para fazer o leitor (ou ouvinte) mudar a sua opinião sobre um determinado assunto, é importante considerarmos que um argumento consistente é aquele que apresenta a evidência de provas. Entende-se aqui como evidência o critério da verdade – é a certeza a que se chega pelo raciocínio ou pela apresentação dos fatos.
     *Principais tipos de evidência:
     Fatos – no sentido amplo, constituem o elemento mais importante da argumentação. Assim, os fatos evidentes ou notórios são os que mais provam. Ex.: Milhões de contribuintes recorrem a hospitais particulares para operações ou tratamentos de urgência, porque o INSS não tem condições de atendê-los (...).
     Exemplos – são fatos típicos ou representativos de determinadas situações. O exemplo é usado para garantir a veracidade do argumento, por isso deve ser escolhido um fato concreto que possa exemplificar nitidamente a ideia defendida. Ex.: Filas intermináveis nos hospitais públicos, revelando a ineficácia desse atendimento (...).
     Ilustrações – existem dois tipos: a hipotética (quando tratamos de uma invenção, uma hipótese ou algo que possa ocorrer em determinada circunstância); e a real (que descreve em detalhes um fato verdadeiro), sendo esta mais eficaz e mais persuasiva que a hipotética, a ilustração real vale como uma prova. Ex.: Um quadro comparativo ilustrando o aumento da população em determinada região paulistana, enquanto que a quantidade de leitos hospitalares se manteve estático, de forma a não mais atender às necessidades da demanda local.
     Dados estatísticos – também são fatos, porém mais específicos. Têm grande valor de convicção, constituindo quase sempre prova ou evidência incontestável. Ex.: Uma tabela mostrando estatisticamente os atendimentos nas redes particular e pública de saúde.
     Testemunhos – o depoimento de uma testemunha é (ou pode ser) o fato trazido à discussão por terceiros. Se autorizado e fidedigno, seu valor é prova irrefutável. Entretanto, sua eficácia é também muito relativa, pois o mesmo fato presenciado por várias pessoas pode assumir versões e proporções diversas. Ressalte-se que o testemunho deve partir de pessoas de conduta ilibada para que o argumento possua consistência garantida. Pelo fato de que o depoimento deve dar sustentação ao argumento, espera-se que o depoente tenha visão e competência assegurada sobre o assunto para que este seja, de fato, reconhecido pela sociedade.
     Quanto ao argumentador, se faz imperativo que este seja uma pessoa que conheça bem o assunto, sob o risco de se apresentar erros de argumentação (raciocínios apoiados em dados falsos) que mais confundem do que elucidam na interpretabilidade do texto. Tais erros são denominados falácias e devem ser evitados.


Fonte: Adaptado da obra BARASNEVICIUS, Ana Nilce Rodrigues. Língua Portuguesa III. 1. ed. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2008.




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domingo, 20 de maio de 2012

Vícios de Linguagem

CACOFONIA (ou cacófato), do grego kako=ruim + fonia=som, constitui-se um dos vícios de linguagem, é o nome que se dá a sons desagradáveis ao ouvido formados muitas vezes pela combinação do final de uma palavra com o início da seguinte, que ao ser pronunciadas podem dar um sentido ridículo, pejorativo, obsceno ou até mesmo engraçado.

Ex.:
Fui à casa do meu avô que dá os fundos para o bar.
Nenhum segurança havia dado.
Governo confisca gado de fazendas.
Usei um pilão de socar alho.
Olha essa fada.
A empresa é dirigida pela dona Maria.
Emagreci graças ao cooper feito diariamente.
Já que tinha resolvido.
Não pense nunca nisso.
Por cada um...
Vi ela andando.
Desculpa então.
Eu não queria amá-la, mas amei-a.
Nesse calor, até elefante na bunda sua.
Vamos de carro, João vai na frente e Paula atrás.
Você corre também ou só caminha?
Quem tem posto aí atrás?
Tem culpa ele?
Ele tem fé demais.
Aqui não tem pão, mas lá tinha.
Nunca gaste dinheiro com bobagens.
Estas ideias, como as concebo, são irrealizáveis.
Ovo e uva boa!
Ele beijou a boca dela.
Deixe ir-me já, pois estou atrasado.
Quadrilha explode banco e usa escudos humanos.

àNão são cacofonia:
Eu amo ela demais!
Eu vi ela.
você veja.

Na literatura
Exemplos vários podem ser coletados na Literatura de cacófatos que, entretanto, podem ser justificáveis Em Camões, no soneto "Alma Minha...", a própria expressão-título é criticada por formar o cacófaton "maminha". O historiador José Marques da Cruz, porém, justifica a expressão como:
"própria do século XVI, em que vários clássicos empregaram frases assim: amigo meu, amiga minha. alma minha (...) É que toda gente estudava o latim puro, onde se diz amicus meus (e não meus amicus), anima mea (e não mea anima), mostrando sempre os escritores da época, nos seus escritos, a profunda influência da sintaxe latina."

