"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

quarta-feira, 18 de março de 2009

O BULLYING EM NOSSA ESCOLA

Apesar de não se ter encontrado em nossa língua palavra alguma que seja capaz de dizer o que “bullying” significa, sabemos que “bully” traduzido para o português significa “o valentão”. Transpondo este termo para o âmbito escolar, podemos concluir que se refere àquele(a) menino(a) que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem o prazer em bater nos colegas mais fracos e intimidá-los.
De posse dessas informações, passamos a observar que o bullying, de fato, também está presente em nossas salas de aula. Só a denominação o difere de nossos adolescentes “encrenqueiros”. Vale ressalvar, podemos até mesmo estabelecer uma correlação entre o termo bully e o verbete “bulidor”, do verbo “bulir”, devidamente registrado no dicionário Houaiss, forma verbal muito empregada na região Nordeste, para se referir ao ato de mexer em algo ou incomodar, desrespeitosamente, alguma pessoa.
Em nossa escola, o bullying, que, bem poderia ser por nós denominado “bulinismo”, tem sido encarado como uma carência que pode ser compreendido pelas “limitações” a que muitos de nossos alunos se encontram. Falta de locais adequados para o lazer, para a prática de esportes saudáveis, falta de opções culturais, etc., necessidades que podem contribuir negativamente na formação e no comportamento dos adolescentes.
A todos nós, cabe um papel extremamente importante no combate ao bullying, seja no ambiente escolar como educadores ou simplesmente como formadores de opinião. É preciso que derrubemos as “muralhas” que impedem nossas crianças de conhecer novos horizontes, novas culturas e costumes. É preciso que elas conheçam e, sobretudo, aprendam a conviver com as diferenças. Afinal, o respeito ao próximo é um dos alicerces de qualquer sociedade justa e igualitária.
Estejamos atentos!


Juarez Firmino
Formado em letras e pedagogia, é mestre em letras pela UFMS e titular efetivo de cargo da rede oficial de ensino do Estado de São Paulo.

"Obrigado" ou "agradecido"

Certo dia destes, no momento em que eu estava saindo da estação do metrô, e uma moça se atrapalhou com o carrinho do bebê... Como é do meu costume, corri de encontro para ajudar. Depois de sanado o problema, a jovem me agradeceu com um “obrigado”... Um tímido e confuso “obrigado”, seguido de um “obrigada” um pouco mais confiante.
Mas afinal, a forma correta de se expressar ao demonstrar gratidão é, no caso do falante do sexo feminino, dizendo “obrigado” ou “obrigada”?
Evidentemente, se for do sexo feminino, deve-se agradecer com um “obrigada”. Entretanto, essa não é a forma ideal para o agradecimento. Assim como, “obrigado” para os homens também não seja o correto.
O vocábulo “obrigado”, implica em “estar sendo obrigado a proceder de determinada maneira”, do verbo “obrigar”... Eu obrigo, tu obrigas, ele obriga, (...). Confuso, não é?
Calma, eu explico. A forma de se agradecer com “obrigado” é uma prática errônea que, por convenção acabou se tornando um reducionismo, um vício pernicioso para os padrões da norma culta da Língua Portuguesa falada e escrita no Brasil.
Acontece que, lá pelas tantas, costumava-se agradecer dizendo: “Estou contente por você ter feito isso para mim, mesmo sem ter sido obrigado”. Ou ainda “Eu me vejo obrigado a retribuir o favor que você me fez”. E como o pessoal tem o péssimo costume de ir reduzindo as expressões ao máximo, acabou ficando somente o “obrigado”.
É obrigado pra cá... Obrigado pra lá, não é? Obrigado!!! Obrigado, obrigado, obrigado!!! E se nós respondêssemos com um “agradecido”, “muito agradecido”, ou ainda, um “estou muito agradecido”. Ficaria muito melhor, não é mesmo?
Pois é, em vez de “ser obrigado”, é melhor “estar agradecido”, não é? Porque nós somos seres livres e não somos obrigados a nada, não é?
Que tal conferirmos o comentário, analisando como se agradece em outros idiomas? Como fica a tradução da expressão “estou agradecido” no inglês e no espanhol, por exemplo?
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Juarez Firmino
Graduado em Letras e em Pedagogia, com Mestrado em Estudos Literários pela UFMS, é professor efetivo da Rede Oficial de Ensino do Estado de São Paulo

