"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

domingo, 31 de maio de 2009

Você entrará em greve?

Em assembleia realizada na última sexta-feira, os professores da Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo optaram por cruzar os braços reivindicando garantias de trabalho e melhores condições no exercício do magistério.
É imperativo que haja uma intensa mobilização para que esta decisão seja interpretada com clareza por todas as partes realmente envolvidas nos processos educacionais em nosso estado. Conversem com os amigos, enviem e-mails, publiquem em seus blogs, participem dos debates defendendo opiniões que possam enriquecer essa discussão.
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Veja abaixo o meu posicionamento em relação a essa nova paralisação.
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Em hipótese alguma entrarei em greve. Diante de tantos problemas que a educação enfrenta, mais uma vez os professores da Rede Pública Paulista anunciam entrar em greve acreditando ser essa ação a solução para nossos problemas, ou que chame a atenção para nossas inúmeras causas?
Acredito que, ao contrário, isso coloca a opinião pública acirradamente em oposição ao professor e suas reivindicações. Nessa guerra não lutarei, luto na sala de aula, no corpo a corpo da rotina escolar, luto me qualificando melhor, evoluindo profissionalmente na sala de aula.
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ONDE FICARÃO NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES ENQUANTO ESTIVERMOS EM GREVE ?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sugestão de leitura

DESONRA
J.M. Coetzee
São Paulo: Companhia das Letras, 2000


Aos 52 anos, divorciado duas vezes, o professor David Lurie é um homem solitário, conformado, erudito e irônico. Não se incomoda com o desinteresse dos alunos por suas aulas de poesia. Cogita escrever uma ópera sobre Lord Byron, mas sempre adia o projeto. Acredita ter “resolvido muito bem o problema de sexo”: nas tardes de quinta-feira, visita uma prostituta com idade para ser sua filha, paga o devido e tem direito ao oásis de uma hora e meia num cotidiano de aridez existencial.
Sua vida, racionalizada de maneira burocrática, soçobra quando a prostituta o dispensa e, mesmo sabendo que é um erro, Lurie tem um caso com uma de suas jovens alunas, acusado de abuso, e desprezando os códigos do ambiente universitário, Lurie cai em desgraça. Torna-se um réprobo e se refugia na fazenda de sua filha, a única pessoa com a qual tem um vínculo afetivo. Toma então contato com a realidade da África do Sul pós-apartheid, país onde é “um risco possuir coisas: um carro, um par de sapatos, um maço de cigarros”.
É uma realidade brutal, feita de vingança, banditismo, submissão. Brutalidade contra a qual a cultura ocidental é inútil: “Ele fala italiano, fala francês, mas italiano e francês de nada lhe valem na África negra”, diz o narrador quando três negros tentam queimar Lurie vivo.
J.M. Coetzee constrói em Desonra personagens de carne e osso e, por meio deles, tece relações entre classes, entre homens e mulheres, entre pais e filhos, negros e brancos, entre seres humanos e animais, entre uma longa história de exploração e um presente de ressentimento explosivo.
Escrito com fluidez exemplar, o romance enfrenta problemas intratáveis da atualidade de um país subdesenvolvido. Situado na terra de ninguém onde se misturam civilização e barbárie – região bem conhecida do leitor brasileiro – Desonra é uma resposta artística profunda à ferocidade avassaladora da realidade.
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Orientações do Dr. Içami Tiba

1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar alguém com internet, som, tv, etc.

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.

4. Confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.

5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai disse que não ganhará doce, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser comer, saberá a hora. E é o adulto tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.

7. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.

8. Temos que produzir o máximo que podemos, pois na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio. Não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.

9. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente, pois aquela informação, de que droga faz mal, não está gerando conhecimento.

10. A gravidez é um sucesso biológico, e um fracasso sob o ponto de vista sexual.
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11. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para da droga fazer uso. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da ideia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

12. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.

13. Homem não gosta quando a mulher vem perguntar: 'E aí, como foi o seu dia?'. O dia, para o homem, já foi, e ele só falará se tiver alguma coisa relevante. Não quer relembrar todos os fatos do dia.
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14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.

15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.
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16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhar o carro após o vestibular, ele o perderá se desistir ou for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.
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18. Mães, muitas são loucas. Devem ser tratadas. (palavras dele).
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19. Se a mãe engolir sapos do filho, a sociedade terá que engolir os dele.
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20. Videogames são um perigo. Os pais têm que explicar como é a realidade. Na vida real, não existem 'vidas', e sim uma única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.
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22. Pai não pode explorar o filho por uma inabilidade que o próprio pai tenha. 'Filho, digite tudo isso aqui pra mim porque não sei ligar o computador'. O filho tem que ensiná-lo para aprender a ser líder. Se o filho ensina o líder (pai), então ele também será um líder. Pai tem que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível o pai pagar para falar com o filho que mora longe.

