"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

domingo, 22 de março de 2009

Desiderata

Do latim desideratum; aquilo que se deseja, aspiração
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Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas. Fale a sua verdade calma e claramente; e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; também eles têm a sua história. Evite as pessoas barulhentas e agressivas. Elas são o tormento para o espírito. Se você se comparar a outros, poderá se tornar vaidoso e amargo; porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Desfrute suas conquistas assim como seus planos. Mantenha-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde; é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos. Exercite a cautela nos negócios; porque o mundo é cheio de artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe; muitas pessoas lutam por altos ideais; e por toda parte a vida é cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Principalmente não finja afeição, nem seja cínico sobre o amor; porque em face de toda aridez e desencantamento, ele é perene como a grama. Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência as coisas da juventude. Cultive a força do espírito para proteger-se num infortúnio inesperado. Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão. Acima de uma benéfica disciplina, seja bondoso consigo mesmo. Você é filho do Universo, não menos que as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui. E, quer seja claro ou não para você, sem dúvida o Universo se desenrola como deveria. Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja a sua forma de concebê-lo, e, seja qual for a sua lida e suas aspirações, na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma. Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este ainda é um mundo maravilhoso. Esteja atento.
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Texto de autoria desconhecida, encontrado no século XVII nas ruínas de um templo religioso, em Baltimore, USA.

sábado, 21 de março de 2009

Circunda-te de rosas

Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.

Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.

Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.

As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse você deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o!

Quem você ama? Guarde dentro de um porta-jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, pois não se chega a parte alguma sem ela.

Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não o deixe viver sozinho.
Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for.

Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso.
Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de você.
Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca.
Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudade, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!

"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".
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Fernando Pessoa

Música Popular Brasileira

Clique no nome da música e aguarde por uns instantes enquanto o disco é posto para tocar. Você ouve a música, vê a letra e toda a historia da música, compositor e interprete.
Realmente é pra se guardar... Músicas brasileiras de todos os tempos e pra todos os gostos...


