"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A discussão inteligente sobre a rotina do professor

A Fundação Victor Civita (FVC) ampliou sua parceria com a TV Cultura e, neste ano, produzirá em conjunto com a emissora paulista uma nova série Profissão Professor. Serão 13 episódios, com estréia prevista para o dia 27 de setembro. Os programas misturam ficção com experiências reais. Atrizes representam três professoras e uma coordenadora pedagógica, que comentam trabalhos de verdade feitos por vencedores do Prêmio Victor Civita de 2007. O cenário representa a sala dos professores de uma escola.
A idéia é retratar os diálogos e angústias vividos nos chamados horários extra-classe, momentos previstos em lei quando docentes e coordenadores debatem e avaliam estratégias de ensino, discutem as dificuldades da turma e repensam o planejamento das aulas. “Queremos usar a teledramaturgia para mostrar o cotidiano escolar, as trocas que acontecem na sala dos professores, com as dúvidas freqüentes e soluções apontadas por uma coordenadora experiente e parceira”, explica Regina Scarpa, consultora pedagógica da FVC.
Dois programas focarão especificamente a questão da violência doméstica, com análises sobre como o professor deve se comportar quando desconfia de algum problema com seus alunos. Os 11 demais abordarão os temas tratados nos trabalhos dos Educadores Nota 10 e da Escola do Ano. A proposta é, diante dos questionamentos trazidos pelas professoras, mostrar atividades bem sucedidas montadas pelo país.

A transmissão será semanal, aos sábados pela manhã, das 11h às 11h15, na TV Cultura e nas seguintes afiliadas:

Rede Minas, Belo Horizonte (MG)TVE RS, Porto Alegre (RS)TV ITARARÉ, Campina Grande (PB)TV O POVO, Fortaleza (CE)

domingo, 7 de dezembro de 2008

10 erros observados com maior freqüência

Confira alguns do 10 erros observados com maior freqüência
Erros gramaticais e ortográficos devem, por princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com maior freqüência, merecem atenção redobrada. Veja esta lista com dez dos erros mais comuns do idioma e use esta relação como um roteiro para fugir deles.

1 - "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal [com a letra ele] é antônimo de bem, e mau [com a letra u], de bom.
Ex.: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.
Se o Lobo-mau não fosse malvado, seria um lobo bom.
Se ela está sentindo dores indesejáveis pelo corpo, é porque não está bem, está passando mal.


2 - Vai assistir o jogo hoje. Assistir, quando se refere ao verbo “presenciar” exige a preposição a. Neste caso, observa-se a junção da preposição mais artigo, e se o artigo for feminino, tem-se o acento indicador de crase.
Ex.: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão.
Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes
.

3 - Atraso implicará em punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor.
Ex.: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

4 - O peixe tem muito "espinho". Os peixes, por terem a ossatura das vértebras muito diminutas e pontiagudas, costumam-se dizer que têm espinhas, e não espinhos conforme insistem alguns.
Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).

5 - Ele foi um dos que "chegou" antes. A expressão "Um dos que" faz a concordância com o verbo no plural.
Ex.: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

6 - Chegou a duas horas e partirá daqui cinco minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz).
Ex.: Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

7 - A moça estava ali muito tempo. O verbo "haver" concorda com o verbo "estava".
Ex.: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

8 - A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre.
Ex.: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

9 - A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar.
Ex.: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...

10 - O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

Oficina de teatro (texto)