23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. Não há hierarquia. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.
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25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que saber qual é o consumo (KWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto que isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.
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26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Tem que controlar e ensinar a gastar.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O ENSINO NÃO É MAIS O MESMO!

Aqueles que se tornam professores devem se prevenir quanto a algumas desilusões, se têm em mente a imagem clássica do “professor correto”, já ultrapassada, mas que sobrevive em seu imaginário.
Gostar dos jovens é bom, mas nem todos são fáceis de amar, se isso significa serem obedientes, educados, limpos, corretamente vestidos, disciplinados, respeitadores dos adultos. A escola recebe de agora em diante todas as crianças e as respeita como elas são. Ensinar é trabalhar com um amplo leque de sensibilidades, de culturas, de relações com o mundo.
Gostar muito de trabalhar com jovens é bom, mas é inútil acreditar que se pode ensinar fugindo sempre do contato com os adultos. Os pais esperam interlocutores confiáveis. O educador deve também dialogar com outros profissionais, colegas, trabalhadores sociais, psicólogos, psiquiatras.
Gostar de ser o “grande professor solitário” é bom, mas hoje é preciso cooperar, trabalhar em equipe, participar do projeto da escola. Não se pode mais fechar em um face-a-face com os alunos: é preciso sair das quatro paredes da sala, engajar-se em inovações, atividades sindicais e grupos de trabalho.
Gostar dos saberes e ter vontade de partilhá-los é bom, mas isso não basta quando se é confrontado com alunos que não vêem por si mesmos o sentido da escola, ou não estão dispostos em aceitar o trabalho necessário para aprender. Querer satisfazer ao apetite de saber dos jovens é somente um aspecto da profissão; é preciso também, e primeiramente, encarregar-se daqueles cuja vontade de aprender é fraca e frágil.
Gostar de transmitir conhecimento é bom, mas essa formula é somente um atalho para dizer “construir” conhecimentos. Então devem-se criar situações de aprendizagem muito mais do que “dar aulas”.
Gostar de tomar a palavra diante dos alunos é bom, mas em doses homeopáticas. Ensinar é, sobretudo, pôr-se em trabalho, propondo e regulando tarefas portadoras de aprendizagem. É assumir o trabalho de diretor, muito mais que o de ator, é comover-se nos bastidores, fazendo um trabalho muitas vezes invisível.
Gostar de se dirigir à classe toda é bom, mas esse procedimento tem virtudes pedagógicas limitadas: os alunos são diferentes e o mestre tem o dever de propor atividades variadas, adaptadas às necessidades e ao nível de cada um.
Gostar de se organizar ao seu modo é bom, mas para a profissão de educador consiste cada vez menos em estar presente na escola quando os alunos nela estão também. Tempos de projetos em grupo, encontro com os pais, e formação contínua fazem parte do trabalho.
Gostar de agir com bom senso é bom, intuição e humanidade é bom, mas ensinar atualmente exige, mais que tudo, habilidades específicas, saberes e competência que não derivam do senso comum, mas de uma formação didática e pedagógica árdua.
Gostar da vida tranqüila é bom, mas a vida dos educadores não é mais tranqüila, se ela já o foi algum dia. Cada reforma de estrutura, cada novo programa modifica rotinas, nada é definitivamente adquirido, sem falar nas mudanças das tecnologias e dos modos de vida das famílias.
Gostar de boas férias é bom, mas ensinar não consiste em ir para a sala de aula de mãos abanando. Cada atividade exige uma boa preparação. Ensinar é, assim, uma profissão fatigante, física e emocionalmente, na qual o estresse nos ameaça.
Gostar de estar do lado do conhecimento e da virtude é bom, mas ensinar é também manejar a sedução, a repressão, a recompensa e a sanção; é avaliar, fazer justiça, deter segredos. Logo é viver dilemas éticos.
Gostar de ser o portador da verdade é bom, mas hoje em dia a mídia e a internet disputam com a escola o monopólio dos saberes. Não se pode, então, ensinar vivendo fora do mundo, ignorando a atualidade política, científica, tecnológica.
Gostar muito de instruir é bom, mas é preciso aceitar a resistência de alguns alunos, sua “alergia” ao saber, o fracasso de toda uma estratégia, característico do que Freud chamava de “profissão impossível”, no sentido de que a ação pedagógica jamais estará certa de atingir seus fins.
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Philippe Perrenoud

