quinta-feira, 16 de abril de 2009
10 situações gramaticais que apresentam certo grau de dificuldade
1 - A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...
.2 - Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.
.3 - Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.
.4 - "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu séria punição ao réu.
.5 - A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).
.6 - Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).
.7 - O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.
.8 - Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.
.9 - "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as obras).
.10 - A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não "foram punidas").
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Negativismos nas cantigas infantis
Veja essas cantigas:
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"Boi, boi, boi, boi da cara preta,
Pega essa menina que tem medo de careta..."
"Nana neném
que a cuca vem pegar?..."
Atirei o pau no gato-to-to
Mas o gato-to-to não morreu-reu-reu
Dona Chica-Ca-Ca admirou-se-se
Do berrô, do berrô que o gato deu
Miaaau!
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré de si.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré de si.
Vem cá, Bitu! Vem cá, Bitu!
Vem cá, meu bem, vem cá!
Não vou lá! Não vou lá, Não vou lá!
Tenho medo de apanhar.
Marcha soldado,
cabeça de papel!
Quem não marchar direito,
Vai preso pro quartel.
A canoa virou,
Quem deixou ela virar,
Foi por causa do (fulano/a)
Que não soube remar.
Samba-lelê tá doente,
Tá com a cabeça quebrada.
Samba-lelê precisava
É de umas boas palmadas.
O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou.
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou...
O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar;
O cravo teve um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.
Passa, passa, passa três vezes...
O último que ficar
tem mulher e filhos
que não pode sustentar...
.
"Boi, boi, boi, boi da cara preta,
Pega essa menina que tem medo de careta..."
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Como explicar para uma criança inocente que a música é uma ameaça? Algo como "dorme logo, senão o boi vem te comer"! Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com uma música que incita um bovino a pegar uma menina inocente?
.Como explicar para uma criança inocente que a música é uma ameaça? Algo como "dorme logo, senão o boi vem te comer"! Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com uma música que incita um bovino a pegar uma menina inocente?
"Nana neném
que a cuca vem pegar?..."
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Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro (que fosse positiva), e de uma longa reflexão, descobri toda a origem dos problemas do Brasil. O problema do Brasil é que a sua população em geral tem uma auto-estima muito baixa. Isso faz com que os brasileiros se sintam sempre inferiores e ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de extorsão e exploração, seja interna ou externa.
Nós somos ameaçados e amedrontados desde o berço! Por isso sofremos tanto na vida e ficamos quietos. Exemplificarei minha tese:
.Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro (que fosse positiva), e de uma longa reflexão, descobri toda a origem dos problemas do Brasil. O problema do Brasil é que a sua população em geral tem uma auto-estima muito baixa. Isso faz com que os brasileiros se sintam sempre inferiores e ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de extorsão e exploração, seja interna ou externa.
Nós somos ameaçados e amedrontados desde o berço! Por isso sofremos tanto na vida e ficamos quietos. Exemplificarei minha tese:
Atirei o pau no gato-to-to
Mas o gato-to-to não morreu-reu-reu
Dona Chica-Ca-Ca admirou-se-se
Do berrô, do berrô que o gato deu
Miaaau!
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Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara de falta de respeito aos animais e crueldade. Por que atirar o pau no gato, uma criatura indefesa? E para acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob a alcunha de "Dona Chica". Uma vergonha!!!
.Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara de falta de respeito aos animais e crueldade. Por que atirar o pau no gato, uma criatura indefesa? E para acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob a alcunha de "Dona Chica". Uma vergonha!!!
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré, marré, marré.
Eu sou pobre, pobre, pobre,
De marré de si.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré, marré, marré.
Eu sou rica, rica, rica,
De marré de si.
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Colocar a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces! É impossível não lembrar do seu amiguinho rico da infância, com um carrinho fabuloso, de controle remoto, e você brincando com seu carrinho de plástico...
.Colocar a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces! É impossível não lembrar do seu amiguinho rico da infância, com um carrinho fabuloso, de controle remoto, e você brincando com seu carrinho de plástico...
Vem cá, Bitu! Vem cá, Bitu!
Vem cá, meu bem, vem cá!
Não vou lá! Não vou lá, Não vou lá!
Tenho medo de apanhar.