NO BOTEQUIM
Freguês — Garçom, por favor. Eu queria um café com leite e uma rosquinha.
Garçom — O senhor vai me desculpar, mas não tem mais rosquinha.
Freguês — Ah? Não tem mais rosquinha?
Garçom — Não senhor.
Freguês — Não faz mal. Então me dá só um cafezinho simples. Isso. Só um cafezinho. (pausa) Com uma rosquinha.
Garçom — Eu acho que eu não me expliquei direito. Eu falei pro senhor que não tem mais rosquinha. Acabou toda a rosquinha.
Freguês — Ah bom. Se é assim, muda tudo. Acabou a rosquinha?
Garçom — Acabou, sim senhor.
Freguês — Então me traz um copinho de leite. Leite tem?
Garçom — Tem, sim senhor.
Freguês — Beleza. Me traz um copo de leite. Com uma rosquinha.
Garçom — Eu disse que não tem mais rosquinha! Torrada tem, rosquinha não tem! Há três anos que não tem mais rosquinha!
Freguês — Calma, o senhor também não precisa ficar nervoso. Não tem, não tem. Eu peço outra coisa. Qualquer coisa. Eu não sou difícil pra comer. Eu tomo o que o senhor quiser. Chocolate, chá, sei lá. Chá o senhor tem?
Garçom — Tenho, sim senhor.
Freguês — Então taí. Traz um chazinho. (pausa) Com uma rosquinha.
Garçom — Eu disse que eu não tenho rosquinha. Faz o seguinte. Vai em outro boteco. Não me enlouquece. Vai em outro boteco!
Freguês — Não, pode deixar. Vamos mudar tudo. O que eu não quero é que o senhor se aborreça. Em vez disso me dá uma coisa que alimente mais. Totalmente diferente. Uma coalhada. Taí. Uma coalhada. Coalhada tem?
Garçom — Tem.
Freguês — Tem mesmo?
Garçom — Tem.
Freguês — Vê lá, hein? Não me vai fazer mudar o pedido de novo à toa.
Garçom — Eu já disse que tem! O senhor vai querer ou não?!
Freguês — Vou querer ou não, o quê?
Garçom — A coalhada!
Freguês — Claro que sim. Acho ótimo. Uma coalhada. (pausa) Mas não se esqueça da rosquinha.
Garçom — O senhor é maluco, é? Não tem rosquinha! Não tem rosquinha!!!
Freguês — Tá bom, tá bom. Não precisa gritar. Traz só a rosquinha, pronto.
Freguês 2 (que está na mesa ao lado) — Escuta aqui. O senhor quer enlouquecer o garçom, é? Há dez minutos que eu estou ouvindo essa sua conversa doida e eu juro que não sei como ele está agüentando!
Freguês 2 (para o garçom) — Olha, não liga pra esse maluco não. Traz logo essa porcaria dessa rosquinha e manda ele embora.
.
.
.
Revista Veja - Edição 1229 - 8, Abril, 1992
Coluna: Jô Soares

https://plus.google.com/101556390830374857348/posts/FMApTQaLe7k

.
.
.
. 

Eu amo você, Língua Portuguesa

Às vezes sinto-me feliz e expresso minha felicidade ao seu lado, companheira amiga, mistério que estou sempre descobrindo. A felicidade tem corpo e cor e pulsa no meu coração e corre a se encontrar com você, então a felicidade vira palavra e eu sofro um pouco porque não sei qual a melhor palavra para expressar o que sinto... Alegria? Con­tentamento? Entusiasmo?
Certos momentos, você sabe, inunda-me uma tristeza sem fim. Mar cheio de ondas, covas profundas de dor e melancolia, então eu olho ao redor e vejo-me tão só, tão só que nem palavras tenho. Mas até nessa angústia completa sinto a necessidade de que você esteja por perto. É a primeira coisa que procuro: nomear a minha dor.
Em outro momento estou inventivo e encontro mil planos para melhorar o mundo, para fazer a vida dos outros mais feliz, para resolver todos os problemas, para que todos se sintam mais completos e verdadeiros. Nessas horas, também você está em mim e eu mergulho nas suas entranhas e tento levar você, a sua riqueza, até o outro que me escuta. Às vezes é tão difícil!
Faltam exércitos de grandes pensadores, como existem na língua inglesa ou france­sa. Faltam muitos poetas, filósofos, sábios, cientistas pensando em português. Expressar raciocínios mais elaborados em português é um verdadeiro desafio. É preciso ter paciên­cia... Você é um diamante, que vai ganhando brilho na lapidação de sua história. História de amor, que você faz com os que aprenderam a amar o seu idioma nas dificuldades de quem você é e de quem nós somos.
Assim eu amo e amar é dizer que se ama e eu amo em português. Não consigo me imaginar dizendo “I love you” para o ser amado e isso ter o mesmo gosto, a mesma sen­sação boa de amor que é dizer, mesmo com erro gramatical: “Eu te amo, você é o meu amor!” E é isso que digo agora, minha língua mãe, em que aprendi a ser quem sou: Eu te amo, você é o meu amor.