terça-feira, 26 de maio de 2009

Não está no Aurélio

ABANDONO: Quando a jangada parte e você fica.
ADEUS: O tipo de tchau mais triste que existe.
ADOLESCENTE: Toda criatura que tem fogos de artifício dentro dela.
ARTISTA: Espécie de gente que nunca vai deixar de ser criança.
AUSÊNCIA: Uma falta que fica ali presente.
FOTOGRAFIA: Um pedaço de papel que guarda um pedaço de vida nele.
GELO: Aquilo que a gente sente na espinha quando o amor diz que vai embora.
LEALDADE: Qualidade de cachorro que nem todas as pessoas têm.
LÁGRIMA: Sumo que sai dos olhos quando se espreme um coração.
OUSADIA: Quando o coração diz para a coragem "vá" e a coragem vai mesmo.
HORIZONTE - linha que serve para evitar que o céu e o mar se misturem.
HOMEM - Bípede que tem a sorte, ou azar, de se apaixonar perdidamente.
JUVENTUDE - Os primeiros capítulos da pessoa.
LER - ter o poder de viver outras vidas sem precisar nem sair da cama.
VAGALUME - bichinho cuja alminha acende ou cuja luzinha tem alma.
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e eu acrescento
CORAGEM: Quando você vai, leva um sonoro não, ou pior, sente o descrédito, e mesmo assim não desanima.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O menininho

"Era uma vez um menininho que contrastava com a escola bastante grande. Uma manhã a professora disse que os alunos iriam fazer um desenho.
- Que bom! - Ele gostava de fazer desenhos. Ele pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar. Mas a professora disse para esperar, que ainda não era hora de começar. E ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores.
- Que bom! - pensou o menininho. Ele gostava de desenhar flores e começou a desenhar flores com lápis rosa, azul e laranja. Mas a professora disse que ia mostrar como fazer. E a flor era vermelha com caule verde.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso. Ele virou o papel e desenhou uma flor igual à da professora. Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse que os alunos iriam fazer alguma coisa com o barro. - Que bom! - pensou. Ele gostava de trabalhar com barro.
Ele pensou que podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Mas a professora disse para esperar. E ela esperou até que todos estivessem prontos.
- Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.
- Que bom! - pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos.
A professora disse que era para esperar, que iria mostrar como fazer.
E ela mostrou a todos como fazer um prato fundo.
- Assim, disse a professora, agora vocês podem começar.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo igualzinho ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho e a sua família se mudaram para outra cidade, e o menininho tinha que ir para outra escola. Esta escola era ainda maior que a primeira. E no primeiro dia, a professora disse que os alunos fariam um desenho:
- Que bom! - pensou o menininho, e esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho disse:
- Você não quer desenhar?
- Sim, mas o que vamos desenhar?
- Eu não sei, até que você o faça.
- Como eu posso fazê-lo?
- Da maneira que você gostar.
- E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual o desenho de cada um?
- Eu não sei. - disse o menininho.
E começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde.
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Helen E. Buckley

domingo, 24 de maio de 2009

Verbos vir e ver

“Se você vir um deputado...”