Fatecs abrem inscrição para isenção no vestibular

Os candidatos podem pleitear os dois benefícios, desde que atendam aos requisitos determinados para esta finalidade. Começam no dia 24 as inscrições para isenção e para redução de 50% na taxa de inscrição para o Vestibular das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) para o 2º semestre de 2009. Serão oferecidas seis mil isenções.
Os candidatos podem pleitear os dois benefícios, desde que atendam aos requisitos determinados para esta finalidade. Neste caso, devem efetuar duas inscrições.
O período de inscrição para isenção e redução da taxa vai de 24 de março a 7 de abril. No último dia, o prazo termina às 15 horas. Os interessados deverão preencher o formulário específico que estará no site http://www.vestibularfatec.com.br/. Após o preenchimento deste formulário, é preciso guardar o número do protocolo.
De 1º a 7 de abril, das 13 às 19 horas (somente nos dias úteis), o candidato deverá entregar os documentos comprobatórios, relacionados abaixo, em um envelope lacrado, na secretaria da Fatec em que se inscreveu para concorrer ao benefício.
No momento da entrega do envelope, o candidato precisa preencher, assinar e entregar o requerimento de solicitação de isenção/redução da taxa, que será fornecido pela secretaria da Fatec e também estará no site. A resposta à solicitação será divulgada no dia 30 de abril, somente pela internet.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Alguns erros gramaticais... Como evitá-los.

1 - O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).
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2 - Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
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3 - "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.
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4 - O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.
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5 - Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.
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6 - "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.
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7 - A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.
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8 - A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.
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9 - Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.
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10 - Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

domingo, 15 de março de 2009

Mar Portuguez

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
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Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
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Mar Portuguez, do poeta português Fernando Pessoa. Um poema de inestimável beleza que nos remete para os acontecimentos históricos pelos quais passou a nação lusitana, assemelhando-se aos escritos de Camões em Os Lusíadas, este vai além e descreve um Portugal bem mais contemporâneo, descrevendo inclusive alguns fatos ocorridos no início do século passado. Canta com nobreza os feitos do povo português e exalta a grandeza da alma dos navegadores que cruzavam os mares em busca de glórias e riquesas. Claro que o vocábulo português não é escrito com guez. Já foi. Mas deixou de ser, mudou numa das tantas mudanças ortográficas da língua. Os versos acima fazem parte do poema Mensagem, que canta a "possessio maris". Todas as reedições das obras de Fernando Pessoa mantêm determinadas expressões de Mensagem à antiga, como esta, o Mar Portuguez, assim mesmo, de antigamente, Occidente e Oriente. Aproveite e (re)leia Mensagem, na íntegra. Leia também o magnífico ensaio da Nelly Novaes Coelho.
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PESSOA, Fernando. Obra Completa. Rio de Janeiro, Aguilar, 1985

A televisão me deixou burro demais

Qual a importância da televisão em sua vida pessoal? Quais são seus programas preferidos? Você acha que está se enriquecendo intelectualmente com a programação que predomina na programação da TV aberta brasileira?
A programação televisiva que invade os lares da imensa maioria de brasileiros seria uma encomenda daquilo que o povão quer assistir ou o povão é um reflexo daquilo que a TV exibe? Será mesmo que a televisão emburrece?
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Enquanto refletimos sobre estas indagações, que tal assistirmos ao vídeo com a música dos Titãs? Clique no link do YouTube, que aparece após a letra da música.

