"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

10 desvios da norma culta da Língua Portuguesa sempre ocorrentes na expressão popular

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1 - "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

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2 - "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

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3 - "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

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4 - "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.

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5 - Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

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6 - Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

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7 - "" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

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8 - "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

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9 - "Venda à prazo". Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

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10 - "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Alunos [tutores] receberão R$ 115,00/mês para ensinar matemática aos colegas na rede pública de ensino de São Paulo

Multiplicando Saber é um projeto-piloto da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), professores da Universidade de São Paulo (USP), e pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). Trata-se de um projeto integrado de sessões de estudo de matemática em formato de tutorias para alunos do ensino fundamental e de valorização de estudantes do ensino médio da rede estadual paulista.

Neste ano o projeto será implementado em formato piloto, e deve atender alunos de um número limitado de escolas de ensino fundamental em todo o estado, a serem selecionadas a partir de seu desempenho no IDESP/SARESP. A depender do sucesso desta etapa, o projeto poderá ser implantado no próximo ano em outras escolas, séries, e/ou disciplinas, utilizando a experiência adquirida nesta fase para ser aperfeiçoado.

As tutorias são formadas por grupos de até quatro alunos do 6º e 7º anos do ensino fundamental que estejam apresentando dificuldade em matemática. Estes grupos serão liderados por um aluno do 2º ou 3º ano do ensino médio com bom desempenho nesta disciplina. A idéia fundamental é utilizar de forma inovadora e criativa recursos já existentes dentro do próprio sistema (como o espaço ocioso durante o contra-turno das escolas) para enfrentar as deficiências no aprendizado de matemática que têm sido demonstradas pelos alunos em testes de proficiência nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo, o Programa é uma forma de valorizar os bons alunos do ensino médio ao reconhecê-los e premia-los,1 já que seu talento normalmente passa despercebido em discussões que se focam no desempenho médio do sistema.

Em dois dias da semana, durante 12 semanas, o tutor se reunirá com o grupo de pupilos para auxiliá-los na compreensão do material ensinado pelo professor de matemática em sala de aula. A tutoria deve se desenvolver em um ambiente informal e flexível, mas focalizado no aprendizado do conteúdo de matemática, conforme ensinado pelo professor. Em tal atmosfera, semelhante a uma aula particular, não só o aprendizado do conteúdo deve ser facilitado, como também a transferência dos tutores para os pupilos de outros valores positivos – como a importância da educação, sociabilidade, estratégias efetivas de estudo, e interesse pela matemática. Nesta atmosfera informal e menos estruturada que a sala de aula, os alunos sentem-se mais confortáveis para colocar suas dúvidas e interagir de forma proveitosa com seus pares.

Deve-se frisar que o tutor não substitui o professor regular, mas complementa seu trabalho ao dar um tratamento especial para os alunos com maior dificuldade. Ao focalizar este grupo, as tutorias facilitam a prática didática do professor em sala de aula, e podem até afetar de forma positiva o desempenho do restante dos alunos.

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Antecedentes

Tornou-se consenso na sociedade brasileira a necessidade de adotar estratégias efetivas para melhorar aprendizado entre os alunos do ensino básico. O desafio colocado diante dos formuladores de políticas é colossal, e não se deve esperar que uma única modalidade de ações seja capaz de dar conta de todas as deficiências atuais.

A manutenção da trajetória de crescimento sustentável do país reforça a necessidade de qualificar melhor os cidadãos, tanto nas capacidades cognitivas quanto naquelas ligadas à formação de valores e de personalidade.

A escola tem papel decisivo no acúmulo de ambas as capacidades, tanto na entrega direta do currículo escolar, quanto na organização do contexto de socialização de seus alunos.

A questão torna-se mais crítica quando observamos a necessidade de promover o aprendizado dos alunos que foram incluídos no ambiente escolar nos últimos quinze anos, resultado do processo de universalização do acesso ao ensino fundamental no Brasil. Este movimento modificou substancialmente o perfil do alunado, e trouxe desafios ainda maiores para o Estado. Tornou-se necessário promover o aprendizado de alunos com características sócio-econômicas

adversas, que em geral almejam um grau de escolaridade maior que o alcançado por seus pais. Tal fato é crítico se considerarmos que as interações no âmbito da família são fundamentais para o aprendizado do jovem, e um substancial contingente de estudantes dos sistemas públicos no Brasil não pode contar com este suporte proveniente dos pais ou outros familiares mais velhos.

