domingo, 17 de maio de 2009
Socorro ao professor
Debate pedagógico passa ao largo da questão disciplinar, um equívoco grave diante da violência crescente nas escolas A EDUCAÇÃO básica no Brasil ainda é precária, em particular nas redes oficiais de ensino. Mediocridade e letargia se patenteiam a cada resultado da pletora de exames e índices surgidos na última década. Bem encaminhada a meta da universalização do acesso e superada a controvérsia sobre avaliações de desempenho, resta roer o caroço duro do próprio aprendizado.
A batalha terá de ser vencida com uma estratégia de requalificar professores e remunerá-los melhor. Essa classe desprestigiada já se vê, contudo, acossada por outra conflagração: a indisciplina, quando não a agressão praticada por uma parcela dos alunos.
O aumento da violência juvenil é um problema das sociedades contemporâneas que não afeta apenas a escola. Agrava-se conforme pais de todos os estratos se omitem e transferem a responsabilidade primeira pela socialização de crianças e jovens ao educador.
O tumulto de quinta-feira entre policiais militares e estudantes numa escola estadual da capital paulista constitui apenas mais um episódio a lamentar, não exceção. Após erupção semelhante em novembro, o governo estadual prometera um plano antiviolência, que até hoje não veio a público. Levantamento do sindicato de diretores Udemo indicou que 86% das 683 escolas que responderam a questionário (de um total de 5.300) tinham vivido casos de violência.
Combater a escalada implica afrontar a mescla de democratismo e leniência que tomou de assalto o aparelho educacional brasileiro. Tornou-se pedagogicamente incorreto lançar mão de medidas disciplinares. O diálogo por certo representa o melhor caminho, mas não quando se trata de ameaça ou desrespeito ao professor.
Em nome de incentivar a afirmação da individualidade do aluno, tolera-se todo tipo de abuso. Não é só de guias curriculares que necessita o docente, mas de orientação prática e eficaz sobre como proceder em casos disciplinares, dos simples aos graves. Todo projeto pedagógico tem de implementar medidas para assegurar a tranquilidade e a concentração sem as quais não há aprendizado possível.
É injusto deixar só com os professores mais essa responsabilidade. Eles em geral figuram entre as vítimas dessa deterioração no convívio. Para reconquistar o prestígio em erosão, não é só de salários, carreiras e bônus que precisam, mas da intervenção decidida das autoridades educacionais na questão da disciplina.
Cabe a elas rever gradação, condições e limites das punições aplicáveis, criar procedimentos para situações excepcionais e também serviços especializados de assistência ao professor ameaçado. Sem esse mínimo de garantias, cada vez menos talentos estarão dispostos a seguir a carreira de professor, decisiva para reduzir a iniquidade social no país.
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Fonte: Folha de S. Paulo, domingo, 17 de maio de 2009
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Angústia
Nas noites não dormidas
Impera a angústia
Rápido passou a infância
E a adolescência ainda dói fundo
No copo de absinto
Completamente vazio
Largado sobre a mesa
Mal iluminada
Pelo lume da negra noite
Tamanha forma toma o desespero
Nem mesmo o maior dos mestres
Consegue expressar a dolorosa ausência
Em sua serena poesia
A perda veio como um duro golpe
O primeiro amor que em ruínas desmorona
Num mundo que aos poucos morre
Entre outros que certamente virão
Há vários mundos
Todos mortos
(Juarez Firmino)
Impera a angústia
Rápido passou a infância
E a adolescência ainda dói fundo
No copo de absinto
Completamente vazio
Largado sobre a mesa
Mal iluminada
Pelo lume da negra noite
Tamanha forma toma o desespero
Nem mesmo o maior dos mestres
Consegue expressar a dolorosa ausência
Em sua serena poesia
A perda veio como um duro golpe
O primeiro amor que em ruínas desmorona
Num mundo que aos poucos morre
Entre outros que certamente virão
Há vários mundos
Todos mortos
(Juarez Firmino)
Love is in the Web
Eu saía da adolescência quando a internet começou a ser realidade tangível para a classe média. Para um jovem de 15, 16 anos, o vício pela rede teria de vir, inevitavelmente. Sites sobre mensagens subliminares e assassinos seriais, de pornografia e de conteúdo bizarro e sangrento, em geral, já faziam a alegria de muito marmanjo. Alegria que, àquela época, era sem movimento. Ver um vídeo era quase impossível, só havia fotos. Por sinal, era massa quando a gente ouvia uma música depois que ela levava horas para ser carregada. Horas. Mas nem só de sangue, bizarrices e pornografia viviam os adolescentes e todos os que descobriram a internet. Os bate-papos eram a grande coqueluche.
