terça-feira, 21 de julho de 2015
Capitães de Areia
(Jorge Amado)
Os Capitães da Areia é um grupo de meninos de rua. O livro é dividido em três partes. Antes delas, no entanto, via uma sequência de pseudo-reportagens, explica-se que os Capitães da Areia é um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam
Salvador. Os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo. O Reformatório é um antro de crueldades, e a polícia os caçam como os adultos antes do tempo que são. A primeira parte em si, "Sob a lua, num velho trapiche
abandonado" conta algumas histórias quase independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia (o grupo chegava a quase cem, morando num trapiche abandonado,
mas tinha líderes). Pedro Bala,
o líder, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros, e depois descobre ser filho de um líder sindical morto durante uma greve; Volta
Seca, afilhado de Lampião, que tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro; Professor, que lê e desenha vorazmente, sendo muito talentoso; Gato, que com seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta,
Dalva; Sem-Pernas, o garoto coxo que serve de espião se fingindo de órfão desamparado (e numa das casas que vai é bem acolhido, mas trai a família ainda assim, mesmo sem querer fazê-lo de verdade); João Grande, o "negro bom"
como diz Pedro Bala, segundo em comando; Querido-de-Deus,
um capoeirista que é só amigo do grupo; e Pirulito,
que em grande fervor religioso. O ápice da primeira parte vem em duas partes: quando os meninos se envolvem
com um carrossel mambembe que chegou à cidade, e exercem sua meninez; e quando
a varíola ataca a cidade e acaba matando um deles, mesmo com Padre José Pedro tentando ajudá-los e se encrencando por isso. A segunda parte, "Noite
da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos", surge uma história de amor quando a menina Dora
torna-se a primeira "Capitã da Areia", e mesmo que inicialmente os garotos tentem tomá-la a força, ela se torna como mãe e irmã para todos. (O homossexualismo é comum no grupo, mesmo que em dado momento Pedro Bala tente impedi-lo de
continuar, e todos eles costumam "derrubar negrinhas" na orla.) Mas
Professor e Pedro bala se apaixonam por ela, e Dora se apaixona por Pedro Bala.
Quando Pedro e ela são capturados (ela em pouco tempo passa a roubar como um dos
meninos), eles são muito castigados, respectivamente no Reformatório e no Orfanato. Quando escapam, muito enfraquecidos, se amam pela
primeira vez na praia e ela morre, marcando o começo do fim para os principais membros do grupo. "Canção da Bahia, Canção da Liberdade", a terceira parte, vai nos mostrando a
desintegração dos líderes. Sem-Pernas se mata antes de ser capturado pela polícia que odeia; Professor parte para o RJ para se tornar um pintor de
sucesso, entristecido coma morte de Dora; Gato se torna um malandro de verdade,
abandonando eventualmente sua amante Dalva, e passando por ilhéus; Pirulito se torna frade; Padre José Pedro finalmente consegue uma paróquia no interior, e vai para lá ajudar os desgarrados do rebanho do Sertão; Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser capturado e condenado; João Grande torna-se marinheiro; Querido-de-Deus continua sua vida de
capoeirista e malandro; Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e
finalmente os Capitães da Areia ajudam numa greve. Pedro Bala abandona a liderança do grupo, mas antes os transforma numa espécie de grupo de choque. Assim Pedro Bala deixa de ser o líder dos Capitães da Areia e se torna um líder revolucionário comunista. Este livro foi escrito na primeira fase da
carreira de Jorge Amado, e nota-se grandes preocupações sociais. As autoridades e o clero são sempre retratados como opressores (Padre José Pedro é uma exceção mas nem tanto; antes de ser um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males. Os Capitães de Areia são heroicos, “Robin Hood's” que tiram dos ricos e guardam para si (os
pobres). O Comunismo é mostrado como algo bom, e o Padre José Pedro tem dúvidas quanto a posição da Igreja quanto ao assunto. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transforma
em personagens únicos e corajosos, corajosos Capitães da Areia de Salvador.
domingo, 19 de julho de 2015
Encontros vocálicos
Quando vogais
e semivogais aparecem agrupadas em
determinadas palavras formam encontros vocálicos denominados ditongos, tritongos e hiatos.
1. Ditongo é o encontro de (a) uma vogal + uma
semivogal, ou (b) uma semivogal + uma vogal, na mesma sílaba.
(a) meu pai véu
(b) pátria série frequentrar
Os ditongos podem ser decrescentes ou crescentes,
orais ou nasais.
O ditongo decrescente ocorre quando a vogal vem
antes da semivogal: caixa, céu, herói.
O ditongo crescente ocorre quando a semivogal vem
antes da vogal: língua, cárie, quando.
São orais os ditongos que contêm uma vogal oral. Os
ditongos orais decrescentes são:
[ ay ] pai [ Ew ] véu
[ ey ] lei [
iw ] viu
[ aw ] pau [ ou ] boi
[ Ey ] papéis [ Ɔy ] herói
[ ew ] seu [ uy ] azuis
Os ditongos orais crescentes são:
[ ya ] férrea, indolência
[ ye ] cárie, série
[ yo ] lírio, térreo
[ wa ] mágoa,
nódoa
[ we ] atue,
tênue
[ wo ] árduo,
vácuo
São nasais os ditongos que contêm uma vogal nasal.
Os ditongos nasais decrescentes são:
[ ãy ] mãe
[ ey ] sem
[ ou ] anões
[ uy ] muito
[ ãw ] não
Os ditongos nasais crescentes são:
[ wã ] enxaguando, quanto
[ we ] aguentar, frequente
[ wi ] pinguim, quinquídio
2. Tritongo
é o encontro, em uma única sílaba, de uma semivogal + uma vogal + uma
semivogal: Paraguai, saguão, arguiu.
Os tritongos podem ser orais ou nasais. São orais
os tritongos que contêm uma vogal oral. São nasais os tritongos que contêm uma
vogal nasal.
Os tritongos orais são:
[ way ] Paraguai
[ wey ] enxaguei
[ wiw ] arguiu
[ wow ] averiguou
Os tritongos nasais são:
[ wãw ] enxáguam
[ wey ] delinquem
[ wõy ] saguões
3. Hiato
é o encontro de duas vogais pertencentes cada uma a sílabas diferentes: país, raiz, saúde, voo.
Os encontros vocálicos ia, ie, io, oa, ua, ue e uo, átonos e finais, são geralmente considerados ditongos
crescentes: história, cárie, sério, mágoa, água, tênue e vácuo. Tais
encontros podem, no entanto, realizar-se como hiatos: his-tó-ri-a, cá-ri-e, sé-ri-o, má-go-a, á-gu-a, tê-nu-e, ár-du-o.
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