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Quem foi o sádico que criou essa rima? No mínimo ele espancava o pobre Bitú...
.Quem foi o sádico que criou essa rima? No mínimo ele espancava o pobre Bitú...
Marcha soldado,
cabeça de papel!
Quem não marchar direito,
Vai preso pro quartel.
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De novo, ameaça! Ou obedece ou você se estrepa! Não é à toa que o brasileiro admite tudo de cabeça baixa....
.De novo, ameaça! Ou obedece ou você se estrepa! Não é à toa que o brasileiro admite tudo de cabeça baixa....
A canoa virou,
Quem deixou ela virar,
Foi por causa do (fulano/a)
Que não soube remar.
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Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a dedurar e a condenar um semelhante!
.Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a dedurar e a condenar um semelhante!
Samba-lelê tá doente,
Tá com a cabeça quebrada.
Samba-lelê precisava
É de umas boas palmadas.
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A pessoa, conhecida como Samba-lelê, encontra-se com a saúde debilitada e necessita de cuidados médicos. Mas, ao invés de compaixão e apoio, a música diz que ela precisa de palmadas! Acho que o Samba-lelê deve ser irmão do Bitú... Talvez pela característica do nome Samba-lelê deve ser um trabalhador negro o que demonstra um racismo claro.
.A pessoa, conhecida como Samba-lelê, encontra-se com a saúde debilitada e necessita de cuidados médicos. Mas, ao invés de compaixão e apoio, a música diz que ela precisa de palmadas! Acho que o Samba-lelê deve ser irmão do Bitú... Talvez pela característica do nome Samba-lelê deve ser um trabalhador negro o que demonstra um racismo claro.
O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou.
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou...
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Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essa passagem anos a fio?
.Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essa passagem anos a fio?
O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada;
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada.
O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar;
O cravo teve um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.
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Esta ainda incita a violência conjugal (releia a primeira estrofe).
Ah!!! Não é possível esquecer-se desta:
.Esta ainda incita a violência conjugal (releia a primeira estrofe).
Ah!!! Não é possível esquecer-se desta:
Passa, passa, passa três vezes...
O último que ficar
tem mulher e filhos
que não pode sustentar...
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Ou seja: vá se acostumando ao desemprego e a miséria, resultado das nossas desigualdades sociais!!!
Ou seja: vá se acostumando ao desemprego e a miséria, resultado das nossas desigualdades sociais!!!
DEFEITOS E QUALIDADES
É bastante comum ouvirmos dizer “Fulano de Tal tem muitas qualidades” e também, “Beltrano tem um defeito...”. Mas será que as pessoas realmente têm os tais defeitos e/ou qualidades?
Certamente que não!
Defeitos e qualidades são denominações substantivas que se aplicam a mercadorias, sejam elas máquinas e equipamentos ou quaisquer outras classificações de produtos naturais ou industrializados.
Do ponto de vista semântico, ao substantivo pessoa é errônea a adição de tais expressões. A este, por estar situado num nível mais elevado de conceitualização, se diferencia dos demais substantivos aos quais cabe, sem a preocupação da diminuição pejorativa, mais apropriadamente os termos ‘defeito’ ou ‘qualidade’.
Enquanto condição em que se encontra, é o somatório das características físicas, psicológicas e intelectuais do indivíduo, pode-se dizer que este ou aquele possui ou reúne determinados dons, aptidões ou facilidades para executar esta ou aquela tarefa. Da mesma maneira, é aconselhável que se evite a utilização do termo ‘defeito’ para se referir a ‘pessoas’. No lugar deste, empregue: dificuldades, limitações etc.
Entretanto, vale acrescentar, a terminologia ‘qualificação’ ou ‘qualificado’, é uma exceção e continua sendo abundantemente empregada nos diversos meios ocupacionais para se referir àqueles candidatos habilitados para preencher determinados cargos ou funções profissionais.
Juarez Firmino
Certamente que não!
Defeitos e qualidades são denominações substantivas que se aplicam a mercadorias, sejam elas máquinas e equipamentos ou quaisquer outras classificações de produtos naturais ou industrializados.