Os chats são responsáveis pela adesão das pessoas à internet, independentemente da faixa etária. Naquela internet pré-Google, aquela do Altavista, do Audiogalaxy, do mIRC e outros troços do gênero, os "serviços on-line" eram uma ficção. A utilidade era conversar, treinar datilog... quer dizer, digitar e ― por que não? ― se informar também. Lembro até hoje: na extinta Data Control (lembra?), depois da aula de Editoração Eletrônica (Windows, Office, PageMaker 5 e Corel Draw 6) o tal tempo disponível à frente do computador para dúvidas era todo gasto em "oi tc d onde ― qts anos ― o q procura". Uns dois ou três na turma faziam o instrutor trabalhar. Raramente fui um deles.
O bate-papo ainda hoje é a internet em toda sua amplitude. Talvez minha visão seja muito, digamos, peculiar, mas a maioria das coisas que inventam por aí tem como objetivo, ou como base, o conversar. Civilizando um pouco o termo, o diálogo. Ou, se preferir, adicionemos sofisticação barata: troca de informações e experiências. Acho até que chegamos a um ponto muito interessante, o plurimonólogo em rede aberta.
Mas o diálogo virtual existe, fortíssimo, intrínseco à nossa vida. É, na prática, como é o STF na teoria, inafastável. Acabei de discutir preços de imóveis com uma amiga via GTalk, minha antiga astróloga lia meu mapa astral via MSN, John Neschling foi demitido por e-mail. É isso aí, comunicação instantânea mesmo. O responsável por isso, colega, é ele, sempre ele, o amor.
Fonte: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2786
Fonte: http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2786
quarta-feira, 13 de maio de 2009
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO
Considerando que, enquanto cada animal é, por sua natureza, logo e sempre, unilateralmente si mesmo (a pulga é logo e sempre pulga, o pássaro, pássaro, e o cachorro, cachorro, seja qual for o destino que sua breve vida lhe reserva), somente o homem quebrou os vínculos de unilateralidade natural e inventou sua possibilidade de tornar-se outro e melhor, e até onilateral; considerando, outrossim, que esta possibilidade, dada apenas pela vida em sociedade, foi até agora negada pela própria sociedade à maioria, ou melhor, negada a todos em menor ou maior grau, o imperativo categórico da educação do homem pode ser assim enunciado: Apesar de o homem lhe parecer, por natureza e de fato, unilateral, eduque-o com todo empenho em qualquer parte do mundo para que se torne onilateral.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Exercício de escrita e oralidade
A atividade consiste em que os alunos tenham preenchidos as lacunas após ouvirem 3 vezes o cd com a música [veja links p/ a letra e o vídeo no final deste post], alguns necessitarão de 4 ou 5 vezes, acima desta média fica demonstrado o grau de dificuldade... Além da percepção oral, é possível também avaliar a ortografia e gramática. Ex.: As sonoridades e diferenças na grafia de massas e maçãs, de manhas e manhãs; o uso dos porquês; a limitação vocabular observadas em palavras como 'boiadeiro', 'simplesmente', 'pulsar' etc. A atividade também pode ser realizada com outras músicas da mpb, desde que tenham letras coerentes com a aprendizagem dos interessados.
