"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

domingo, 20 de maio de 2012

Vícios de Linguagem

CACOFONIA (ou cacófato), do grego kako=ruim + fonia=som, constitui-se um dos vícios de linguagem, é o nome que se dá a sons desagradáveis ao ouvido formados muitas vezes pela combinação do final de uma palavra com o início da seguinte, que ao ser pronunciadas podem dar um sentido ridículo, pejorativo, obsceno ou até mesmo engraçado.

Ex.:
Fui à casa do meu avô que dá os fundos para o bar.
Nenhum segurança havia dado.
Governo confisca gado de fazendas.
Usei um pilão de socar alho.
Olha essa fada.
A empresa é dirigida pela dona Maria.
Emagreci graças ao cooper feito diariamente.
Já que tinha resolvido.
Não pense nunca nisso.
Por cada um...
Vi ela andando.
Desculpa então.
Eu não queria amá-la, mas amei-a.
Nesse calor, até elefante na bunda sua.
Vamos de carro, João vai na frente e Paula atrás.
Você corre também ou só caminha?
Quem tem posto aí atrás?
Tem culpa ele?
Ele tem fé demais.
Aqui não tem pão, mas lá tinha.
Nunca gaste dinheiro com bobagens.
Estas ideias, como as concebo, são irrealizáveis.
Ovo e uva boa!
Ele beijou a boca dela.
Deixe ir-me já, pois estou atrasado.
Quadrilha explode banco e usa escudos humanos.

àNão são cacofonia:
Eu amo ela demais!
Eu vi ela.
você veja.

Na literatura
Exemplos vários podem ser coletados na Literatura de cacófatos que, entretanto, podem ser justificáveis Em Camões, no soneto "Alma Minha...", a própria expressão-título é criticada por formar o cacófaton "maminha". O historiador José Marques da Cruz, porém, justifica a expressão como:
"própria do século XVI, em que vários clássicos empregaram frases assim: amigo meu, amiga minha. alma minha (...) É que toda gente estudava o latim puro, onde se diz amicus meus (e não meus amicus), anima mea (e não mea anima), mostrando sempre os escritores da época, nos seus escritos, a profunda influência da sintaxe latina."

AMBIGUIDADE. É a possibilidade de uma mensagem ter dois sentidos, de má ordenação de seus termos e falta de clareza, o que traz dificuldade de compreensão por parte do receptor. A ambiguidade é um caso especial de polissemia, a possibilidade de uma palavra apresentar vários sentidos em um contexto.

Ex:
A cachorra da sua irmã comeu?
A mãe pediu para o filho dirigir seu carro.
Como vai a cachorra da sua mãe?
A mãe encontrou o filho em seu quarto.
Este líder dirigiu bem sua nação.
Eu comprei sapatos para homens pretos.
O rapaz comeu maçã e sua prima também.
Nós vimos o incêndio do prédio.
Onde está a vaca da sua avó?
Onde está a piranha da sua mãe?
Este líder dirigiu bem sua nação?
Antes ele andava de Lotação, hoje não anda mais.

OBSCURIDADE. Obscuridade significa “falta de clareza”. Vários motivos podem determinar a obscuridade de um texto: períodos muito longos, uso de linguagem muito requintada, uso incorreto da pontuação, inversão inadequada dos termos da oração. Exemplo:
Encontrar a mesma ideia vertida em expressões antigas mais claras, expressiva e elegantemente tem-me acontecido inúmeras vezes na minha prática longa, aturada e contínua do escrever depois de considerar necessária e insuprível uma locução nova por muito tempo.”

Você entendeu o que está escrito? O texto está incompreensível. O parágrafo é longo: algumas palavras são inadequadas (ideias vertidas?), rebuscadas e a inversão de expressões evidencia a obscuridade. O trecho fica mais compreensível assim:
Depois de analisar e considerar insubstituível uma locução nova, tem-me acontecido encontrar a mesma ideia, com mais clareza e elegância, em uma outra expressão mais antiga.”