Além disso, a universalização do acesso acirrou o problema da diversidade do alunado dentro do sistema, que dificulta ainda mais a tarefa de desenhar um pequeno leque de políticas para um público agora mais diferenciado.

Como resultado, há uma grande diversidade em termos de proficiência no corpo de alunos que compõem a rede pública de ensino no Brasil. Neste conjunto encontramos desde medalhistas em competições de matemática até alunos com proficiência insuficiente que concluem o ensino médio. Portanto, é improvável que uma só política seja capaz de dar conta de todas as carências hoje existentes. O objetivo do Programa Multiplicando Saber é exatamente dar um passo para encontrar políticas educacionais que tragam resultados satisfatórios e sejam custo-efetivas, como também identificar os grupos de alunos para os quais os aspectos cobertos são mais apropriados. A caminhada é longa, mas este é um passo importante.

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1. Os tutores são contratados como estagiários e recebem uma bolsa-auxílio mensal de R$ 115,00 durante os três meses do projeto.

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Fonte:

Coordenação Multiplicando Saber e Pesquisadores Responsáveis – FIPE/USP

contato@multiplicandosaber.org.br

www.mu l t i p l i c a n d o s a b e r . o r g . b r

domingo, 1 de agosto de 2010

30 dicas para escrever bem

Sempre é bom aprender ou relembrar para quem já escreve muito bem... e prestem bastante atenção, parece piada, mas todas as dicas são verdadeiras!

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1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.

5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.

6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

8. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??...então valeu!

9. Palavras de baixo calão, porra, podem transformar o seu texto numa merda.

10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem idéias próprias".

13. Frases incompletas podem causar

14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.

15. Seja mais ou menos específico.

16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!

17. A voz passiva deve ser evitada.

18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação

19. Quem precisa de perguntas retóricas?

20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

22. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"

23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

24. Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!

25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a lingúa portuguêza.

27. Seja incisivo e coerente, ou não.

28. Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

29. Outra barbaridade que tu deves evitar chê, é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, carajo!... nada de mandar esse trem... vixi... entendeu bichinho?

30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar...

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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Descoberta da Literatura

    No dia-a-dia do engenho,
    toda a semana, durante,
    cochichavam-me em segredo:
    saiu um novo romance.
    E da feira do domingo
    me traziam conspirantes
    para que os lesse e explicasse
    um romance de barbante.
    Sentados na roda morta
    de um carro de boi, sem jante,
    ouviam o folheto guenzo ,
    a seu leitor semelhante,
    com as peripécias de espanto
    preditas pelos feirantes.
    Embora as coisas contadas
    e todo o mirabolante,
    em nada ou pouco variassem
    nos crimes, no amor, nos lances,
    e soassem como sabidas
    de outros folhetos migrantes,
    a tensão era tão densa,
    subia tão alarmante,
    que o leitor que lia aquilo
    como puro alto-falante,
    e, sem querer, imantara
    todos ali, circunstantes,
    receava que confundissem
    o de perto com o distante,
    o ali com o espaço mágico,
    seu franzino com o gigante,
    e que o acabassem tomando
    pelo autor imaginante
    ou tivesse que afrontar
    as brabezas do brigante.
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    (E acabaria, não fossem
    contar tudo à Casa-grande:
    na moita morta do engenho,
    um filho-engenho, perante
    cassacos do eito e de tudo,
    se estava dando ao desplante
    de ler letra analfabeta
    de curumba, no caçanje
    próprio dos cegos de feira,
    muitas vezes meliantes. )
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    MELO NETO, João Cabral de. Descoberta da literatura.