-----------------------------Tocando em Frente
Composição: Almir Sater e Renato Teixeira
Ando _______ porque já tive pressa
Levo esse sorriso _______ já chorei _______
Hoje me ______ mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a ________ de que muito pouco eu sei
Eu nada sei
Conhecer as _______ e as _______,
O sabor das _______ e das _______,
É preciso amor pra poder pulsar,
É _______ paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para ______
Penso que cumprir a vida seja ______________
__________ a _______ e ir tocando em frente
Como um velho __________ levando a boiada
Eu vou ________ os dias pela longa _______ eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as ________ e as manhãs,
O ______ das massas e das _______,
É _______ amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder _______,
É preciso a _______ para florir
Todo mundo ama um dia ______ _______ chora,
Um dia a gente _______, e no outro vai ________
Cada um de nós ________ a sua _________
Cada ser em si _________ o _____ de ser _______
E ser feliz
_________ as manhas e as ________
O sabor das ________ e das maçãs
É preciso amor pra poder _______,
É preciso _____ pra poder seguir,
É ________ a chuva para ________
______ devagar ________ já tive ________
Levo esse _________ porque já chorei demais
Cada um de ____ compõe a sua ________,
Cada ser em si _________ o dom de ser capaz
E ser feliz
Confira a letra da música na íntegra e o vídeo clicando nas URLs abaixo:
http://letras.terra.com.br/letras.php?dns=almir-sater&id_musica=44082
http://br.youtube.com/watch?v=2jZeu9cmKOc
sábado, 9 de maio de 2009
Dia das Mães
Às Mães
- às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor; e às que choram, doridas e inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos inúmeros da sociedade violenta e desumana em que vivemos;
- às Mães ainda meninas, e às menos jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades de toda a ordem, têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior e um Dom que não se discute e, muito menos, quando se trata de um filho seu, pequeno ser frágil e indefeso que lhe foi confiado;
- às Mães que souberam sacrificar uma talvez brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, quantas vezes precisamente por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;
- às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas, de as abraçar e beijar...;
- às Mães solitárias, paradas no tempo, não visitadas, não desejadas, e hoje abandonadas num qualquer quarto, num qualquer lar, na cidade ou no campo, e que talvez não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho...;
- também às Mães que não tendo dado à luz fisicamente, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação, para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe...e finalmente, também às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam já num céu merecido e conquistado a pulso e sacrifício...
A todas as Mães, a todas sem excepção, um Abraço e um Beijo cheios de simpatia e de ternura! E Parabéns, mesmo que ninguém mais vos felicite! E Obrigado, mesmo que ninguém mais vos agradeça!
- às Mães que apesar das canseiras, dores e trabalhos, sorriem e riem, felizes, com os filhos amados ao peito, ao colo ou em seu redor; e às que choram, doridas e inconsoláveis, a sua perda física, ou os vêem “perder-se” nos perigos inúmeros da sociedade violenta e desumana em que vivemos;
- às Mães ainda meninas, e às menos jovens, que contra ventos e marés, ultrapassando dificuldades de toda a ordem, têm a valentia de assumir uma gravidez - talvez inoportuna e indesejada – por saberem que a Vida é sempre um Bem Maior e um Dom que não se discute e, muito menos, quando se trata de um filho seu, pequeno ser frágil e indefeso que lhe foi confiado;
- às Mães que souberam sacrificar uma talvez brilhante carreira profissional, para darem prioridade à maternidade e à educação dos seus filhos e às que, quantas vezes precisamente por amor aos filhos, souberam ser firmes e educadoras, dizendo um “não” oportuno e salvador a muitos dos caprichos dos seus filhos adolescentes;
- às Mães precocemente envelhecidas, gastas e doentes, tantas vezes esquecidas de si mesmas e que hoje se sentem mais tristes e magoadas, talvez por não terem um filho que se lembre delas, de as abraçar e beijar...;
- às Mães solitárias, paradas no tempo, não visitadas, não desejadas, e hoje abandonadas num qualquer quarto, num qualquer lar, na cidade ou no campo, e que talvez não tenham hoje, nem uma pessoa amiga que lhes leia ao menos uma carta dum filho...;
- também às Mães que não tendo dado à luz fisicamente, são Mães pelo coração e pelo espírito, pela generosidade e abnegação, para tantos que por mil razões não tiveram outra Mãe...e finalmente, também às Mães queridíssimas que já partiram deste mundo e que por certo repousam já num céu merecido e conquistado a pulso e sacrifício...