― Chegamos quando ainda era cedo e pusemos o que tinha sido encomendado no lugar que o administrador havia indicado que era para colocar.
― Espero que você envie, tendo a máxima urgência, o currículo que foi solicitado por aqueles que organizam o concurso que vai selecionar recepcionistas.
― Os atletas que acabaram vencendo as Olimpíadas receberam taças que foram confeccionadas especialmente para dar de prêmio naquela situação.
***
― Chegamos cedo e pusemos a encomenda onde o administrador indicou.
― Espero que você envie com urgência o currículo solicitado pelos organizadores do concurso para recepcionistas.
― Os atletas vencedores das Olimpíadas receberam taças especiais como prêmio.

ECO. Consiste na repetição do mesmo som em palavras muito próximas umas das outras. O eco vem a ser a própria rima que ocorre quando há na frase terminações iguais ou semelhantes, provocando dissonância.

Ex:
A decisão da eleição não causou comoção na população.     
O aluno repetente mente alegremente.
"Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, saúde e educação."
"O aluno repetente mente alegremente."
O presidente tinha dor de dente constantemente.

PROLIXIDADE. Consiste na utilização de palavras, além do necessário, para expressar uma ideia. Ser prolixo é ficar “enrolando”, “enchendo linguiça”, não ir direto ao assunto.

Ex.:
A árvore, oca por dentro, era muito elevada, tinha vinte metros de altura total, do chão ao topo: estava, por esta razão, prestes a cair, daí a instantes, para baixo.

BARBARISMO, ou estrangeirismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira no lugar de equivalente vernácula.
* De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem diferentes nomes: galicismo ou francesismo, quando provenientes do francês (Pais de Gália, antigo nome da França); anglicismo, quando do inglês; castelhanismo, quando vindos do espanhol;
Ex:
Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado seria "quanto mais penso, (tanto) mais fico inteligente");
Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria "comeu um rosbife");
Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais adequado seria "Eles têm serviço de entrega").
Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa da UE (galicismo, o mais adequado seria Primeiro-ministro)
Nesta receita gastronômica usaremos Blueberries e Grapefruits. (anglicismo, o mais adequado seria Mirtilo e Toranja)
Convocamos para a Reunião do Conselho de DA's (plural da sigla de Diretório Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta língua não se usa apóstrofo 's' para pluralizar; o mais adequado seria DD.AA. ou DAs.)

PLEBEÍSMO. O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e termos considerados informais.
Ex:
"Ele era um tremendo mané!"
"Tô ferrado!"
"Tá ligado nas quebradas, meu chapa?"
"Esse bagulho é 'radicaaaal'!!! Tá ligado mano?"
'Vô piálá'mais tarde ' !!! Se ligou maluco ?
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de plebeísmos em contextos sociais que requeiram maior formalismo no tratamento comunicativo.

PLEONASMO VICIOSO. O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando consiste numa redundância inútil e desnecessária de significado em uma sentença, é considerado um vício de linguagem.

Ex:
Grande maioria.
Ele vai ser o protagonista principal da peça.
Meninos, entrempara dentro!
Estou subindo para cima.
Tenho certeza absoluta.

àNão é pleonasmo:
"As palavras são de baixo calão". Palavras podem ser de baixo ou de alto calão.
"Não deixe de comparecer pessoalmente." É possível comparecer a algum lugar na forma de procurador.
O pleonasmo nem sempre é um vício de linguagem, mesmo para os exemplos supra citados, a depender do contexto. Em certos contextos, ele é um recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a determinado aspecto da mensagem.

SOLECISMO. É uma inadequação na estrutura sintática da frase com relação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:

De concordância:
Fazem três anos que não vou ao médico.
Aluga-se salas nesse edifício.

De regência:
Ontem eu assisti um filme de época.