    In: ______. A escola das facas. Rio de Janeiro:

    Alfaguara, 2008. p. 83-84. © by herdeiros de João Cabral de Melo Neto

    quarta-feira, 28 de julho de 2010

    USP, Unesp e Unicamp oferecem pós-graduação a distância para professores

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    Um convênio formado entre a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, USP, Unesp e Unicamp vai oferecer cursos de pós-graduação a distância para professores e diretores da rede pública estadual de ensino. São 16 cursos de especialização, num total de 20.090 vagas.

    As inscrições podem ser feitas até o dia 10 de agosto pelo site www.rededosaber.sp.gov.br. Todas as orientações para as pré-inscrições aos cursos estão disponíveis em "Inscrições", no documento "Regras de inscrição". Os cursos de especialização têm duração de um ano e contam com encontros presenciais.

    A USP terá especializações em ensino de ciências, biologia, sociologia, além de três cursos da área de gestão. A Unesp oferece especialização em ensino de língua inglesa, filosofia, arte, química e geografia e a Unicamp em ensino de língua portuguesa, matemática, física, história e educação física.

    Mais informações podem ser obtidas no manual de inscrição ou no Fale Conosco da Rede São Paulo de Formação de Docente (REDEFOR).

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    Redação Terra

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    terça-feira, 27 de julho de 2010

    Celebração da paz

    A crônica em questão foi escrita por um aluno do ensino ensino fundamental da rede pública estadual, na zona leste da capital paulista, e em breve estará concorrendo ao prêmio em disputa por ocasião da Olímpiada de Língua Portuguesa, ano de 2010.

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    Estavam todos muito cabreiros e um converseiro destoava no ambiente fraterno que até então ocorria no lugar. E não havia justificativa para desavenças no baile, pois a festa era justamente para comemorar um ano sem violência, um ano inteirinho sem rixa alguma. Alguns, é claro, sempre acabam abusando dos gorós e ficam treitados por pouca coisa, mas o fato é que já se passavam mais de 365 dias sem que houvesse fatalidades, todos de bem com a vida e com as cabeças tranquilas. Então, por que tudo aquilo de uma hora para outra. Por que aquele zunzunzum todo?

    Acontece que a molecada havia passado a semana toda na correria para organizar o evento, um baile da hora, no pátio do lava-rápido, ali mesmo na comunidade. Entretanto, agora estavam o Barnei, o Bebezão, o Faísca e o Arroba, todos zuados e de cabeça quente, quase em pé de guerra pra cima de um carinha que pintou na área, e o pior de tudo, já colando na roda e pitando no narguile do Bebezão. “Quem ele pensa que é pra ir chegando e ficando de boa, na maior moral?” ― questionavam alguns que se aglomeravam em torno do Faísca.

    Betinha, a mina do Barnei, ainda tentava passar o pano enquanto dizia que o Rick, esse é o nome do moleque desconhecido que estava marcando, quase ao ponto de ser expulso na porrada pelos festeiros.

    Dizem, pelos cantos por aí, que no ano passado um nóia vacilão estava furtando as coisas por aí e acolá... botijão de gás, bicicleta, roupa no varal e tudo o que encontrasse dando mole... acabou no micro-ondas, isto é, acabou nas mãos dos irmãos que deram um corretivo no desinfeliz e depois o colocaram desacordado dentro do fusca e atearam fogo no carro. Foi horrível, mas é assim que as coisas funcionam por aqui, e sempre funciona, porque as leis são ditadas pelo comando.

    O Rick ― sujeitinho também cheio de mala ― não estava nem aí para o reboliço todo. Querendo mais que o mundo acabasse em barranco, só para morrer encostado, sacou o celular e conferiu as horas, comentando que já estava quase na hora de ir vazando. Foi quando alguém comentou sobre a caranga jeitosa dele, um Pegeout 207 conversível muito maneiro. No que Rick disse:

    ― Conheci este carro quando estive na França. Fui participar de um concurso de grafitagem e por pouco não ganhei em primeiro lugar. Com a grana do segundo prêmio comprei o carro e agora é só alegria.

    Foi aí que o Barnei colou na fita e baixou o faixo... A molecada da área é vidrada num grafite. Então o Rick sacou de um compressorzinho na mochila e fez uma homenagem pra comunidade no muro da bagaça.