A todas as Mães, a todas sem excepção, um Abraço e um Beijo cheios de simpatia e de ternura! E Parabéns, mesmo que ninguém mais vos felicite! E Obrigado, mesmo que ninguém mais vos agradeça!
Filme erótico anticoncepcional
Debates gravados sobre educação podem ser usados como vídeos eróticos anticoncepcionais. Casais que assistiram a esse tipo de vídeo antes do "rala e rola" tiveram 100% de resultados contraceptivos: 47,89% dos casais dormiram profundamente após a exposição a esse tipo de material, e em 52,11% dos casos o cara não conseguiu colaboração biológica própria para seguir adiante.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Do que o aluno tem medo?!
O meu amigo Walterego me falava sobre a indisciplina nas escolas. Num tom alarmante e cético, dizia que a violência presente no ambiente escolar faz com que impere o medo. Os professores tornaram-se reféns dos alunos. O noticiário parece confirmar suas palavras.
No entanto, na universidade a indisciplina não chega a ser um grande problema. A reclamação mais comum se refere ao descompromisso dos alunos. Fala-se sobre a apatia em sala de aula, a não leitura dos textos indicados, as notas baixas nas avaliações e o desrespeito à autoridade docente (o entra-e-sai da sala de aula em qualquer momento, o não cumprimento dos horários, etc.).
De qualquer forma, parece-me que os alunos têm muito mais a temer dos seus professores do que estes deles. O que predomina neste ambiente é o poder professoral, um poder que angustia, estressa e silencia. A fonte desse poder é a nota, isto é, a autoridade para aprovar ou reprovar. O mau uso desse poder transforma a vida dos alunos num inferno dantesco.
Nestes casos, invertem-se os objetivos: os esforços para propiciar o aprendizado e a formação dos discentes são substituídos por uma espécie de sadismo professoral. O que dizer, por exemplo, de situações em que o docente se vangloria de ter reprovado quase que toda a turma? Ora, se a maioria dos meus alunos não aprende o conteúdo, o fracasso é meu e não deles. Na verdade, quem deveria ser reprovado é o docente. Mas a organização formal burocrática e o espírito de corpo protegem-no.
E o que pode fazer o aluno em tal situação? Imaginemos uma turma “X”, no primeiro ano de um curso universitário. Eles têm uma disciplina fundamental para sua formação e base para outras que terão que cursar. No entanto, a didática do professor é um fracasso e sua personalidade autoritária não permite contestação. Os alunos percebem, de antemão, que não irão bem na prova. Não sabem o conteúdo e, por medo, não perguntam ao professor. Calouros, desconhecem o “caminho das pedras” para reclamar. Alguns se revoltam, mas como a maioria, temem represálias. Eles entendem que se trata de uma luta entre forças desiguais. Os veteranos, reprovados na disciplina, e não são poucos, aconselham a silenciar; o melhor é “empurrar com a barriga e não comprar briga”, dizem. Se falarem, serão marcados; a obediência, o jogo do faz-de-conta, também não é muito promissor. Diante da reprovação, muitos desistirão do curso. Os que ficam, procuram estratégias adaptativas para superar o problema.
É uma experiência traumática que ilustra bem o poder do professor. Por que os alunos não agem coletivamente? Medo, claro! Mas também o individualismo restrito ao interesse de pegar o diploma. As formas de resistências são individualizadas enquanto estratégias pessoais de sobrevivência. São incapazes de se organizar como coletivo. E as panelinhas que formam também dificultam a ação comum.