De colocação:
Me empresta um lápis, por favor.
Me parece que ela ficou contente.
Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.
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COLISÃO. A repetição de uma mesma, ou semelhante consoante em várias palavras é denominada aliteração. Aliterações são preciosos recursos estilísticos quando usados com a intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a atenção do receptor. Entretanto, quando seus usos não são intencionais ou quando causam um efeito estilístico ruim ao receptor da mensagem, a aliteração torna-se um vício de linguagem e recebe nesse contexto o nome de colisão. Exemplos:
Eram comunidades camponesas com cultivos coletivos.
O papa Paulo VI pediu a paz.

Uma colisão pode ser remediada com a reestruturação sintática da frase que a contém ou com a substituição de alguns termos ou expressões por outras similares ou sinônimas.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A beleza de um texto bem escrito!!!

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DORALICE


Leonardo, Elias e João. Sempre foram bons amigos. Desde que nasceram, presumem. Como apóstolos, príncipes, cavaleiros, mosqueteiros. Se recuperassem os filmes de suas vidas poderiam conferir nelas cada momento em que um fez parte da vida do outro.
Quando crianças, sem problemas. Viveram de brincar, perseguir gatos e borboletas, chapinhar com os pés as águas dos riachos, pescar e fritar, em fogo da idade da pedra, os lambaris fisgados em tardes de sol. Viveram de brigar por pouca coisa ou nada, de futebol com bola gasta e gol entre tijolos e garra, de catar frutas oferecidas nos pomares dos vizinhos, como passarinhos libertinos. Enfim, um mini paraíso de amizade plena sem saber de seus usufrutos.
Na escola, horas sérias de desenhar os futuros, eram inseparáveis. Dividiam dúvidas de aprendizagem, curiosidades, tarefas, interesses e descobertas, os castigos e as pequenas malandragens.
Na época de adolescer, o incandescente da vida das gentes, as coisas todas começaram a mudar de figura. O amor chegava sorrateiro e se instalava como única estação. Trazia novas performances. Eis que os três amigos, talvez por conta de tantas histórias tramadas, acabaram atraídos pela mesma quase-mulher, num arrebol tentador.
Doralice. Escandalosamente bela nesse acortinado adolescente e romântico. Era tão dona do nariz! E do coração dos três. Ela não precisou pedir licença para entrar no céu amoroso de cada um. Arrebatou toda a harmonia amiga do trio de amigos.
Para Leonardo, Doralice era luz que amanhecia, perdurava em seu quarto e em sua alma. Era existência em seus suspiros e latejamentos pelo corpo todo. Incontrolável e irresistível. Para Elias, uma espécie de arco-íris, estrela-guia ou bússola que conduzia o seu destino. Onde quer que fosse, onde quer que olhasse, o que pensasse, só dava Doralice. João a tinha encravado no seu DNA mais primitivo. Parecia haver uma sina de Doralice em sua vida. Uma predestinação. Doralice era uma musa. Era um som que começara caótico, dissonante e resplandecia em cadeia de notas musicais, diáfanas, com perfume e forma. Assim, apenas com um leve toque Doralice era uma sinfonia, um espetáculo, um turbilhão. Ela ocupava lugar nobre, importante, único e super real na vida dos três. Sonho e realidade. Em gigabytes.
Quando e como começou essa aventura não sabiam. Todo mundo em casa foi notando. Devagarinho. Mas o dia exato, do calendário, do relógio, ninguém sabe, ninguém viu. Agora, todos os dias são de paixão e comichões. Mesmo num canto, isolados, ficam irmanados pela doce e cruel presença. Doralice é a TV, a carícia, os cabelos, as desculpas, os olhos úmidos, o comercial, o vento, o dia e a noite, o alimento, a febre, o chamado... Coisas de amor eterno. Tudo esquentava, avermelhava-se e liquefazia-se. Doralice era um renascimento constante dentro de cada um. Um deslumbramento infindo. Ponto de espera. Num intento individual, cada um arquitetava um jeito doido e inventado de roubar aquele feminino e mágico coração para sempre.
Doralice era sinal de amor único e verdadeiro.