    E a notícia espalhou na hora. As minas pagaram o maior pau pro carinha de fora, e os manos ficaram de boa... Ficou tudo na maior responsa. Grafite na comunidade é manifestação de paz e tudo de bom. Assim a paz deve continuar por um bom tempo.

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    quinta-feira, 22 de julho de 2010

    Avalie seu nível gramatical

    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) É preciso levantar ____ moral dos jogadores.
    2) Sentiu-se mal, por isso saiu ____ lotação.
    3) Comprou __________ gramas de mortadela.
    (a) o, do, duzentos; (b) a, da, duzentas; (c) o, do, duzentas; (d) a, da, duzentos; (e) a, do, duzentas.
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    Que opção completa corretamente a frase “Quando _________ os técnicos contratados, _________ que a direção das empresas __________ as providências necessárias”?
    (a) chegarem / espera-se / tomem; (b) chegar / espera-se / tomem; (c) chegar / esperam-se / tome;
    (d) chegarem / espera-se / tome; (e) chegarem / esperam-se / tome.
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    Que opção completa corretamente a frase “Quando adoeceu ____ questão de alguns anos, ainda não se _________ outros métodos de tratamento”?
    (a) a / conhecia; (b) à / conhecia; (c) à / conheciam; (d) há / conhecia; (e) há / conheciam.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) Ele foi dar ___ telefonema.
    2) Ele quer saber se aboliram ___ trema.
    3) Ela deu ____ tapas na criança.
    (a) uma, a, umas; (b) um, o, uns; (c) um, a, uns; (d) uma, o, umas; (e) um, a, umas.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases:
    1) Aquela mulher sempre foi _______ maior ídolo;
    2) Estava em coma _______________;
    3) Ela era ____ membro da academia.
    (a) o seu / alcoólico / um; (b) a sua / alcoólica / uma; (c) o seu / alcoólica / uma; (d) a sua / alcoólico / um; (e) o seu / alcoólica / um.
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    Que opção completa corretamente a frase “Brandura e grosseria alternam-se em seu comportamento; já não o suporto, pois _________ é o traço dominante; ___________, o esporádico”?
    (a) aquela / esta; (b) essa / aquele; (c) aquele / esse; (d) esta / aquela; (e) esta / essa.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) “Eram muitas ___________ e ____________.”
    2) “Eça de Queiroz é o autor de ____________.”
    3) “No século XIX eram __________ e agora __________.”
    (a) Marias e Joões / Os Maias / os Andradas e os Silvas; (b) Maria e João / Os Maia / os Andrada e os Silva; (c) Marias e Joãos / Os Maias / os Andrada e os Silva; (d) Marias e Joões / Os Maia / os Andradas e os Silva; (e) Marias e Joãos/ Os Maias / os Andrada e os Silvas.
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    Assinale a opção que completa corretamente as lacunas das frases abaixo:
    1) Xuxa, que tem dois _____, resolveu pôr os pingos nos ___.
    2) Na turma, houve dois ____ e vários ____.
    (a) xis, i, nove, dez; (b) xises, is, noves, dezes; (c) xx, ii, nove, dezes; (d) xis, is, noves, dez; (e) xises, ii, noves, dez.
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    Que opção completa corretamente a frase “O tempo não é suficiente para ______ digitar o relatório. Pedirei ao chefe que divida a tarefa entre _____ e você”?
    (a) eu / mim; (b) mim / eu; (c) eu / eu; (d) mim / mim; (e) nós / nós.
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    Que opção completa corretamente a frase “Estava escuro, _________ demorei a encontrar o caminho __________ deveria regressar”?
    (a) por isso / por que; (b) por isso / porque; (c) por isso / por quê; (d) porisso / porque; (e) porisso / por que.
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    RESPOSTAS:
    a - d - e - b - a - d - a - d - a - a

    Para comentar sobre o porquê dos resultados, escreva para juarezfirmino@professor.sp.gov.br

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    segunda-feira, 19 de julho de 2010

    13 frases em inglês sobre férias

    Olá Pessoal! Para quem gosta de aprender inglês, as férias podem ser um prato cheio. Com mais tempo disponível, podemos revisar tópicos, por atividades em prática e tudo mais.

