"Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles".

segunda-feira, 9 de março de 2009

Schifaizfavoire

Acento
Um dia, no Brasil, o Jô Soares entrou num táxi e o motorista, que era um português, foi logo o reconhecendo. O Jô, brincalhão, perguntou como ele descobrira. E o motorista respondeu: pelo seu acento. E não estava se referindo ao bumbum do Jô, mas sim ao sotaque.

Banheiro
Jamais, em momento algum, diga que quer ir a um banheiro. Dizer isso significa que você quer ir ao encontro do salva-vidas, aquele que fica na praia de camiseta branca com uma cruz vermelha no peito. E, se for mulher, a salva-vidas atende pelo sugestivo nome de banheira.

Bicha
Esta é a bicha mais famosas das diferenças. Todo mundo sabe que bicha é fila em Portugal.

Carcaça
O Pãozinho com que se fazem sanduíches. E que vem na mesa, nas refeições, nos restaurantes. E atenção: jamais recuse o pão nos restaurantes. Mesmo que você não o coma, e eles não vão cobrar, mas deixe o pão lá. Eles acham que, desde que Cristo colocou o pão na mesa, é uma tradição comer o pão ali. Quer irritar o garçom é mandá-lo levar o pão de volta.

Casa de banho
Mesmo que você não tenha chuveiro, mesmo que seja um lavabo, todo banheiro chama-se casa de banho. Deve haver aqui também uma influencia moura, com suas casas de banho. Não esquecer que os romanos também estiveram lá com suas saunas e termas. No Alcântara Café tem uma belíssima casa de banho masculina. Você já sabe, ir ao banheiro significa ir conversar, na praia, com o salva vidas.

Do pé para a mão
É exatamente o nosso de uma hora para outra.

Drogaria
Atenção, pois não é uma farmácia. Vende todo tipo de drogas (não alucinógenas), menos remédios. É uma espécie de armarinho e tem em quase todas as esquinas. Vende material de limpeza, vaso de plantas, capacho, cabide, martelo, comida de passarinho, vassoura etc.

Estendal
Não é aquele escritor francês de O Vermelho e o Negro. É varal mesmo! Acho que, da mesma maneira que Portugal não estava preparado para tanto carro, não estava também para tanta roupa. Assim como nos apartamentos não têm garagem, não tem área de serviço. As roupas ficam todas penduradas para fora. Dão uma certo ar siciliano às ruas, muito bonito.

Fato
Não confundir fato com facto. Facto é o acontecimento, e fato, aquilo que você veste para ir a certos acontecimentos. De facto, fato é o terno.

Gelado
No verão, as crianças não saem das geladeiras. É a primeira palavra que aprendem em Portugal. Sorvete.

Impedido
Nada a ver com futebol, onde impedido é fora-de-jogo. Impedido em Portugal é quando o telefone está ocupado.


PRATA, Mário. Dicionário de Português – “Schifaizfavoire”. 17. ed. São Paulo: Globo, 1997

domingo, 8 de março de 2009

Chega de prosa

Você diz que não me quer
E fica com esse papo de amigo
Não fique brincando de amor
Brincar com o coração é um perigo.

Fica a proclamar tua liberdade
E ignoras quem profundamente te ama
Mas quando a solidão se torna verdade
Retorna sofregamente à minha cama.

No vai e vem desta relação intrigada
Na indiferença da existência humana
Por que tanta conversa mole?

Deixe de lado o orgulho gelado
Fruto de uma superficialidade insana
Quem ama não brinca... Quem brinca não ama!


(Juarez Firmino)

MILHO PIPOCA

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser.
O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser criança!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! - e ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem pra nada. Seu destino é o lixo.
As pipocas que estouram são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira.
.
Extraído do livro: O amor que acende a lua, de Rubem Alves.

sábado, 7 de março de 2009

Exercício de escrita e oralidade

A atividade consiste em que os alunos tenham preenchidos as lacunas após ouvirem 3 vezes o cd com a música [veja links p/ a letra e o vídeo no final deste post], alguns necessitarão de 4 ou 5 vezes, acima desta média fica demonstrado o grau de dificuldade... Além da percepção oral, é possível também avaliar a ortografia e gramática. Ex.: As sonoridades e diferenças na grafia de massas e maçãs, de manhas e manhãs; o uso dos porquês; a limitação vocabular observadas em palavras como 'boiadeiro', 'simplesmente', 'pulsar' etc. A atividade também pode ser realizada com outras músicas da mpb, desde que tenham letras coerentes com a aprendizagem dos interessados.
-----------------------------