Um não contava para o outro em palavras. Mas nas atitudes, nos olhares, nos gestos de corpo não havia mais álibis sustentadores ou segredos a encobrir. Nessa hora criaram involuntariamente uma confraria particular. A confraria do triângulo. Longos dias de conversa e negociação. Os argumentos não transformavam essas coisas do coração. O inusitado do amor não poderia ser dissecado e decidido ali. Era se entregar a essa dança da vida que corria a fervilhar feito éter na veia da tríade de amigos ferrenhos. Nessa hora, um vislumbre de bom senso e sorte. O amor tinha também dessas coisas. Idéias. Estratégias de salvação.
Doralice seguia livre, feito música sem pauta, vôo sem pássaro, perfume sem ar no vigoroso céu de encantamento dos três. Seu olhar Capitu, seu sorriso Mona Lisa e seu capricho de miss top model se despejavam gratuitamente no poço fecundo do mais íntimo de cada um. Eles não se aguentavam. Não dormiam direito. Estavam aflitos para ficar à sós, eternamente nos céus de Doralice.
Quando abriram o jogo na confraria provisória do amor em estado de desespero foi um primeiro alívio. Mas só isso. Haveria outros impasses. Por quê? Como resolver isso? Não poderia existir três Doralices. Conheciam os dois maridos de Dona Flor. Poderia haver três maridos para uma mesma Dona Doralice? Na vida isso não era tão maravilhoso como nas entrelinhas dos livros. Na vida real existe gente que tem amantes diversos. Mas quem está estreando no amor, com os fluídos brotando nos pelos, nos músculos, na intensidade da voz, no volume dos tecidos, nos sonhares mais originais não se inicia assim. O caminho para a entrada do amor era outro. Era Doralice. Vertiginosamente.
O ponto estratégico fora decidido, carimbado e assinado pela palavra dos três mais que amigos. Vamos dar corda. Com quem ela ficar, ficará. E isto será líquido e certo. Corroeram-se por dentro para aceitar o decreto crucial. Muito pior que marcar 300 gols contra o timão na final. Pacto feito. Entre os três.
Preparam suas armas e lançaram-se à sorte. Paquerar e seduzir honestamente, sem jogo sujo e sem mentiras. Dardos sutis no alvo Doralice. Cada qual com seu jeito - tímido, ousado, intelectual – até que a bela princesinha desse oeste selvagem pungente de paixão tomasse o rumo do seu desejo, por fim.
Doralice foi perseguida e galanteada durante mais de três meses pelos três flechados por Cupido em situações díspares e alternadas. Acho que ela gostou. Muito. Os meninos tiveram o prazer temporário de experimentar as artimanhas do jogo do amor. Puderam ficar com a Doralice sonhada em alguns tempos especiais de vida enlevada e amorosa. Beijos aconteceram e alguns encontros mais ou menos íntimos, até os primeiros bastas e os agora não, não sei... Pelo andar da carruagem os meninos estavam afoitos demais. E tudo acabava virando um filme açucarado.
A história deles não acabou. Mal começou! Não falaremos dos outonos e invernos da vida. É plena primavera. Tudo floresce nos quatro cantos. E a geometria do tempo tudo azulará.
Conto no ponto que está. Depois das investidas dos cavaleiros do amor, posso presumir que eles não apostaram que tão nobre sentimento dá voltas, curvas e piruetas. Às vezes a gente não costuma nem sequer prever que ele nos pega desprevenido. Ele tem dessas coisas também. Quando menos esperavam e se entregavam a convencer cada amigo rival sobre a melhor performance amorosa, mal sabiam que ela, a Doralice, andava às voltas e meia com um recém chegado à escola e que estava fazendo a sua entrada triunfal no pedaço. Nem tão bonito, nem tão inteligente, nem tão irreverente à primeira vista. O fato é que se inaugurava nova disputa sem armas iguais. Os meninos foram percebendo que os olhares mais lânguidos, a cumplicidade e a bem-querença estampada no olhar feminino, nunca visto, se dirigiam agora para um ponto só. Para o estranho sem histórias que chegava sem alardes marcando ponto certeiro no coração da bem amada.
O que vai dar, não sei. O triângulo se dissolve como rascunho de cartografia. Parece que o que está acontecendo com os meninos é que eles estão abrindo os olhos e corações para outras meninas. O amor dá chances. Promove infinitas surpresas. Mesmo que passageiras e temporárias. O nosso coração sabe disso. Sem confrarias e pactos, gasta o tempo verificando quantas Doralices podem existir para dar lugar a um novo amor.