LANDEIRA, José Luís e MATEOS, João Henrique

CONTO DE VERÃO Nº 2: BANDEIRA BRANCA

Luís Fernando Veríssimo


Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.
Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas. Só no terceiro Carnaval se falaram.
– Como é teu nome?
– Janice. E o teu?
– Píndaro.
– O quê?!
– Píndaro.
– Que nome!
Ele de legionário romano, ela de índia americana. Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.
– Ah.
Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados.
E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse – Até o Carnaval que vem – e saiu correndo.
No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:
– Me dá alguma coisa.
– O quê?
– Qualquer coisa.
– O leque.
O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.
***
No ano seguinte, ela não apareceu no baile.
Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná.
Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?
– Você vomitou a alma – disse a mãe.
Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca.
Nem o leque tinha mais o cheiro dela.
Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube – e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.
– Sei lá. Bávara tropical – disse ela, rindo.
Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.
– E aquela bailarina espanhola?
– Nem me fala. E o toureiro?
– Aposentado.
A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse – Píndaro?! – e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro.
Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi – pelo menos o meu tirolês era autêntico – e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo – não vale, você cresceu mais do que eu – e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.
***
Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse – quase não reconheci você sem fantasias. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora – preciso te dizer uma coisa –, e ela dissera – no Carnaval que vem, no Carnaval que vem – e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara.
– O que você ia me dizer, no outro Carnaval? – perguntou ela.
– Esqueci – mentiu ele.
Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil. – E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu.


MORICONI, Ítalo. Os cem melhores contos brasileiros do século.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 582-5.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

As reformas educacionais na época de Pombal

Com o primeiro-ministro português, o Marquês de Pombal, iniciou-se uma fase de reformas educacionais. Os jesuítas foram expulsos em 1759. Seus colégios foram fechados e os seminários que se encontravam sob sua influência entraram em crise. Com as reformas, o Estado assumiu diretamente a responsabilidade sobre a instrução escolar, cobrando um imposto, o “subsídio literário”, e introduzindo as aulas régias.
O governo, além disso, movido por uma visão pragmática do conhecimento cientifico, tomou uma série de medidas culturais e educacionais a fim de dinamizar a produção de matérias-primas na colônia em beneficio da metrópole, entre as quais o apoio à constituição de academias cientificas e literárias, e a criação de instituições educacionais e aulas voltadas para estudos práticos e científicos.
Com o intuito de reforçar os elos entre a colônia e a metrópole, a Coroa incentivou a ida de brasileiros para estudar na universidade de Coimbra. (...) Tais iniciativas educacionais e cientificas, no entanto, foram marcadas por seu caráter pragmático e circunstancial. Dessa forma, não levaram a um progresso cientifico expressivo e não alteraram, na prática, nem a tendência de desprestigiar a educação escolar, nem a dependência, em termos de ensino superior, em relação à universidade de Coimbra.
Além disso, as reformas enfrentaram problemas, estabelecendo-se uma grande distância entre as intenções legais e a realidade. O ensino, do nível das primeiras letras ao secundário, passou a ser ministrado sob a forma de aulas avulsas, fragmentando o processo pedagógico. Faltavam professores, manuais e livros sugeridos pelos novos métodos. Os recursos orçamentários foram insuficientes para custear a educação pública, havendo atrasos nos salários dos mestres. A Coroa, em determinadas ocasiões, chegou mesmo a delegar aos pais a responsabilidade pelo pagamento dos mestres. Isso mostra com a educação, tornada pública pela lei, esteve em grande parte privatizada.
.
.

Luiz Carlos Vivalta
O que se fala e o que se lê: língua, instrução e leitura.