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A televisão me deixou burro demais
Titãs
Composição: Marcelo Fromes / Tony Belotto / Arnaldo Antunes
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A Televisão me deixou burro, muito burro demais
Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais
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O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
E agora toda noite quando deito é boa noite, querida....
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Oh! Cride, fala prá mãe
Que eu nunca li num livro que o espirro fosse um vírus sem cura
Vê se me entende pelo menas uma vez criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!...
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A mãe diz prá eu fazer alguma coisa, mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda, então deixo a cortina fechada
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É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais...
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Oh! Cride, fala prá mãe
Que tudo que a antena captar meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!...
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A mãe diz prá eu fazer alguma coisa, mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda, então deixo a cortina fechada
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É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais...
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E eu digo:
Oh! Cride, fala prá mãe
Que tudo que a antena captar meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe...
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Fonte: http://letras.terra.com.br/
Clique aqui para assistir ao vídeo http://www.youtube.com/watch?v=RY15c-QeYOg

“Terra Estrangeira”, de Walter Salles (1995)


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Paco (Fernando Alves Pinto) é um jovem de 20 anos cuja morte da mãe, abalada com o confisco monetário do Plano Collor, o deixa sem prumo. Decide ir para o exterior conhecer, na Espanha, a pequena cidade natal da mãe. Enquanto isso, em Lisboa, Alex (Fernanda Torres) está igualmente à deriva, enredada em um complicado namoro com Miguel (Alexandre Torres), um músico frustrado que sobrevive à custa de contrabando. Paco e Alex, tipos de classe média, são duas facetas da mesma pessoa, pois espelham tipos diversos de exílio. O mais visível, é claro, é o exílio econômico, já que ambos enfrentam dificuldades para se manter durante os anos difíceis de Collor no poder. Entretanto, existe um tipo mais íntimo e mais profundo de exílio: a busca desesperada por um lar, por uma raiz, no mundo da globalização neoliberal. A classe média proletarizada que imigra e cai nas mãos das redes criminosas é um tema social candente que Salles expõe de modo poético. Na década neoliberal - os anos 1990 - o Brasil, pela primeira vez, tornou-se um país de emigrantes. Um destaque para a bela fotografia de Walter Carvalho em preto & branco e a melodia “Vapor Barato” (cantada por Gal Costa), um feliz improviso que dá a nota triste e definitiva de encerramento ao filme. A cena acima é bastante sugestiva - numa praia distante do litoral português, uma embarcação abandonada. Alex diz para Paco: "Podiamos encalhar aqui... como ela."


Fonte: http://www.telacritica.org/

sexta-feira, 13 de março de 2009

Professor Sr. "Cachorro"!

Se um cachorro fosse o seu professor você aprenderia coisas assim:
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1. Quando alguém que você ama chega em casa, corra ao seu encontro.
2. Nunca perca uma oportunidade de ir passear de carro.
3. Permita-se experimentar o ar fresco do vento no seu rosto.
4. Quando tudo estiver a seu favor, pratique a obediência.
5. Mostre aos outros que estão invadindo o seu território.
6. Tira uma sonequinha no meio do dia e espreguice antes de levantar.
7. Corra, pule e brinque todos os dias.
8. Tente viver bem com o próximo e deixe as pessoas tocarem você.
9. Não morda quando um simples rosnado resolve a situação.
10. Em dias quentes, pare e role na grama, beba bastante líquidos e deite debaixo da sombra de uma árvore.
11. Quando você estiver feliz, dance e balance todo o seu corpo.
12. Não importa quantas vezes o outro te magoar, não se sinta culpado, volte e faça as pazes novamente.
13. Aproveite o prazer de uma longa caminhada.
14. Alimente-se com gosto e entusiasmo.
15. Coma só o suficiente.
16. Seja leal.
17. Nunca finja ser o que você não é.
18. Se você quiser se deitar embaixo da terra, cave fundo até conseguir.
19. E o MAIS importante de tudo... Quando alguém estiver nervoso ou triste, fique em silêncio, fique por perto e mostre que você está ali para confortar.

