terça-feira, 11 de novembro de 2008
PROBLEMA DE PONTUAÇÃO
O ricaço, nas últimas, escreve o testamento às pressas, esquecendo a pontuação: “Deixo meus bens à minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada dou aos pobres”.
O sobrinho pontuou: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres”.
A irmã pontuou: “Deixo meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres”.
O alfaiate: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres”.
Chega um descamisado: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate? Nada. Dou aos pobres”.
O sobrinho pontuou: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres”.
A irmã pontuou: “Deixo meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres”.
O alfaiate: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate. Nada dou aos pobres”.
Chega um descamisado: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho? Jamais. Será paga a conta do alfaiate? Nada. Dou aos pobres”.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
QUANDO O NADA É TUDO
Inútil, nada, coisa, bichos. Essas são algumas das palavras-chave de uma obra que tenta reconstruir o mundo. Alguns poetas passam, em suas obras, uma determinada visão de mundo; outros não se contentam com isso e vão além: tentam reconstruir o mundo. Manoel de Barros é um deles. Por isso mesmo, como afirma o editor Ênio Silveira, "guiados por ele, vamos abrindo horizontes de uma insuspeitada nova ordem natural, onde as verdades essenciais, escondidas sob a ostensiva banalidade do óbvio e do cotidiano", vão se revelando em imagens surrealistas descritas com absoluta concisão. No texto que abre o Livro sobre nada, o poeta afirma que "o nada de meu livro é nada mesmo. É coisa nenhuma por escrito: um alarme para o silêncio, um abridor de amenhecer, pessoa apropriada para pedras, o parafuso de veludo, etc. etc. O que eu queria era fazer brinquedo com as palavras. Fazer coisas desúteis. O nada mesmo. Tudo que use abandono por dentro e por fora".sábado, 8 de novembro de 2008
O guardador de rebanhos- poema X
"Olá guardador de rebanhos.
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?"
"Que é vento e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?"
"Muita coisa mais do que isso,
Fala-me de muitas outras coisas.
De memórias e de saudades
E de coisas que nunca foram."
"Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti."
***
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?"
"Que é vento e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?"
"Muita coisa mais do que isso,
Fala-me de muitas outras coisas.
De memórias e de saudades
E de coisas que nunca foram."
"Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti."
***
Neste texto, Alberto Caeiro, que era o mestre dos heterônimos e tinha a Natureza como sua mestra, nos mostra a valorização da ordem natural, dos sentidos e sua relação direta com as coisas ("O que nós vemos das cousas são as cousas. Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?", nos ensina o poeta).
Palavras
Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não se esquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que em nenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça.
Publicado em:
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
AMOR
Mesmo que finjas não ouvir-me.
Eu te amo.
Mesmo que venhas a evitar-me.
Eu continuarei te amando.
Mesmo que zombes de mim.
Juntarei forças para amar-te ainda mais.
Mesmo que venhas a odiar-me.
Meu sentimento por ti será um imenso amor.
Mesmo que venhas a exterminar minha vida.
Continuarei te amando de uma outra dimensão.
Tu não me vencerás jamais!
Pois sou imbatível.
O que sinto é indestrutível.
É algo de outro mundo.
Não tem começo nem fim.
Tampouco cor ou formas.
Simplesmente te amo
E te amarei infinitamente.
E se mesmo com todo esse amor
Tu persistires em odiar-me.
Retornarei da dimensão em que estou
E nascerei novamente neste mundo.
Só que, desta vez, nascerei do teu ventre.
E assim me amarás.
Me alimentarás
Me farás carinhos.
Cantarás para mim canções de ninar
E me chamarás de: “Meu filhinho”!!!
Sim, sou teu filho.
Sou teu pai
Teu amante
Teu esposo a quem tanto rejeitas...
Em palavras simples e objetivas:
SOU DEUS.
(Juarez Firmino)
Eu te amo.