Do ponto de vista semântico, ao substantivo pessoa é errônea a adição de tais expressões. A este, por estar situado num nível mais elevado de conceitualização, se diferencia dos demais substantivos aos quais cabe, sem a preocupação da diminuição pejorativa, mais apropriadamente os termos ‘defeito’ ou ‘qualidade’.
Enquanto condição em que se encontra, é o somatório das características físicas, psicológicas e intelectuais do indivíduo, pode-se dizer que este ou aquele possui ou reúne determinados dons, aptidões ou facilidades para executar esta ou aquela tarefa. Da mesma maneira, é aconselhável que se evite a utilização do termo ‘defeito’ para se referir a ‘pessoas’. No lugar deste, empregue: dificuldades, limitações etc.
Entretanto, vale acrescentar, a terminologia ‘qualificação’ ou ‘qualificado’, é uma exceção e continua sendo abundantemente empregada nos diversos meios ocupacionais para se referir àqueles candidatos habilitados para preencher determinados cargos ou funções profissionais.
Juarez Firmino
Titular Efetivo de Cargo de Professor de Língua Portuguesa na Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo
terça-feira, 14 de abril de 2009
O Anúncio
O dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:
― Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o senhor tão bem conhece. Poderá redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes na varanda”.
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
No que o homem responde:
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:
"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeirão. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes na varanda”.
Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.
No que o homem responde:
― Nem pensei mais nisso! Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha.
Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longeatrás da miragem de falsos tesouros.Valorize o que tens, especialmente aspessoas, os momentos, as lembranças...
Às vezes não descobrimos as coisas boas que temos conosco e vamos longeatrás da miragem de falsos tesouros.Valorize o que tens, especialmente aspessoas, os momentos, as lembranças...
segunda-feira, 13 de abril de 2009
O soldado e o poeta
Um olhar, um sorriso, uma promessa...
.
Tantas coisas lindas que o tempo apagou.
.
Muito se perde
mesmo sob um acompanhamento incessante,
como a dedicação de um soldado
que observa, que protege, que se entrega
se entrega incondicionalmente ao seu bem maior
o amor
e por ele luta e morre.
.
.
Não...
não quero ser apenas mais um soldado!
.
Quero ser um poeta!
Estes sim, estão rodeados pelas belezas das coisas.
Estes não se reportam às casernas,
são livres como pássaros ao vento.
.
.
Pobres soldados, que lutam e nem sempre
conquistam a felicidade.
.
Pobres poetas, que idealizam a felicidade
Para contraporem às lutas de seus corações.
.
.
Juarez Firmino
.
Tantas coisas lindas que o tempo apagou.
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Muito se perde
mesmo sob um acompanhamento incessante,
como a dedicação de um soldado
que observa, que protege, que se entrega
se entrega incondicionalmente ao seu bem maior
o amor
e por ele luta e morre.
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Não...
não quero ser apenas mais um soldado!
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Quero ser um poeta!
Estes sim, estão rodeados pelas belezas das coisas.
Estes não se reportam às casernas,
são livres como pássaros ao vento.
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Pobres soldados, que lutam e nem sempre
conquistam a felicidade.
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Pobres poetas, que idealizam a felicidade
Para contraporem às lutas de seus corações.
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Juarez Firmino
domingo, 12 de abril de 2009
Para quem gosta de ler
Os editores da Revista Super Interessante, em um gesto incomum, liberaram para leitura e consulta, todo o conteúdo das edições antigas da revista, no período de 1988 a 2007. Uma rica fonte de material de pesquisa para trabalhos escolares e conhecimentos gerais. É só clicar no ano, escolher a capa da revista, e acessar todo o seu conteúdo.
É isso mesmo, com o slogam 20 anos de Super, a revista Superinteressante oferece todo o seu acervo de textos gratuitamente! São mais de 12 mil páginas com as matérias de capa e algumas das seções que construíram a história da revista. Em breve, todos os especiais e o conteúdo integral das edições de 2008 também estarão disponíveis. Só mesmo uma revista tão Super poderia fazer isso!
http://super.abril.com.br/superarquivo/index_superarquivo.shtml
É isso mesmo, com o slogam 20 anos de Super, a revista Superinteressante oferece todo o seu acervo de textos gratuitamente! São mais de 12 mil páginas com as matérias de capa e algumas das seções que construíram a história da revista. Em breve, todos os especiais e o conteúdo integral das edições de 2008 também estarão disponíveis. Só mesmo uma revista tão Super poderia fazer isso!
http://super.abril.com.br/superarquivo/index_superarquivo.shtml
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A rosa de Hiroxima
Pensem nas crianças1
Mudas2 telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas3 inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas4
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas5
Mas oh não se esqueçam
Da rosa6 da rosa
Da rosa de Hiroxima7
A rosa hereditária8
A rosa radioativa
Estúpida e inválida9
A rosa com cirrose10
A anti-rosa11 atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
.