AMBIGUIDADE. É a possibilidade de uma mensagem ter dois sentidos, de má ordenação de seus termos e falta de clareza, o que traz dificuldade de compreensão por parte do receptor. A ambiguidade é um caso especial de polissemia, a possibilidade de uma palavra apresentar vários sentidos em um contexto.

Ex:
A cachorra da sua irmã comeu?
A mãe pediu para o filho dirigir seu carro.
Como vai a cachorra da sua mãe?
A mãe encontrou o filho em seu quarto.
Este líder dirigiu bem sua nação.
Eu comprei sapatos para homens pretos.
O rapaz comeu maçã e sua prima também.
Nós vimos o incêndio do prédio.
Onde está a vaca da sua avó?
Onde está a piranha da sua mãe?
Este líder dirigiu bem sua nação?
Antes ele andava de Lotação, hoje não anda mais.

OBSCURIDADE. Obscuridade significa “falta de clareza”. Vários motivos podem determinar a obscuridade de um texto: períodos muito longos, uso de linguagem muito requintada, uso incorreto da pontuação, inversão inadequada dos termos da oração. Exemplo:
Encontrar a mesma ideia vertida em expressões antigas mais claras, expressiva e elegantemente tem-me acontecido inúmeras vezes na minha prática longa, aturada e contínua do escrever depois de considerar necessária e insuprível uma locução nova por muito tempo.”

Você entendeu o que está escrito? O texto está incompreensível. O parágrafo é longo: algumas palavras são inadequadas (ideias vertidas?), rebuscadas e a inversão de expressões evidencia a obscuridade. O trecho fica mais compreensível assim:
Depois de analisar e considerar insubstituível uma locução nova, tem-me acontecido encontrar a mesma ideia, com mais clareza e elegância, em uma outra expressão mais antiga.”

― Chegamos quando ainda era cedo e pusemos o que tinha sido encomendado no lugar que o administrador havia indicado que era para colocar.
― Espero que você envie, tendo a máxima urgência, o currículo que foi solicitado por aqueles que organizam o concurso que vai selecionar recepcionistas.
― Os atletas que acabaram vencendo as Olimpíadas receberam taças que foram confeccionadas especialmente para dar de prêmio naquela situação.
***
― Chegamos cedo e pusemos a encomenda onde o administrador indicou.
― Espero que você envie com urgência o currículo solicitado pelos organizadores do concurso para recepcionistas.
― Os atletas vencedores das Olimpíadas receberam taças especiais como prêmio.

ECO. Consiste na repetição do mesmo som em palavras muito próximas umas das outras. O eco vem a ser a própria rima que ocorre quando há na frase terminações iguais ou semelhantes, provocando dissonância.

Ex:
A decisão da eleição não causou comoção na população.     
O aluno repetente mente alegremente.
"Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, saúde e educação."
"O aluno repetente mente alegremente."
O presidente tinha dor de dente constantemente.

PROLIXIDADE. Consiste na utilização de palavras, além do necessário, para expressar uma ideia. Ser prolixo é ficar “enrolando”, “enchendo linguiça”, não ir direto ao assunto.

Ex.:
A árvore, oca por dentro, era muito elevada, tinha vinte metros de altura total, do chão ao topo: estava, por esta razão, prestes a cair, daí a instantes, para baixo.

BARBARISMO, ou estrangeirismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira no lugar de equivalente vernácula.
* De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem diferentes nomes: galicismo ou francesismo, quando provenientes do francês (Pais de Gália, antigo nome da França); anglicismo, quando do inglês; castelhanismo, quando vindos do espanhol;
Ex:
Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado seria "quanto mais penso, (tanto) mais fico inteligente");
Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria "comeu um rosbife");
Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais adequado seria "Eles têm serviço de entrega").
Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa da UE (galicismo, o mais adequado seria Primeiro-ministro)
Nesta receita gastronômica usaremos Blueberries e Grapefruits. (anglicismo, o mais adequado seria Mirtilo e Toranja)
Convocamos para a Reunião do Conselho de DA's (plural da sigla de Diretório Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta língua não se usa apóstrofo 's' para pluralizar; o mais adequado seria DD.AA. ou DAs.)

PLEBEÍSMO. O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e termos considerados informais.
Ex:
"Ele era um tremendo mané!"
"Tô ferrado!"
"Tá ligado nas quebradas, meu chapa?"
"Esse bagulho é 'radicaaaal'!!! Tá ligado mano?"
'Vô piálá'mais tarde ' !!! Se ligou maluco ?
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de plebeísmos em contextos sociais que requeiram maior formalismo no tratamento comunicativo.