AMOR

Mesmo que finjas não ouvir-me.
Eu te amo.
Mesmo que venhas a evitar-me.
Eu continuarei te amando.
Mesmo que zombes de mim.
Juntarei forças para amar-te ainda mais.
Mesmo que venhas a odiar-me.
Meu sentimento por ti será um imenso amor.
Mesmo que venhas a exterminar minha vida.
Continuarei te amando de uma outra dimensão.
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Tu não me vencerás jamais!
Pois sou imbatível.
O que sinto é indestrutível.
É algo de outro mundo.
Não tem começo nem fim.
Tampouco cor ou formas.
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Simplesmente te amo
E te amarei infinitamente.
E se mesmo com todo esse amor
Tu persistires em odiar-me.
Retornarei da dimensão em que estou
E nascerei novamente neste mundo.
Só que, desta vez, nascerei do teu ventre.
E assim me amarás.
Me alimentarás
Me farás carinhos.
Cantarás para mim canções de ninar
E me chamarás de: “Meu filhinho”!!!
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Sim, sou teu filho.
Sou teu pai
Teu amante
Teu esposo a quem tanto rejeitas...
Em palavras simples e objetivas:
SOU DEUS.

(Juarez Firmino)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Analfabetismo e preconceito

Vamos falar de algo que, no Brasil, muita gente finge que não vê. O glorioso preconceito. Recentemente a OEA divulgou um relatório em que o Brasil é classificado de violento, preconceituoso e outras iniqüidades.
No caso da língua, digo com todas as letras que, no Brasil, quando se diz que alguém é “analfabeto”, o que se quer efetivamente é desqualificar esse indivíduo socialmente.
Há um ou dois anos, o presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Orlando Silva Júnior, falando da tentativa que a entidade que dirige fez de impedir a realização do provão, soltou uma pérola. Disse Orlando que “não houveram excessos”. Bum! O mundo desabou-lhe nas costas. Eu mesmo comentei o fato com os meus alunos das unidades do Anglo em que leciono e brinquei, dizendo que “o presidente da União Nacional dos Estudantes não estuda”. A revista Veja (edição 1471) dedicou-lhe uma nota na seção “Veja essa”, tratando do deslize gramatical. Arnaldo Jabor, na globo, “detonou” o pobre coitado.
Até aí, tudo bem. Acho que Orlando merece a crítica, afinal o cargo que ocupa lhe exige o domínio da norma culta. No entanto não vi ninguém fazer o mesmo, por exemplo, com o prefeito de São Paulo, que, na TV Bandeirantes, durante um debate antes do primeiro turno das últimas eleições, disse, entre uma infinidade de patacoadas, brandindo uma folha de papel: “Se eu dispor de tempo”.
Sob a ótica da norma curta, o erro de Orlando é tão grotesco quanto o do executivo da Eucatex, mas... Conclua você, leitor.
Qual foi o erro gramatical de Orlando? O verbo haver, quando usado com o sentido de existir, ou de ocorrer, acontecer, não deve ser flexionado. O problema é que pouca gente tem consciência do que efetivamente ocorre com o verbo “haver”.
“O que é que há?” Quem é que nunca disse ou ouviu essa frase? Pois bem, esse “há” é do verbo haver, conjugado na terceira do singular do presente do indicativo. A terceira do plural é “hão” (“Eles hão de conseguir”). Ninguém erra esse verbo no presente. Você nunca disse, nem ouviu alguém dizer “Hão problemas graves neste país”. Ninguém erra isso. Ninguém. Mas, quando se trata do pretérito ou do futuro, poucos são os que acertam. É um tal de “Houveram vários acidentes”, “Haverão graves problemas” etc. Na verdade, como já disse, as pessoas não sabem o porquê da história. É muito comum alguém perguntar se “o há é com h”. Quando alguém me pergunta isso, costumo responder simplesmente que “esse há é da terceira do singular do presente do verbo haver”. E por que respondo assim? Porque quero que a pessoa pense. Quero que ela entenda o que está ocorrendo.
Quem entende que está conjugando um verbo, numa determinada pessoa de um determinado tempo, entende que, se trocar só o tempo, não vai precisar trocar o singular pelo plural. Assim sendo, se você diz “Há problemas”, diga “Houve Problemas”, “Haverá problemas”, “Caso haja problemas”, “Se houvesse problemas”, “Se houver problemas” etc.
“Há, houve, haverá, haja, houvesse, houver” são formas da terceira do singular do verbo “haver”. Só muda o tempo. “Há” é do presente do indicativo, “houve” é do pretérito perfeito, “haverá” é do futuro do presente. Muda o tempo, mas não muda o número, ou seja, não se troca o singular pelo plural.
O erro de Orlando, o presidente da UNE, não foi nenhuma novidade. Ele não foi o primeiro a pronunciar a pérola. Nem será o último. Executivos, empresários, políticos e outros “notáveis” escorregam no verbo haver. Nunca vi nenhum desses figurões ser execrado publicamente pelo deslize. Mas o pobre Orlando... Tenho ou não tenho razão quando digo que na verdade o problema se chama “preconceito”?
Voltando ao prefeito de São Paulo (“Se eu dispor de tempo...”), não ouvi ninguém abrir a boca. O verbo “dispor” é conjugado exatamente como o verbo “pôr”, do qual deriva. E como é o futuro do subjuntivo do verbo pôr? É “puser”. Portanto o futuro do subjuntivo de “dispor” é “dispuser”. “Se eu dispuser de tempo” é o que deveria ter dito o último produto do senhor Duda Mendonça. Mas ninguém disse uma palavra a respeito.
Tenho razão? Parece que sim. “Analfabeto”, no Brasil, só vale para quem é socialmente desprestigiado. Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians, riquíssimo, autor de frases antológicas (“Jogar no interior é uma faca de dois legumes”), era “folclórico”. Analfabeto? Nem pensar.