Antonio Gil Neto
http://escrevendo.cenpec.org.br/ecf/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=13&Itemid=70&utm_source=Boletim&utm_medium=Boletim&utm_campaign=Boletim
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domingo, 4 de março de 2012

Palíndromos, tautologias e outras curiosidades da Língua Portuguesa

Você sabe o que é um palíndromo?
Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.

Exemplos:
OVO, OSSO, RADAR.
O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido:

SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.

Veja mais alguns...

Anotaram a data da maratona
Assim a Aia ia a missa
A Diva em Argel alegra-me a vida
A droga da gorda
A mala nada na lama
A torre da derrota
Luza Rocelina, a namorada do Manuel, leu na moda da romana: anil é cor azul
O céu sueco
O galo ama o lago
O lobo ama o bolo
O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro
Rir, o breve verbo rir
A cara rajada da jararaca
Saíram o tio e oito marias
Zé de Lima rua Laura mil e dez

E sabe o que é tautologia?
Tautologia (ou pleonasmo) é o termo usado para definir um dos vícios, e erros, mais comuns de linguagem. Consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com

- expressamente proibido
- em duas metades iguais

- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo

- todos foram unânimes
- conviver junto

- fato real
- encarar de frente

- multidão de pessoas
- amanhecer o dia

- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente

- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa

- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal

- exceder em muito .


Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não.
Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.
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E sobre os Ditos populares?
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No popular se diz:
Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro
Correto:
Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.
Enquanto o correto é: Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.

Cor de burro quando foge.
O correto é: Corro de burro quando foge!

Outro que no popular todo mundo erra: Quem tem boca vai a Roma.
O correto é: Quem tem boca vaia Roma. (do verbo vaiar).

Outro que todo mundo diz errado: Cuspido e escarrado. Quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correto é: Esculpido em Carrara. (Carrara é uma variedade de mármore)

Quem não tem cão, caça com gato.
O correto é: Quem não tem cão, caça como gato... ou seja, sozinho!

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Vírgula ( , )

Usa-se a vírgula:
a)      Separando as orações coordenadas assindéticas:
Pare, olhe, siga.

b)      Separando as orações coordenadas sindéticas, exceto as ligadas pela conjunção e:
Vá, mas volte depressa.

c)      Separando as orações coordenadas sindéticas, ligadas pela conjunção e, de sujeitos diferentes:
Ele foi ao Japão, e ela à Itália.

d)      Separando as orações adverbiais:
Quando saístes, ela chegou.
Iríamos, se pudéssemos.

e)      Separando as orações adjetivas explicativas:
O homem, que é mortal, acaba virando pó.

f)       Separando as orações reduzidas:
Saciada a sede, contou-nos a aventura.

g)      Separando as orações intercaladas:
Creio, afirmou Antonio, que este é um caso perdido.

h)      Separando elementos de mesma função sintática, normalmente assindéticos:
Os livros, os cadernos e os lápis estão sobre a mesa.

i)        Assinalando a supressão do verbo:
Maria era rica; José, pobre.

j)        Separando adjuntos adverbiais antecipados:
Naquele momento, todo o pelotão se pôs em fuga.

k)      Separando o aposto:
Jorge Amado, autor de Juabiabá, é um excelente romancista.

l)        Separando o vocativo:
Não toque nesses doces, menino!

m)   Separando, nas datas, a localidade:
São Paulo, 24 de fevereiro de 2012.