Mesmo que venhas a evitar-me.
Eu continuarei te amando.
Mesmo que zombes de mim.
Juntarei forças para amar-te ainda mais.
Mesmo que venhas a odiar-me.
Meu sentimento por ti será um imenso amor.
Mesmo que venhas a exterminar minha vida.
Continuarei te amando de uma outra dimensão.
Tu não me vencerás jamais!
Pois sou imbatível.
O que sinto é indestrutível.
É algo de outro mundo.
Não tem começo nem fim.
Tampouco cor ou formas.
Simplesmente te amo
E te amarei infinitamente.
E se mesmo com todo esse amor
Tu persistires em odiar-me.
Retornarei da dimensão em que estou
E nascerei novamente neste mundo.
Só que, desta vez, nascerei do teu ventre.
E assim me amarás.
Me alimentarás
Me farás carinhos.
Cantarás para mim canções de ninar
E me chamarás de: “Meu filhinho”!!!
Sim, sou teu filho.
Sou teu pai
Teu amante
Teu esposo a quem tanto rejeitas...
Em palavras simples e objetivas:
SOU DEUS.
(Juarez Firmino)
Se você conseguir ler...
Se você conseguir ler as primeiras palavras o cérebro decifrará automaticamente as outras...
3M D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4. 4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0.
0 R3570 3 F3170 D3 4R314
3M D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4. 4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0.
0 R3570 3 F3170 D3 4R314
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Literatura infantil
O gênero “literatura infantil” tem, a meu ver, existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de constituir alimento para o espírito da criança ou do jovem e se dirige para o adulto? Qual o bom livro para crianças, que não seja lido com interesse pelo homem feito? Qual o livro de viagens ou aventuras, destinado a adultos, que não possa ser dado á criança, desde que vazado em linguagem simples e isento de matéria de escândalo? Observados alguns cuidados de linguagem e decência, a distinção preconceituosa se desfaz. Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, e reclamando uma literatura também à parte? Ou será a literatura infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado —, porque coisa primária, fabricada no pressuposto de que a imitação da infância é a própria infância? Vêm-me à lembrança as miniaturas de arvores, com que se diverte o sadismo botânico dos japoneses; não são organismos naturais e plenos; são anões vegetais. A redução do homem, que a literatura infantil implica, dá produtos semelhantes. Há uma tristeza cômica no espetáculo desses cavalheiros amáveis e dessas senhoras não menos gentis, que, em visita a amigos, se detêm a conversar com as crianças de colo, estas inocentes e sérias, dizendo-lhes toda sorte de frases em linguagem infantil, que vem ser a mesma linguagem de gente grande, apenas deformada no final das palavras e edulcorada na pronúncia... Essas pessoas fazem oralmente, e sem o saber, literatura infantil.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
Da Utilidade dos Animais
Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca...
Todos ajudam.
- Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
- Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem perucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa.
- Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
- Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
- Ele faz pincel, professora?
- Quem, o texugo? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru:
- Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando na carne. Canguru é utilíssimo.
- Vivo, fessora? - A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz... produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
- Depois a gente come a vicunha, né, fessora?
- Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer...
- E a gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.
- Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
- A carne também é listrada? - pergunta que desencadeia riso geral.
- Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento - não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito com a gordura do pingüim...
- A senhora disse que a gente deve respeitar. - Claro. Mas o óleo é bom.
- Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
- Pois lucra. O pêlo dá escovas de ótima qualidade.
- E o castor? - Pois quando voltar a moda do chapéu para homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta,com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom exemplo.
- Eu, hem?
- Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pêlos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.
- Engraçado, como? - Apanha peixe pra gente.
- Apanha e entrega, professora?
- Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
- Bobo que ele é.
- Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?
- Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos.
Carlos Drummond de Andrade
Livro: De Notícias & Não-notícias Faz-se a Crônica.
Todos ajudam.
- Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
- Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem perucas bacaninhas. E a carne, dizem que é gostosa.
- Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
- Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
- Ele faz pincel, professora?
- Quem, o texugo? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer. Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru:
- Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando na carne. Canguru é utilíssimo.
- Vivo, fessora? - A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz... produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
- Depois a gente come a vicunha, né, fessora?
- Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer...
- E a gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.
- Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
- A carne também é listrada? - pergunta que desencadeia riso geral.
- Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento - não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito com a gordura do pingüim...
- A senhora disse que a gente deve respeitar. - Claro. Mas o óleo é bom.
- Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
- Pois lucra. O pêlo dá escovas de ótima qualidade.
- E o castor? - Pois quando voltar a moda do chapéu para homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta,com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar um bom exemplo.
- Eu, hem?
- Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living de sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pêlos da cauda para Teresa fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.
- Engraçado, como? - Apanha peixe pra gente.
- Apanha e entrega, professora?
- Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
- Bobo que ele é.
- Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?
- Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos.
Carlos Drummond de Andrade
Livro: De Notícias & Não-notícias Faz-se a Crônica.
domingo, 2 de novembro de 2008
CLÁSSICO DA LITERATURA NORTE-AMERICANA
A LESTE DO ÉDEN (Vidas amargas) foi adaptado para o cinema por Elia Kazan e estrelado por James Dean numa atuação célebre que o projetou internacionalmente. Depois do seu desastroso depoimento para a Comissão sobre assuntos antiamericanos, presidida pelo senador Joseph McCarthy, Kazan recorreu à parábola bíblica para refletir sobre a sua própria condição na sociedade americana. Publicado originalmente em 1952, A LESTE DO ÉDEN foi o projeto mais ambicioso de John Steinbeck, que passou 11 anos se preparando para a empreitada. Na prática, o livro consumiu um ano de trabalho ininterrupto, 25 dúzias de lápis, cerca de três dúzias de resmas de papel almaço e 350 mil palavras (antes dos cortes). No final desse esforço hercúleo, o autor tinha um calo no dedo médio da mão direita e o seu melhor livro.O romance, além de reconstruir o confronto bíblico entre Caim e Abel - colocando de um lado do ringue um invejoso e cruel Caim e, do outro, o magnânimo e bondoso Abel -, cobre a história dos Estados Unidos desde a Guerra Civil até a Primeira Guerra Mundial. John Steinbeck entrelaça com maestria a história de sua família, a do seu país e da própria condição humana, condenada a viver num mundo trágico do qual Deus partira. Steinbeck escreveu o romance para seus filhos, a fim de que entendessem as origens de sua família. Migrantes europeus que atravessaram mares em busca do jardim do Éden e que, no paraíso californiano, foram picados pela mesma serpente, que por um lado incita os filhos de Deus ao pecado e por outro lhes dá o inalienável direito humano da escolha. Trata-se de um hino ao individualismo emersoniano, tão americano quanto a prosaica torta de maçã.sábado, 1 de novembro de 2008
Se divertindo com o dicionário de inglês
· A hot day - arrote
· All face - alface
· All me roon - almerão
· Are you sick - Você tem C.I.C.?
· As pas goes - aspargos
· Beer in gel - beringela
· Better hab - beterraba
· Big Ben - Benzão
· Born to loose - Nascido em Toulose
· Car need the boy(mail kilo) - carne de boi (meio kilo)
· Corn Flakes - Cornos frescos
· Cow view floor - couve flor
· Feel Good - Bom frio
· Fourteen - Pessoa baixa e forte
· Free Shop - Chope de graça
· Go Home - Vai a Roma
· Halloween - Quando a ligação não está boa
· Happy New Year - Feliz Ouvido Novo
· I go tomorrow - O gato morreu
· I´m alone - Estou na lona
· I´m Hungry - Sou húngaro
· I´m sad - estou com sede
· It´s Ten O´Clock - Tu tens relógio
· It´s too late - É muito leite
· Key jow (parm zoon) - queijo parmesão
· Know How - Saber latir
· Layout - Fora da lei
· Lee moon - limão
· Mac car on - macarrão
· May go - pessoa dócil, afável.