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    Confiram nossas treze frases de férias:

    1. Planos para as férias: Vacation plans
    Ex: What are your vacation plans? (Quais são seus planos para as férias?)

    2. Praia, campo: Beach, countryside
    Ex: Do you prefer the countryside or the beach? (Você prefere o campo ou a praia?)

    3. Tirar férias: Take a vacation
    Ex: We’re going to take a three-week vacation. (Vamos tirar férias de três semanas.)

    4. Fazer as malas: Pack your suitcases
    Ex: There’s still time for you to pack your suitcases.
    (Ainda dá tempo para você fazer as malas.)

    5. Acampamento de férias: Vacation camp
    Ex: It’s like going to a vacation camp for him. (É como ir a um acampamento de férias para ele.)

    6. Viajar de carro, avião, etc: Travel by car, airplane, etc
    Ex: I prefer to travel by car rather than by airplane.
    (Eu prefiro viajar de carro do que de avião.)

    7. Pacote turístico: Package tour
    Ex: They bought a package tour to Australia. (Eles compraram um pacote turístico para a Austrália.)

    8. Hospedagem: Accommodation
    Ex: It includes free accommodation and meals. (Isto inclui hospedagem gratuita e refeições.)

    9. Guia turístico: Tour guide, tourist guide
    Ex: A tourist guide will help you when you need. (Um guia turístico vai te ajudar quando precisar.)

    10. Atrações turísticas: Sights, tourist attraction
    Ex: I’ll show you one of the sights of our city.
    (Vou lhe mostrar uma das atrações turísticas da nossa cidade.)
    Ex: It is one of Rio’s major tourist attractions. (Esta é uma das maiores atrações turísticas do Rio.)

    11. Roteiro de viagem: Itinerary
    Ex: We suggest you follow your itinerary.
    (Sugerimos que você siga seu roteiro de viagem.)

    12. A negócio ou a passeio: Business or pleasure?
    Ex: And then he said: “Business or pleasure?”. (E então ele disse: “A negócio ou a passeio?)

    13. Aproveitar as férias: Take advantage (usar), enjoy (apreciar)
    Ex: He took advantage of his vacation to learn English.
    (Ele aproveitou as férias para aprender inglês.)
    Ex: Enjoy your vacation with your family. (Aproveite suas férias com sua família.)

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    Fonte: www.englishexperts.com.br

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    quarta-feira, 7 de julho de 2010

    Ortografia e arqueologia?

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    Recebi recentemente uma carta interessante de um leitor, da qual transcrevo parte, como motivo deste artigo.

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    “Professor Ernani. Seu manifesto pela simplificação ortográfica atende em cheio minhas próprias aspirações, entretanto ouvi recentemente um argumento contra essa simplificação, que a comparava à devastação de um sítio arqueológico para a construção de um centro comercial. Baseava-se na opinião de que a língua é uma espécie de grande depósito arqueológico de momentos passados da cultura de um povo e que seus detalhes e especificidades são testemunhos vivos de sua história.

    Partindo dessa analogia, é bom lembrar que tanto o arqueológico como o comercial são fatores importantes e não excludentes socialmente. Talvez a comparação mais apropriada seja a construção de um centro comercial por cima ou ao lado de um sítio arqueológico, preservado integralmente e servido de uma passagem aberta e sinalizada para permitir-lhe acesso, visitação e estudo, isso porque a mudança na escrita de uma palavra não impede a pesquisa de sua origem e história. Eis alguns exemplos:

    É do século XV a seguinte redação “Começo este liuro nom como author e achador das cousas em elle contheudas…”, que hoje, reescrevendo-se cada palavra, resulta em “Começo este livro, não como autor e achador das coisas nele contidas”. Note-se que livro se escrevia com U, autor com TH, coisas com U, elle com L duplo e, decorridos 600 anos, é possível entender o texto e o considerarmos como um “depósito arqueológico”, estudando a cultura da língua a partir da observação de seus “detalhes e especificidades”, conforme a crítica que chegou ao Roberto e ele gentilmente nos passou. O estudioso que for pesquisar a etimologia da palavra autor, encontrará três momentos distintos (author > auctor > autor) e poderá debruçar-se sobre as circunstâncias e a filosofia geradora dessas modificações.