Exercícios
1.      Copie as frases seguintes, usando a vírgula quando necessário:
a)      Se estudares serás aprovado; do contrário não cursarás medicina o que te deixará frustrado.

b)      Logo depois do nascimento do filho em 20 de janeiro de 2010 os pais foram para o interior.

c)      Sexta-feira às 12 horas iremos esperá-los no aeroporto.

d)      Porque os pais estavam desempregados o menino vendia balas na rua mas o seu sonho era frequentar a escola.

e)      Ele era honesto; o banqueiro desonesto.

f)       Assim como há quem reclame do trabalho outros reclamam de não trabalhar.

g)      Naquela manhã João ia fazer compras.

h)      Os maiores culpados são os que não contestam não lutam pelos seus direitos acham que não há solução que a vida é assim mesmo que cada povo tem o governo que merece.

i)        Sua casa ficava na Favela do Angu na periferia da cidade o que o fazia gastar muito tempo para chegar ao trabalho.

j)        O prefeito mandou construir um obelisco depois patrocinou um desfile de modas.

k)      Este ano como se sabe é ano de eleições. Cabe ao jovem feliz ou não votar com consciência.

l)        Desejoso de escolher a nova diretoria do grêmio da escola Henrique por exclusão acabou votando na chapa de Antônio.

2.      Deixo meus bens: ao meu irmão não, aos sobrinhos nada, aos netos.
Ao encontrar esta frase no testamento da irmã, o irmão modificou a pontuação para que fosse ele o beneficiado. Escreva em seu caderno como ficaria a nova frase.

Fonte:
(Adaptado do livro)
MAIA, João Domingues. Português. Série Novo Ensino Médio. 1ª ed. São Paulo: Ática,2003.
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Curriculum Vitae