· Merry Christmas - Maria Cristina
· My one easy - maionese
· One Ice-cream - Um crime cometido com frieza
· Paul me to - palmito
· Pay she - peixe
· Pier men tom - pimentão
· Puts grill low! Is key see, too much.- puts grilo esqueci os tomates.
· She must to go - Ela mastigou
· She´s cute - ela escuta
· She´s wonderful - Queijo maravilhoso
· So Free - Sofri, padeci
· Spa get - spaguete
· Stock car - estocar
· Telling The Truth - talão da T.R.U.
· The boy is behind the door - O boi está berrando de dor
· Three go - trigo
· To be champion - Ser bi-campeão
· To sir with love - Tossir com amor
· Welcome - Bom apetite
· With noise - conosco
· All face - alface
· All me roon - almerão
· Are you sick - Você tem C.I.C.?
· As pas goes - aspargos
· Beer in gel - beringela
· Better hab - beterraba
· Big Ben - Benzão
· Born to loose - Nascido em Toulose
· Car need the boy(mail kilo) - carne de boi (meio kilo)
· Corn Flakes - Cornos frescos
· Cow view floor - couve flor
· Feel Good - Bom frio
· Fourteen - Pessoa baixa e forte
· Free Shop - Chope de graça
· Go Home - Vai a Roma
· Halloween - Quando a ligação não está boa
· Happy New Year - Feliz Ouvido Novo
· I go tomorrow - O gato morreu
· I´m alone - Estou na lona
· I´m Hungry - Sou húngaro
· I´m sad - estou com sede
· It´s Ten O´Clock - Tu tens relógio
· It´s too late - É muito leite
· Key jow (parm zoon) - queijo parmesão
· Know How - Saber latir
· Layout - Fora da lei
· Lee moon - limão
· Mac car on - macarrão
· May go - pessoa dócil, afável.
· Merry Christmas - Maria Cristina
· My one easy - maionese
· One Ice-cream - Um crime cometido com frieza
· Paul me to - palmito
· Pay she - peixe
· Pier men tom - pimentão
· Puts grill low! Is key see, too much.- puts grilo esqueci os tomates.
· She must to go - Ela mastigou
· She´s cute - ela escuta
· She´s wonderful - Queijo maravilhoso
· So Free - Sofri, padeci
· Spa get - spaguete
· Stock car - estocar
· Telling The Truth - talão da T.R.U.
· The boy is behind the door - O boi está berrando de dor
· Three go - trigo
· To be champion - Ser bi-campeão
· To sir with love - Tossir com amor
· Welcome - Bom apetite
· With noise - conosco
Halloween
No finalzinho de outubro é celebrado as festividades do halloween, o dia das bruxas, parte importante da cultura e mitologia celta. Nas escolas, nos shopping centers, e em todo lugar que seja ponto de encontro de crianças e adolescentes, a mania é curtir um som alucinado do Evanescence, do Roxette, do Michael Jackson, do NightWish, do Iron Maiden... com decoração nas cores preto e abóbora, muito adereços de morcegos e outros monstrengos, Jack-O-Lantern, bruxinhas com sua vassouras voadoras, teias de aranha, etc.
Na mitologia celta, época anterior ao cristianismo, os antigos povos pagãos acreditavam que as pessoas, quando morriam, se fossem bondosas, iriam para o paraíso, mas se tivessem praticado maldades em vida, teriam negadas a sua ascenção ao plano superior e ficariam vagando entre o imanente e o transcendente, como almas penadas, até que conseguissem arranjar uma forma de reparar os males que cometeram e tentar obter perdão dos deuses.