História da Literatura

Alguns leitores até se espantam ao constatarem que o estudo da literatura se aproxima e se assemelha aos estudos de história. Pois é, tem tudo a ver, pois na verdade é isso mesmo que estudamos, "história da literatura". Somente dizer que se estuda literatura, é uma verdade questionável, visto que literatura é uma arte e como arte não tem como ser ensinada. A literatura, assim como as demais artes (pintura, escultura, dança, música, arquitetura) é algo particular de cada artista, uma expressão de liberdade... O artista é um ser livre, faz o que quer e como quer. Não existe manual algum que dite as normas a um pintor, por exemplo, sobre como proceder para pintar um quadro. Também para o artista das letras, não existe nada que determine ou estipule parâmetros para execução da arte literária. Portanto, quando se diz "estudo da literatura", na verdade, o que se quer se dizer é "estudo da história da literatura", isto é, o estudo das condicionantes que propiciaram ao artista a elaboração de determinada obra... Desta forma, pode-se dizer que a história da literatura contempla os estudos relativos ao contexto do tempo e do espaço em que tal obra foi criada, ou seja, quem é o artista?, onde vive?, quais os acontecimentos importantes da época? qual as semelhanças e desassemelhanças observadas entre a obra de diferentes artistas? etc. A História da Literatura diante da a obra literária, atribuindo-lhe classificação quanto ao gênero, característica, período histórico, nacionalidade, vida e obra do autor, entre outras especificidades.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

LADAINHA DO CERVEJEIRO

Sexta-feira, final de tarde: chegai-vos a nós
Boteco do Bate-Forte: abra as portas pra nós
Seo Bate-Forte: recebei a nós
Copo americano: lavai-o pra nós
Mesa e cadeira: limpai-as pra nós
Freezer horizontal: gelai por nós
Garrafa da loirinha: abri pra nós
Colarinho de espuma: fazei-o por nós
Um gole da branquinha: ofertai-o a nós
Costela gordurosa: assai-a pra nós
Salaminho e calabresa: fatiai-os pra nós
Boa cara e gentileza: demonstrai-as a nós
Faca Amolada e Caneta Louca: livrai-os de nós
Mulher e futebol: noticiai-os a nós
Mocinha bonitinha: passai-vos por nós
Violão em seresta: dedilhai-o pra nós
Truco e sinuquinha: apartai-vos de nós
Uma dúzia às dez da noite: cobrai-a de nós
Isso tudo? Tem certeza? Pendurai pra nós
No caminho lá de casa: auxiliai a nós
Na rampa ou na escada: amparai a nós
A chave no buraco: colocai-a por nós
O caminho do banheiro: indicai-o a nós
Urinada fora do vaso: enxaguai-o por nós
Balançada no danado: sacrificai-vos por nós
Na cama bem quentinha: deitai a nós
A cara feia da patroa: desculpai-a, oh! Vós
Se chamar de “homi” à-toa: justificai-nos por nós
Querida, queridona: perdoai a nós
Escaldado de galinha: preparai-o pra nós
Um suco bem gelado: antecipai-o pra nós
Regurgitada na cama: limpai-a por nós
A feijoada de amanhã: cancelai-a por nós
Amigos e parentes: comunicai-os por nós
Se o estado for ardente: satisfazei-vos a sós
Seis da tarde, com pijama: prometemos a vós
Alcoólicos Anônimos: incentivai a nós
.
.
Adaptada do livro Cerveja e uma porção de bobagens: crônicas do boteco Bate Forte. Hélio Consolaro. Academia Araçatubense de Letras, 2004.