Recordo de um exemplo diferente. A turma decidiu enfrentar a professora que, segundo eles, tinha atitudes desrespeitosas e autoritárias. Ela “conquistou” o desprezo da turma. Quando se dirigia à sala para cumprir o horário de aula, a mesma estava literalmente vazia: sem carteiras, cadeiras e alunos. A queda de braço extrapolou o âmbito departamental e terminou com a vitória dos alunos na mais alta instância universitária.
Isso mostra que nem todos professores aprovam as injustiças cometidas em nome do poder professoral. Revela também a necessidade dos alunos se organizarem. E, ainda, a exigência urgente de aprofundar a democratização das instâncias universitárias, para que o poder do professor encontre contrapesos e os alunos possam se fazer ouvir. É fundamental, sobretudo, superar o medo.
No entanto, na universidade a indisciplina não chega a ser um grande problema. A reclamação mais comum se refere ao descompromisso dos alunos. Fala-se sobre a apatia em sala de aula, a não leitura dos textos indicados, as notas baixas nas avaliações e o desrespeito à autoridade docente (o entra-e-sai da sala de aula em qualquer momento, o não cumprimento dos horários, etc.).
De qualquer forma, parece-me que os alunos têm muito mais a temer dos seus professores do que estes deles. O que predomina neste ambiente é o poder professoral, um poder que angustia, estressa e silencia. A fonte desse poder é a nota, isto é, a autoridade para aprovar ou reprovar. O mau uso desse poder transforma a vida dos alunos num inferno dantesco.
Nestes casos, invertem-se os objetivos: os esforços para propiciar o aprendizado e a formação dos discentes são substituídos por uma espécie de sadismo professoral. O que dizer, por exemplo, de situações em que o docente se vangloria de ter reprovado quase que toda a turma? Ora, se a maioria dos meus alunos não aprende o conteúdo, o fracasso é meu e não deles. Na verdade, quem deveria ser reprovado é o docente. Mas a organização formal burocrática e o espírito de corpo protegem-no.
E o que pode fazer o aluno em tal situação? Imaginemos uma turma “X”, no primeiro ano de um curso universitário. Eles têm uma disciplina fundamental para sua formação e base para outras que terão que cursar. No entanto, a didática do professor é um fracasso e sua personalidade autoritária não permite contestação. Os alunos percebem, de antemão, que não irão bem na prova. Não sabem o conteúdo e, por medo, não perguntam ao professor. Calouros, desconhecem o “caminho das pedras” para reclamar. Alguns se revoltam, mas como a maioria, temem represálias. Eles entendem que se trata de uma luta entre forças desiguais. Os veteranos, reprovados na disciplina, e não são poucos, aconselham a silenciar; o melhor é “empurrar com a barriga e não comprar briga”, dizem. Se falarem, serão marcados; a obediência, o jogo do faz-de-conta, também não é muito promissor. Diante da reprovação, muitos desistirão do curso. Os que ficam, procuram estratégias adaptativas para superar o problema.
É uma experiência traumática que ilustra bem o poder do professor. Por que os alunos não agem coletivamente? Medo, claro! Mas também o individualismo restrito ao interesse de pegar o diploma. As formas de resistências são individualizadas enquanto estratégias pessoais de sobrevivência. São incapazes de se organizar como coletivo. E as panelinhas que formam também dificultam a ação comum.
Recordo de um exemplo diferente. A turma decidiu enfrentar a professora que, segundo eles, tinha atitudes desrespeitosas e autoritárias. Ela “conquistou” o desprezo da turma. Quando se dirigia à sala para cumprir o horário de aula, a mesma estava literalmente vazia: sem carteiras, cadeiras e alunos. A queda de braço extrapolou o âmbito departamental e terminou com a vitória dos alunos na mais alta instância universitária.