PLEONASMO VICIOSO. O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando consiste numa redundância inútil e desnecessária de significado em uma sentença, é considerado um vício de linguagem.

Ex:
Grande maioria.
Ele vai ser o protagonista principal da peça.
Meninos, entrempara dentro!
Estou subindo para cima.
Tenho certeza absoluta.

àNão é pleonasmo:
"As palavras são de baixo calão". Palavras podem ser de baixo ou de alto calão.
"Não deixe de comparecer pessoalmente." É possível comparecer a algum lugar na forma de procurador.
O pleonasmo nem sempre é um vício de linguagem, mesmo para os exemplos supra citados, a depender do contexto. Em certos contextos, ele é um recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a determinado aspecto da mensagem.

SOLECISMO. É uma inadequação na estrutura sintática da frase com relação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:

De concordância:
Fazem três anos que não vou ao médico.
Aluga-se salas nesse edifício.

De regência:
Ontem eu assisti um filme de época.

De colocação:
Me empresta um lápis, por favor.
Me parece que ela ficou contente.
Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.
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COLISÃO. A repetição de uma mesma, ou semelhante consoante em várias palavras é denominada aliteração. Aliterações são preciosos recursos estilísticos quando usados com a intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a atenção do receptor. Entretanto, quando seus usos não são intencionais ou quando causam um efeito estilístico ruim ao receptor da mensagem, a aliteração torna-se um vício de linguagem e recebe nesse contexto o nome de colisão. Exemplos:
Eram comunidades camponesas com cultivos coletivos.
O papa Paulo VI pediu a paz.

Uma colisão pode ser remediada com a reestruturação sintática da frase que a contém ou com a substituição de alguns termos ou expressões por outras similares ou sinônimas.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A beleza de um texto bem escrito!!!