www.aal.folhadaregiao.com.br

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

1º de Dezembro – Dia Internacional de Luta contra a Aids

O que é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids?
Transformar o 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi uma decisão da Assembléia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas – ONU. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids. A escolha dessa data seguiu critérios próprios das Nações Unidas. No Brasil, a data passou a ser adotada, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.
Por que o laço vermelho como símbolo?
O laço vermelho é visto como símbolo de solidariedade e de comprometimento na luta contra a aids. O projeto do laço foi criado, em 1991, pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de New York, que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo de aids.
O que é HIV e aids?
A aids é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, mais conhecido como HIV. Esta sigla é proveniente do inglês - Human Immunodeficiency Virus. Também do inglês deriva a sigla AIDS, Acquired Immune Deficiency Syndrome, que em português quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Síndrome Grupo de sinais e sintomas que, uma vez considerados em conjunto, caracterizam uma doença. Imunodeficiência Inabilidade do sistema de defesa do organismo humano para se proteger contra microorganismos invasores, tais como: vírus, bactérias, protozoários, etc. Adquirida Não é congênita como no caso de outras imunodeficiências. A aids não é causada espontaneamente, mas por um fator externo (a infecção pelo HIV). O HIV destrói os linfócitos - células responsáveis pela defesa do nosso organismo -, tornando a pessoa vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas, chamadas assim por surgirem nos momentos em que o sistema imunológico do indivíduo está enfraquecido. Há alguns anos, receber o diagnóstico de aids era quase uma sentença de morte. Atualmente, porém, a aids já pode ser considerada uma doença crônica. Isto significa que uma pessoa infectada pelo HIV pode viver com o vírus, por um longo período, sem apresentar nenhum sintoma ou sinal. Isso tem sido possível graças aos avanços tecnológicos e às pesquisas, que propiciam o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais eficazes. Deve-se, também, à experiência obtida ao longo dos anos por profissionais de saúde. Todos estes fatores possibilitam aos portadores do vírus ter uma sobrevida cada vez maior e de melhor qualidade.
.
Dúvidas Freqüentes

Atualmente, ainda há a distinção entre grupo de risco e grupo de não risco?
Essa distinção não existe mais. No começo da epidemia, pelo fato da aids atingir, principalmente, os homens homossexuais, os usuários de drogas injetáveis e os hemofílicos, eles eram, à época, considerados grupos de risco. Atualmente, fala-se em comportamento de risco e não mais em grupo de risco, pois o vírus passou a se espalhar de forma geral, não mais se concentrando apenas nesses grupos específicos. Por exemplo, o número de heterossexuais infectados por HIV tem aumentado proporcionalmente com a epidemia nos últimos anos, principalmente entre mulheres.
O que se considera um comportamento de risco, que possa vir a ocasionar uma infecção pelo vírus da aids (HIV)?
Relação sexual (homo ou heterossexual) com pessoa infectada, sem o uso de preservativos; compartilhamento de seringas e agulhas, principalmente, no uso de drogas injetáveis; transfusão de sangue contaminado pelo HIV; reutilização de objetos perfuro-cortantes com presença de sangue ou fluidos contaminados pelo HIV.
Qual o tempo de sobrevida de um indivíduo portador do HIV?
Até o começo da década de 90, a aids era considerada uma doença que levava à morte em um prazo relativamente curto. Porém, com o surgimento do coquetel (combinação de medicamentos responsáveis pelo atual tratamento de pacientes HIV positivo) as pessoas infectadas passaram a viver mais. Esse coquetel é capaz de manter a carga viral do sangue baixa, o que diminui os danos causados pelo HIV no organismo e aumenta o tempo de vida da pessoa infectada.O tempo de sobrevida (ou seja, os anos de vida pós-infecção) é indefinido e varia de indivíduo para indivíduo. Por exemplo, algumas pessoas começaram a usar o coquetel em meados dos anos noventa e ainda hoje gozam de boa saúde. Outras apresentam complicações mais cedo e têm reações adversas aos medicamentos. Há, ainda, casos de pessoas que, mesmo com os remédios, têm infecções oportunistas (infecções que se instalam, aproveitando-se de um momento de fragilidade do sistema de defesa do corpo, o sistema imunológico).
Quanto tempo o HIV sobrevive em ambiente externo?
O vírus da aids é bastante sensível ao meio externo. Estima-se que ele possa viver em torno de uma hora fora do organismo humano. Graças a uma variedade de agentes físicos (calor, por exemplo) e químicos (água sanitária, glutaraldeído, álcool, água oxigenada) pode tornar-se inativo rapidamente.

Para quem curte vídeos na internet

www.dailymotion.com

www.blip.tv

www.maniatv.com

crackle.com

www.jumpcut.com

eyespot.com

www.motionbox.com

www.eyejot.com

videomessages.live.com

www.kyte.com

12seconds.tv

www.sonicswap.com

tv.blinkx.com