1800 Colinas (1974) .....A Banda (1965) .....A canção tocou na hora errada (1999) .....A Deusa da Minha Rua (1940) .....A Deusa dos Orixás (1975) .....A Flor e o Espinho (1964) .....A Loba (2001) .....A Miragem (2001) .....A Noite Do Meu Bem (1959) .....A paz do meu amor (1974) .....A Praça (1967) .....Adeus Cinco Letras que choram (1947) .....Agonia (1980) .....Águas de Março (1972) .....Ainda lembro (1994) .....Alegria Alegria (1967) .....Alguém como tu (1952) .....Alma (1982) .....Alma Gêmea (1995) .....Alvorada no Morro (1973) .....Amélia (1941) .....Amor e Sexo (2003) .....Andança (1968) .....Anos Dourados (1986) .....Ao que vai chegar (1984) .....Apelo (1967) .....Apesar de Você? (1972) .....Argumento (1975) .....Arrastão (1965) .....As Loucuras de uma Paixão (1997) .....Atire a Primeira Pedra (1944) .....Atrás da Porta (1972) .....Ave Maria no Morro (1942) .....Baila Comigo (1980) .....Balada do Louco (1982) .....Bandolins (1979) .....Beija eu (1991) .....Bem Querer (1998) .....Bilhete (1980) .....Brasil 1988) .....Brasileirinho (1949) .....Brigas (1966) .....Caça e Caçador (1997) .....Caçador de mim (1980) .....Café da Manhã (1978) .....Cama e Mesa (1984) .....Caminhando (1968) .....Caminhemos (1947) .....Canta Canta minha Gente (1974) .....Cantiga por Luciana (1969) .....Canto das Três Raças (1974) ....Carolina (1967) .....Castigo (1958) .....Chama da Paixão (1994).....Chega de Saudade (1958) ....Chove Chuva(1963) .....Chuvas de Verão (1949) .....Cio da Terra (1976) .....Codinome Beija Flor (1985) .....Coisinha do Pai (1979) ....Começar de Novo (1978) ....Começaria Tudo Outra Vez (1976) ....Como Uma Onda (1983) ....Conceição (1956) ....Conselho (1986) ....Conto de Areia (1974) ....Copacabana (1947) .....Coração de Estudante (1983) ....Dança da Solidão (1972) .....Dandara (2005) .....De volta pro meu aconchego (1985) .....Desabafo (1979) .....Desafinado (1958) .....Desenho de Deus (2006) .....Deslizes (1989) .....Detalhes (1970) .....Devagar... Devagarinho (1995) .....Dez a Um (1997) ..Dindi (1959) ....Disparada (1965) ....Dois (1997)....E daí (1959) ....Encontro das águas (1993) ...Encontros e Despedidas (1985) ....Epitáfio (2001) ...Espanhola (1999) ...Esse seu olhar (1959) .....Estão voltando as flores (1961) .....Estranha Loucura (1987) .....Estrela do Mar (1952) .....Eu não existo sem você (1958) .....Eu Sei (2004) .....Eu Sei Que Vou Te Amar (1958) .....Eu sonhei que tu estavas tão linda (1942) .....Evocação nº 2 (1958) .....Evocação nº 1 (1957) .....Faz parte do meu show (1988) .....Festa de Arromba (1964) ....Foi Assim (1977) .....Foi um Rio que passou em minha vida (1970) ....Folhas Secas (1973) ....Fonte da Saudade (1980) ....Fotografia (1967) ....Gabriela (1975).....Garota de Ipanema (1962) ....Gente Humilde(1969) .....Gostava Tanto de Você (1973) .....Gota D'Água (1976).....Grito de Alerta (1979) .....Hoje (1966) .....Iracema (1956) ....Judia de Mim (1986) ....Juí­zo Final (1976) ....Lábios de Mel (1955) ..Lança Perfume (1980) .....Laranja Madura (1966) .....Lenha (1999) .....Loucura (1979) .....Madalena (1970) .....Mal Acostumado (1998) .....Marina (1947) .....Mas que nada (1963) .....Matriz ou Filial (1964) .....Me dê Motivo (1983) .....Mel na Boca (1985) .....Menino do Rio (1980) .....Mensagem (1946) .....Meu Bem Meu Mal (1981) .....Meu Bem Querer (1980) .....Meu ébano (2005) .....Meu mundo e nada mais (1976) .....Minha Namorada (1962) .....Modinha (1968) .....Molambo (1953) .....Momentos (1983) .....Mulher de Trinta (1960) .....Mulher Ideal (2002) .....Mulheres (1998) .....Namoradinha de um amigo meu (1965) ...Não deixe o samba morrer (1975) ...Naquela Mesa (1970) ...Negue (1960) ..Ninguém Me Ama (1952) ...Nobre Vagabundo (1996) ...Noite dos Mascarados (1967) ....Nos bailes da vida (1981) .....Nuvens (1995) .....O Barquinho (1961) .....O Bêbado e a Equilibrista (1979) ...O Caderno (1983)....O Canto da Cidade (1992) ...O Mar Serenou (1975).....O que é o que é (1982).....O Surdo(1975) .....O Último romântico (1984) .....Oceano (1989) .....Olho por Olho (1977) ...Ontem (1988) ....Os Amantes (1977) ....Ouça (1957) ....Outra Vez (1977) ....País Tropical (1969) ....Paixão (1981) ....Papel Machê (1984) .....Paratodos (1993) ...Partituras (1995) ...Passarela no ar (2006) ...Pedacinhos (1983) ...Pedaço de Mim (1979) ...Pela Luz dos Olhos Teus (1977) ...Poema do Adeus (1961) ...Por mais que eu tente (2005) ....Pra Você (1972) .....Preciso aprender a ser só (1965) .....Prova de Fogo (1967) .....Purpurina (1982) .....Quando eu me chamar Saudade (1974) .....Quarto de Hotel (1980) .....Quem é Você (1995) .....Recado (1990) .....Regra Três (1973) .....Resposta ao Tempo (1998) .....Retalhos de cetim (1973) ...Roda Viva (1967) ..Ronda (1953) ...Rosa de Hiroshima (1973) ...Saigon (1989) ...Samba de Orly (1971) ...Samba de uma Nota Só (1960) ....Samba do Avião (1967) .....Samba do crioulo doido (1968) .....Samba em prelúdio (1962) .....Samba pra Vinicius (1980) .....Samurai (1982) .....Saudosa Maloca (1955) ....SE (1992) ....Se eu quiser falar com DEUS (1980) ....Se não é amor (2005) ....Se quer saber (2002) ....Se queres saber (1977) .....Se Todos Fossem Iguais a Você (1957) ....Sem Fantasia (1967) ....Seu Corpo (1975) ....Só Louco (1976) ....Só Pra Contrariar (1986) ....Sol de Primavera (1994) ....Sonhos (1994) ....Sozinho (1999) ....Sufoco (1978) .....Ta na Cara (1998).....Tem coisas que a gente não tira do coração (1996) ....Tereza da praia (1954) .....Tigresa (1977) .....Tiro ao Álvaro (1980) .....To Voltando (1979) .....Toada (1979) ....Todo o Sentimento (1987) ....Travessia (1967) ...Trem das Onze (1965) ...Tristeza pé no chão (1972) ....Tudo com você (1983) ....Última Inspiração (1940) ....Um certo alguém (1983) ....Um Dia de Domingo (1985) ....Um Homem também chora (1983)...Upa Neguinho (1967) ...Vai Passar (1984) ....Valsinha (1971) ....Vê se me erra (1992) ....Velho Realejo (1940) ...Verde (1985) ...Viagem (1973) ...Viajante (1989) ...Viola Enluarada (1967) ...Você (1974) ...Você abusou (1971) ...Você é Linda(1983) ....Você passa eu acho graça (1968) .....Volta por cima (1962) .....Wave (1977)