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DORALICE


Leonardo, Elias e João. Sempre foram bons amigos. Desde que nasceram, presumem. Como apóstolos, príncipes, cavaleiros, mosqueteiros. Se recuperassem os filmes de suas vidas poderiam conferir nelas cada momento em que um fez parte da vida do outro.
Quando crianças, sem problemas. Viveram de brincar, perseguir gatos e borboletas, chapinhar com os pés as águas dos riachos, pescar e fritar, em fogo da idade da pedra, os lambaris fisgados em tardes de sol. Viveram de brigar por pouca coisa ou nada, de futebol com bola gasta e gol entre tijolos e garra, de catar frutas oferecidas nos pomares dos vizinhos, como passarinhos libertinos. Enfim, um mini paraíso de amizade plena sem saber de seus usufrutos.
Na escola, horas sérias de desenhar os futuros, eram inseparáveis. Dividiam dúvidas de aprendizagem, curiosidades, tarefas, interesses e descobertas, os castigos e as pequenas malandragens.
Na época de adolescer, o incandescente da vida das gentes, as coisas todas começaram a mudar de figura. O amor chegava sorrateiro e se instalava como única estação. Trazia novas performances. Eis que os três amigos, talvez por conta de tantas histórias tramadas, acabaram atraídos pela mesma quase-mulher, num arrebol tentador.
Doralice. Escandalosamente bela nesse acortinado adolescente e romântico. Era tão dona do nariz! E do coração dos três. Ela não precisou pedir licença para entrar no céu amoroso de cada um. Arrebatou toda a harmonia amiga do trio de amigos.
Para Leonardo, Doralice era luz que amanhecia, perdurava em seu quarto e em sua alma. Era existência em seus suspiros e latejamentos pelo corpo todo. Incontrolável e irresistível. Para Elias, uma espécie de arco-íris, estrela-guia ou bússola que conduzia o seu destino. Onde quer que fosse, onde quer que olhasse, o que pensasse, só dava Doralice. João a tinha encravado no seu DNA mais primitivo. Parecia haver uma sina de Doralice em sua vida. Uma predestinação. Doralice era uma musa. Era um som que começara caótico, dissonante e resplandecia em cadeia de notas musicais, diáfanas, com perfume e forma. Assim, apenas com um leve toque Doralice era uma sinfonia, um espetáculo, um turbilhão. Ela ocupava lugar nobre, importante, único e super real na vida dos três. Sonho e realidade. Em gigabytes.
Quando e como começou essa aventura não sabiam. Todo mundo em casa foi notando. Devagarinho. Mas o dia exato, do calendário, do relógio, ninguém sabe, ninguém viu. Agora, todos os dias são de paixão e comichões. Mesmo num canto, isolados, ficam irmanados pela doce e cruel presença. Doralice é a TV, a carícia, os cabelos, as desculpas, os olhos úmidos, o comercial, o vento, o dia e a noite, o alimento, a febre, o chamado... Coisas de amor eterno. Tudo esquentava, avermelhava-se e liquefazia-se. Doralice era um renascimento constante dentro de cada um. Um deslumbramento infindo. Ponto de espera. Num intento individual, cada um arquitetava um jeito doido e inventado de roubar aquele feminino e mágico coração para sempre.
Doralice era sinal de amor único e verdadeiro.
Um não contava para o outro em palavras. Mas nas atitudes, nos olhares, nos gestos de corpo não havia mais álibis sustentadores ou segredos a encobrir. Nessa hora criaram involuntariamente uma confraria particular. A confraria do triângulo. Longos dias de conversa e negociação. Os argumentos não transformavam essas coisas do coração. O inusitado do amor não poderia ser dissecado e decidido ali. Era se entregar a essa dança da vida que corria a fervilhar feito éter na veia da tríade de amigos ferrenhos. Nessa hora, um vislumbre de bom senso e sorte. O amor tinha também dessas coisas. Idéias. Estratégias de salvação.
Doralice seguia livre, feito música sem pauta, vôo sem pássaro, perfume sem ar no vigoroso céu de encantamento dos três. Seu olhar Capitu, seu sorriso Mona Lisa e seu capricho de miss top model se despejavam gratuitamente no poço fecundo do mais íntimo de cada um. Eles não se aguentavam. Não dormiam direito. Estavam aflitos para ficar à sós, eternamente nos céus de Doralice.
Quando abriram o jogo na confraria provisória do amor em estado de desespero foi um primeiro alívio. Mas só isso. Haveria outros impasses. Por quê? Como resolver isso? Não poderia existir três Doralices. Conheciam os dois maridos de Dona Flor. Poderia haver três maridos para uma mesma Dona Doralice? Na vida isso não era tão maravilhoso como nas entrelinhas dos livros. Na vida real existe gente que tem amantes diversos. Mas quem está estreando no amor, com os fluídos brotando nos pelos, nos músculos, na intensidade da voz, no volume dos tecidos, nos sonhares mais originais não se inicia assim. O caminho para a entrada do amor era outro. Era Doralice. Vertiginosamente.
O ponto estratégico fora decidido, carimbado e assinado pela palavra dos três mais que amigos. Vamos dar corda. Com quem ela ficar, ficará. E isto será líquido e certo. Corroeram-se por dentro para aceitar o decreto crucial. Muito pior que marcar 300 gols contra o timão na final. Pacto feito. Entre os três.
Preparam suas armas e lançaram-se à sorte. Paquerar e seduzir honestamente, sem jogo sujo e sem mentiras. Dardos sutis no alvo Doralice. Cada qual com seu jeito - tímido, ousado, intelectual – até que a bela princesinha desse oeste selvagem pungente de paixão tomasse o rumo do seu desejo, por fim.
Doralice foi perseguida e galanteada durante mais de três meses pelos três flechados por Cupido em situações díspares e alternadas. Acho que ela gostou. Muito. Os meninos tiveram o prazer temporário de experimentar as artimanhas do jogo do amor. Puderam ficar com a Doralice sonhada em alguns tempos especiais de vida enlevada e amorosa. Beijos aconteceram e alguns encontros mais ou menos íntimos, até os primeiros bastas e os agora não, não sei... Pelo andar da carruagem os meninos estavam afoitos demais. E tudo acabava virando um filme açucarado.
A história deles não acabou. Mal começou! Não falaremos dos outonos e invernos da vida. É plena primavera. Tudo floresce nos quatro cantos. E a geometria do tempo tudo azulará.
Conto no ponto que está. Depois das investidas dos cavaleiros do amor, posso presumir que eles não apostaram que tão nobre sentimento dá voltas, curvas e piruetas. Às vezes a gente não costuma nem sequer prever que ele nos pega desprevenido. Ele tem dessas coisas também. Quando menos esperavam e se entregavam a convencer cada amigo rival sobre a melhor performance amorosa, mal sabiam que ela, a Doralice, andava às voltas e meia com um recém chegado à escola e que estava fazendo a sua entrada triunfal no pedaço. Nem tão bonito, nem tão inteligente, nem tão irreverente à primeira vista. O fato é que se inaugurava nova disputa sem armas iguais. Os meninos foram percebendo que os olhares mais lânguidos, a cumplicidade e a bem-querença estampada no olhar feminino, nunca visto, se dirigiam agora para um ponto só. Para o estranho sem histórias que chegava sem alardes marcando ponto certeiro no coração da bem amada.
O que vai dar, não sei. O triângulo se dissolve como rascunho de cartografia. Parece que o que está acontecendo com os meninos é que eles estão abrindo os olhos e corações para outras meninas. O amor dá chances. Promove infinitas surpresas. Mesmo que passageiras e temporárias. O nosso coração sabe disso. Sem confrarias e pactos, gasta o tempo verificando quantas Doralices podem existir para dar lugar a um novo amor.

Antonio Gil Neto
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