(Vinícius de Moraes)
.
Veja a análise da letra pelo Prof. Juarez Firmino
1. Gradação em “crianças/meninas/mulheres”.
2. Não conseguem se comunicarem, mesmo vivenciando a mesma realidade.
3. Os sofrimentos lhes subtraíram todas as perspectivas de futuro, crianças que não têm sonhos.
4. Mulheres que não têm filhos, tampouco lares. Desviaram-se da condição de mulheres.
5. “...feridas/rosas cálidas” [versos 7 e 8] – Os versos mostram-nos as feridas “internas”, sem cicatrizes aparentes, como rosas que perderam o vigor.
6. [Versos 10 e 11] – Repetição de significações para se referir à flor, que é a mulher, e também a cidade destruída.
7. Aqui o poeta grafa Hiroxima com a letra x ao invés de sh, que seria o apropriado. Mas como o artista é um ser livre para criar, toda criação é permitida.
8. O mal e o medo que se perpetuaram de geração em geração.
9. A radioatividade expressa toda a força do espetáculo macabro da destruição.
10. A “cirrose” indica nos mostra o próprio poeta se autodepreciando.
11. Expressão underground, a bomba (a explosão, as perdas, a indignação).
.
Ouça a música Rosa de Hiroshima (1973)
.
Assista ao vídeo http://br.youtube.com/watch?v=1qFIuLcIGs4&feature=related
.
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Ouça também outras preciosidades da Música Popular Brasileira:
Mudas2 telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas3 inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas4
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas5
Mas oh não se esqueçam
Da rosa6 da rosa
Da rosa de Hiroxima7
A rosa hereditária8
A rosa radioativa
Estúpida e inválida9
A rosa com cirrose10
A anti-rosa11 atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
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(Vinícius de Moraes)
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Veja a análise da letra pelo Prof. Juarez Firmino
1. Gradação em “crianças/meninas/mulheres”.
2. Não conseguem se comunicarem, mesmo vivenciando a mesma realidade.
3. Os sofrimentos lhes subtraíram todas as perspectivas de futuro, crianças que não têm sonhos.
4. Mulheres que não têm filhos, tampouco lares. Desviaram-se da condição de mulheres.
5. “...feridas/rosas cálidas” [versos 7 e 8] – Os versos mostram-nos as feridas “internas”, sem cicatrizes aparentes, como rosas que perderam o vigor.
6. [Versos 10 e 11] – Repetição de significações para se referir à flor, que é a mulher, e também a cidade destruída.
7. Aqui o poeta grafa Hiroxima com a letra x ao invés de sh, que seria o apropriado. Mas como o artista é um ser livre para criar, toda criação é permitida.
8. O mal e o medo que se perpetuaram de geração em geração.
9. A radioatividade expressa toda a força do espetáculo macabro da destruição.
10. A “cirrose” indica nos mostra o próprio poeta se autodepreciando.
11. Expressão underground, a bomba (a explosão, as perdas, a indignação).
.