Tocando em Frente
Composição
:
Almir Sater e Renato Teixeira

Ando _______ porque já tive pressa
Levo esse sorriso _______ já chorei _______
Hoje me ______ mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a ________ de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as _______ e as _______,
O sabor das _______ e das _______,
É preciso amor pra poder pulsar,
É _______ paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para ______

Penso que cumprir a vida seja ______________
__________ a _______ e ir tocando em frente
Como
um velho __________ levando a boiada
Eu vou ________ os dias pela longa _______ eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as ________ e as manhãs,
O ______ das massas e das _______,
É _______ amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder _______,
É preciso a _______ para florir

Todo mundo ama um dia ______ _______ chora,
Um dia a gente _______, e no outro vai ________
Cada um de nós ________ a sua _________
Cada ser em si _________ o _____ de ser _______
E ser feliz

_________ as manhas e as ________
O sabor das ________ e das maçãs
É preciso amor pra poder _______,
É preciso _____ pra poder seguir,
É ________ a chuva para ________

______ devagar ________ já tive ________
Levo esse _________ porque já chorei demais
Cada um de ____ compõe a sua ________,
Cada ser em si _________ o dom de ser capaz
E ser feliz


Confira a letra da música na íntegra e o vídeo clicando nas URLs abaixo:
http://letras.terra.com.br/letras.php?dns=almir-sater&id_musica=44082
http://br.youtube.com/watch?v=2jZeu9cmKOc

sexta-feira, 6 de março de 2009

O Tesouro de Bresa

Houve outrora, na Babilônia, um pobre e modesto alfaiate chamado Enedim, homem inteligente e trabalhador, que não perdia a esperança de vir a ser riquíssimo. Como e onde, no entanto, encontrar um tesouro fabuloso e tornar-se, assim, rico e poderoso? Um dia, parou na porta de sua humilde casa, um velho mercador da fenícia, que vendia uma infinidade de objetos extravagantes. Por curiosidade, Enedim começou a examinar as bugigangas oferecidas, quando descobriu, entre elas, uma espécie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos. Era uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, e custava apenas três dinares. Era muito dinheiro para o pobre alfaiate, razão pela qual o mercador concordou em vender-lhe o livro por apenas dois dinares.
Logo que ficou sozinho, Enedim tratou de examinar, sem demora, o bem que havia adquirido. Qual não foi sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira página, a seguinte legenda: "o segredo do tesouro de Bresa." Que tesouro seria esse? Enedim recordava vagamente de já ter ouvido qualquer referência a ele, mas não se lembrava onde, nem quando. Mais adiante decifrou: "o tesouro de Bresa, enterrado pelo gênio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, até que algum homem esforçado venha encontrá-lo." Muito interessado, o esforçado tecelão dispôs-se a decifrar todas as páginas daquele livro, para apoderar-se de tão fabuloso tesouro. Mas, as primeiras páginas eram escritas em caracteres de vários povos, o que fez com que Enedim estudasse os hieróglifos egípcios, a língua dos gregos, os dialetos persas e o idioma dos judeus. Em função disso, ao final de três anos Enedim deixava a profissão de alfaiate e passava a ser o intérprete do rei, pois não havia na região ninguém que soubesse tantos idiomas estrangeiros.
Passou a ganhar muito mais e a viver em uma confortável casa.
Continuando a ler o livro encontrou várias páginas cheias de cálculos, números e figuras. Para entender o que lia, estudou matemática com os calculistas da cidade e, em pouco tempo, tornou-se grande conhecedor das transformações aritméticas. Graças aos novos conhecimentos, calculou, desenhou e construiu uma grande ponte sobre o rio Eufrates, o que fez com que o rei o nomeasse prefeito.
Ainda por força da leitura do livro, Enedim estudou profundamente as leis e princípios religiosos de seu país, sendo nomeado primeiro-ministro daquele reino,em decorrência de seu vasto conhecimento.
Passou a viver em suntuoso palácio e recebia visitas dos príncipes mais ricos e poderosos do mundo. Graças a seu trabalho e ao seu conhecimento, o reino progrediu rapidamente, trazendo riquezas e alegria para todo seu povo. No entanto, ainda não conhecia o segredo de Bresa, apesar de ter lido e relido todas as páginas do livro.
Certa vez, teve a oportunidade de questionar um venerando sacerdote a respeito daquele mistério, que sorrindo esclareceu:
"O tesouro de Bresa já está em vosso poder, pois graças ao livro você adquiriu grande saber, que lhe proporcionou os invejáveis bens que possui. Afinal, Bresa significa saber e Harbatol quer dizer trabalho." Com estudo e trabalho pode o homem conquistar tesouros maiores do que os que se ocultam no seio da terra.
Tinha razão o velho sacerdote.
Bresa o gênio, guarda realmente um tesouro valiosíssimo que qualquer homem esforçado e inteligente pode conseguir, essa riqueza prodigiosa não se acha, porém, perdida no seio da terra nem nas profundezas do mares encontrá-la-eis,sim, nos bons livros, que, proporcionando saber aos homens,abrem para aqueles que se dedicam aos estudos, com amor e tenacidade, as grutas maravilhosas de mil tesouros encantados.
.
.
Malba Tahan - O livro de Aladim.