Isso mostra que nem todos professores aprovam as injustiças cometidas em nome do poder professoral. Revela também a necessidade dos alunos se organizarem. E, ainda, a exigência urgente de aprofundar a democratização das instâncias universitárias, para que o poder do professor encontre contrapesos e os alunos possam se fazer ouvir. É fundamental, sobretudo, superar o medo.
Fonte:http://antonio-ozai.blogspot.com
"O poder do professor”, de Wilson Correia, e “A relação professor/a e aluno/a no ensino superior”, de Marisa Valladares, publicados no blog Literatura Política e Sociedade.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Se divertindo com o dicionário de inglês
• A hot day - arrote
• All face - alface
• All me roon - almerão
• Are you sick - Você tem C.I.C.?
• As pas goes - aspargos
• Beer in gel - beringela
• Better hab - beterraba
• Big Ben - Benzão
• Born to loose - Nascido em Toulose
• Car need the boy(mail kilo) - carne de boi (meio kilo)
• Corn Flakes - Cornos frescos
• Cow view floor - couve flor
• Feel Good - Bom frio
• Fourteen - Pessoa baixa e forte
• Free Shop - Chope de graça
• Go Home - Vai a Roma
• Halloween - Quando a ligação não está boa
• Happy New Year - Feliz Ouvido Novo
• I go tomorrow - O gato morreu
• I´m alone - Estou na lona
• I´m Hungry - Sou húngaro
• I´m sad - estou com sede
• It´s Ten O´Clock - Tu tens relógio
• It´s too late - É muito leite
• Key jow (parm zoon) - queijo parmesão
• Know How - Saber latir
• Layout - Fora da lei
• Lee moon - limão
• Mac car on - macarrão
• May go - pessoa dócil, afável.
• Merry Christmas - Maria Cristina
• My one easy - maionese
• One Ice-cream - Um crime cometido com frieza
• Paul me to - palmito
• Pay she - peixe
• Pier men tom - pimentão
• Puts grill low! Is key see, too much.- puts grilo esqueci os tomates.
• She must to go - Ela mastigou
• She´s cute - ela escuta
• She´s wonderful - Queijo maravilhoso
• So Free - Sofri, padeci
• Spa get - spaguete
• Stock car - estocar
• Telling The Truth - talão da T.R.U.
• The boy is behind the door - O boi está berrando de dor
• Three go - trigo
• To be champion - Ser bi-campeão
• To sir with love - Tossir com amor
• Welcome - Bom apetite
• With noise - conosco
• All face - alface
• All me roon - almerão
• Are you sick - Você tem C.I.C.?
• As pas goes - aspargos
• Beer in gel - beringela
• Better hab - beterraba
• Big Ben - Benzão
• Born to loose - Nascido em Toulose
• Car need the boy(mail kilo) - carne de boi (meio kilo)
• Corn Flakes - Cornos frescos
• Cow view floor - couve flor
• Feel Good - Bom frio
• Fourteen - Pessoa baixa e forte
• Free Shop - Chope de graça
• Go Home - Vai a Roma
• Halloween - Quando a ligação não está boa
• Happy New Year - Feliz Ouvido Novo
• I go tomorrow - O gato morreu
• I´m alone - Estou na lona
• I´m Hungry - Sou húngaro
• I´m sad - estou com sede
• It´s Ten O´Clock - Tu tens relógio
• It´s too late - É muito leite
• Key jow (parm zoon) - queijo parmesão
• Know How - Saber latir
• Layout - Fora da lei
• Lee moon - limão
• Mac car on - macarrão
• May go - pessoa dócil, afável.
• Merry Christmas - Maria Cristina
• My one easy - maionese
• One Ice-cream - Um crime cometido com frieza
• Paul me to - palmito
• Pay she - peixe
• Pier men tom - pimentão
• Puts grill low! Is key see, too much.- puts grilo esqueci os tomates.
• She must to go - Ela mastigou
• She´s cute - ela escuta
• She´s wonderful - Queijo maravilhoso
• So Free - Sofri, padeci
• Spa get - spaguete
• Stock car - estocar
• Telling The Truth - talão da T.R.U.
