"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

DITADOS POPULARES

As coisas boas da vida, ou são pecado, ou engordam
Cavalo dado não se olha os dentes
De tostão em tostão vai-se ao milhão
De poeta, medico e louco, cada um tem um pouco
Deus dá a farinha e o diabo fura o saco
Em rio que tem piranha, jacaré nada de costas
Em tempo de guerra, urubu é frango
Existem pessoas que nascem sorrindo, vivem fingindo e morrem mentindo
Goiabada na beira de estrada, ou é verde ou esta bichada
Laranja na beira de estrada ou é azeda ou tem marimbondo no pé.
Macaco velho não põe a mão em cumbuca.
Mulher e cachaça em toda parte se acha.
Melhor perder um minuto da vida que a vida em um minuto.
Não se deve dar pérolas aos porcos
Não há mal que perdure, não há dor que não se cure
Os maiores venenos estão nos menores frascos
O homem é fogo, a mulher estopa, o diabo assopra
O olho do dono é que engorda o cavalo
O tempo cicatriza as feridas do corpo e da alma
O sábio não diz o que sabe, o tolo não sabe o que diz
Os melhores perfumes estão nos menores frascos
Passarinho que anda com morcego acaba dormindo de ponta cabeça
Papagaio come milho, periquito leva a fama
Quem tem telhado de vidro não joga pedras no vizinho
Quanto maior é o coqueiro maior o tombo do coco
Quem nasceu pra dez réis não chega a vintém
Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é tolo ou não tem arte
Quem diz o que quer ouve o que não quer
Quando a razão fala presta atenção no que diz
Quem vive na ignorância, aporta na escuridão
Quem conta um conto aumenta um ponto
Quando a cabeça não pensa o corpo padece
Rapadura é doce, mas não é mole não
Se conselho fosse bom mesmo, ninguém dava de graça
Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé
Se os "ses" fossem feijões ninguém morreria de fome
Sempre existe um chinelo velho para um pé torto
Trigo e gratidão só crescem em boa terra e em boa alma
Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades
Zebra sem lista é cavalo

Oração do Estudante

Senhor, eu sou estudante, e por sinal, inteligente.
Prova isto o fato de eu estar aqui,
Conversando com você.

Obrigado pelo Dom da inteligência
Pela possibilidade de estudar.
Mas, como você sabe, Cristo, a vida
De estudante nem sempre é fácil

A rotina cansa e o aprender
Exige uma série de renúncias,
O meu cinema, o meu jogo preferido,
Os meus passeios e
Também alguns dos meus programas de TV.

Eu sei que preparo hoje o meu amanhã.

Por isso, eu lhe peço, Senhor,
Ajuda-me a ser um bom estudante.

Dá me coragem e entusiasmo o cada dia
Para recomeçar.

Abençoa a mim, a minha família e minha turma e os meus professores.

Amem.

Para mascar com chiclets

Quem subiu, no novelo do chiclets,
ao fim do fio ou do desgastamento,
sem poder não sacudir fora, antes,
a borracha infensa e imune ao tempo;
imune ao tempo ou o tempo em coisa,
em pessoa, encarnado nessa borracha,
de tal maneira, e conforme ao tempo,
o chiclets ora se contrai, ora se dilata,
e consubstante ao tempo, se rompe,
interrompe, embora logo se reemende,
e fique a romper-se, a reemendar-se,
sem usura nem fim, do fio de sempre.
No entanto quem, e saberente que ele
não encarna o tempo em sua borracha,
quem já ficou num primeiro chiclets
sem reincidir nessa coisa (ou nada).

João Cabral de Melo Neto, A Educação pela Pedra.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Chega de prosa

Você diz que não me quer
E fica com esse papo de amigo
Não fique brincando de amor
Brincar com o coração é um perigo.

Fica a proclamar tua liberdade
E ignoras quem profundamente te ama
Mas quando a solidão se torna verdade
Retorna sofregamente à minha cama.

No vai e vem desta relação intrigada
Na indiferença da existência humana
Por que tanta conversa mole?

Deixe de lado o orgulho gelado
Fruto de uma superficialidade insana
Quem ama não brinca... Quem brinca não ama!


Juarez Firmino

Adélia Prado

Homilia

Quem dentre vós
dirá convictamente:
os alquimistas morreram
- aqueles simples -
morreram os conquistadores,
os reis
os tocadores de alaúde,
os mágicos.
Oh, engano!
a vida é eterna, irmãos,
aquietai-vos,
pois, em vossas lidas,
louvai a deus e reparti a côdea
o boi, vosso marido e esposa
e sobretudo
e mais que tudo
a palavra sem fel.