sexta-feira, 20 de março de 2009

POESIA E POEMA

"A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de mudar o mundo, a atividade poética é revolucionaria por natureza; exercício espiritual, método de liberação interior. A poesia revela este mundo, creia outro. Pão dos escolhidos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; retorno à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega à história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar numa forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. Imitação dos antigos, cópia do real, cópia de uma cópia da Idéia. Loucura, êxtase, logos. Regresso à infância, coito, nostalgia do paraíso, do inferno, do limbo. Jogo, trabalho, atividade ascética. Confissão. Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a musica do mundo e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo. Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. Pura e impura, sagrada e maldita, popular e minoritária, coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita, ostenta todas as faces, embora exista quem afirma que não tem nenhuma: o poema é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!


PAZ, Octávio. O arco e a lira. (Trad. de Olga Savary).
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. p. 15-18.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Coesão referencial

Certa vez eu jogava uma partida de Sinuca e só havia a bola sete na mesa. De modo que mastiguei-a lentamente saboreando-lhe os bocados com prazer. Refiro-me à refeição que havia pedido ao garçon. Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me referindo à bola. Em seguida saí montado nela e a égua, de que estou falando agora, chegou calmamente à fazenda de minha mãe. Fui encontrá-la morta na mesa, meu irmão comia-lhe uma perna com prazer e ofereceu-me um pedaço: "Obrigado", disse eu "já comi galinha no almoço".
Logo em seguida chegou minha mulher e deu-me na cara. Um beijo, digo. Dei-lhe um abraço. Fazia calor. Daí a pouco minha camisa estava inteiramente molhada. Refiro-me à que estava na corda secando, quando começou a chover. Minha sogra apareceu para apanhar a camisa. Não tive remédio senão esmagá-la com o pé. Estou falando da barata que ia trepando na cadeira.
Malaquias, meu primo, vivia com uma velha de oitenta anos. A velha era sua avó, esclareço. Malaquias tinha dezoito filhos, mas nunca se casou. Isto é, nunca se casou com uma mulher que durasse mais de um ano. Agora, sentado a sua frente, Malaquias fura o coração com uma faca. Depois corta as Pernas e o sangue vermelho do porco enche a bacia.
Nos bons tempos passeávamos juntos. Eu tinha um carro. Malaquias tinha uma namorada. Um dia rolou a ribanceira. Me refiro a Malaquias. Entrou pela pretoria adentro arrebentando a porta e parou resfolegante junto do juiz pálido de susto. Me refiro ao carro. E a Malaquias.