“Curriculum” é palavra latina cujo plural é “curricula”.
“Curriculum vitae” é o documento que, através de uma sucinta relação de informações, dá condições de se avaliar a qualificação de uma pessoa. É a exposição organizada dos atributos de um profissional. Visa gerar uma entrevista com quem tem poder de decisão a respeito da ocupação pretendida.
É fundamental que reflita com honestidade as qualidades e competências de quem o elaborou. Não deve conter informações enganosas ou que gerem dúvidas.
Deve ser sóbrio, evitando-se excesso de folhas coloridas e de variedades gráficas.
Sua redação espelhada na norma culta (português correto) é de suma importância.
Segundo estatísticas feitas, 80% dos currículos recebidos por uma empresa vão para o lixo, 15% vão para o banco de dados e 5% são utilizados para entrevista. Para estar entre os 5%, às vezes, é preciso ter um conteúdo diferente. O mais importante é enfatizar os valores pessoais, e em que a experiência acumulada colaborou para o seu crescimento profissional. Não basta dizer o nome da empresa ou órgão público e o cargo e funções exercidas, mas também os resultados obtidos. Cursos que aparentemente não interessam ao setor de recrutamento e seleção podem gerar um importante diferencial de currículo.
É mais importante falar de si próprio do que das empresas ou instituições públicas nas quais trabalhou.
Também é válido relacionar duas ou três pessoas que possam servir como referência sobre o seu desempenho profissional. Uma recomendação, por escrito, ou até mesmo verbal, feita por alguém que se relacione com pessoas que tenham poder de decisão pode ser o canal pelo menos para a oportunidade da entrevista. Por incrível que pareça, o folclórico “QI” (quem indica) ainda abre portas. No caso de recém-formados, um professor seria o mais indicado.
Quem lê-lo deve sentir vontade de conhecer a pessoa que o enviou.
A linguagem deve ser concisa, restringindo-se a dados objetivos, não devendo, em princípio, exceder a três páginas.
Deve-se evitar a abreviação de nomes de entidades, escolas, empresas e órgãos públicos.
Não há necessidade de juntar comprovantes; estes poderão, se for o caso, ser exigidos posteriormente.
Conterá: logo no alto e à esquerda da página, os dados pessoais (nome, endereço, data de nascimento, telefone etc.); a escolaridade, logo após, seguida de cursos de idiomas, informática e outros; a seguir, as experiências profissionais, que serão escritas em ordem cronológica decrescente, ou seja, do mais recente para o primeiro emprego, incluindo o tempo de duração de cada um, com a descrição dos cargos ocupados e funções desempenhadas e, finalmente, as referências pessoais e o salário pretendido (caso tenha sido requisitado).
Orientações uteis:
·      Escrever a data de nascimento, e não a idade, pois se o currículo ficar arquivado em um banco de dados, esse item ficará desatualizado.
·      Evitar muitas cores e efeitos gráficos, pois tornam a leitura e a interpretação difíceis e cansativas.
·      Evitar ultrapassar três páginas. Os profissionais de recursos humanos raramente lêem além disso. Não se esquecer de grampeá-las.
·      Não colocar o número de RG da cédula de identidade nem o número do CPF.
·      Não incluir nomes de estabelecimentos de ensino de primeiro grau (ensino fundamental) e segundo grau (ensino médio), a não ser que se trate de escola técnica, de escola de formação de professores de educação infantil e de 1ª a 4ª séries de ensino fundamental (magistério), colégio militar, escola militar ou curso feito no exterior.
·      Explicar, se for o caso, no que os cursos realizados contribuíram efetivamente para seu crescimento profissional.
·      Descrever o tipo de atividade que realizou em empresas, no serviço público, como empresário, ou como profissional autônomo.
·      Explicar, sucintamente, a importância de cada empresa, órgão ou estabelecimento pelo qual passou.
·      Se prestou o serviço militar, mencionar onde ocorreu, bem como a categoria de reservista.
·      Incluir qualquer estudo e estada no exterior. Experiência internacional é sempre valorizada.
·      Ser claro ao indicar o nível de conhecimento de línguas.
·      Registrar o período de permanência em cada emprego, cargo, função ou atividade autônoma.
·      Excluir as permanências de curta duração.
·      Poupar espaço evitando mencionar experiências pouco relevantes.
·      Mencionar viagens profissionais, assim como seus objetivos.
·      Anexar fotografia só se for pedida.
·      Enviar uma breve carta pessoal de apresentação junto ao currículo, citando onde foi encontrado o anúncio da oferta e o cargo pretendido.
·      O envelope deve ser preenchido e endereçado à pessoa que irá receber o material. Se não souber o nome, deverá ser endereçado ao departamento / setor de recursos ou de talentos humanos da empresa, ou ainda à agência recrutadora, se for o caso.


ROTEIRO

“CURRICULUM VITAE”

IDENTIFICAÇÃO
Nome –
Nacionalidade –
Naturalidade –
Estado civil –
Residência –
Telefone –
Fax –
E-mail –


ESCOLARIDADE
1º e 2º graus – (se for o caso)
3º grau –
Pós-graduação –
Outros cursos –
Idiomas –
Informática –

ATIVIDADES PROFISSIONIAS
Cargos e funções exercidas –
Estágios –
Bolsas –
Cursos ministrados –
Aprovação em concursos públicos –
Participação em congressos, simpósios, conferências etc. –
Trabalhos publicados –
Serviço militar –



REFERÊNCIAS
Pessoais –
Profissionais –
Comerciais –
Bancárias –


LOCAL E DATA
ASSINATURA


MODELO DE CARTA DE APRESENTAÇÃO

São Paulo/SP, 20 de fevereiro de 2012.


Corretora Santa Fé Ltda.

Prezados(as) Senhores(as):

Conforme anúncio publicado no jornal Folha de São Paulo, de 19 de fevereiro, venho, por meio desta, candidatar-me à vaga de auxiliar de contabilidade.

Anexo meu currículo para apreciação.