REVOLUÇÃO DA ALMA

Texto atribuído a Aristóteles, filosofo grego, no ano 360 A.C.

.

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz e sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.

A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida, quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete teu pensamento para os teus desejos mais íntimos e busque a divindade que existe em você. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você.

Não coloque objetivo longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos, ou de relacionamentos familiares, busca em teu interior a resposta para acalmar-te, você é reflexo do que pensas diariamente. Pare de pensar mal de você mesmo(a), e seja seu melhor amigo(a) sempre.

Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar. Então abra um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor.

Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está "pronto" para ser feliz.

Trabalhe, trabalhe muito a seu favor.

Pare de esperar a felicidade sem esforços.

Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.

Critique menos, trabalhe mais.

E, não se esqueça nunca de agradecer.

Agradeça tudo que está em sua vida nesse momento, inclusive a dor.

Nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.

"A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las."

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dicas de leitura

A Montanha Mágica
Thomas Mann




Construído nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial, este romance é o mais completo painel de uma Europa enferma, à procura de uma unidade, de uma síntese espiritual e social, que seu próprio progresso tornou cada vez mais distante e inalcançável.
A ação transcorre na aldeia suíça de Davos-Platz, no sanatório Berghof. Aí se vêem reunidos pela doença elementos de todas as raças e credos humanos. Aí se entrelaçam problemas, inquietações, sofrimentos, ilusões dos mais diversos matizes psicológicos.
.
É um romance bastante expressivo da literatura alemã... Um livro para se ler em 2 ou 3 meses... Meu exemplar [7ª impressão da 2. ed., da Nova Fronteira – trad. De Hebert Caro] possui nada menos que 986 páginas... São várias histórias que se cruzam dentro de uma única e magnífica história... É o romance que melhor exprime o humanismo.

BENJAMIN FRANKLIN

Lost time is never found again.

Up sluggard, and waste not life; in the
grave will be sleeping enough.

God helps them who help themselves.


BENJAMIN FRANKLIN, writer and scientist North American (1706-1790)


*******
O tempo perdido não pode ser reencontrado.

Muita preguiça e desperdício não sobrevivem; na
sepultura estarão dormindo adequadamente.