(In Millor Fernandes, Trinta
anos de mim mesmo. São Paulo, Abril
Cultural, 1973.)

VARIEDADES LINGUISTÍCAS

A lição de casa
Tendo sido solicitado uma atividade sobre as diversidades na língua portuguesa no Brasil, um dos alunos me apresentou o texto a seguir. Um texto bastante original, criativo e com certa pitada de humor... Somente a temática mereceu a atenção de minhas críticas, pois a referência ao assalto não é adequada para o propósito e tampouco se encaixa na ambientalização escolar, melhor seria se, ao invés do assaltante, a personagem em questão fosse um camelô ou um malandro, por exemplo.
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Assaltante Cearense:
Ei, bixim... Isso é um assalto...
Arriba os braço e num se bula nem faça munganga...
Passa vexado o dinheiro senão eu planto a peixeira no teu bucho e boto teu fato pra fora... Perdão meu Padim Ciço, mas é que eu tô com uma fome da moléstia...
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Assaltante Mineiro:
Ô sô, prest'enção... Isso é um assartim, uai...
Levant'os braço e fica quetim quesse trem na minha mão tá chei di bala...
Mió passá logo us trocado queu num tô bão hoje...
Vai andando, uai, tá esperano o que, uai.
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Assaltante Gaúcho:
O guri, fica atento... Bah, isso é um assalto...
Levanta os braços e te aquieta, tchê!
Não tentes nada e toma cuidado que esse facão corta que é uma barbaridade... tchê!
Passa os pilas prá cá! E te manda a la cria, senão o quarenta e quatro fala!
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Assaltante Carioca:
Seguiiiinnte, bicho... Tu ta lascado, isso é um assalto...
Passa a grana e levanta os braços rapa... Não fica de bobeira que eu atiro bem pra cacete...
Vai andando e se olhar pra trás vira presunto...
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Assaltante Baiano:
Ô meu rei...(longa pausa)... isso é um assalto...
Levanta os braços, mas não se avexe não... Se num quiser nem precisa levantar, pra num ficar cansado... Vai passando a grana, bem devagarinho...
Num repara se o berro está sem bala, mas é pra não ficar muito pesado...
Não esquenta, meu irmãozinho, vou deixar teus documentos na próxima encruzilhada...
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Assaltante Paulista:
Ôrra, meu... Isso é um assalto, cara... Alevanta os braços, meu...
Passa a grana logo, ô meu... Mais rápido, ô meu, que eu ainda preciso pegar a bilheteria aberta pa comprar o ingresso do jogo do Curintia, meu...
Pô, se manda, meu...
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Assaltante de Brasília:
Caro povo brasileiro, no final do mês, aumentaremos as seguintes tarifas energia, água, esgoto, gás, passagem de ônibus, iptu, ipva, lincenciamento de veículos, seguro obrigatório, gasolina, álcool, imposto de renda, IPI, ICMS,PIS, COFINS...