• The boy is behind the door - O boi está berrando de dor
• Three go - trigo
• To be champion - Ser bi-campeão
• To sir with love - Tossir com amor
• Welcome - Bom apetite
• With noise - conosco
terça-feira, 5 de maio de 2009
Cântico negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
.
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
.
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
.
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
.
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
.
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
.
.
José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.
José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.
domingo, 3 de maio de 2009
Intertextualizando Guimaraens e Pessoa
Ismália
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava perto do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Mar Português
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Nesta análise do poema Ismália, de 5 estrofes com 4 versos cada, com rimas alternadas, uma leitura possível sugere que a personagem-título enlouquece e se suicida, enquanto que a estruturação nos remete para um aspecto gráfico-formal, observamos que nas primeiras 4 estrofes, sempre nos versos 3 e 4 , um verbo que se repete: viu/viu; queria/queria; estava/estava; queria/queria. A repetição serve para reforçar idéias contrastantes, já que em cada um desses versos está presente um substantivo, um verbo, um complemento que exprime oposição: céu/mar; subir/descer; perto/longe; subiu/desceu. Destes, a oposição céu/mar é constante nas 5 estrofes.
Na primeira estrofe, o poema narra o enlouquecimento de Ismália que, à janela da torre, viu a lua a espelhar-se no mar ("Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar"). Na segunda estrofe, a loucura ("sonho") leva-a a debruçar-se mais para fora da janela ("Banhou-se toda em luar") e ter desejos conflitantes - a lua do céu e a lua do mar, como se estivesse entre duas escolhas. Na 3ª estrofe, já delirando ("no desvario seu") ela começa a cantar; na 4ª, é sugerido que Ismália estendeu os braços para 'voar' ("... como um anjo pendeu/ As asas..."); na 5ª e última estrofe, a imagem torna-se ambígua: as "asas" dadas por Deus são seus braços, ou se referem à alma que voou para o céu?
A "loucura" de Ismália é também comparada a um sonho: "No sonho em que se perdeu". A 'loucura' é assim vista de forma poética, não agressiva, e nem necessariamente negativa: aproximando "loucura" e "sonho", o poeta pode estar sugerindo que a loucura é um estado fora do ordinário, do comum da vida, como é o estado do sonho. Sonhamos dormindo, ou mesmo acordados, quando imaginamos alguma coisa ou situação.
Considerando que estas análises apenas sugerem possibilidades entre tantas leituras que se façam deste primoroso poema, a questão da intertextualidade entre este e outros textos também pode ser amplamente explorada, e então se tem início ao fantástico e infindável horizonte que se abre no universo literário e que nos permite imaginar, por exemplo, a inadjetivável aproximação da grandiosidade da criação de Alphonsus de Guimaraens com a fascinante obra do genial Fernando Pessoa.
O mar, com que Guimaraens encerra cada estrofe de seu poema, pode ser comparado com o mar dos versos de “Mar Português, com que Fernando Pessoa engrandeceu os feitos dos navegadores portugueses no grande Poema épico “Mensagem” que narra toda a trajetória de Portugal, que antes só tinha acontecido nos textos camonianos.
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava perto do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
(Alphonsus de Guimarães)
Mar Português
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu"
(Fernando Pessoa)
Nesta análise do poema Ismália, de 5 estrofes com 4 versos cada, com rimas alternadas, uma leitura possível sugere que a personagem-título enlouquece e se suicida, enquanto que a estruturação nos remete para um aspecto gráfico-formal, observamos que nas primeiras 4 estrofes, sempre nos versos 3 e 4 , um verbo que se repete: viu/viu; queria/queria; estava/estava; queria/queria. A repetição serve para reforçar idéias contrastantes, já que em cada um desses versos está presente um substantivo, um verbo, um complemento que exprime oposição: céu/mar; subir/descer; perto/longe; subiu/desceu. Destes, a oposição céu/mar é constante nas 5 estrofes.