Ouça a música Rosa de Hiroshima (1973)
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Assista ao vídeo http://br.youtube.com/watch?v=1qFIuLcIGs4&feature=related
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Ouça também outras preciosidades da Música Popular Brasileira:
A Banda (1965) A Deusa da Minha Rua (1940) A Flor e o Espinho (1964) A Praça (1967) Águas de Março (1972) Alma Gêmea (1995) Amélia (1941) Amor e Sexo (2003) Anos Dourados (1986) Ave Maria no Morro (1942) Balada do Louco (1982) Bandolins (1979) Beija eu (1991) Bem Querer (1998) Bilhete (1980) Brasil (1988) Brasileirinho (1949) Caça e Caçador (1997) Caçador de mim (1980) Café da Manhã (1978) Cama e Mesa (1984) Caminhando (1968) Caminhemos (1947) Canta Canta minha gente (1974) Cantiga por Luciana (1969) Canto das Três Raças (1974) Carolina (1967) Castigo (1958) Chama da Paixão (1994) Chega de Saudade (1958) Chuvas de Verão (1949) Cio da Terra (1976) Começar de Novo (1978) Começaria Tudo Outra Vez (1976) Como Uma Onda (1983) Coração de Estudante (1983) Dança da Solidão (1972) De volta pro meu aconchego (1985) Detalhes (1970) Devagar... Devagarinho (1995) Disparada (1965) Encontro das águas (1993) Encontros e Despedidas (1985) Epitáfio (2001) Espanhola (1999) Eu Sei (2004) Eu Sei Que Vou Te Amar (1958) Faz parte do meu show (1988) Festa de Arromba (1964) Foi um Rio que passou em minha vida (1970) Gabriela (1975) Garota de Ipanema (1962) Gente Humilde (1969) Gostava Tanto de Você (1973) Grito de Alerta (1979) Judia de Mim (1986) Juízo Final (1976) Lábios de Mel (1955) Lança Perfume (1980) Mal Acostumado (1998) Me dê Motivo (1983) Menino do Rio (1980) Mensagem (1946) Meu Bem Meu Mal (1981) Meu Bem Querer (1980) Naquela Mesa (1970) Negue (1960) Nos bailes da vida (1981) O Bêbado e a Equilibrista (1979) O Canto da Cidade (1992) O Mar Serenou (1975) O que é o que é (1982) O Surdo (1975) O Último romântico (1984) Oceano (1989) País Tropical (1969) Paixão (1981) Papel Machê (1984) Paratodos (1993) Pela Luz dos Olhos Teus (1977) Por mais que eu tente (2005) Quem é Você (1995) Recado (1990) Retalhos de cetim (1973) Roda Viva (1967) Ronda (1953) Samurai (1982) Saudosa Maloca (1955) SE (1992) Se eu quiser falar com DEUS (1980) Sem Fantasia (1967) Só Pra Contrariar (1986) Toada (1979) Travessia (1967) Trem das Onze (1965) Um Dia de Domingo (1985) Vê se me erra (1992) Verde (1985) Viagem (1973) Viajante (1989) Viola Enluarada (1967)
A pequena vendedora de fósforos
Fazia um frio terrível; caía a neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano. Em meio ao frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta, caminhava pelas ruas. Quando saiu de casa trazia chinelos; mas de nada adiantavam, eram chinelos tão grandes para seus pequenos pézinhos, eram os antigos chinelos de sua mãe. A menininha os perdera quando escorregara na estrada, onde duas carruagens passaram terrivelmente depressa, sacolejando. Um dos chinelos não mais foi encontrado, e um menino se apoderara do outro e fugira correndo. Depois disso a menininha caminhou de pés nus - já vermelhos e roxos de frio. Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão. Ninguém lhe comprara nenhum naquele dia, e ela não ganhara sequer um níquel. Tremendo de frio e fome, lá ia quase de rastos a pobre menina, verdadeira imagem da miséria! Os flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos, que lhe caíam sobre o pescoço em lindos cachos; mas agora ela não pensava nisso. Luzes brilhavam em todas as janelas, e enchia o ar um delicioso cheiro de ganso assado, pois era véspera de Ano-Novo. Sim: nisso ela pensava! Numa esquina formada por duas casas, uma das quais avançava mais que a outra, a menininha ficou sentada; levantara os pés, mas sentia um frio ainda maior. Não ousava voltar para casa sem vender sequer um fósforo e, portanto sem levar um único tostão. O pai naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas maiores, tapadas com palha e trapos.