quarta-feira, 18 de março de 2009

O BULLYING EM NOSSA ESCOLA

Apesar de não se ter encontrado em nossa língua palavra alguma que seja capaz de dizer o que “bullying” significa, sabemos que “bully” traduzido para o português significa “o valentão”. Transpondo este termo para o âmbito escolar, podemos concluir que se refere àquele(a) menino(a) que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem o prazer em bater nos colegas mais fracos e intimidá-los.
De posse dessas informações, passamos a observar que o bullying, de fato, também está presente em nossas salas de aula. Só a denominação o difere de nossos adolescentes “encrenqueiros”. Vale ressalvar, podemos até mesmo estabelecer uma correlação entre o termo bully e o verbete “bulidor”, do verbo “bulir”, devidamente registrado no dicionário Houaiss, forma verbal muito empregada na região Nordeste, para se referir ao ato de mexer em algo ou incomodar, desrespeitosamente, alguma pessoa.
Em nossa escola, o bullying, que, bem poderia ser por nós denominado “bulinismo”, tem sido encarado como uma carência que pode ser compreendido pelas “limitações” a que muitos de nossos alunos se encontram. Falta de locais adequados para o lazer, para a prática de esportes saudáveis, falta de opções culturais, etc., necessidades que podem contribuir negativamente na formação e no comportamento dos adolescentes.
A todos nós, cabe um papel extremamente importante no combate ao bullying, seja no ambiente escolar como educadores ou simplesmente como formadores de opinião. É preciso que derrubemos as “muralhas” que impedem nossas crianças de conhecer novos horizontes, novas culturas e costumes. É preciso que elas conheçam e, sobretudo, aprendam a conviver com as diferenças. Afinal, o respeito ao próximo é um dos alicerces de qualquer sociedade justa e igualitária.
Estejamos atentos!


Juarez Firmino
Formado em letras e pedagogia, é mestre em letras pela UFMS e titular efetivo de cargo da rede oficial de ensino do Estado de São Paulo.

"Obrigado" ou "agradecido"

Certo dia destes, no momento em que eu estava saindo da estação do metrô, e uma moça se atrapalhou com o carrinho do bebê... Como é do meu costume, corri de encontro para ajudar. Depois de sanado o problema, a jovem me agradeceu com um “obrigado”... Um tímido e confuso “obrigado”, seguido de um “obrigada” um pouco mais confiante.
Mas afinal, a forma correta de se expressar ao demonstrar gratidão é, no caso do falante do sexo feminino, dizendo “obrigado” ou “obrigada”?
Evidentemente, se for do sexo feminino, deve-se agradecer com um “obrigada”. Entretanto, essa não é a forma ideal para o agradecimento. Assim como, “obrigado” para os homens também não seja o correto.
O vocábulo “obrigado”, implica em “estar sendo obrigado a proceder de determinada maneira”, do verbo “obrigar”... Eu obrigo, tu obrigas, ele obriga, (...). Confuso, não é?
Calma, eu explico. A forma de se agradecer com “obrigado” é uma prática errônea que, por convenção acabou se tornando um reducionismo, um vício pernicioso para os padrões da norma culta da Língua Portuguesa falada e escrita no Brasil.
Acontece que, lá pelas tantas, costumava-se agradecer dizendo: “Estou contente por você ter feito isso para mim, mesmo sem ter sido obrigado”. Ou ainda “Eu me vejo obrigado a retribuir o favor que você me fez”. E como o pessoal tem o péssimo costume de ir reduzindo as expressões ao máximo, acabou ficando somente o “obrigado”.
É obrigado pra cá... Obrigado pra lá, não é? Obrigado!!! Obrigado, obrigado, obrigado!!! E se nós respondêssemos com um “agradecido”, “muito agradecido”, ou ainda, um “estou muito agradecido”. Ficaria muito melhor, não é mesmo?
Pois é, em vez de “ser obrigado”, é melhor “estar agradecido”, não é? Porque nós somos seres livres e não somos obrigados a nada, não é?
Que tal conferirmos o comentário, analisando como se agradece em outros idiomas? Como fica a tradução da expressão “estou agradecido” no inglês e no espanhol, por exemplo?
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Juarez Firmino
Graduado em Letras e em Pedagogia, com Mestrado em Estudos Literários pela UFMS, é professor efetivo da Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo

Fatecs abrem inscrição para isenção no vestibular

Os candidatos podem pleitear os dois benefícios, desde que atendam aos requisitos determinados para esta finalidade. Começam no dia 24 as inscrições para isenção e para redução de 50% na taxa de inscrição para o Vestibular das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) para o 2º semestre de 2009. Serão oferecidas seis mil isenções.
Os candidatos podem pleitear os dois benefícios, desde que atendam aos requisitos determinados para esta finalidade. Neste caso, devem efetuar duas inscrições.
O período de inscrição para isenção e redução da taxa vai de 24 de março a 7 de abril. No último dia, o prazo termina às 15 horas. Os interessados deverão preencher o formulário específico que estará no site http://www.vestibularfatec.com.br/. Após o preenchimento deste formulário, é preciso guardar o número do protocolo.
De 1º a 7 de abril, das 13 às 19 horas (somente nos dias úteis), o candidato deverá entregar os documentos comprobatórios, relacionados abaixo, em um envelope lacrado, na secretaria da Fatec em que se inscreveu para concorrer ao benefício.
No momento da entrega do envelope, o candidato precisa preencher, assinar e entregar o requerimento de solicitação de isenção/redução da taxa, que será fornecido pela secretaria da Fatec e também estará no site. A resposta à solicitação será divulgada no dia 30 de abril, somente pela internet.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Alguns erros gramaticais... Como evitá-los.

1 - O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).
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2 - Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
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3 - "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.
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4 - O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.
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5 - Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.
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6 - "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.
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7 - A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.
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8 - A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.
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9 - Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.
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10 - Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

domingo, 15 de março de 2009

Mar Portuguez

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
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Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
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Mar Portuguez, do poeta português Fernando Pessoa. Um poema de inestimável beleza que nos remete para os acontecimentos históricos pelos quais passou a nação lusitana, assemelhando-se aos escritos de Camões em Os Lusíadas, este vai além e descreve um Portugal bem mais contemporâneo, descrevendo inclusive alguns fatos ocorridos no início do século passado. Canta com nobreza os feitos do povo português e exalta a grandeza da alma dos navegadores que cruzavam os mares em busca de glórias e riquesas. Claro que o vocábulo português não é escrito com guez. Já foi. Mas deixou de ser, mudou numa das tantas mudanças ortográficas da língua. Os versos acima fazem parte do poema Mensagem, que canta a "possessio maris". Todas as reedições das obras de Fernando Pessoa mantêm determinadas expressões de Mensagem à antiga, como esta, o Mar Portuguez, assim mesmo, de antigamente, Occidente e Oriente. Aproveite e (re)leia Mensagem, na íntegra. Leia também o magnífico ensaio da Nelly Novaes Coelho.
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PESSOA, Fernando. Obra Completa. Rio de Janeiro, Aguilar, 1985

A televisão me deixou burro demais

Qual a importância da televisão em sua vida pessoal? Quais são seus programas preferidos? Você acha que está se enriquecendo intelectualmente com a programação que predomina na programação da TV aberta brasileira?
A programação televisiva que invade os lares da imensa maioria de brasileiros seria uma encomenda daquilo que o povão quer assistir ou o povão é um reflexo daquilo que a TV exibe? Será mesmo que a televisão emburrece?
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Enquanto refletimos sobre estas indagações, que tal assistirmos ao vídeo com a música dos Titãs? Clique no link do YouTube, que aparece após a letra da música.

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A televisão me deixou burro demais
Titãs
Composição: Marcelo Fromes / Tony Belotto / Arnaldo Antunes
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A Televisão me deixou burro, muito burro demais
Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais
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O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
E agora toda noite quando deito é boa noite, querida....
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Oh! Cride, fala prá mãe
Que eu nunca li num livro que o espirro fosse um vírus sem cura
Vê se me entende pelo menas uma vez criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!...
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A mãe diz prá eu fazer alguma coisa, mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda, então deixo a cortina fechada
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É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais...
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Oh! Cride, fala prá mãe
Que tudo que a antena captar meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!...
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A mãe diz prá eu fazer alguma coisa, mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda, então deixo a cortina fechada
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É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais...
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E eu digo:
Oh! Cride, fala prá mãe
Que tudo que a antena captar meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe...
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Fonte: http://letras.terra.com.br/
Clique aqui para assistir ao vídeo http://www.youtube.com/watch?v=RY15c-QeYOg