    Do século XIX, a frase “O poder dos reys hespanhoes eh muito mais immovel que as instituiçoens da monarchia” é hoje grafada assim “O poder dos reis espanhóis é muito mais imóvel que as instituições da monarquia”, maneira de escrever em que se percebem razoáveis diferenças: reis se escrevia com Y; espanhóis, com H inicial e E final; é tinha H e não acento agudo; imóveis apresentava M duplo; instituições recebia N após o E em vez de til sobre o O; e monarquia se registrava com CH. O fato de se haver modificado a grafia não impede o estudo da origem, da história, das transformações culturais da língua portuguesa, ao contrário, torna-se uma passagem pela qual se pode realizar esse estudo. Se a grafia da palavra monarquia evoluir para monarkia, não se perde o fio da gramática ou linguística histórica (monarchia > monarquia > monarkia), ao contrário, cria-se outro testemunho para o pesquisador.

    Cabe aqui lembrar que, apenas no século passado, de 1911 a 1990, a grafia do Português sofreu nove mudanças e nem por isso se apagaram os traços do passado, por um motivo muito simples: a grafia constitui apenas uma convenção temporária para representar as palavras da língua e cada reforma ortográfica é prova de um estágio cultural, que pode ser considerado do ponto de vista sociolinguístico, psicolinguístico etc. É possível pensar em todas as reformas feitas até hoje como testemunhos enriquecedores da história da nossa língua, o que invalida plenamente o argumento contrário.

    Para além de todos esses aspectos, o mais importante da reforma que propomos sedia-se no fato de que será a primeira reforma ortográfica a abolir, a falta de pesquisa, a superficialidade, a improvisação, a ilogicidade, o ditatorialismo e muitos outros fatores negativos que se encontram incrustados, embutidos em todas as experiências ortográficas que tivemos até hoje, responsáveis pelo analfabetismo crônico de todos os lusófonos, no sentido próprio da palavra analfabeto, o de “quem não sabe usar as letras”, pois todos sofremos da necessidade de consultar dicionário para escrever esta ou aquela palavra.

    A ortografia que queremos e estamos conquistando para o nosso atualíssimo século XXI deve ser baseada em pesquisa séria e profunda e deve adequar-se à lógica racional e universal, instrumento necessário às atuais técnicas do ensino-aprendizagem, visando a nos libertar da escravidão ao dicionário na hora de escrever e revelando para os pesquisadores do futuro o quanto o nosso século evoluiu e se distanciou de todos os anteriores em termos também ortográficos, sendo o primeiro a expurgar a grafia anacrônica e medieval até hoje a nós imposta e que dificulta a inserção de todo nosso povo no mundo alfabetizado. Conheça mais no www.acordarmelhor.com.br

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    Ernani Pimentel

    Professor, pesquisador, gramático, conferencista, presidente da Vestcon.

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    segunda-feira, 5 de julho de 2010

    Casa da Rosas


    Conheça a Casa das Rosas por dentro

    A Casa das Rosas – O Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura é uma mansão na Avenida Paulista que abre suas portas para um passeio de descobertas arquitetônicas e históricas. Grupos de 10 a 45 pessoas podem agendar passeios de uma hora de duração, com horários disponíveis entre terça e sexta-feira, das 10h às 18h. As inscrições devem ser feitas pelos telefones (11) 3285-6986 ou (11) 3287-8917. Para grupos menores (a partir de três participantes) e pessoas que estiverem passeando pela Casa das Rosas, há passeios de trinta minutos em horários fixos: de terça a sexta, às 11h, 13h, 16h e 18h e aos sábados, às 12h e às 16h.

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    A história da mansão

    A Casa das Rosas foi projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo no final da década de 20 para ser a residência de sua filha, Lucia.