Suas mãozinhas estavam duras de frio. Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz! Tirou um: trec! O fósforo lançou faíscas, acendeu-se. Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha... Que luz maravilhosa! Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa. Como o fogo ardia! Como era confortável! Mas a pequenina chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado. Riscou um segundo fósforo. Ele ardeu, e quando a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa se estendia uma toalha branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito! Então o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria. Acendeu outro fósforo, e se viu sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo rastilho de fogo. "Alguém está morrendo", pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para Deus. Ela riscou outro fósforo na parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
- Vovó! - exclamou a criança. Suas mãozinhas estavam duras de frio. Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz! Tirou um: trec! O fósforo lançou faíscas, acendeu-se. Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha... Que luz maravilhosa! Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa. Como o fogo ardia! Como era confortável! Mas a pequenina chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado. Riscou um segundo fósforo. Ele ardeu, e quando a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa se estendia uma toalha branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito! Então o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria. Acendeu outro fósforo, e se viu sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo rastilho de fogo. "Alguém está morrendo", pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para Deus. Ela riscou outro fósforo na parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
- Oh! leva-me contigo!
Sei que desaparecerás quando o fósforo se apagar! Dissipar-te-ás, como as cálidas chamas do fogo, a comida fumegante e a grande e maravilhosa árvore de Natal! E rapidamente acendeu todo o feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto para onde não havia frio nem fome nem preocupações - subindo para Deus. Mas na esquina das duas casas, encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente, que a morte enregelara na derradeira noite do ano velho. O sol do novo ano se levantou sobre um pequeno cadáver. A criança lá ficou, paralisada, um feixe inteiro de fósforos queimados.
- Queria aquecer-se - diziam os passantes. Porém, ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo, nem a glória para onde ela se fora com a avó e a felicidade que sentia no dia do Ano-Novo.
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Hans Christian Andersen
domingo, 5 de abril de 2009
A Língua Portuguesa no mundo (curiosidades)
@ A língua mais falada no mundo é o mandarim (China), seguido do indi (Índia), inglês, espanhol, árabe e português.
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@ Existem entre 190 e 220 milhões de falantes nos oito países de língua portuguesa.
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@ A disciplina de língua portuguesa nas escolas foi instituída a partir de 1757.
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@ Até 1911 não havia registro escrito sobre a ortografia.
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@ A disciplina de língua portuguesa nas escolas foi instituída a partir de 1757.
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@ Até 1911 não havia registro escrito sobre a ortografia.
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sábado, 4 de abril de 2009
MOTIVAÇÃO
Aprender é como comer! A criança escolhe algo. Se for gostoso, vai em frente. Se encontrar dificuldades, larga. É uma geração de muita iniciativa e pouca acabativa, que está indo para a escola sem grandes motivações de estudo e que dificilmente se adapta ao sistema pedagógico clássico.
Aprender é como comer!
Uma boa aula é como uma refeição, quanto mais atraentes estiverem os pratos que você, cozinheiro professor, dispuser sobre a mesa, mais os alunos desejarão saboreá-los.
Comer alimenta o corpo de energia, enquanto aprender alimenta a alma de saber.
Os melhores temperos de uma boa aula são: bom humor, movimento, bom conteúdo, de fácil digestão. As aulas estão sendo constantemente provadas pelos alunos.
Outra coisa é que nem todo prato serve para todos os alunos. O professor precisa levar em conta a fragilidade do estômago dos estudantes. O aluno não consegue aprender aquilo que não entende, assim como não consegue engolir pedaços maiores do que sua garganta permite passar.
O conhecimento recém-adquirido só se transforma em sabedoria quando é posto em prática. O verdadeiro saber é aquele que aparece automaticamente, no cotidiano, aumentando a eficiência e o prazer de viver!
Aprender é como comer!
Uma boa aula é como uma refeição, quanto mais atraentes estiverem os pratos que você, cozinheiro professor, dispuser sobre a mesa, mais os alunos desejarão saboreá-los.
Comer alimenta o corpo de energia, enquanto aprender alimenta a alma de saber.
Os melhores temperos de uma boa aula são: bom humor, movimento, bom conteúdo, de fácil digestão. As aulas estão sendo constantemente provadas pelos alunos.
Outra coisa é que nem todo prato serve para todos os alunos. O professor precisa levar em conta a fragilidade do estômago dos estudantes. O aluno não consegue aprender aquilo que não entende, assim como não consegue engolir pedaços maiores do que sua garganta permite passar.
O conhecimento recém-adquirido só se transforma em sabedoria quando é posto em prática. O verdadeiro saber é aquele que aparece automaticamente, no cotidiano, aumentando a eficiência e o prazer de viver!