Na primeira estrofe, o poema narra o enlouquecimento de Ismália que, à janela da torre, viu a lua a espelhar-se no mar ("Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar"). Na segunda estrofe, a loucura ("sonho") leva-a a debruçar-se mais para fora da janela ("Banhou-se toda em luar") e ter desejos conflitantes - a lua do céu e a lua do mar, como se estivesse entre duas escolhas. Na 3ª estrofe, já delirando ("no desvario seu") ela começa a cantar; na 4ª, é sugerido que Ismália estendeu os braços para 'voar' ("... como um anjo pendeu/ As asas..."); na 5ª e última estrofe, a imagem torna-se ambígua: as "asas" dadas por Deus são seus braços, ou se referem à alma que voou para o céu?
A "loucura" de Ismália é também comparada a um sonho: "No sonho em que se perdeu". A 'loucura' é assim vista de forma poética, não agressiva, e nem necessariamente negativa: aproximando "loucura" e "sonho", o poeta pode estar sugerindo que a loucura é um estado fora do ordinário, do comum da vida, como é o estado do sonho. Sonhamos dormindo, ou mesmo acordados, quando imaginamos alguma coisa ou situação.
Considerando que estas análises apenas sugerem possibilidades entre tantas leituras que se façam deste primoroso poema, a questão da intertextualidade entre este e outros textos também pode ser amplamente explorada, e então se tem início ao fantástico e infindável horizonte que se abre no universo literário e que nos permite imaginar, por exemplo, a inadjetivável aproximação da grandiosidade da criação de Alphonsus de Guimaraens com a fascinante obra do genial Fernando Pessoa.
O mar, com que Guimaraens encerra cada estrofe de seu poema, pode ser comparado com o mar dos versos de “Mar Português, com que Fernando Pessoa engrandeceu os feitos dos navegadores portugueses no grande Poema épico “Mensagem” que narra toda a trajetória de Portugal, que antes só tinha acontecido nos textos camonianos.
É o mar, agente supremo de toda a essência portuguesa, que em Guimaraens representa o reflexo do céu e a dimensão de profundidade e distanciamento próprios daqueles cuja insanidade volteia, em Fernando Pessoa representa o medo e o desafio que os lusitanos precisaram superar para solidificar os alicerces da nação.
Uma leitura do texto pessoano sugere que o mar poderia ter sido doce e que ficou salgado com as lágrimas do povo português. Talvez fosse para imortalizar o lado doloroso e trágico dos heróis portugueses que o poeta escreveu “quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor”. Se com Guimaraens o mar alcança a sublimação da busca pela liberdade semelhante à ascensão aos céus, em Pessoa é a valorização dos sentimentos de um povo, é a cor, o sabor. Se com um representa o delírio que antecede a morte, com o outro é a imortalidade.
Análises: Prof. Juarez Firmino
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Erro tipográfico em Machado de Assis
Sei que é irritante quando pegam um erro de digitação para condenar um autor ou uma editora. Pois está para ser inventado avanço tecnológico e revisor vigilante que evite o erro involuntário e acidental. Mas até um erro tipográfico é constrangedor quando dificulta o entendimento.
Euclides da Cunha (1866-1909) virou noites em 1902 para reparar 80 vacilos de impressão e de revisão nos 2 mil exemplares de Os Sertões (no total, 160 mil correções a canivete e tinta nanquim). Nada se compara, no entanto, ao deslize da livraria Garnier naquele mesmo ano, com a 2a edição de Poesias Completas, de Machado de Assis (1839-1908).
As obras da editora eram impressas na França. Na página VI do prefácio, o tipógrafo teve a infelicidade cósmica de trocar a letra e por um a do verbo “cegar” do trecho “a tal extremo lhe cegara o juízo...” Assim, no mais-que-perfeito do indicativo, o resultado foi uma cegada. Com a inicial, é claro.
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