No final do mês de outubro e início de novembro era uma época muito propícia para que as almas dos mortos pecadores tentassem algo, pois por aquelas dias se aproximava da data em que costumavam comemorar o Thanksgiving Day [dia de ação de graças, que depois de uma certa época passou a ser comemorado na última quinta-feira do mês de novembro]. A maior parte da população era formada por camponeses, e estes festejavam para agradecer à fartura das colheitas, ficavam com o coração aberto, felizes, só pensavam em coisas benéficas. Acreditavam que os próprios deuses (Samhain, uma festa em homenagem aos mortos, o “deus dos mortos” [representado pela cor preta] e Pomona, a “deusa das plantações e dos pomares” [representada pela cor abóbora]) estariam mais propícios para o perdão por estes dias, e por isso era a época que os mortos-vivos tentavam se regenerar para conseguir entrar no reino dos céus.
Infelizmente para alguns, por tanta maldade que cometeram em vida, nem durante as celebrações do Thanksgiving conseguiam obter o perdão e adentrar no paraíso. Para estes, uma das opções seria roubar a alma de alguém que estivesse participando das festividades e que fosse bondoso, e desta forma tentar ludibriar os guardiões das entradas do paraíso, mostrando uma postura que escondesse, de suas vidas passadas, a discórdia, a rebeldia, a improdutividade e tantas outras maldades.
A partir de certa época, os festeiros do Thanksgiving descobriram que estavam sendo vítimas dos espíritos do mal, e para não terem suas almas subtraídas enquanto estivessem entretidos com as comidas e bebidas das festas (comemorava-se em todos os lugares, pois era uma época de fartura devido às colheitas, tinha muitas iguarias... bolos, doces, bebidas etc., isso explica também a brincadeira do Trick-or-Treat [gostosura ou travessura]), resolveram enganar àqueles que pudessem tentar roubar-lhes a alma, e para isso se fantasiam de fantasmas, bruxos e monstros antes de sairem de suas casas para as festanças. Com isso, evitariam de ser surpreendidos pelos mortos-vivos e poderiam se divertir sem preocupações.
Assim deu-se a origem à Festa do Halloween, que numa tradução literal significa "Noite de todos os santos", por anteceder ao "Dia de todos os Santos" e, em seguida, ao "Dia de Finados".
Prof. JUAREZ FIRMINO
FAMÍLIA É RESPONSÁVEL POR 70% DO DESEMPENHO ESCOLAR
O contexto familiar é responsável por 70% do desempenho escolar de um estudante, restando à escola e suas condições interferir, positiva ou negativamente, nos 30% restantes. A conclusão surgiu de uma revisão da literatura sobre desempenho escolar existente no Brasil realizada pela Fundação Itaú Social. O objetivo do trabalho foi orientar gestores a definir políticas públicas na área, tendo como base as evidências que aparecem nas pesquisas acadêmicas, esclarecendo resultados que, isolados, são muitas vezes conflitantes.
Todas as pesquisas analisadas, nacionais e internacionais, mostram que a maior parte do desempenho escolar é explicada pelas características familiares do aluno. A educação é realmente um bem transmitido de geração para geração, tanto a boa quanto a má educação, explica Fabiana de Felício, responsável pelo estudo no Itaú Social e consultora do Ministério da Educação (MEC). São fatores principais o nível de escolaridade do pai e da mãe, a renda familiar, o tipo de moradia e o acesso a bens culturais. Todo o resto acaba sendo derivado disso.
Segundo a pesquisadora, os levantamentos - feitos tendo como parâmetro os resultados em avaliações nacionais do MEC e os índices de aprovação e evasão - mostram que o aluno já chega à escola com diferenças que fazem com que ele tenha resultados maiores ou menores. Ou seja, sua condição e estrutura familiar já o colocam em vantagem ou desvantagem desde o início do ensino fundamental.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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