Deus ajuda àqueles que ajudam a si próprios.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A importância das palavras

Nossas palavras têm grande força: acalentam e destroem, formam opinião ou são recebidas de modo inesperado pelo ouvinte e pelo leitor... Enquanto escrevo não sei o que cada palavra fará na cabeça dos leitores. Tenho boas intenções, refaço textos, escrevo para os leitores, mas – infelizmente – não sei como as palavras trabalham a consciência de cada um.
Isto me faz ponderar, medir, avaliar o peso e a força de cada uma delas. O que você vai ler em seguida foi resultado da vivência de vários anos de magistério, em sala de aula, coisa que curto até hoje. O que está escrito não foi montado para formar este artigo; é resultado da experiência. Coisas que foram ditas em sala de aula e que os alunos captaram como boas ou ruins.
Vou começar pelas frases sentidas como positivas. Depois, procure se reunir com seus colegas para ver se tais expressões são freqüentes e quais outras positivas ouvem. Pense um pouco naquilo que foi dito a você na época do colégio, o que restou de positivo.
- Vocês vão conseguir aprender esta matéria.
- Não desanimem.
- Contem comigo sempre, mesmo fora da escola.
- Posso perder a paciência num momento, mas sou paciente durante a vida. Nosso relacionamento será ótimo.
- Agradeço a amizade de todos vocês.
- Procurarei ajudá-los sempre que for possível.
- Não tenho a intenção de reprovar quem quer que seja.
- Vocês serão alguém na vida.
- Ajudar os outros é muito importante.
- Vamos colaborar com nosso colega que está doente.
- Hoje é aniversário de “fulano”, vamos saudá-lo.
- Esforcem-se. Confiem na própria capacidade. Não desanimem.
- É importante ter metas claras na vida e persegui-las.
- A vida é cheia de dificuldades; todos nós temos dificuldades; vocês não são os únicos. No que couber a mim, vou ajudá-los.- Quando você progride, o País progride com você.
- A pontualidade de vocês é excelente. O respeito pelos outros também. É importante ser solidário com quem precisar e estiver mais próximo.
- Esta matéria é importante para a vida de vocês porque...
Já ouvi muitas frases escolhidas pelos alunos como positivas. Fiz várias vezes o seguinte tipo de avaliação com eles: primeiramente escreviam frases ditas pelos educadores, sem citar nomes, classificando-as como positivas ou negativas. Numa segunda fase essas frases eram levadas aos educadores, incluindo-se o vocabulário desagradável aos ouvidos, e eram discutidas por eles.
As reações surgiam espontâneas; alguns se encontravam nas frases, até nas negativas. Alguns se corrigiram e se reafirmaram; outros, não. Esta seria uma excelente experiência para ser feita em sua escola. Se a direção não quiser, faça você com seus alunos, sobre frases que disse, e parta para uma auto-avaliação. Você nem pode imaginar quanta coisa já disse e que efeito teve, e ainda pode se deparar com frases que a você parecem voas, mas são tomadas pelos alunos como negativas. Isso ajuda muito na sintonia com as turmas.
Vamos agora ao outro lado da medalha: as frases sentidas como negativas.
- Depois dessa resposta, recomendo-lhe um bom punhado de capim.
- Você pra burro só falta pena.
- Você é um extrato de pó de fezes.
- Não sabe? ESADOF ao contrário!
- Minha filha, se você usa um blusão da Yamaha, como se sente quando montada?
- Quem não souber a resposta é burro.
- Você não tem futuro.
- Detesto pobre. Pobre nunca dá certo na vida.
- Vocês são todos uns mauricinhos... Que se danem na vida.
- Vocês merecem reprovação em massa, e reprovar é comigo mesmo!
- Tomem cuidado porque na prova eu ferro vocês.
- Cuidado, sou uma fera. Vocês ainda não viram nada!
Já lidei com todas as frases transcritas. Posso afirmar, mais uma vez, que são todas verídicas. De fato, existem profissionais que lesam a profissão e outras que a elevam ao seu ponto mais alto. Sugiro o mesmo exercício de avaliação proposto para as frases positivas. Esse tipo de reflexão ajuda os educadores a pensarem nas conseqüências de tais atitudes.


Texto de Hamilton Werneck, adaptado do livro Como vencer na vida sendo professor.

Cálice



.
A música, composta por Chico Buarque e Gilberto Gil no ano de 1973, constitui, por si mesma, uma (re)leitura da história oficial do país. É uma letra escrita com o “coração de estudante”, com a coragem do jovem dos anos 70 que não aceita a ditadura militar de direita e se une a “inteligência” que pende para a esquerda. A canção apresenta versos pomposos que tratam da política com requintes de estruturação poética.