    Seu estilo arquitetônico é eclético. A entrada é de mármore carrara, os vidros e cristais são belgas e as ferragens, inglesas. Um enorme vitral colorido, assinado por Carlos Sorgenicht, decora o hall de entrada. O jardim, inspirado no Palácio de Versalhes, abriga o famoso roseiral, origem do nome da casa e uma de suas atrações. Ramos de Azevedo não chegou a ver o projeto concluído, pois faleceu em 1928. A construção de trinta cômodos só ficou pronta sete anos mais tarde, sendo assinada por Felisberto Ranzini. Durante 51 anos, residiram ali Lucia Ramos de Azevedo e seu marido, Ernesto Dias de Castro. Mais tarde, Ernesto Dias de Castro Filho e sua esposa ocuparam a casa.
    Atualmente a mansão é administrada pela Secretaria de Estado da Cultura em conjunto com a Poiesis - Organização Social de Cultura e abriga o acervo de cerca de 20 mil volumes da biblioteca do poeta, tradutor e ensaísta Haroldo de Campos (1929-2003). É também a única livraria especializada em poesia do Brasil, que disponibiliza cerca de 400 títulos.

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    Casa das Rosas

    Av. Paulista, 37, Bela Vista - próximo à Estação Brigadeiro do Metrô Aberta de terça a domingo, das 10h às 22h. Estacionamento conveniado: Al. Santos, 74

    www.poiesis.org.br/casadasrosas

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    sábado, 3 de julho de 2010

    V O C Ê

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    A Unicamp (Universidade de Campinas) é reconhecida no país por muitos de seus méritos. E, a bem da verdade, a Unicamp começa bem já no vestibular. Muitas das questões ― é pena que não sejam todas ― são interessantes, inteligentes, de ótimo nível.

    O vestibular dessa importante escola começou em 1987. Nesse ano, justamente a primeira questão da prova de português pedia ao aluno que indicasse as marcas típicas da oralidade, ou seja, da língua falada, presentes no discurso de um engenheiro eletrônico. Tratava-se de uma entrevista concedida por ele a um jornal. Disse o engenheiro: “Os grandes problemas, você deve ter um desenvolvimento tecnológico local”.

    A questão pedia que o aluno reescrevesse a frase, adequando-a “à língua escrita culta”. De imediato, chama a atenção a falta de conexão. A expressão “os grandes problemas” parece atirada, jogada, perdida. Falta verbo, falta algo que una essa expressão ao resto da frase. Talvez algo como “Para resolver os grandes problemas, você...”. Epa! Você? Quem é você? Até prova em contrário, você é a pessoa com quem estou conversando.

    Você é meu interlocutor. E esse “você” da resposta do engenheiro parece muito pouco para a dimensão ― nacional ― do pensamento. “Para resolver os grandes problemas, é preciso desenvolvimento tecnológico local”. Ou: “A solução dos grandes problemas exige desenvolvimento tecnológico local”. Ou ainda: “Para a solução dos grandes problemas, exige-se desenvolvimento tecnológico local”. Percebeu? O “você” do engenheiro não era a pessoa com quem ele conversava. E é aí que quero chegar. É cada vez mais freqüente, na linguagem oral, o uso da palavra “você” com valor genérico.

    Dia desses, ouvi famoso jogador de futebol dizer que “quando você bate na bola com o lado de fora do pé...”. Ouvi também uma mulher dizer a um repórter ― repito: um repórter, homem, do sexo masculino ― que “quando você está grávida...”. O repórter fez cara de espanto, com os olhos arregalados, como que a perguntar: “Eu? Grávida?”.

    Numa corrida do Grande Prêmio de Fórmula 1, o locutor Galvão Bueno, enquanto explicava o regulamento, dizia que “quando você deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”. Como houve duas ameaças de largada, Galvão disse pelo menos duas vezes que “quando você...”. O problema é que Galvão não estava conversando com os pilotos, e sim com o telespectador, que não deixa carro morrer na largada, por uma razão muito simples: não participa de corridas.

    Pelo menos na linguagem formal, culta, é bastante desejável a eliminação desse cacoete. É cansativo, pobre e enfadonho o uso da palavra “você” como indicador de algo genérico, coletivo. No caso da corrida, bastaria dizer que “quando se deixa o carro morrer na largada, deve-se ir para o fim da fila”. ― Também se poderia dizer que “quando o piloto deixa o carro morrer na largada, deve ir para o fim da fila”.