Pasquale Cipro Neto

quarta-feira, 11 de março de 2009

Confira os 10 erros gramaticais

Erros gramaticais e ortográficos devem, por princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com maior freqüência, merecem atenção redobrada. Veja a lista com dez entre os mais comuns do idioma e use esta relação como um roteiro para fugir deles.
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1 - "Fazem" cinco anos. O verbo “fazer”, quando exprime tempo, é impessoal. Isto significa que o verbo, neste caso, não se flexiona para o plural.
Ex.: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
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2 - Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.
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3 - Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não "em vias de".
Ex.: Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.
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4 - Não sabiam "aonde" ele estava. O correto seria: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa apenas com verbos de movimento: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
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5 - "Cerca de 18" pessoas o saudaram. "Cerca de" indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos.
Ex.: Cerca de 20 pessoas o saudaram.
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6 - Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita. Ex.: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.
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7 - Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.
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8 - A promoção veio "de encontro aos" seus desejos. "Ao encontro de" é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.
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9 - Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.
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10 - O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou "despercebido", não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

terça-feira, 10 de março de 2009

HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

Considerando que, enquanto cada animal é, por sua natureza, logo e sempre, unilateralmente si mesmo (a pulga é logo e sempre pulga, o pássaro, pássaro, e o cachorro, cachorro, seja qual for o destino que sua breve vida lhe reserva), somente o homem quebrou os vínculos de unilateralidade natural e inventou sua possibilidade de tornar-se outro e melhor, e até onilateral; considerando, outrossim, que esta possibilidade, dada apenas pela vida em sociedade, foi até agora negada pela própria sociedade à maioria, ou melhor, negada a todos em menor ou maior grau, o imperativo categórico da educação do homem pode ser assim enunciado: Apesar de o homem lhe parecer, por natureza e de fato, unilateral, eduque-o com todo empenho em qualquer parte do mundo para que se torne onilateral.

MANACORDA, Mario Alighiero. História da educação – da Antigüidade aos Nossos dias. 3. ed. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1992. p. 360-1.