Escrita na véspera de uma sexta-feira da Paixão, seus versos exibem a ambigüidade (cálice / cale-se), de uma obvia alusão à agonia de Jesus Cristo no calvário, que se observa no refrão “Pai, afasta de mim este cálice / de vinho tinto de sangue”. Outros versos, praticamente todos, também se destacam, é o caso da citação “bebida amarga”, uma bebida italiana chamada Fernet, que Chico Buarque sempre oferecia a Gilberto Gil quando este visitava seu apartamento.

Na letra de “Cálice”, que a princípio poderia ser o clamor de um filho diante de um pai alcoólatra, observa-se que a mensagem é, na verdade, de cunho político. Os compositores, por estarem na Semana-santa, talvez propositadamente, culminam contrapondo o fundo político aos textos bíblicos, o que remete ao jogo fônico-semântico, desencadeado pela censura.

No show que houve na USP, quando os artistas começaram a cantar “cálice”, os microfones foram desligados. Era a ação dos agentes da censura. Então se passava para outro microfone que em seguida também era desligado, e assim, um a um, todos os telefones foram desligados e a voz dos cantores foram sendo caladas. Daí a homofonia: cálice / cale-se.

A música inteira é escrita (ou cantada) em primeira pessoa, por um filho que protesta — e a ele se contrapõe apenas a voz de um Outro, o que manda calar...

.

Veja o vídeo do show com o absurdo da censura, acessando a URL a seguir:http://br.youtube.com/watch?v=oXGDlMMOEWg

Faça uma varredura em seu nome...

Vejam que interessante!
.
Com a evolução dos bancos de dados e dos grandes portais de busca na internet, quaisquer publicações que sejam feitas envolvendo o nome de determinada pessoa e que venham a ser indexadas na grande rede mundial de computadores podem ser detectadas em poucos segundos.Para isto, basta acessar o portal de busca, o Google, por exemplo, em http://www.google.com.br/, digitar [no browser o nome da pessoa a ser pesquisada entre aspas] e pronto. Estará tudo lá. Surgirá na tela do monitor, dependendo da atividade que a pessoa exerça, da exposição do nome desta na grande mídia, ou da interação que tenha com o mundo da informática, a relação de links em que o nome aparece sendo citado.Mas, é importante que a pessoa digite o nome a ser pesquisado entre aspas, caso contrário a relação informará links cujos nomes, por serem semelhantes quanto ao montante parcial de vocábulos, acabará por estender muito e desnecessariamente a pesquisa.
Existe também a possibilidade de se fazer uma varredura no nome de pessoas através de informações mais detalhadas, como por exemplo, utilizando-se do número do CPF (ou de outros documentos pessoais) desta, do nome da entidade de classe a qual ela esteja afiliada, da instituição a qual ela tenha algum vínculo, etc. Mas isto já é um procedimento mais complexo... Coisa para os detetives profissionais, não é mesmo? rssssss... rsss

domingo, 1 de março de 2009

Desiderata

Do latim desideratum; aquilo que se deseja, aspiração
.
.
Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas. Fale a sua verdade calma e claramente; e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; também eles têm a sua história. Evite as pessoas barulhentas e agressivas. Elas são o tormento para o espírito. Se você se comparar a outros, poderá se tornar vaidoso e amargo; porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Desfrute suas conquistas assim como seus planos. Mantenha-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde; é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos. Exercite a cautela nos negócios; porque o mundo é cheio de artifícios. Mas não deixe que isso o torne cego à virtude que existe; muitas pessoas lutam por altos ideais; e por toda parte a vida é cheia de heroísmo. Seja você mesmo. Principalmente não finja afeição, nem seja cínico sobre o amor; porque em face de toda aridez e desencantamento, ele é perene como a grama. Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência as coisas da juventude. Cultive a força do espírito para proteger-se num infortúnio inesperado. Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão. Acima de uma benéfica disciplina, seja bondoso consigo mesmo. Você é filho do Universo, não menos que as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui. E, quer seja claro ou não para você, sem dúvida o Universo se desenrola como deveria. Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja a sua forma de concebê-lo, e, seja qual for a sua lida e suas aspirações, na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma. Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este ainda é um mundo maravilhoso. Esteja atento.