Assim escreveu mestre Caetano, na letra da genial Haiti. Na terna Bem-querer, outro mestre, Chico Buarque, escreveu “Quando meu bem querer me vir, estou certa que há de vir atrás...”.
Pois bem. Todos sabem que há uma grande diferença entre a chamada norma culta da língua e aquilo que se usa no padrão coloquial. Mas há consenso em relação a muitos pontos. Ninguém aceita, por exemplo, nem na linguagem oral, que se diga “Se ela ir”, ou “Se você dizer”, ou ainda “Se alguém fazer”. Com o verbo “ver”, porém, a coisa é diferente. Raríssimos são os brasileiros, letrados ou iletrados, com teto ou sem teto, que sabem conjugar o futuro do subjuntivo desse bendito verbo. Talvez isso se deva a uma boba resistência à semelhança entre vir, do verbo ver, e vir, do verbo vir.
Antes que alguém se sinta mal com o nome do tempo verbal (as pessoas têm incrível aversão à nomenclatura gramatical), vale lembrar, numa explicação quase simplória, que o futuro do subjuntivo é aquele tempo que se usa com “se” ou “quando”, em frases como “Se/Quando você quiser”, ou “Se/Quando ela souber” etc. Vale lembrar também que o subjuntivo é o modo que indica fato hipotético, provável, duvidoso.
Não é difícil entender por que de “ver” surge a forma “vir”. O futuro do subjuntivo obedece a um sistema de conjugação válido para absolutamente todos os verbos da língua portuguesa. E esse sistema é muito simples. De onde vem a forma “for”, do verbo ir (“Se eu for ao cinema”)? Vem da mesma raiz de “foram”, do pretérito perfeito (“Ontem eles foram ao cinema”).
Basta eliminar as duas últimas letras (am), e pronto! Está feita a primeira pessoa do singular do futuro do subjuntivo do verbo ir (foram − am = for).
Esse sistema vale para 101% dos verbos da língua portuguesa. Tente com outro. Fazer, por exemplo: “Ontem eles fizeram o trabalho”. Faça a operação: fizeram − am = fizer. Então “Quando/Se eu fizer...”.
Vejamos com o verbo dar: “Ontem eles deram a resposta”. Elimine as duas últimas letras de “deram”. (deram − am = der): “Se/Quando eu der a resposta...”.
É bom lembrar que a primeira e a terceira do singular do futuro do subjuntivo são sempre iguais (Se/Quando eu for, Se/Quando ele for; Se/Quando eu fizer, Se/Quando ele fizer).
Agora vamos ao bendito verbo ver: “Ontem eles viram o filme”. Muito bem. Se você eliminar as duas últimas letras de “viram”, o que sobra?
Faça você mesmo: viram − am = vir. Então, “Se/Quando eu vir o filme...”; “Se/Quando você vir minha prima...”
No Brasil, esse verbo apanha. E o pobre verbo vir também apanha. Na linguagem oral, quase todos os brasileiros dizem “Se você me ver lá”. E, conjugando o verbo vir, muitas pessoas dizem “Se você vir aqui amanhã”, em vez de “Se você vier aqui amanhã”. A combinação correta dos dois verbos, em uma frase como “Se eu vier aqui amanhã e vir você mexendo nas minhas coisas...”, então, chega a ser meta inatingível.
Já em Portugal, qualquer cidadão conjuga o verbo ver no futuro com a maior naturalidade. Ilustra isso uma memorável cena que presenciei no aeroporto de Lisboa, no momento do embarque para São Paulo. Um nosso compatriota insistia em fotografar o avião. Um guarda do aeroporto impediu-o, “por questão de segurança”. Quando o guarda virou as costas, nosso patrício, mais do que depressa, armou a máquina e... foi novamente impedido pelo guarda, mais rápido do que ele e acostumado à esperteza dos brasileiros. Instalou-se o bate-boca. A certa altura, o teimoso disse:
— “Mas eu não vou poder mesmo fotografar o avião?”
— “Só se eu não vir”, disse o guarda.
— “Mas o senhor vem toda hora!”
Sem comentário.


Pasquale Cipro Neto

sábado, 23 de maio de 2009

ESPETACULAR

Vejam que interessante o interior desta Igreja.
Zoom: aproxima = (+), afasta = (-) e Close = ( --> setas)
Girando pelo interior da igreja = (seta circular)
Muito criativo e bem feito. Acho que ninguém pode deixar de ver esta maravilha.

http://www.photojpl.com/flash/08mallet.html

Clique no endereço acima (http....) e quando abrir a imagem, observe as teclas em baixo e clique. Você verá o efeito das imagens.

Um caso de regionalismo da língua


Posted by Picasa

O último discurso

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu oficio. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar --- se possível --- judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo --- não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo a fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora... milhões de desempregados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que podem me ouvir eu digo: “Não desespereis!” a desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura dos homens que temem o progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as nossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquinas! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em nossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro dos homens --- não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder --- o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa.
Portanto --- em nome da democracia --- usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão!
Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e a prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo das trevas para a luz! Vamos entrando num mundo novo --- um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

( O grande ditador)
.............................................Charles Chaplin

“Não sois máquinas! Homens é que sois!”

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Brincando com a aranha!!!

VOCÊ ACABARÁ ACREDITANDO QUE ELA ESTÁ VIVA.

Clique e arraste a aranha com seu mouse, por uma perna de cada vez ou pelo corpo..... Também puxe uma das pernas e arraste pela tela... e me diga se ela não está viva!!! Em qualquer lugar no mapa clique a tecla de espaço enquanto passeia o mouse pelo mapa, isto fará com que insetos vão aparecendo e a aranha venha comê-los... quem inventou isto é fora de série mesmo....

http://www.onemotion.com/flash/spider/

terça-feira, 19 de maio de 2009

Quadrilha junina

Todos os convidados entram em cena, como se já estivesse começado a quadrilha, ao chegarem perto do padre, separam-se, ficando homens de um lado e mulheres de outro. Começa a tocar uma música de casamento, entra a noiva acompanhada por seu pai. A noiva não encontra o noivo a esperando no altar, começa a fazer o maior escândalo e depois desmaia.