Adélia Prado

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Dicas de leitura

A Montanha Mágica
Thomas Mann

Construído nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial, este romance é o mais completo painel de uma Europa enferma, à procura de uma unidade, de uma síntese espiritual e social, que seu próprio progresso tornou cada vez mais distante e inalcançável.
A ação transcorre na aldeia suíça de Davos-Platz, no sanatório Berghof. Aí se vêem reunidos pela doença elementos de todas as raças e credos humanos. Aí se entrelaçam problemas, inquietações, sofrimentos, ilusões dos mais diversos matizes psicológicos.

É um romance bastante expressivo da literatura alemã... Um livro para se ler em 2 ou 3 meses... Meu exemplar [7ª impressão da 2. ed., da Nova Fronteira – trad. De Hebert Caro] possui nada menos que 986 páginas... São várias histórias que se cruzam dentro de uma única e magnífica história... É o romance que melhor exprime o humanismo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

DICAS QUE PODERÃO AJUDÁ-LO NA HORA DE REDIGIR TEXTOS

— Palavras que rimam com também levam acento, exceto monossílabos. Exemplo: vintém, amém, trem, bem

Oxítono terminado em i ou u só leva acento quando se trata de hiato. Exemplo: construí, Grajaú

— Compor, repor, dispor etc. não levam acento. Pôr (verbo) é que tem acento, não os derivados dele.

Pôr e pára, quando são verbos, levam acento.

— O verbo que perde a última letra para unir-se aos pronomes lo, la, los, las obedece às regras normais de acentuação gráfica. Exemplo: o acento de amá-lo é o mesmo de sofá: oxítono terminado em a; o de vendê-lo é o mesmo de você : oxítono terminado em e; parti-lo rejeita o acento pela mesma razão porque saci também rejeita.

— Não se põe vírgula entre o sujeito e o predicado.Na frase "Os candidatos enfrentarão a prova sem medo" não poderia haver vírgula entre o sujeito, "os candidatos", e o predicado "enfrentarão a prova sem medo".

— O aposto vem entre vírgulas."O Serviço Social, profissão relativamente nova, não deve ser confundido com filantropia." "Profissão relativamente nova" é aposto, por isso vem entre vírgulas.

— Antes do e que liga predicados do mesmo sujeito não se usa vírgula. Joana toca violão e canta.

— Antes do e que liga orações de sujeitos diferentes, a vírgula é facultativa. Joana toca violão, e André canta.

A velha contrabandista

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava na fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!
Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com moamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com quarenta anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.
- Juro - respondeu o fiscal.
- É lambreta.


Stanislaw Ponte Preta

domingo, 28 de setembro de 2008

10 dificuldades gramaticais que exigem maior atenção

1 - O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

2 - "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

3 - A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

4 - É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...

5 - Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não "para si").

6 - Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

7 - "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas idéias...

8 - A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.

9 - Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

10 - "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.

sábado, 27 de setembro de 2008

Reflexões sobre o preconceito racial

“O preconceito é uma opinião desprovida de julgamento. Assim, em toda terra, se incutem às crianças as opiniões que se quiser, antes de elas poderem julgar” (Voltaire)

O preconceito e o racismo estão historicamente vinculados a situações de exploração, nas quais os mais fortes, política e economicamente, extraem vantagens materiais. É um círculo vicioso que reproduz a condição de opressão racial e os racistas. Historicamente, portanto, o racismo se funda em bases econômicas que intensificam a desigualdade social e racial. Por isso, alguns imaginam que modificadas a base econômica supera-se o racismo. A história demonstra que não é bem assim! O preconceito racial interioriza-se, sobrevive por gerações e mostra-se renitente, mesmo com a evolução da ciência e das transformações sociais.
A insuficiência da explicação economicista mostra a complexidade da questão racial. Na medida em que a recusa do diferente está presente em todas as época e sociedades, não seria o preconceito algo arraigado e próprio da natureza humana? Uma dificuldade inerente ao humano de se reconhecer no “outro”?
(...)