    O saudoso governador de São Paulo, Mário Covas, é outro que abusava do bendito você que não é você. Vi-o em várias entrevistas ― antes e depois das campanhas ―, repetindo à exaustão que “quando você investe bem o dinheiro do povo”, “quando você aplica no social”, “quando você faz o que realmente é necessário para o povo”, “quando você...”. Vamos quebrar a monotonia: “Quando se investe bem o dinheiro do povo” (ou “Quando o governo/os governantes investe/investem bem o dinheiro do povo”); “Quando se aplica no social” (ou “Quando o governo/os governantes aplica/aplicam no social”); “Quando se faz o que realmente é necessário para o povo” (ou “Quando o governo/os governantes faz/fazem o que realmente é necessário para o povo”).

    Uma ex-aluna esteve na Austrália, para estudar. Lá ficou alguns meses. Viciada em você, traduzia essa história de “você” ao pé da letra. A todo instante, dizia “When you...” (“Quando você”, em inglês). Diz ela que as pessoas se assustavam. Punham a mão no peito e diziam ― em inglês, é claro: ― Eu, não!”. No começo, minha ex-aluna não entendia o porquê da reação. Não demorou muito para perceber.

    Talvez haja uma explicação sociolinguística ou psicolinguística para o sumiço dos indicadores genéricos da nossa linguagem oral. Será que não é, mais uma vez, porque o brasileiro tem pavor do que é coletivo, genérico, ou seja, tudo no Brasil precisa ser individual, personalizado? Quem sabe. Os antropólogos também podem meter a colher. Aceitam-se sugestões. E lá vai uma, mais do que urgente: pelo menos em situações formais ― sobretudo na escrita ―, pare com esse cacoete de usar você que não é você.

    Até a próxima. Um forte abraço.

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    Pasquale Cipro Neto

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    Produção textual: coesão e coerência

    A coesão colabora com a coerência, porque os conectivos ajudam a dar o sentido à união de duas ou mais ideias: alternância, conclusão, oposição, concessão, adição, explicação, causa, consequência, temporalidade, finalidade, comparação, conformidade, condição.

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    As ideias numa dissertação precisam se completar, a geral se apoia na particular, a particular sustenta a geral.

    Na narração, se uma personagem for negra no começo, será assim até o fim, só Michel Jackson trocou de cor. A menos que a mudança da coloração seja significativa.

    Veja um exemplo de incoerência na dissertação: “O verdadeiro amigo não comenta sobre o próprio sucesso quando o outro está deprimido. Para distraí-lo, conta-lhe sobre seu prestígio profissional, conquistas amorosas e capacidade de sair-se bem das situações. Isso, com certeza, vai melhorar o estado de espírito do infeliz”.

    Exemplo de incoerência em narração: “O quarto espelha as características de seu dono: um esportista, que adorava a vida ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia sinais disso: raquetes de tênis, prancha de surf, equipamento de alpinismo, skate, um tabuleiro de xadrez com as peças arrumadas sobre uma mesinha, as obras completas de Shakespeare”.

    DICAS IMPORTANTES

    • Leia atentamente o que está sendo solicitado. Atualmente, as propostas se aproximam da realidade dos candidatos, constituindo-se roteiros confiáveis para a organização de ideias;

    • Crie mentalmente um interlocutor. Procure convencer um ouvinte específico do seu ponto de vista;

    • Planeje o texto sem utilizar fórmulas prontas. O fio condutor deve ser seu pensamento;

    • Evite marcas de língua falada. Escrita e fala são modalidades diferentes do idioma. Evite gírias e termos excessivamente coloquiais;

    • Confie em seu vocabulário. Todos nós guardamos palavras sem uso que podem transmitir com clareza o nosso pensamento. Procure encontrá-las;

    • Seja natural. Evite o uso de palavras de efeito apenas para impressionar a banca;

    • Acredite em seus pontos de vista e defenda-os com convicção. Eles são seu maior trunfo.