Pai Cadê u safadu daqueli homi?
Filho 1 Nóis vamu lá buscá u disavergonhadu pai.
Filho 2 Intãu ele vai vim rapidim rapidim.
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Saem e voltam arrastando o noivo, que vem gritando: “Eu não quero me casar, eu não vou me casar”. (Chegam perto do pai da noiva).
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Noivo Eu não vou me casar com a sua filha.
Filho 1 Mais é claru qui ocê vai, ocê embuxô minha irmã i agora tu vai tê qui casá cum ela sim senho. O tú tá pensanu qui vai dexá ela prenha e sai correnu.
Noivo Olha, eu não vou me casar com a sua filha
Pai Vai sim (aponta uma arma)
Noivo Bom, já que o Senhor está pedindo com educação, então eu caso sim.
Filho 2 Pódi cumeça u casóriu seu padri.
Padre Bom, boa noite. Estamos aqui reunidos em nome do Papa, do Bispo e do Pai da noiva. Meu filho (para o noivo), porque você engravidou essa mulher, sabendo que depois teria de se casar com ela? Aliás, por falar nisso, como é que você foi engravidar uma coisa tão feia dessas.
Noivo Ah, seu padre, eu estava bêbado.
Filho 1 Mais neim bêbidu qué sabê disso. Óia, ela só teim dois denti.
Filho 2 Um tá podri e o otro é postiçu...
Filho 1 Ela teim uma perna tóirta...
Filho 2 I a otra é aleijada...
Filho 1 Ela é caoia dum zói...
Filho 2 I du otru não enxerga nada...
Padre Vamos parar com essa conversa fiada e continuar com o casamento.
_____________ aceita se casar com_______________
Noiva Sim.
Padre Senhor______________ aceita casar-se com ________________
Noivo Eu não (se levanta, e o pai da noiva aponta a arma novamente). Mas eu caso.
Padre Continuando, se tiver alguém que seja contra esse casamento, que diga agora ou cale-se para sempre.
Mulher Eu!!! Seu padri, essi disavergonhadu aí teim dois fius cumigu. Beim qui minha mãezinha dissi! Qui homi da cidadi num préista. I aléim du mais, eli tá noivu da minha cunhada e namoranu cum a vizinha dela. I teim mais ainda, seu padri, é eli qui faiz aquelis programa di horáriu políticus...
Todos (Fazem cara de espanto) Oh!!!
Padre Tem algo mais a ser dito?
Mulher Teim sim...
Pai Cala essa boca mardita muié (atira no pé dela). Podi continuá seu padri.
Padre Obrigado (para o noivo) meu filho. Porque você está tremendo?
Noivo É que eu estou com frio.
Padre Mas você está suando.
Noivo É que eu estou com calor, seu padre.
Padre Mas, espera aí, meu filho, Como você pode estar com frio e calor ao mesmo tempo?
Noivo É que minha mãe é do Cabo Frio, e o meu pai é da Pousada do Rio Quente.
Padre Bah! Eu considero vocês marido e mulher até que o divórcio os separem.
Solteirona 1 (Quando a noiva joga o buquê para trás) Até qui enfim, até qui enfim! Eu vô mi casar! Eu não vô ficar prá titia.
Solteirona 2 Não sinhora! Fui eu que cunsegui pega u buquê primeru. Aleim dissu, eu já fiz treis prumessa prá Santu Antoinhu.
Solteirona 1 Mais ocê ainda é novinha, i eu já tô encaiada, sou eu queim percisa arrumá casamentu primeru.
Solteirona 2 Sua estrambeiada, ladrona di buquês, sua... sua... (Continua a discussão).
Voz Vamu cuntinuá cum a quadria, minha genti!...

(Continua a quadrilha)
Cumprimentus >>>>> Caminhu da roça >>>>> Viva São João, São Pedro e Sto Antonio >>>>>
Olha a formiga >>>>> Olha a cobra >>>>> Olha a carteira --- é mentira >>>>> A grande roda >>>>> As muié no meio >>>>> Coroação >>>>> Agora os homi no mei >>>>> Entrelaçamento >>>>> Tur >>>>> Caixinha de fósforo >>>>> Valsinha >>>>> Túnel do amor >>>>> Caracol >>>>> Valsa dos noivos.
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Na valsa dos noivos, o noivo foge.
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Noiva U noivu fugiu!
Pai Vamu atrais do seim vergonha. (Todos vão ajudar a procurar o noivo. Alguns instantes depois, a noiva grita).
Noiva Pódi dexá pai (pega qualquer pessoa que esteja assistindo), Eu já arranjei outru noivo.
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Todos saem e a dança termina animadamente.