                                                                                  Atenciosamente.





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FONTE:
Adaptado do livro
HERDADE, Márcio Mendes. Novo manual de redação: básica, concursos, vestibulares, técnica / Márcio Mendes Herdade / 2ª Edição, 1ª reimpressão - Campinas/SP: Pontes Editores, 2007.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Aula de comunicação

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Alguns comentários sobre o texto empresarial

A linguagem no texto empresarial moderno
As organizações devem modernizar seu estilo e sua linguagem para não perderem a competitividade, pois desde o final dos anos 70, como resultado de um contexto econômico, a disputa por uma fatia do mercado mundial se tornou muito mais competitiva.
Quanto à pertinência dessas ações visando à modernidade, uma análise criteriosa indica que as mesmas vieram para ficar, sendo que nos dias atuais tem sido verificada a necessidade de investir na direção da qualidade e da fidelização dos clientes, e, portanto, sendo importante discriminar os procedimentos e padrões utilizados no dia a dia, especificando-os em linguagem clara e sem duplicidade de sentido, de forma a minimizar o retrabalho e acelerar o intervalo de tempo entre os fatos e as ações.
O objetivo de modernizar o estilo e a linguagem do texto empresarial é evitar que os textos venham a causar prejuízos para as empresas, pois sabemos que a circulação de um texto mal escrito pode causar, entre outras agravantes: a desmotivação para a leitura, a ineficiência para novos negócios, conflitos internos constantes, privilégio para a troca oral de informações, falta de credibilidades, o retrabalho.
Em se tratando do princípio fundamental do texto empresarial, pode-se inferir que o interesse das empresas seja o de gerar uma resposta objetiva àquilo que é transmitido, i.e., propiciar uma ação. O texto é sempre redigido para um cliente visando uma resposta, sendo considerado eficaz se o cliente der a resposta que se espera.
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GOLD, Mirian. Redação empresarial – escrevendo com sucesso na era da globalização. São Paulo, Makron Books, 2002.
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sábado, 10 de setembro de 2011

Dúvidas

O duodécimo e o duodécuplo


“Tenho um amigo que acaba de fazer, pela décima segunda vez, o Caminho de Santiago de Compostela, a mais tradicional rota de peregrinação deste planeta. Tenho tratado este amigo, nas nossas trocas de e-mails, por ‘Duodécimo Peregrino’. Está correta esta expressão (duodécimo) para indicar algo feito pela décima segunda vez? Haveria outra forma mais adequada ou correta de tratamento, no caso? Cordiais saudações.” (Marcos Rocha)

A dúvida de Marcos Rocha é curiosa. O fato de parecer um tanto fora de moda só valoriza sua ideia de encontrar um apelido erudito para seu amigo, em vez de chamá-lo simplesmente de algo como “Dozão”. É também uma boa oportunidade de dar uma espiada no complicado reino dos numerais.

Bem, “Duodécimo Peregrino” pode até servir, com boa vontade e já que se trata de uma brincadeira, para designar quem foi doze vezes peregrino. A rigor, porém, não é um epíteto adequado. Como numeral ordinal, aquele que designa uma posição numa sequência numérica, a palavra duodécimo, do latim duodecimus, indica o que vem em décimo segundo lugar e não o que se repete doze vezes. Se o tal peregrino fosse o 12º amigo de Rocha a percorrer o caminho de Santiago de Compostela, o nome estaria perfeito.

(Vale lembrar que, como numeral fracionário, duodécimo significa também cada uma das partes de um todo dividido por doze. O que, no caso em questão, só piora as coisas: divide em vez de multiplicar.)

Qual seria, então, a palavra mais indicada? Rocha pode escolher entre duas, uma mais rara que a outra: duodecúplice (“multiplicado por 12”) ou duodécuplo (“que contém 12 vezes a mesma unidade”). Duodécuplo Peregrino, que tal?

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Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/
Contato:   sobrepalavras@todoprosa.com.br
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