Veja mais em:
http://antonio-ozai.blogspot.com/2008/09/reflexes-sobre-o-preconceito-racial.html

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças1
Mudas2 telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas3 inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas4
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas5
Mas oh não se esqueçam
Da rosa6 da rosa
Da rosa de Hiroxima7
A rosa hereditária8
A rosa radioativa
Estúpida e inválida9
A rosa com cirrose10
A anti-rosa11 atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

(Vinícius de Moraes)


Veja a análise da letra pelo Prof. Juarez Firmino
1. Gradação em “crianças/meninas/mulheres”.
2. Não conseguem se comunicarem, mesmo vivenciando a mesma realidade.
3. Os sofrimentos lhes subtraíram todas as perspectivas de futuro, crianças que não têm sonhos.
4. Mulheres que não têm filhos, tampouco lares. Desviaram-se da condição de mulheres.
5. “... feridas/rosas cálidas” [versos 7 e 8] – Os versos mostram-nos as feridas “internas”, sem cicatrizes aparentes, como rosas que perderam o vigor.
6. [Versos 10 e 11] – Repetição de significações para se referir à flor, que é a mulher, e também a cidade destruída.
7. Aqui o poeta grafa Hiroxima com a letra x ao invés de sh, que seria o apropriado. Mas como o artista é um ser livre para criar, toda criação é permitida.
8. O mal e o medo que se perpetuaram de geração em geração.
9. A radioatividade expressa toda a força do espetáculo macabro da destruição.
10. A “cirrose” indica nos mostra o próprio poeta se autodepreciando.
11. Expressão underground, a bomba (a explosão, as perdas, a indignação).


Ouça a música
Rosa de Hiroshima (1973)

Assista ao vídeo
http://br.youtube.com/watch?v=1qFIuLcIGs4&feature=related


Ouça também outras preciosidades da Música Popular Brasileira
A Banda (1965) A Deusa da Minha Rua (1940) A Flor e o Espinho (1964) A Praça (1967) Águas de Março (1972) Alma Gêmea (1995) Amélia (1941) Amor e Sexo (2003) Anos Dourados (1986) Ave Maria no Morro (1942) Balada do Louco (1982) Bandolins (1979) Beija eu (1991) Bem Querer (1998) Bilhete (1980) Brasil (1988) Brasileirinho (1949) Caça e Caçador (1997) Caçador de mim (1980) Café da Manhã (1978) Cama e Mesa (1984) Caminhando (1968) Caminhemos (1947) Canta Canta minha gente (1974) Cantiga por Luciana (1969) Canto das Três Raças (1974) Carolina (1967) Castigo (1958) Chama da Paixão (1994) Chega de Saudade (1958) Chuvas de Verão (1949) Cio da Terra (1976) Começar de Novo (1978) Começaria Tudo Outra Vez (1976) Como Uma Onda (1983) Coração de Estudante (1983) Dança da Solidão (1972) De volta pro meu aconchego (1985) Detalhes (1970) Devagar... Devagarinho (1995) Disparada (1965) Encontro das águas (1993) Encontros e Despedidas (1985) Epitáfio (2001) Espanhola (1999) Eu Sei (2004) Eu Sei Que Vou Te Amar (1958) Faz parte do meu show (1988) Festa de Arromba (1964) Foi um Rio que passou em minha vida (1970) Gabriela (1975) Garota de Ipanema (1962) Gente Humilde (1969) Gostava Tanto de Você (1973) Grito de Alerta (1979) Judia de Mim (1986) Juí­zo Final (1976) Lábios de Mel (1955) Lança Perfume (1980) Mal Acostumado (1998) Me dê Motivo (1983) Menino do Rio (1980) Mensagem (1946) Meu Bem Meu Mal (1981) Meu Bem Querer (1980) Naquela Mesa (1970) Negue (1960) Nos bailes da vida (1981) O Bêbado e a Equilibrista (1979) O Canto da Cidade (1992) O Mar Serenou (1975) O que é o que é (1982) O Surdo (1975) O Último romântico (1984) Oceano (1989) País Tropical (1969) Paixão (1981) Papel Machê (1984) Paratodos (1993) Pela Luz dos Olhos Teus (1977) Por mais que eu tente (2005) Quem é Você (1995) Recado (1990) Retalhos de cetim (1973) Roda Viva (1967) Ronda (1953) Samurai (1982) Saudosa Maloca (1955) SE (1992) Se eu quiser falar com DEUS (1980) Sem Fantasia (1967) Só Pra Contrariar (1986) Toada (1979) Travessia (1967) Trem das Onze (1965) Um Dia de Domingo (1985) Vê se me erra (1992) Verde (1985) Viagem (1973) Viajante (1989) Viola Enluarada (1967)