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Içami Tiba
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Crime e Castigo
Uma novela policial que ultrapassa de longe a fronteira de seu gênero. Um estudante de direito sem dinheiro, inquilino de uma agiota, com uma irmã à beira de um casamento por interesse e uma mãe passando necessidades. O fermento para um possível crime está armado e é nesse drama que mergulha o personagem Rodion Raskolnikov. A cada capítulo, uma revelação e um mote para um dos debates mais antigos da humanidade: existe o direito de matar? Publicado em 1866, o livro "Crime e Castigo" foi sucesso imediato na Rússia e acabou alcançando rapidamente o status de um dos clássicos da literatura mundial.O romance "Crime e Castigo" pode ser usado em sala de aula para discutir os valores universais. É possível a redenção após um crime? O direito de matar das instituições, como o Estado, é transferível para o indivíduo? A desigualdade econômica legitima o uso da força para a busca da justiça social?
Fiódor Dostoiévski
No dia 11 de novembro de 1821, em Moscou, nasceu Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, um dos mais célebres escritores da humanidade e considerado um dos pais do existencialismo. Estudou em escola militar e tinha epilepsia, à semelhança do escritor brasileiro Machado de Assis.
Tradutor e desenhista, foi preso por agitação social em 1849 e condenado à morte. Já no patíbulo, prestes a ser enforcado, a sua pena foi comutada por quatro anos em um presídio na Sibéria.
Aclamado em vida pela crítica literária da época, Dostoiévski morreu no dia 9 de fevereiro de 1881 em São Petesburgo.
O que da vida não se descreve
Eu me recordo daquele dia. O professor de redação me desafiou a descrever o sabor da laranja. Era dia de prova e o desafio valeria como avaliação final. Eu fiquei paralisado por um bom tempo, sem que nada fosse registrado no papel. Tudo o que eu sabia sobre o gosto da laranja não podia ser traduzido para o universo das palavras. Era um sabor sem saber, como se o aprimorado do gosto não pertencesse ao tortuoso discurso da epistemologia e suas definições tão exatas. Diante da página em branco eu visitava minhas lembranças felizes, quando na mais tenra infância eu via meu pai chegar em sua bicicleta Monark, trazendo na garupa um imenso saco de laranjas.
A cena era tão concreta dentro de mim, que eu podia sentir a felicidade em seu odor cítrico e nuanças alaranjadas. A vida feliz, parte miúda de um tempo imenso; alegrias alojadas em gomos caudalosos, abraçados como se fossem grandes amigos, filhos gerados em movimento único de nascer. Tudo era meu; tudo já era sabido, porque já sentido. Mas como transpor esta distância entre o que sei, porque senti, para o que ainda não sei dizer do que já senti? Como falar do sabor da laranja, mas sem com ele ser injusto, tornando-o menor, esmagando-o, reduzindo-o ao bagaço de minha parca literatura?
Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase. "Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!"
Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase. "Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!"
Eu nunca mais pude esquecer aquele dia. A experiência foi reveladora. Eu gosto de laranja, mas até hoje ainda me sinto inapto para descrever o seu gosto. O que dele experimento pertence à ordem das coisas inatingíveis. Metafísica dos sabores? Pode ser...
O interessante é que a laranja se desdobra em inúmeras realidades. Vez em quando, eu me pego diante da vida sofrendo a mesma angústia daquele dia. O que posso falar sobre o que sinto? Qual é a palavra que pode alcançar, de maneira eficaz, a natureza metafísica dos meus afetos? O que posso responder ao terapeuta, no momento em que me pede para descrever o que estou sentindo? Há palavras que possam alcançar as raízes de nossas angústias?
Não sei. Prefiro permanecer no silêncio da contemplação. É sacral o que sinto, assim como também está revestido de sacralidade o sabor que experimento. Sabores e saberes são rimas preciosas, mas não são realidades que sobrevivem à superfície.
Querer a profundidade das coisas é um jeito sábio de resolver os conflitos. Muitos sofrimentos nascem e são alimentados a partir de perguntas idiotas.
Quero aprender a perguntar menos. Eu espero ansioso por este dia. Quero descobrir a graça de sorrir diante de tudo o que ainda não sei. Quero que a matriz de minhas alegrias seja o que da vida não se descreve...
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